Life
33 Capítulo 32
Notas iniciais
Aproveito pra deixar aqui meu MTO OBRIGADA a todos que me deixam reviews e que me incentivam com suas palavras!!
Tbm quero aproveitar a oportunidade pra deixar umas recomendações de fics, pra quem está interessado em ler boas histórias: Debaixo das Terras Sagradas, de Katty, que vai te deixar arrepiado com a maldade e sensualidade dos personagens; Amalgamados, de Vick_Naomi, que traz uma leitura misteriosa, leve e envolvente; e Filha das Sombras, de Ana Casali, uma fic completa que me surpreendeu com um romance diferente e divino.
É isso. depois deixo mais dicas de leitura, aproveitando sempre pra convidar a todos que não leram Salvation e Signatum para darem uma conferida, acho que vale a pena :)
Boa leitura!!!
Manuella adormeceu em meus braços. Ela tinha um sono pesado e, certamente, bem vindo. Parecia relaxada e tranquila ali comigo. Enquanto ela se banhava eu não conseguia parar de pensar na cena que vi naquele galpão. Ela estava sendo tão brutamente violada que senti meu estômago revirar. Por sorte eu cheguei a tempo de evitar o pior, mas não tinha sido o suficiente. Eles proporcionaram a ela momentos de horror que eu jamais vou poder apagar de sua memória, momentos que a fizeram reviver aquele trauma terrível que teve quando menina.
Eu olhava pra ela, tão tranquila e serena, que dava vontade de tirar uma foto e guardar comigo pra sempre. De fato eu tirei uma foto, uma foto em forma de lembrança. Ela estava tão linda. Seu corpo curvilíneo sobre o meu peito, as pernas juntas e dobradas deixavam o quadril acentuado. Mas eu não conseguia pensar nela de um jeito diferente, por mais sensual que ela pudesse estar naquela situação. Eu a via de outro jeito, sem intenções, sem desejo, simplesmente com vontade de olhá-la e tê-la daquele jeito pra sempre ao meu lado. Eu não queria que a lembrança daquela cena ou meu ódio por aqueles animais me torturassem agora, eu só queria ficar ali, em paz com a mulher que eu amava.
O dia já raiava lá fora há algum tempo quando ouvi uma batida suave na porta. Lentamente, me movi para o lado, posicionando Manuella no centro da cama. Ela acordou.
- O que houve? – perguntou desorientada.
- Nada, tá tudo bem, só vou buscar algo pra gente comer, OK?
Ela estava com sono, mas vi que não gostou da ideia de ficar sozinha. Eu me ajoelhei no colchão e a abracei, dando-lhe um beijo na testa.
- Eu já volto, prometo que vai ficar bem. Volte a descansar, quando abrir os olhos novamente, vou estar bem aqui com você.
Ela acenou, fechando os olhos.
Caminhei até a porta e abri. Marcos e Dornelles aguardavam impacientes. Eles me avaliaram rapidamente, verificando se existia perigo.
- Alex, o que está acontecendo? – Marcos perguntou confuso e nervoso – Há uma hora atrás encontramos o corpo de Sidarta no galpão. O cara tava arrebentado, tinha sangue pra todo lado! Ontem você sumiu depois o Dornelles veio te procurar e você estava... sei lá, estranho... que porra que tá acontecendo?
- Marcos, dá pra parar de gritar?! – falei com raiva, saindo e fechando a porta atrás de mim.
- Ah! É claro, não quero acordar uma dessas putas que devem estar na sua cama! – ele ironizou. Estava alterado e nervoso.
- Marcos, se controla, porra! – Dornelles tomou a frente.
O homem experiente me encarou seriamente antes de perguntar:
- É a Manuella que tá aí?
Não respondi.
- Eles fizeram alguma coisa com ela ontem? Por isso você fez aquilo?
Dornelles era diferente, um homem perspicaz. Ele tinha visto meu estado alterado na noite anterior e sabia que, além dos vampiros, somente Manuella podia provocar aquilo em mim.
- Não quero que ninguém saiba disso, Dornelles, nem mesmo que ela saiba que vocês sabem, entenderam? – falei com a voz séria e urgente.
- Ela está bem? – Dornelles perguntou, preocupado.
- Não, mas vai ficar.
- Me desculpa, eu não fazia ideia. – Marcos pareceu envergonhado.
- O que quer que façamos?
Encarei Dornelles, que parecia tão indignado e irado quanto eu.
- Nada. Deixem que eu resolvo isso. Mas eu preciso que vocês garantam que aqueles desgraçados do Olavo e do Petrus não saiam de Naska.
- Sair? Por que você acha que eles sairiam, sozinhos? – Marcos perguntou.
- Por que eles sabem que é melhor encarar os vampiros lá fora do ficar aqui. – falei simplesmente, encarando meu amigo.
