Life
43 Capítulo 42
Notas iniciais
Bom, queria dizer que estou animadíssima, pois Life recebeu mais uma recomendação!! Já são OITOOO o/o/o/o/o/o/o/o/
Para nooooooossa alegriaaaaaa ♪
Que maravilha gente, estou mega animada com isso, por ver que tem leitores novos e que os antigos não me abandonaram! É isso, como digo sempre, vcs são foda! Falei!
E pela recomendação e lindas palavras eu dedico este cap à AnnaMoonable!! Obrigada, sua linda!
Boa leitura!
Eram seis da manhã e todos estavam reunidos em frente aos portões de Naska, prontos para partir. Um caminhão antigo do exército, porém resistente ao tempo e aos empecilhos da estrada, estava com a equipe de soldados e cientistas. A 1000 cc de Alex e a irmã de mesma potência de Marcos estavam à frente, prontas para a partida.
Eu ajeitei a mochila no caminhão e desci. Roger estava com os olhos vermelhos e abraçava Lisa e o pai, ambos viriam conosco.
– Ele não vai se cuidar sozinho, vai? – falei brincando ao me aproximar do grupo. Lisa riu.
– Eu duvido! Quando a gente voltar Naska vai estar em ruinas. – ela falou apertando a mão do irmão mais novo.
– Vocês vão morder as línguas, isso sim. – ele falou tentando entrar na brincadeira. Eu sabia que estava triste e muito nervoso com a nossa partida.
– Bom... se cuidem. – ele disse ao me abraçar.
Apertei forte Roger em meus braços. Ela tinha se tornado um bom amigo e eu sentiria saudades.
– Vê se se cuida também. – falei em seu ouvido. Ele acenou uma vez.
Depois disso os deixei se despedir como uma família. Era triste esse momento. A jornada que enfrentaríamos seria longa e perigosa e talvez, nenhum de nós sobrevivesse a ela. Mas tentaríamos, daríamos o sangue e tudo o que tínhamos de melhor para seguir em frente e achar a cura, ou pelo menos, o ponto fraco das criaturas. Nossa jornada era pela vida, pela raça humana.
Caminhei até o grupo em que Alex estava. Os homens discutiam os últimos detalhes da rota e os horários que deveríamos cumprir. Dornelles tinha um mapa semelhante ao de outro soldado e acabava de marcar um ‘X’ em determinado ponto.
Assim que me aproximei, encarei os olhos coloridos de Alex, que esticou um dos braços pra mim. Segurei sua mão e ele me conduziu pra perto de si, abraçando-me pela cintura.
Silêncio.
Esse comportamento deles estava começando a me irritar. Foi Marcos quem prosseguiu a conversa, como se nada tivesse acontecido.
– Vem na moto comigo? – Alex perguntou em tom baixo, enquanto os demais voltavam a discutir.
– Só se eu pilotar. – falei sorrindo.
Ele riu.
Delicadamente, Alex me puxou para o lado, afastando-me dos outros; senti que queria falar comigo.
– Sabe que não vai ser fácil... essa jornada. – ele começou, ainda com as mãos em minha cintura, mantendo-me perto.
– Onde quer chegar, Sr. Alex? – perguntei estreitando os olhos... sabia que vinha alguma coisa.
Ele respirou fundo antes de prosseguir.
– Eu queria que refletisse um pouco mais... queria que ficasse em Naska.
– Ficar em Naska? – perguntei sem acreditar em suas palavras.
– Eu sei que você lutou muito por isso, sei que estudou e se preparou durante anos pra ir até aquele lugar, mas os vampiros que estão lá fora estão me caçando e eu ainda não consigo me perdoar por você ter sido sequestrada por minha causa. Eu não consigo imaginar o que seria de mim se você tivesse... – ele fez uma pausa – não posso imaginar você correndo esse risco.
– Alex, por favor, não diz isso... você sabe que eu enfrento qualquer coisa pra chegar até aquele lugar, eu sei que posso conseguir a cura e não posso fazer isso presa aqui.
– Aqui é seguro, você teria toda a informação que precisa quando retornássemos. – ele tentou.
– Eu não acredito que estamos discutindo isso. – falei incrédula pela tentativa dele em me manter na cidade.
