Life

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Cap de hj... já estou empolgada terminando o outro e se tiver bastante review (olha que coisa feia, Mila!!!) posto hj o/ hehehehehehehe .... mentira gente, to brincando. Estou simplesmente abestada com a quantidade de comentários e em como Life está tendo retorno por parte de vcs, estou mega feliz e mto grata por tanta consideração de vcs.
^.^
Boa leitura!!!

Estava muito difícil enxergar, mas isso aguçava ainda mais minha audição. Alex corria ao meu lado, seu corpo estava rígido e eu sentia que ele se controlava ao máximo, mas era difícil, porque até mesmo eu já conseguia sentir um cheiro estranho no ar... era como carne em decomposição. Eram os malditos.

De repente, Alex parou, apertando os punhos com tanta força que até na escuridão eu pude ver que tremia.

- Não consigo mais – ele disse com dificuldade – Você devia ter ficado lá com eles.

- Alex, me escuta! – eu dizia apertando seu rosto em minhas mãos – Eles são muitos, devem estar em um número absurdo! Se você cair na armadilha deles, eles vão trucidar você, por melhor que você seja lutando! Por favor, continua só mais um pouco.

Ele mantinha os olhos fechados e estava muito ofegante. Quando de repente, os abriu de uma vez. Estavam com a íris brancas e as pupilas negras dilatadas.

- Desculpe. – ele murmurou antes de sumir.

Nessa hora eu ouvi um barulho alto no mato e apontei a arma, minha única esperança. Eu iria morrer ali.

Ouvi o grunhido alto, vindo rápido em minha direção, no escuro da floresta. Com os braços esticados, eu esperava o pior. Tudo foi uma fração de segundo, nada mais. Numa hora vi o brilho negro dos olhos da morte diante de mim, no instante seguinte, já não havia mais nada.

Virei, desnorteada, e vi Alex sobre o corpo da criatura, torcendo-lhe a cabeça em um giro completo. Ouvi o som do pescoço quebrando e a cabeça do vampiro ficou mole, caindo para trás, enquanto seu corpo morto-vivo se sacudia debaixo do Salvador.

Alex me olhou bem no momento em que a lua finalmente estava livre das nuvens no céu. Seu rosto ainda era bonito, mas estava tão diferente que não parecia o mesmo Alex. Tinha as feições duras, raivosas, misturadas a uma atmosfera sobrenatural. Seus olhos brancos refletiam a luz fraca da lua e se tornaram prateados com o reflexo. O queixo reto, a postura impecável de um assassino perfeito. Ele não precisava de uma arma, não precisava de um facão afiado. Alex se tornara a arma mais letal que poderia existir.

O tempo estava parado, suspenso no ar, enquanto minha mente tentava assimilar a criatura que estava diante de meus olhos. Eu sabia que sua mente consciente estava adormecida, que o que o movia era o instinto e o ódio mítico pelos vampiros. Isso me trazia segurança, de um certo modo, embora eu também tivesse a plena certeza de que ele me mataria sem pensar, sem se arrepender, apenas por um mero engano.

Os sons vieram de todos os lados e no momento seguinte, dois vampiros o atacavam, um de cada lado. Eu abaixei e rolei no chão da mata, colando meu corpo a uma árvore grande e de caule grosso. Já havia mais cinco sobre ele e todos caíam, um após o outro e todos que chegavam depois. O cheiro era insuportável e o barulho dos urros misturados à luta arrepiava minha pele.

Senti um empurrão na lateral do corpo e fui parar a metros de distância, com uma mulher agachada a minha frente grunhindo antes do ataque final. Não deu tempo para mirar ou pensar, ela apenas veio. Não senti suas garras me tocarem, porque ele estava lá, arrancando-lhe os membros apenas com um puxão.

A mulher berrava e vinha correndo sem os braços que estavam nas mãos capazes do transtornado Alex. Eu descarreguei o cartucho na vampira e o corpo dela caiu se contorcendo no chão.

Houve um silêncio momentâneo, apenas com grunhidos distantes. Alex havia destruído dezenas de vampiros em pouquíssimos minutos, mas eles continuariam a vir. Ele soltou os braços da vampira, que ainda se debatiam em suas mãos, e me olhou com aqueles olhos brancos repletos de fúria. Eu sabia que ele iria embora, tentar matar a todos. Sem pensar dei um pulo pra frente, bem no momento em que ele se virava para sair. Agarrei seu braço tensionado e torci internamente para que ele não fizesse nada. Eu precisava impedi-lo.

