Life

29 Capítulo 28


Notas iniciais
Gente, primeiramente devo pedr desculpas por ficar estes dias sem atualizar Life. Sério, estou mega sugada nesse inferninho de disciplina que estou fazendo e estou cansada mentalmente. Chego em casa e mal consigo produzir nada!! Bom, ainda dura mais uma semana... vou sobreviver! rsrsr
OK, agora a parte boa: Life tem 3 (TRÊS) recomendações!!! o/o/o/
Vixe, mta alegria pra uma escritora amadora só!! rsrsrs
Bom, devo agradecer demais aos que inflaram meu eguinho com suas palavras: Kah Correia e Sylar, seus lindos, mto obrigada!!!!
Gostaria de aproveitar o gancho e recomendar a vcs as fics incríveis desses dois, que são repletas de emoções e extremamente viciantes. 'Dangerous', de Kah Correia e 'O Sétimo Imortal', de Sylar. Tenho certeza de que quem ler, não se arrependerá!! Tenho outras fics para recomendar a leitura, mas farei em outra oportunidade pra não encher mto o saco de vcs..rsrsr
Bom, é isso. Agradeço demais os reviews e o incentivo de TODOS e pelas recomendações, dedico este cap aos dois: Sylar e KahCorreia, este é pra vcs!
bjos e boa leitura!!!

Passei a manhã seguinte toda no laboratório. OK, não era nada perto do que eu tinha com Evelyn, mas todo nosso conhecimento estava reunido ali. Roger e Lisa eram as duas pessoas com as quais eu mais interagia. Os dois eram irmãos e filhos do Dr. Robert, o mais velho e renomado cientista do grupo. Quando a maldição dos vampiros se espalhou pelo mundo, Roger tinha mais ou menos minha idade e Lisa já estava trabalhando com o pai como aprendiz em seu laboratório de neurobiologia.

- Eu não me aguento até mais tarde! Sério, mal posso esperar! – Roger falou abanando o rosto de um jeito teatral e gay. Sim, ele era gay.

Lisa sacudiu a cabeça em negativa. Sempre que o irmão dela fazia essas coisas ela o repreendia. Roger não estava nem aí pra ela, ele sempre mantinha seu jeito exagerado e dramático mesmo com os puxões de orelha de Lisa.

- O quê? O que tem de tão importante assim? – perguntei rindo, enquanto guardava as pastas que estava usando no arquivo do canto.

- Manuella, minha flor do campo, onde você esteve esses dias? – ele perguntou colocando as mãos na cintura e me encarando sério.

- Aqui, trabalhando, é claro. – respondi com naturalidade.

- Minha Nossa Senhora das Desinformadas, você tem que parar com isso, garota! Tem que aproveitar a vida porque nos dias de hoje, meu bem, nunca se sabe quando vai acontecer um ataque que pode acabar com tudo! Manuella, vai ter uma mega comemoração hoje a noite. É aniversário de Naska, menina!

- Aniversário? De Naska? – perguntei incrédula.

- Acredite. – Lisa afalou enquanto também guardava suas coisas – Aqui é o único lugar no mundo que se faz esse tipo de comemoração insensata e estúpida.

- Estúpida? – Roger falou aumentando e afinando o tom de voz, sacudindo uma das mãos – É claro que não! Manuella, você não acha que devemos comemorar o fato de estarmos vivos? Naska sobrevive a mais de uma década, acolhendo os humanos e nos mantendo seguros dos malditos lá fora. Nós temos que comemorar seu aniversário, não acha?

- Não. – respondi simplesmente – Acho isso estúpido e uma perda total de tempo. Além disso, você disse que a festa na província vai ser a noite? Tipo, sem sol?

Roger estava de queixo caído, literalmente, e fazia uma expressão de poucos amigos.

- Sim, à noite, você ouviu bem. – foi Lisa quem respondeu — Esse povo maluco ainda tem a audácia de beber e colocar som alto durante as horas noturnas! Todo ano é esse inferno.

- Ah! Vocês são umas caretas, isso sim! E quer saber, os fundadores são os que determinam essas coisas e eles acham que devemos comemorar sim durante a noite pra mostrar praquelas bestas lá fora que estamos vivos, apesar deles. É isso o que é ser humano! Falei!

- E é por isso que estamos entrando em extinção, você não acha? – Lisa perguntou com a voz divertida, pegando Roger no ponto.

Ele não respondeu, apenas sacudiu a cabeça em negativa.

- Vocês que sabem se vão ou não. Eu digo por mim, que estarei lindo e poderoso à noite. É a única festa que temos meu bem, e eu não vou desperdiçar!