– Não estamos discutindo, estou apenas dizendo que você tem a opção de não ir... e que é a opção mais segura. – ele falou – Você não é uma pessoa normal do grupo, você vai ser um alvo pra eles.
Respirei fundo, afastei-me dele um pouco. Eu compreendia sua preocupação, mas eu já tinha chegado longe demais pra desistir agora. Então eu simplesmente perguntei:
– Você acha mesmo que eu estaria mais segura aqui em Naska do que perto de você?
Encarei sei olhos brilhantes; ambos sabíamos a resposta. Ele respirou fundo mais uma vez e deu um sorriso torto e lindo.
– Esse foi o golpe mais baixo que você já deu. – ele falou enquanto vinha até mim.
Partimos em poucos minutos. Havia muita expectativa e muita tensão no grupo. Na moto estavam Alex e Marcos. Eles iam a frente do caminhão com alguns minutos de vantagem, devido a agilidade das motos, e verificavam o caminho. A rota escolhida não foi a mais curta, mas foi a mais segura e por onde passavam em mais pontos de abastecimento e bases militares abandonadas.
O grupo era composto por doze dos melhores soldados de Naska, incluindo Marcos, Dornelles, Júnior e Alex, e seis pesquisadores, incluindo Dr. Robert, Lisa e a mim. Nas mochilas de cada um de nós haviam suprimentos, munição, roupas e cópias dos documentos mais importantes para que, caso algo acontecesse a um de nós, não fosse tudo perdido. Em situações como esta, não podíamos ter toda a informação em um único lugar porque, se fosse perdida, estaríamos ferrados.
Seguimos sem problemas e o dia estava quente e ensolarado. A base que Lauriê nos revelou ter sido o início de tudo ficava em uma cidadezinha do interior, afastada de tudo e longe de qualquer suspeita. Se nosso planejamento desse certo, alcançaríamos o lugar em pouco mais de cinco semanas de viajem ininterrupta. Num mundo onde a noite é dominada por vampiros, essa viajem era quase que uma sentença de morte com hora marcada.
Os pesquisadores, acostumados com a segurança de Naska, estavam visivelmente abalados e nervosos e tudo pioraria muito quando a noite chegasse. Enquanto estávamos no caminhão, Dornelles e um outro soldado mais experiente e que eu não conhecia foram dando algumas instruções básicas para os novatos. Eles haviam recebido um treinamento em Naska, treinamento do qual não precisei participar, mas que foi fundamental. Eles aprenderam a atirar com todos os tipos de armas que carregávamos e também movimentos básicos de defesa... não que eles conseguissem acertar o alvo ou fossem mestres em kung fu, mas pelo menos a teoria tinha sido passada... e de teoria eles entendiam.
A parada pro almoço foi rápida e aproveitamos também para esticar as pernas. Aproveitei para me aproximar de Marcos e Alex.
– Acho que andamos mais do que imaginamos, não? – perguntei aos dois, que suavam pelo calor.
– Sim, a estrada estava limpa. Temos que alcançar agora a primeira base, onde passaremos a noite. – Marcos falou animado – Se pudéssemos avançar mais, seria bom.
– É, mas é preferível pararmos onde planejamos do que ficarmos no meio da estrada durante a noite. Ainda estamos perto de Naska e a concentração de vampiros é grande por aqui. Eles sempre esperam que comboios como o nosso saiam da cidade.
Alex foi sensato e eu e Marcos concordamos com ele. O melhor a se fazer seria seguir o planejamento. Senti o olhar de Alex em minha direção e o encarei de volta. Marcos deve ter reparado nisso, porque saiu de fininho.
– Como foi lá atrás? – ele perguntou se aproximando de mim.
– Apertado. – respondi sorrindo.
– E Lisa, tá assustada ainda?
– Bastante. Eu sei que está muito mais preocupada porque o pai dela está junto... imagino como deve se sentir.
Não conversamos muito mais, logo partimos e pegamos a estrada de volta. Chegamos cedo ao ponto onde passaríamos a noite e Marcos e Alex já tinham montado acampamento. As primeiras noites seriam as mais tensas. Nós comemos pouco, pois o nervosismo e relativa proximidade de Naska e dos vampiros das redondezas, nos deixava em alerta.