Alex virou, numa velocidade absurda, e levou a mão forte até meu pescoço e quase me levantou. O ar me faltou na hora e não havia nada que eu pudesse fazer para me livrar de ser aperto. Com as pontas dos pés, eu mal tocava o chão.

- Alex... – eu tentei falar apertando com ambas as mãos o braço que me enforcava.

Ele entortou a cabeça sutilmente e me encarou de muito perto, ainda com os olhos brilhantes. Alex chegou o rosto perto do meu pescoço e respirou fundo. Eu já tinha perdido as forças para lutar, já via tudo escurecer. Então, seu aperto afrouxou o suficiente para eu inspirar novamente.

- Alex... – tentei novamente, com a voz fraca. A nossa volta, os urros cresciam.

Ele fechou os olhos apertados e parecia tentar se controlar.

- Temos que sair daqui, por favor. – falei ainda sem fôlego e com muita dificuldade.

Quando ele abriu os olhos, o branco tinha sumido.

- Manuella?

Ele me soltou totalmente e caí de joelhos na sua frente.

- Me desculpa. – ele disse se abaixando e me ajudando a levantar, mas eu não tinha tempo pra respirar.

- Temos que achar abrigo... ou morreremos. – falei ainda sufocada encarando novamente aquela cor confusa de seus olhos assustados.

Corremos, com Alex que ainda tentando se controlar, até que chegamos a um penhasco. Havia uma pedra enorme e o grande vazio a nossa frente. Parei assustada e ele chegou até bem perto da borda e se agachou.

- Ali embaixo! – ele disse apontando pra baixo.

Eu ainda tentava recobrar o ar, mas cheguei perto pra ver o que ele apontava. Alguns metros abaixo havia um pequeno planalto e um recuo na pedra. Alex se virou de costas e desceu, escorregando e saltando para baixo.

- Cuidado! – falei observando sua ação. Era um pulo e tanto, uns cinco metros facilmente.

- Tem uma fenda aqui, dá pra gente se esconder dos malditos. Vem!

Alex esticou os braços em minha direção. Eu sentei na beira do penhasco e pulei, mantendo o peso pra trás. Senti seus braços me segurarem firmes.

- Não tem muito espaço, mas vai servir. – ele disse, tirando rapidamente um pouco das raízes de dentro do refúgio. Havia um grande ninho vazio que também foi jogado fora e o recuo na pedra entrava no morro. Assim, se algum maldito olhasse de cima, pelo menos não nos enxergaria.

Ele me empurrou rapidamente para dentro e veio logo após, nos espremendo no pequeno espaço. Ficamos ali por minutos em silêncio e o ar finalmente me preencheu. Alex mantinha os olhos fechados fortemente e respirava com força. Acima de nós o grunhido dos malditos aumentava e o cheiro também ficava mais forte.

- Droga! Não vou conseguir novamente. – ele sussurrou nervoso, abrindo os olhos.

Estávamos de frente, colados um ao outro e eu podia sentir em mim a tensão de seus músculos. Encarei-o de perto e vi a cor de seus olhos sumirem ao poucos, ficando muito claros. Isso não estava bom.

- Alex! Alex! Me escuta! Fica comigo, fica aqui! – falei em tom baixo, mas urgente, segurando seus braços com força.

Ele me olhava fixamente, suas feições mudando de leve, como se indecisas sobre qual Alex estava vencendo a batalha por controle. Num impulso, eu me colei totalmente nele, abraçando-o. Queria mantê-lo ali.

- Por favor, não me deixa aqui sozinha. – falei em seu ouvido.

Senti-o ofegar e então uma de suas mãos segurou minha cintura e ele afundou a cabeça em meu pescoço, embolado em meu cabelo. Alex ficou respirando fundo, agarrado a mim, lutando por controle... e assim ficou por muito tempo.

Os barulhos da noite e dos malditos nos procurando como loucos era incessante, enlouquecedor. O medo corria em minhas veias junto com a adrenalina. Ao mesmo tempo eu tentava decifrar suas atitudes, procurando achar uma explicação lógica pra tudo o que eu vi nesses dias e, especialmente essa noite. Quando encarava os olhos brancos, eu via Alex de um outro jeito, maior, mais grandioso e irreal... mas ali estava ele, diante de mim, se controlando ao máximo e me salvando a vida mais uma vez.

Eu finalmente me movi, muitos minutos depois, e afastei a cabeça pra trás, tentando encará-lo. Alex se assustou com meu movimento e vi quando seus olhos atingiram os meus. A lua, em seu curso, iluminava a encosta e a fenda onde estávamos, mas isso não duraria muito, eu receava. Ele ainda estava lutando por controle, ainda tentando resistir àquilo. Seus olhos estavam com o branco de antes, mas não havia tanto ódio e raiva descomedidos.