Dizendo isso ele se virou e saiu, batendo o pé firme no chão. Eu ri de sua atitude.

- Isso é sério? – perguntei a Lisa enquanto caminhávamos para a saída.

- É sim, muito sério. Parece que todos esperam ansiosos por esse dia, esses estúpidos... Bom, não posso negar que é divertido. Os soldados se revezam nos muros e assim, todos podem curtir um pouquinho, mas sempre tem um palhaço que faz merda. Além disso, eu gosto de ver aqueles gostosos seminus.

Lisa piscou o olho. Fomos caminhando pelo centro de Naska que estava realmente se preparando para uma festa. Havia bandeirinhas penduradas e árvores enfeitadas por todos os cantos. Chegamos até o movimentado restaurante comum, onde encontrei o olhar profundo do soldado negro e forte que me abordou na noite anterior.

- Quem é ele? – perguntei a Lisa discretamente.

- Ele é um dos que anda com o Olavo. É um grosso idiota. Aquele bando todo deles é. – ela falou entrando na pequena fila.

- E... tem muito homens com Olavo? – perguntei com certa expectativa.

- Bom, tem alguns babacas que andam com ele, mas felizmente não são muitos. Eles são fortes e bons soldados para os muros de Naska, mas são lixo como homens, entende? Eles não respeitam ninguém que usa saias aqui. Você só está tranquila assim por causa de Alex, se não eles já estariam na sua cola faz tempo.

- Por causa de Alex? – perguntei pegando um prato.

- Ah, Manuella, eu nunca te perguntei nada porque acho que não tem nada a ver eu ficar me intrometendo na sua vida, mas todos achavam que vocês tinham algumas coisa. Os soldados disseram que no dia que vocês chegaram e rolou aquele ataque de vampiros, Alex quase atacou os soldados amigos, por sua causa.

- Lisa, não foi por minha causa... é que ele entra naquele modo estranho de luta que não reconhece ninguém. Eu já estava perto dele, por isso não corria perigo. Os outros o assustaram.

Eu tentei manter a voz controlada, mas não sei se colou muito bem. Lisa era mais velha, tinha seu trinta e poucos anos, apesar ne não perecer, e o dom de saber quando mentíamos. Ela me olhou de banda.

- Sei. – foi só o que disse.

O almoço transcorreu sem problemas e quando comíamos as maçãs de sobremesa, Marcos, Alex e Dornelles chegaram para almoçar. Eles pegaram seus pratos e vieram em minha direção.

- Você não foi à ala hospitalar hoje. – Dornelles observou antes de dar a primeira garfada.

- É, eu... estive ocupada com a papelada no laboratório. – respondi.

- E aí, tudo certo? – Alex perguntou sentando ao meu lado.

- Sim, nós já conseguimos juntar muita coisa. Já separamos os documentos mais importantes pra viajem e fizemos cópias de segurança pra deixar aqui, caso... você sabe. – falei dando outra dentada na maçã.

Ele me encarou por um tempo. Senti seu olhar em mim, mas me mantive olhando pra frente normalmente. Minha droga de visão periférica não era suficiente para me permitir enxergar a cor tão linda de seus olhos.

- Preparadas pra festa? – Marcos perguntou animado – Eu estou doido pra chegar à noite... eu acho que a Patty linda tá me dando mole. Essa noite eu consigo sair com ela.

- Marcos?! – Alex exclamou, enquanto Dornelles riu abertamente.

- Patty linda? – falei com voz de deboche – Ela é tipo, a enfermeira boazuda?

Todos riram, inclusive Marcos.

- Bom, Patty é... assim, linda. Ela fica cuidando das crianças durante o dia e aposto que sonhando comigo durante a noite. É a mais gata daqui, sem dúvida... depois de você, é claro.

Marcos falou ainda em bom humor, mas logo acrescentou.

- Não vai me bater por isso, vai? – ele se virou para Alex.

- Não. Vou deixar ela mesma fazer isso. – Alex respondeu sorrindo enquanto me olhava.

Eu estava ainda sem jeito, pelo comentário do outro. Essa reação estúpida minha sobre as coisas que envolviam Alex já estava me deixando nervosa. Tratei logo de acrescentar:

- Não me tente, Alex, faz muito tempo que não bato em alguém.

Ele ampliou o sorriso.

- E Carvalho, como está? – perguntei desviando o olhar daquele rosto tão perfeito. Já sentia minha face esquentar levemente.

- Ainda está grave, mas seu quadro estabilizou. – Dornelles respondeu — Eu não sei por quanto tempo ele resiste.

- Espero que consiga melhorar... – falei antes de levantar — Se nos dão licença...