- Podemos prendê-los. Manteremos os dois isolados dos outros, basta Manuella denunciar os safados.
- Não, Marcos, isso não vai acontecer e ninguém vai saber de nada disso. Eles não fizeram nada, mas só porque cheguei a tempo, mas ela está abalada, não vai falar... e eu não quero que fale porque quero fazer isso do meu jeito.
- O que pensa em fazer? – Dornelles perguntou.
- Eu ainda não sei. – falei antes de voltar pra casa.
...
Caminhei com a mochila pesada e desconfortável para perto de um dos galpões mais externos, onde jazia a motocicleta extra. Eu teria de agir rápido. Por sorte, eu tinha dado uma geral nela, alguns dias antes. Eu sempre gostava de ter algo preparado em casos emergenciais e isso sim era uma emergência. Se eu saísse agora, podia me refugiar no ponto de parada a oeste para passar a noite e depois seguir para a próxima província, Naska não era um lugar seguro pra mim agora.
Senti uma dor aguda no peito, por conta das costelas quebradas. Aquele miserável do Alex... eu não tinha como enfrentá-lo naquele estado, mas assim que estivesse recuperado iria me vingar do filho da puta. Salvador ou não, ele iria se ver comigo.
Contornei o muro para pegar a moto, quando ouvi alguém gritar meu nome.
- Olavo!
Assustei-me e virei, apontando a arma engatilhada. Petrus estava escorado no muro, com o rosto inchado e roxo, completamente desfigurado. Um de seus braços estava mole, como se tivesse soltado do ombro e ele o apertava junto ao corpo com o outro braço.
- Me leva com você. Sei que vai fugir, preciso que me leve. Alex vai me matar se ficar aqui.
O homem louco estava delirando. Mal entendi o que falou com a voz embolada.
- Sai daqui, seu verme! Está delirando se pensa que vou te levar pra algum lugar! – Falei empurrando a criatura, que caiu chorando de dor.
- Filho da puta! – foi o que conseguiu falar entre os dentes quebrados.
Subi na moto e ajeitei a mochila da maneira que me causava menos dor. Acelerei apenas o suficiente pra sair dali, sem chamar a atenção. Por sorte, Naska estava de ressaca da noite anterior, havia pouca gente transitando àquela hora da manhã e ninguém próximo aos galpões e às plantações. Fui em ao direção do muro sul, onde havia passado a noite e por onde eu esperava poder passar. Havia ali uma pequena passagem, portões menores que serviriam de escape urgente para os moradores.
Ao me aproximar, vi que haviam reforçado a guarda. Eu teria que passar por eles.
- Olavo! – o mais baixo dos soldados falou. Era Carlos, um moleque insolente que não servia de nada. Fiel seguidor de Alex e seu séquito de idiotas.
- Preciso sair. Tenho uma missão de urgência. Resgate a um pelotão que vem de outra província. – falei da maneira mais firme que pude.
- Sinto muito, mas não posso te deixar passar. – ele falou apertando a metralhadora no peito.
- O quê? – perguntei sem entender.
- São ordens expressas. Você, Petrus e Sidarta estão proibidos de deixar Naska. Sinto muito.
Fiquei olhando pro garoto que se mantinha firme. O soldado negro e mais velho surgiu atrás dele. Aquele era Max, um dos meus.
- O que aconteceu pra Alex querer sua cabeça? – ele perguntou, ignorando totalmente a presença do franguinho.
Encarei o soldado enorme. Ele e eu já tínhamos passados por pouca e boas juntos, ele valia tanto quanto eu.
- Mexeu com aquela piranha, não foi? – ele perguntou, perspicaz – Eu te disse pra não fazer isso, te avisei. Eu te disse pra deixar pra lá.
- Deixar pra lá? Você tá bêbado, seu soldado de merda? Aquela vaca merecia muito mais! – explodi – Por sorte da vadia nós não conseguimos fazer nada porque ele apareceu, mas eu ainda vou ter minha vingança, pode apostar.
- Você é um homem morto. – Max sacudia a cabeça – Ele não vai te deixar viver.
- É por isso que estou saindo, seu besta. Vou me recuperar e depois volto pra me vingar dos dois. Mas eu não posso passar se não abrir a porra do portão!
- Não pode sair, Dornelles disse que...
O franguinho não terminou de falar. Acertei uma coronhada no meio da testa que desarmou o moleque, que desmaiou ali mesmo. Max nem se moveu.
- Então, vai ficar aí parado? – perguntei encarando os olhos negros e profundos de Max.
- Você é quem sabe, vai estar morto de qualquer jeito. – ele disse antes de sair e ir até a pequena guarita. Segundos depois, ouvi os portões se moverem.
Acelerei a moto e saí com tudo de Naska, correndo contra o tempo para chegar a um lugar seguro antes do anoitecer.
...