Não havia quase espaço entre nossos olhos.

- O que é você? – perguntei encarando aquele ser tão diferente e, ao mesmo tempo, tão igual a mim.

Ele não respondeu, mas me encarava de um jeito profundo e indecifrável. Eu continuei:

- Eu sei que você é o Alex, mas é como se não fosse.

- Eu também não sei quem sou. – ele respondeu com a voz bastante rouca, diferente – Só sei que seu cheiro me faz ficar aqui.

Dizendo isso, ele voltou a enterrar a cabeça em meu pescoço e me apertou com os braços. Era bom. Senti o coração disparar de forma incontrolada e avassaladora. Não tinha nada que eu pudesse fazer além de ficar quieta e esperar o tempo passar, esperar que tudo acabasse bem.

...

As horas passaram lentas e meu corpo finalmente esfriou. O frio era intenso, ali no penhasco e com o corpo colado na pedra fria. Além disso, ainda não estava forte o bastante. Senti minhas pernas quase cederem, mas Alex estava ali comigo e me manteve de pé.

- Pode relaxar que eu te escoro. – Alex disse, novamente voltando a falar normalmente, apertando suas mãos quentes em minha cintura nua. Ele tinha conseguido enfim, manter o controle.

Faltava pouco pro nascer do dia e eu já não sentia mais o cheiro da podridão, nem ouvia mais os urros famintos dos vampiros, apenas o frio vento da madrugada e os sons dos animais a nossa volta. Estávamos na escuridão total.

Minha situação era, digamos, desconfortável: num buraco minúsculo na parede do penhasco, de pé e na mesma posição por horas... isso seria até suportável se não fosse o fato de estar seminua, agarrada com um cara que perdia o controle de si mesmo e podia me matar com um estalar de dedos. Minha vida era uma coisa sem sentido e surreal.

Assim que me dei conta do corpo de Alex junto ao meu, minha respiração acelerou minimamente. Esse cara tinha o poder de me deixar desconcertada como nenhum outro e eu estava me detestando por isso. OK, eu admito, ele era realmente gostoso, mas tinha algo mais, que ía além do corpo. Ele me deixava intrigada com sua natureza incomum e eu tinha certeza de que essa era minha fraqueza por ele... eu tentava me convencer de que era inerte ao seu toque, mas estava cada vez mais difícil acreditar em mim mesma.

Ele me abraçava com sutileza agora. Meu corpo estava realmente moldado ao dele. Minha coxa entre suas pernas, pressionando-o de um jeito obsceno contra a pedra. Mas não tinha como sair daquela posição sem deixar alguma parte do corpo pra fora do esconderijo. Da mesma forma, o peito definido de Alex pressionava o meu busto de um jeito que me fazia sentir uma leve dor quando respirava fundo.

Meu corpo estava um caos total. O cabelo bagunçado, o rosto sujo... Cheguei a sentir um pouco de vergonha dele, e esse pensamento ridículo me fez sacudir a cabeça.

- O que houve? – ele perguntou com a boca em meu ouvido e a voz controlada. Senti o estômago dar um salto.

- Nada... – disfarcei – Você está bem?

Ele pensou um pouco antes de responder.

- Estou me controlando bastante.

- Mas você ainda os sente por perto? – perguntei afastando a cabeça, querendo olhá-lo, mas não era fácil naquele cubículo.

Senti que ele sorriu e sacudiu a cabeça.

- Não, já não os sinto mais. Eu estou tentando controlar meu corpo pra não constranger você.

Senti meu rosto esquentar levemente e desviei o olhar do dele, mesmo no escuro, ou seja, agi como uma retardada, pois eu jamais faria isso em meu juízo perfeito. Respirei fundo e decidi agir como sempre.

- Nem pense em ficar excitado agora. Não quero nada me cutucando. O espaço já está apertado demais. – falei em tom soberbo com um fundo de diversão.

Ele riu, relaxando um pouco.

- É difícil não ficar excitado com você assim, mas estou tentando.

- Tentando? Então tente melhor, porque não está funcionando. – falei tentando não rir. Já conseguia sentir algo endurecendo em minha coxa.

Ele sorriu e levantou os braços até onde pôde naquele nada de abrigo. Apoiou os cotovelos na pedra atrás de mim, me mantendo dentro do espaço entre seus bíceps, certamente contraídos.

- Eu tento, mas não sou de ferro. Você não faz ideia do quanto é linda, sabia?