- Vamos estar na academia mais tarde, pode passar por lá pra descarregar sua raiva cumulada. – Alex falou enquanto eu me afastava. Acenei pra ele. Até que treinar um pouco seria uma boa ideia pra esfiar a cabeça.

Descansei umas poucas horas depois do almoço e resolvi dar uma passada na ala hospitalar pra ver se precisavam de ajuda. Como tudo estava tranquilo por lá me encaminhei para a academia.

De fato, eu nunca tinha entrado ali. Primeiro porque estava envolvida com as coisas do laboratório, preparando todas as coisas pra viajem até a base, e depois porque queria me afastar um pouco de Alex. Mas depois que o encontrei no almoço eu pensei que sentia falta de sua companhia e de Marcos e Dornelles.

O lugar era grande e estava movimentado àquela hora da tarde. Havia estantes de metal repletas de armamento pesado de fácil acesso. A academia me lembrava muito um velho hangar abandonado, que era usado como lugar de treinamento. Nos fundos, tinha vários aparelhos de ginástica antigos, certamente os resquícios do velho mundo. Tinha muita gente se exercitando, não apenas soldados. Eu imaginei que as pessoas quisessem estar com os músculos grandes e inchados para mais tarde.

- Tá perdida, princesa? – um garoto marrento se aproximou, colocando uma toalha suja nos ombros.

Eu o olhei de cima a baixo e não respondi, continuei andando.

- Ei! Falei com você! – ele se irritou e me seguiu.

- Não, eu não estou perdida. – falei sem paciência.

O garoto sorriu.

- Você é a gostosa que veio com o Salvador e os outros, não é? – ele perguntou babando em mim. Credo.

Sorri. Eu já estava decidindo qual das articulações do moleque eu iria deslocar quando a voz de Alex soou perto de mim. Era seu riso, na verdade. Virei-me na direção da voz e vi um pequeno duelo acontecendo. Alex estava rodeando um homem troncudo e com cara de poucos amigos. Ele tinha o rosto e tórax suados e esfregava o queixo. Alex parecia inteiro.

- Acaba logo com isso! – ouvi Marcos falar lá do outro lado.

O homem troncudo avançou rapidamente. Com os braços enormes, agarrou as pernas de Alex e o levou ao chão. Alex foi ágil, e não deixou o outro pressionar seu corpo por cima, posicionando-se meio de lado, com o homem sobre ele. No instante seguinte, ele encaixou o pescoço do outro entre seu braço e antebraço, segurando o próprio pulso com sua outra mão, fazendo um estrangulamento firme e fatal em seu adversário, que não resistiu por muito tempo.

Com o rosto vermelho vivo, o homem bateu a mão no chão várias vezes até que Alex o largasse. Ofegante, o homem se deixou jogar no chão e respirou fundo, tentando sentir o ar da vida novamente. Alex levantou satisfeito. Sua bermuda grande estava um pouco larga e molhada, o peito nu e ainda mais definido, também brilhava de suor. Até seu cabelo tinha um aspecto molhado.

A sua volta, os que observavam a luta vibraram. Eu me aproximei um pouco. Alex sorriu ao me ver.

- Você é a próxima? – ele perguntou bem humorado, aproximando-se.

- Pra sua sorte, eu só vim me exercitar. Posso te humilhar outro dia. – respondi de bom humor, olhando para o equipamento ao fundo.

- Pensei que quisesse descarregar sua raiva. – ele completou.

- Eu já disse pra não me tentar. – respondi rindo. Saí em direção a uma velha bicicleta ergométrica e retirei o casaco para iniciar o exercício.

Pedalei por um bom tempo, assistindo as lutas intermináveis de Alex contra seus colegas. Ele venceu todas. Mesmo cansado e em desvantagem, seu corpo parecia sempre preparado para a batalha, como se aquilo o alimentasse de alguma forma. Enquanto assistia, eu não podia parar de pensar em como Alex era diferente de tudo o que existia. Ele não era agressivo, mas tinha a necessidade de estar sempre em combate.

No fim, ele caminhou até mim.

- Acho que você seria um desafio melhor pra mim do que aqueles pregos. — ele disse apoiando-se no guidom do meu equipamento.

Sorri.

- Depois que você terminar aí, eu te mostrar uma coisa? – ele perguntou enquanto colocava uma camisa preta sem mangas.

- Claro. – respondi.

Minutos mais tarde, saímos dali caminhando lado a lado, e o número gracinhas sendo ditas a mim diminuiu consideravelmente. Alex parecia sério e quase não conversamos enquanto caminhamos pela província que estava cada vez mais enfeitada e colorida. Em poucas horas, haveria um grande comemoração.