A noite quente passou lenta, como sempre. Os soldados se dividiram em dois grupos para ficar de guarda. Nas barracas, os demais se dividiam, sempre com uma pessoa acordada na porta de cada abrigo de nylon.
O dia seguinte veio e a viajem prosseguiu. Nós seguimos o planejamento, seguimos o caminho sempre com atenção e, por sorte, não encontramos nenhum tipo de surpresa. O máximo que tivemos que fazer foi desatolar o caminhão em certa ocasião, onde o asfalto estava rachado e o trecho em terra batida estava repleto de lama densa.
A água era sempre completada quando encontrávamos uma fonte natural e bastava acrescentar uma pequena pastilha especial no cantil para torna-la segura e potável, não gostaríamos de enfrentar doenças debilitantes durante o trajeto. A comida era, em sua maioria, não perecível. Cozinhávamos arroz durante os almoços e juntávamos às carnes secas e cereais que trazíamos divididos entre as bagagens. Mas era racionado, por medida de prevenção. Assim, completávamos sempre a alimentação com frutas frescas que colhíamos na mata durante o caminho.
Nossa maior dificuldade era o combustível. Chegou um dia em que o posto de parada estratégica estava seco e parcialmente destruído. Dirigimos o máximo possível com o combustível reserva e as motos tiveram que seguir sozinhas por alguns quilômetros para chegar ao próximo posto. Era final da tarde do oitavo dia de estrada quando Alex e Dornelles retornavam com os galões amarrados às garupas das motos.
Nosso acampamento já estava montado, decidimos seguir viajem no próximo dia. Eu estava sentada dentro de uma das barracas, aproveitando os últimos minutos de luz do dia para reler a contracapa do livro que trouxe comigo...
– Libertar... libertação... liberdade... o que será que isso significa?
Eu falava sozinha, tentando entender o significado do sonho que tive e o comportamento estranho dos vampiros que me sequestraram... nada fazia sentido.
– Posso entrar?
Olhei para a entrada da barraca verde oliva. Júnior estava li, agachado e com um sorriso no rosto.
– É claro . – falei sorridente, enquanto fechava o livro.
– Liberdade? Está se sentindo presa aqui dentro? – ele perguntou enquanto sentava de frente pra mim.
– Não... não é nada. – falei, mudando de assunto.
Ele ficou me olhando por um tempo antes de dizer:
– Sabe, eu estou sentido sua falta. A gente quase não se falou nesses dias.
– É... você tem razão... eu também sinto sua falta. – falei sinceramente, percebendo o quanto eram verdadeiras estas palavras.
Ele sorriu.
– Júnior, você viu a Sandy falar comigo na academia aquele dia? – perguntei querendo saber a verdade.
– Sim. – ele respondeu, abaixando a cabeça.
– E você sabe o que ela me disse, não sabe? Foi você quem a mandou falar comigo?
Eu o encarei com seriedade, para que pudesse voltar com o meu relacionamento com Júnior, eu precisava dessa resposta.
– Sim. – ele confessou, me olhando nos olhos — Eu pedi pra que ela falasse com você sabre a experiência que teve com Alex, assim você poderia ver que não sou apenas eu quem estou dizendo que ele não é pra você.
– Júnior, você não sabe o que se passou entre eu e ele. Eu sei como ele era, sei do seu passado e isso não me importa. O que me importa é o que temos e isso, nem você nem Sandy vão mudar. Até que ele me prove que não merece minha confiança, eu vou estar ao seu lado porque o amo.
– Eu sei disso e peço desculpas pelo o que aconteceu na guarita aquele dia e também por me meter em sua vida... a verdade é que eu não tinha esse direito.
– Tudo bem... só não faz de novo, não quero brigar nem me afastar de você. – falei sorrindo pra ele.
A sinceridade de Júnior me comoveu. Eu sabia o que ele sentia por mim e sabia que devia ser horrível me ver ao lado de Alex... eu compreendia isso e esperava sinceramente poder voltar a me dar bem com Júnior como antes. Ele se aproximou de mim e sentou ao meu lado, abraçando-me.
– Me desculpa, OK? – ele disse.
Eu o abracei de volta.
– Tá, já passou. – respondi.
– Desculpa interromper, mas temos problemas.