Senti um frio familiar no estômago e senti minha respiração vacilar. Mas não era como antes, era apenas meu jeito de reagir a este tipo de coisa.

- Não fala isso. – exigi em tom sério.

- Por quê? – Alex insistiu – Você não gosta de ouvir a verdade?

- Eu disse, pra você não falara assim comigo. – devolvi, com raiva.

- Por que, seu namorado falava assim com você e você não quer lembrar dele? – Alex perguntou maroto e aguardando a resposta. Eu apenas mudei de assunto.

- Por que você disse que meu cheiro te faz ficar aqui?

Ele riu.

- Você é mestra em mudar de assunto, sabia?

Ajeitei-me como pude pra sair do desconforto de seus braços. Aqueles bíceps ao meu lado desviavam minha atenção, mesmo eu não podendo vê-los... podia senti-los, o que era pior.

- Tem uma queda por braços fortes? – ele perguntou, certamente sorrindo, após perceber meu desconforto com a posição.

- Quem está mudando de assunto agora? – devolvi, remetendo ao assunto que tanto me intrigava.

Lá fora, o dia começava a expulsar a noite. A claridade tênue do céu ficando azul mais claro me deixava ver um pouco suas feições bem feitas. Assim, de muito perto, Alex era ainda mais bonito. A barba clarinha começava a despontar em seu rosto, dando-lhe um ar muito sedutor. A boca sempre tinha um sorriso charmoso e os olhos certamente faziam com que ele conseguisse arrastar qualquer mulher pra sua cama... por sorte eu não era uma mulher qualquer.

- Eu não sei o motivo, – ele começou, me olhando daquele jeito bom – mas quando sinto o cheiro do seu cabelo... isso me ajuda a não perder o controle.

- Por quê? – rapidamente perguntei... Por algum motivo eu precisava da resposta.

- Porque... me faz querer ficar, eu acho.

Ele chegou um dos braços para mais perto do meu rosto, o safado, mas eu me contive em não tombar a cabeça pro lado para me apoiar neles. Não falamos mais nada, mas senti seu olhar fixo em mim.

- Sim, tenho tara por braços fortes. – falei de repente, sorrindo discretamente.

- E eu por você. – ele disse em seguida.

Alex deslizou o braço pra baixo até alcançar a mão em meu rosto. Senti-a quente e confortável e meu rosto cabia totalmente dentro dela. Ele deslizou a mão pra trás bem lentamente, apreciando o toque em meu cabelo liso. Isso me causou alguns arrepios na espinha.

Olhando-me nos olhos, Alex me puxou pra si. Deixei-o me guiar até que meus lábios sentissem sua respiração, até que um mínimo, quase inexistente, contato existisse.

Ouvi-o engolir a saliva que brotava, ansioso por meu beijo. Eu não me movi e fiquei exatamente na mesma posição, apenas instigando-o, fazendo sentir desejo. Se ele quisesse meu beijo, teria que vir até mim.

E foi o que ele fez. Depois de algum tempo em que sua respiração ficou ofegante e ele não suportou mais, Alex me invadiu a boca com a língua, de um jeito indisciplinado e irresistível, mostrando todo o desejo de seu corpo pelo meu.

Não era voraz, mas era faminto; não era rápido, mas era urgente. Alex me explorava de um jeito único, e envolvente, que conseguiu me prender. Ele me beijou de um jeito que nunca fui beijada. Era simplesmente gostoso e sensacional.

Senti sua mão puxar de leve meu cabelo da nuca enquanto a outra me envolvia a cintura e eu sentia toda a excitação que o corpo dele e o meu não escondiam mais. Mas rápido demais, até para meus próprios desejos, eu o interrompi, voltando a deixar meus lábios extremamente perto dos dele, sentindo novamente sua respiração em mim.

O corpo dele gemeu em negação e senti a dor gostosa de seu aperto em meu cabelo, me pedindo por mais, precisando de mais. De olhos fechados, me mantinha afastada, controlada, esfregando os lábios nos dele bem de leve.

- Você não é justa. – ele disse entre ofegos, sem fôlego.

Eu também estava sem ar e meu corpo queimava pedindo por mais. Mas não o fiz. Isso tinha que terminar assim.

- Isso foi um obrigada por me salvar, nada mais. – falei abrindo os olhos e encarando o homem enfeitiçado a minha frente – Não vai se repetir.

Ele não teve tempo de dizer nada, eu cheguei o corpo pro lado e saí do pequeno espaço de confinamento. Precisava achar um jeito de sair dali.

Notas finais
Reviews????