Andamos na direção dos grandes galpões atrás das plantações. Mais além vi que atrás do grande matagal, antes do muro sul de Naska, havia um lago grande e bonito.

- Nossa! Que lindo! – falei animada, chegando perto de uma grande pedra. Se a tarde estivesse ensolarada, certamente veria a água dourada pelos raios de sol.

- Bom, eu queria te trazer aqui há um bom tempo. – ele falou apoiando-se na pedra.

- E por quê? – perguntei curiosa.

- Bom... esses dias que estivemos meio que afastados eu refleti um pouco sobre as coisas.

- Nossa, você sabe refletir, que evolução. – não consegui me controlar.

- Engraçadinha. – ele sorriu irônico antes de prosseguir – Eu pensei muito sobre algumas coisas e... pensei que você pudesse me ajudar.

- Tem algo de erado com você? – perguntei avaliando-o.

- Bom, eu sempre me senti meio... diferente sabe? Instável. – ele fez uma breve pausa – Eu sempre deixei de lado essa... coisa que acontece comigo quando sinto o cheiro dos malditos, eu... nunca quis pensar muito porque eu não queria ser ou me sentir diferente de ninguém. Mas ultimamente eu sinto que estou ainda pior.

- Pior? Como?

- Eu não sei, está cada vez mais difícil de me controlar, entende? – ele falou olhando para minhas mãos fixamente.

- Mas você me disse que sempre foi difícil, que só voltava ao normal quando nenhum deles estava de pé. – intervim.

- Eu sei, mas é que... a cada vez que eu entro em frenesi agora está mais difícil de voltar ao normal, mesmo não tendo nenhum deles por perto. É como se... essa coisa minha estivesse piorando, sei lá.

Ele estava sendo sincero, eu via preocupação em seus olhos.

- O que está preocupando você de verdade, Alex? – perguntei diretamente, encarando os olhos mistos verdes e azuis.

- É que eu quase feri meus companheiros aquela noite... não quero mais ferir ninguém por engano, só porque não me controlo. E também... eu não quero machucar você.

Senti um incômodo na garganta, estava difícil engolir.

- O que eu posso fazer pra te ajudar? – perguntei desviando o olhar do dele.

- Você sempre consegue me controlar, de um jeito que eu não sei explicar. – ele começou – Mas, de um jeito antagônico, quando estou com você eu sinto ainda mais dificuldade em voltar ao normal. É como se eu quisesse afastar todo mundo de perto de você e eu não sei explicar isso... tenho medo de acabar ferindo você de algum jeito.

- Alex, você não vai me machucar. – falei dando um passo em sua direção – Eu sei que não vai, eu posso ver em seus olhos.

Ele me encarou. Seu olhar estava repleto de remorso e preocupação. Eu sabia que ele temia por mim e seus companheiros, que devia ser terrível machucar alguém sem poder se controlar ou impedir, mas eu nunca, jamais esqueceria daqueles olhos brancos e brilhantes que me diziam claramente que me protegeriam com a vida. Nunca senti isso vindo de ninguém, nem mesmo de Evelyn, e esse tipo de coisa não se esquece.

- Se eu machucar você, eu não sei o que faço. – ele disse-me encarando com olhos tristes – Não posso te perder, Manuella.

Senti o coração vacilar e meu corpo tremeu. Eu estava tentando, mas já tinha perdido completamente o domínio sobre mim quando estava com Alex.

Ele se aproximou a colocou uma mechinha de cabelo meu pra trás da orelha, sem deixar de me olhar profundamente.

- Você é tão linda, é tão especial.

- Por favor, já pedi pra não dizer isso. – falei tentando me afastar.

Alex foi mais rápido, colocou a outra mão em minha cintura e se aproximou ainda mais de mim.

- Me desculpa. – ele disse, fazendo carinho em minha bochecha com a mão que ainda estava em meu rosto.

- Sabe, aqui foi o lugar onde entrei em frenesi pela primeira vez. Depois disso, eu voltei aqui apenas em raras ocasiões, quando eu estava muito triste ou queria me isolar um pouco. Aqui representa um lugar que eu queria esquecer, um lugar que significa impotência e fragilidade. Eu não quero ser esse cara que está à mercê de um ataque a qualquer minuto, eu quero ter controle sobre minha mente e meu corpo porque não quero correr o risco de perder você ou te de ferir. Eu nunca falei isso pra ninguém porque nunca pensei que alguém pudesse realmente me ajudar, mas eu sinto que você pode. Só com você eu tenho algum controle, alguma força pra lutar contra esse instinto. Isso aconteceu no rio, quando você me salvou, e depois quando precisei ficar ali pra não te perder... eu só quero que me ajude a ser eu mesmo.