Senti um cheiro agradável e minha barriga roncou antes mesmo de eu acordar completamente. Abri os olhos e vi Alex arrumando a mesa, que estava farta.
Sentei na cama, ainda sonolenta. Passei as mãos nos cabelos desgrenhados enquanto tentava lembrar da última vez que tinha dormido tão profundamente assim. O sol brilhava lá fora, indicando que o frio estava começando a dar espaço pro calor da primavera.
- Boa tarde. – ele disse enquanto vinha em minha direção.
- Tarde? — perguntei com a voz um pouco grogue.
- Estou te esperando.
Dizendo isso ele foi até a mesa e se sentou. Levantei e fui até o banheiro pra lavar o rosto e tirar a aparência horrorosa que devia estar. Logo depois caminhei até a mesa, que estava bonita, com pães, frutas, leite e sucos.
- Vou ter que pagar por isso? – perguntei enquanto sentava do lado oposto a ele.
- Não, mas não se acostume. – ele respondeu rindo.
Tive uma refeição excelente. Alex era uma boa companhia e me fazia rir o tempo inteiro. Em momento algum tocou no assunto de ontem, assunto que eu queria esquecer, junto com meu passado triste.
- Peguei suas coisas. – ele disse antes de tomar o último gole de suco.
Olhei na direção que apontava e vi minha mochila sobre o sofá.
- Obrigada. – respondi.
Alex levantou, caminhou em minha direção e afagou meu cabelo.
- Eu preciso resolver algumas coisas sobre a viajem que se aproxima... mas se quiser eu fico aqui com você.
- Não! Não, de maneira alguma... eu vou me trocar e vou... vou seguir com tudo, não se preocupe.
- Você sabe que pode ficar o tempo que precisar, não sabe? – ele disse, ainda me afagando o cabelo daquele jeito gostoso.
- Eu sei... obrigada.
Ele sorriu e me beijou a testa.
- Ninguém vai machucar você de novo. Nunca mais.
Olhei pra cima e vi seus olhos de perto. Estavam brilhantes, embora coloridos, mantinham uma claridade incomum ao redor da íris. Aquela cor, aquele calor que me fazia sentir... aquilo me deixava segura, me fazia bem.
Envolvi seu pescoço com meus braços e o puxei para mais perto, abraçando-o.
Alex me correspondeu e fiquei de pé para senti-lo melhor. Ele correspondeu. Era bom sentir como meu corpo se encaixava no dele e em como eu quase esquecia o perigo do mundo a minha volta.
- Eu nunca vou poder te agradecer pelo o que fez. – falei em seu ouvido, enquanto o apertava contra mim – Ninguém nunca me protegeu desse jeito.
Senti seu braço em minha cintura e a outra mão em meus cabelos.
- Você não devia ter passado por isso, Manuella. Você não merecia ter vivido nada disso.
Ouvi suas palavras sinceras e senti um nó na garganta. Alex prosseguiu.
- Eu sei que você é muito forte, sei que pode se defender sozinha e se sai muito bem, mas quero que saiba que sempre terá a mim. Eu vou estar com você sempre, não importa o que aconteça, vou fazer de tudo pra que você esteja bem.
Separei-me dele o mínimo possível, apenas o suficiente para ver o brilho em seus olhos.
- Eu não sou tão forte assim.
- É sim. — ele falou antes de me beijar o rosto rapidamente e sair.
...
Assim que a deixei em casa, rumei para os muros. O centro da cidade estava vazio, a não ser pelos mais idosos que não participaram a festa até tarde e iniciaram cedo as atividades rotineiras. Alguns varriam o chão e outros retiravam os enfeites, resquícios de mais um ano de Naska.
Segui para onde a guarda estava redobrada e logo encontrei com Júnior e Marcos, que estava visivelmente abalado.
- Marcos, o que aconteceu? – perguntei já imaginando o que se tratava.
- Bom, encontramos o corpo de Petrus próximo às plantações, na ala sul. Ele foi levado à enfermaria, mas não resistiu.
- E Olavo? – perguntei já ciente do que viria.
- Bom, ele saiu pelo sul, estava de moto. Max o deixou sair, disse que foi ameaçado.
- Pro caralho! – falei sentindo o sangue ferver – Aquele bosta é comparsa do Olavo.
Saí dali depressa, sentindo o sangue ferver. Eu tinha que fazer alguma coisa.
- O que vai fazer, Alex? Ele já saiu faz algum tempo, não vai alcança-lo antes do anoitecer! Você nem sabe pra onde ele foi!
Marcos gritava enquanto corria atrás de mim. Eu andava rápido na direção da academia. Cheguei lá e logo vi minha 1000 cc com meu facão amolado pendurado no guidom.
- ALEX! – Marcos gritou atrás de mim.
Eu sabia que ele estava preocupado, mas eu não podia simplesmente ficar ali parado, enquanto aquele filho da puta corria pra longe. Ele não escaparia de mim.
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