Ouvi a voz seca de Alex na entrada da barraca e, pelo brilho em seus olhos, ele não tinha gostado do que viu. Merda.
A noite estava começando e todos se reuniram no centro do pequeno acampamento. Alex seguiu na frente e não consegui falar com ele sobre o que tinha acontecido entre Júnior e eu, pois ele logo começou a falar pra todos:
– Quando eu e Dornelles estávamos voltando com o combustível, vimos um rastro de sangue na estrada, há menos de um quilômetro daqui. Eu desci da moto e segui o rastro. Estava relativamente fresco, provavelmente da noite anterior. Depois eu vi a carcaça de um felino grande onde o rastro terminava. A garganta do bicho estava dilacerada, mas sua carne estava intacta, o que indica que não foi outro bicho que o predou. Possivelmente tenha sido algum vampiro desesperado e faminto, o que significa dizer que pode ter malditos por perto.
Bastou Alex dizer isso para o pânico se instaurar entre os pesquisadores, nós tivemos de acalmá-los. Rapidamente, separamos os cientistas nas barracas e todos os soldados ficariam de guarda esta noite, por precaução.
...
Escureceu rapidamente e eu estava a postos com a arma e o facão nas mãos. Eu encarava o mato sombrio, atento a qualquer ruído ou movimento estranho, já que estávamos possivelmente lidando que uma região cheia de malditos. Meu sexto sentido dizia que esta noite não seria como as outras.
Minha mente borbulhava. Eu queria estar cem por cento concentrado na segurança de todos, mas uma pequena parte de mim não conseguia para de pensar em Manuella e Júnior se abraçando naquela barraca. Eu sabia que estava sendo um tolo idiota e infantil, mas eu era bom em matar vampiros, não em controlar meu ciúme em relação a ela. Que merda, aquele filhote de soldado estava começando a me irritar profundamente. Em um lugar muito obscuro da minha mente eu visualizei um bando de vampiros arrancando sua cabeça e sinceramente fiquei indeciso sobre se o salvaria ou não numa situação daquelas...
Senti a presença dela ao meu lado, quando se aproximou sutilmente. Ela estava atenta, com a pistola em punho, vigiando a floresta a nossa volta. Manuella se aproximou de mim e falou num sussurro:
– Sabe o que eu queria?
– Um banho quente? – arrisquei.
Ela sorriu.
– Eu ia dizer um beijo, mas acho que um banho quente é uma boa opção. – ela falou olhando pra frente.
Vi sua silhueta ao meu lado e não pude deixar de sorrir. Eu jamais conseguiria ficar chateado com ela por qualquer motivo que fosse. Olhei ao redor e só vi a negritude da natureza noturna. Alguns metros ao meu lado estavam Sandro e Dornelles e atrás de nós o acampamento.
Virei em sua direção e ela fez o mesmo. Guardei o facão no apoio fuleiro de couro em minhas calças que usava como bainha, e a abracei. Passei as mãos em seus cabelos presos e em seu pescoço nu. Ela fechou os olhos. Depois eu a beijei profundamente, sentindo o gosto de sua boca durante breves segundos.
– Sabe que aquilo não foi nada, não é? – ouvi sua voz doce dizer assim que separei nossos lábios. Ainda mantinha os olhos fechados, apenas sentindo seu cheiro misturado ao sereno da noite.
– Eu sei. Me desculpa por eu agir dessa forma, é que eu te amo e tenho ciúmes de você com outro homem. – falei encarando finalmente seu lindos olhos castanhos.
Ela sorriu.
– Mas não há outro homem, só tem você.
Senti um calor por dentro com suas palavras e a voz meiga. Por Deus do céu, como eu a amava. Era tão intenso que chegava a doer o peito. Ela então me deu um selinho rápido e se afastou. Não poderíamos fazer esse tipo de coisa no meio da vigília, isso podia ser uma distração fatal.
Os minutos passaram arrastados e nós nos revezávamos de posição quando eu ouvi. Parei instantaneamente, o corpo tenso. Eram passos correndo, correndo em nossa direção. Antes que eu pudesse avisar aos outros, ouvi os grunhidos vieram de todos os lados e o cheiro de podre me atingiu. Depois disso, a noite negra se tornou rubra.
Notas finais
Reviews???
Fale com o autor