Eu ouvia tudo aquilo e sentia o corpo vacilar. Alex me mantinha junto a ele, meu corpo queria estar com ele, mas seu pedido era muito maior que isso. Ele não queria a minha ajuda apenas como cientista, ele me queria com ele de outra forma, uma forma que eu não poderia ser.

- Alex... por favor, eu ... eu não posso fazer isso. – minha voz estava irreconhecivelmente frágil, como se eu não tivesse certeza do que estava falando... e não tinha mesmo.

- Por quê, Manuella? Você sabe o que sinto por você, sabe que não vou nunca forçar você a nada... eu só quero uma chance com você. Só ao seu lado eu consigo ter controle e você sabe.

- Eu sei, Alex, mas o que você quer eu não posso te dar. Sinto muito.

As palavras saíram duras, mais do que previ, mas Alex não se intimidou, ele apenas me puxou pra perto e me abraçou. Não resisti. Minha respiração estava sendo controlada com muito esforço, pois eu precisava de forças para negá-lo.

- Minha amizade é tudo que posso te oferecer, me desculpe. – falei abraçada a ele.

- Mas é realmente só isso o que quer? – ele perguntou afastando o corpo para me olhar.

Seus olhos brilhavam, me hipnotizavam. Senti minha boca salivar, querendo seu gosto novamente. Eu estava apaixonada por Alex e sabia disso, mas não podia me deixar levar, simplesmente não podia.

Senti a distância entre nós diminuir lentamente. Eu não conseguia controlar a mim mesma. Ele não estava me forçando, não estava pedindo, só meu corpo e o dele que se aproximavam naturalmente. Senti seus lábios suaves nos meus, em um selinho carinhoso. Depois ele me beijou a testa. Alex respeitou a promessa que me fez de que não me beijaria novamente a menos que eu pedisse.

Ficamos por pouco tempo ali, em silêncio. De algum jeito, estar com ele era reconfortante e assustador ao mesmo tempo. Eu tinha medo do que estava sentindo, tinha medo de ceder a ele e me machucar. Mas foi o tempo que passamos, depois desses dias afastados. Sentir seu carinho sincero e o calor de seu corpo me deixava feliz.

Eu sabia que a noite logo cairia e que ele tinha muita coisa a fazer sobre a proteção de Naska durante a festa, por isso, caminhamos de volta para os galpões, encontrando poucas pessoas pelo caminho.

- Posso te mostrar só mais uma coisa? – ele pediu quando voltamos para o centro da província.

- Claro. – acenei.

Ele me levou para a construção mais distante do centro. A última casa que ficava perto da entrada principal de Naska. Era uma construção simples, com paredes brancas e porta de madeira. Com muitas árvores em volta. Parecia muito com as demais e escassas moradias dos fundadores do lugar.

Ele abriu a porta e me disse pra entrar. A sala pequena tinha um fogão no canto, perto da janela; uma mesa de madeira com duas cadeiras e um sofá verde de frente pra cômoda. Em cima da cômoda, tinha um jarro de flores e alguns outros objetos. Um grande e largo portal era o que separava a sala do segundo cômodo da casa. Eu podia ver uma cama grande e aparentemente confortável, com muitos travesseiros e um lençol branco. Do lado direito tinha um armário com espelho e do lado esquerdo outra pequena cômoda. Uma porta de madeira, que provavelmente era o banheiro, jazia do lado esquerdo da cama.

- Você mora aqui? – deduzi, adentrando o pequeno e reservado espaço.

- Eu disse que tinha regalias em Naska... não é muita coisa, mas pelo menos tenho um pouco de privacidade.

Ele sorriu e fechou a porta atrás de si. Eu ainda estava encantada. O lugar estava um tanto bagunçado e podia ser melhor aproveitado, mas certamente era uma raridade se ter uma casa. Certamente Alex era um dos poucos, se não o único, que não se preocupava em dormir sozinho.

- Espera um pouco, já volto. – ele disse, indo na direção do quarto.

Instantes depois ele voltou com uma sacolinha preta e a estendeu pra mim.

- Eu tomei a liberdade de trazer. Poderia usar hoje a noite.

Segurei a pequena sacola e senti o peso discreto do conteúdo. Retirei, curiosa, o que estava dentro da sacola e meu queixo caiu. Era o lindo e gracioso vestido branco e lilás que deixei pra trás.

Notas finais
Bom, como demorei mto e este cap foi meio morno, apenas para ligar as coisas, acho justo postar o próximo... então vejo vcs no cap 30! rs
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