Life

17 Capítulo 16


Notas iniciais
Boa leitura!!

Manuella não era justa, era um demônio em forma de mulher, isso sim. Ela me enfeitiçou de um jeito que não saberia descrever. Meu corpo estava explodindo por dentro com vontade de tê-la, de toma-la completamente... Eu não sei, sinceramente, o que me impedia, porque ela me provocava e me instigava como nunca ninguém conseguiu.

Eu a desejei desde a primeira vez que a vi. Era gostosa e sabia disso. Durante nossa curta e atribulada viajem, eu sempre a olhava com desejo, como todos os outros, mas eu acho que ela já estava tão acostumada a isso que não se importava mais. Era impossível a beleza e a perfeição do corpo daquela mulher, era de enlouquecer! E seu jeito teimoso, e atrevido fazia de Manuella deliciosamente provocante.

Eu a queria, muito. Então, ficar preso ali com ela se tornou um martírio. Eu fui saciado brevemente, mas não o suficiente, com seus lábios.

Fiquei extasiado com a correspondência dela e nos beijamos de um jeito inexplicável. Aquela garota me explorou de um jeito que ninguém nunca fez. Meu desejo era tão grande, que beirava à insanidade... até que ela interrompeu e meu corpo reclamou tanto que doeu. Ela era um demônio, um demônio que teria que ser meu, pra minha própria saúde.

Mas eu era paciente, sabia que ela jogava comigo e queria entrar em seu jogo. Eu iria fazer o que fosse preciso para ter essa mulher por inteiro. Sem pudores, sem impedimentos. Eu queria muito mais que seu corpo, eu queria entender o motivo de somente ela conseguir me manter consciente, controlado. Foi só por aquele cheiro que eu não entrei em frenesi, só por ele. Era difícil demais resistir aos vampiros, à tentação de mata-los... mas era ainda mais difícil resistir a ela.

...

Com dificuldade, subi por uma raiz até voltar para a mata. Alex veio logo atrás. O céu já estava claro e o sol já jogava seus raios dourados por todos os lados. Não havia mais o cheiro desagradável a nossa volta e caminhamos pelo o que acreditamos ser o caminho de volta. Durante a noite e movidos pelo desespero, não prestamos atenção no caminho.

Eu senti por Filipe. Sua morte horrível não foi justa. Ele era um bom soldado e, até onde eu o tinha conhecido, parecia de bom caráter. Alex parecia abatido por isso e também pelo fato de seus amigos estarem desaparecidos... nós não sabíamos se o esconderijo deles tinha funcionado tão bem quanto o nosso.

Nós não conversamos sobre o que aconteceu, não falamos mais que o necessário... agradeci-o internamente por isso. O que aconteceu entre nós jamais se repetiria, por mais que minha boca ainda estivesse formigando e eu sentisse o olhar dele me seguir. Eu nunca me envolveria, muito menos com ele. Eu sabia o que os homens queriam de mim e isso eu não daria o prazer de lhes dar, não mais.

Eu forcei minha mente lógica e, momentaneamente confusa, a focar na missão, focar no meu destino. De uma forma sangrenta e difícil, eu conseguiria chegar a Lauriê. Foi quase uma hora depois que encontramos os rastros dos vampiros mortos por Alex e era um massacre! Vi pedaços de corpos que não tinham virado pó ainda e muito sangue negro espalhado na vegetação. Estávamos no caminho certo, enfim.

Foi pouco tempo depois que encontramos Marcos e Dornelles, vivo e inteiros.

- Deus do céu! Achei que estivessem mortos! – Dornelles falou abraçando rapidamente o amigo. Alex fez o mesmo com Marcos.

- Manuella... tudo bem? – Dornelles perguntou, visivelmente impedindo os próprios olhos de avaliar meu corpo. Marcos não se esforçou tanto.

- Sim. Foi difícil, mas deu tudo certo. – completei, passando as mãos nos cabelos para domá-los um pouco. Eu devia estar com um aspecto selvagem, com eles daquele jeito e isso não era bom.

- Hum... bom.. er... vamos? – Marcos falou antes de seguir. Andamos por um tempo até chegarmos a ponte, onde tudo começou.

As motos estavam lá, do jeito que deixamos, mas o jipe não. Senti ainda mais falta da minha ninjinha vermelha. Alex, Dornelles e Marcos pegaram cada um a sua e suspirei fundo, eu teria que me agarrar em um deles.

- Você não vem? – Alex perguntou antes dos outro. Ele tinha um sorriso torto nos lábios.

Caminhei até sua 1000cc.

- Só se eu pilotar. – falei em tom de desafio.

Ele riu alto.

- Jamais! – Alex falou e completou depois, rapidamente – Se bem que, eu gostaria de ficar atrás de você, isso seria bom.

Bufando, subi em sua garupa e coloquei a mão bem próxima a sua virilha, só pra provocar.

- Se nós cairmos, a culpa é sua. – ele disse antes de acelerar em direção à província de São José.

A viajem foi longa, mas muito agradável. A moto de Alex era muito potente e, sem o jipe para regular a velocidade, as três máquinas puderam dar tudo de si. Tivemos que dar uma volta grande para compensar a falta da ponte, mas chegamos no meio da tarde, muito antes do sol se por, graças à potência do motor das motos.

Pra minha agradável surpresa, Júnior estava lá. Ele encontrou Olavo, que tinha alcançado o jipe na confusão. Santana e Carvalho também estavam por lá, mas estavam feridos e se recuperavam na ala hospitalar. O ruim foi ver que os leões não devoraram o Olavo, mas o bom foi ver minha mochila inteira no jipe. Dar a notícia da morte de Filipe também não foi nada agradável. Eu contei rapidamente como tinha acontecido e Júnior ficou muito chateado. Os demais não se abalaram muito.

Eu estava exausta e agradecida por finalmente ter chegado ao meu objetivo. A província de São José era maior que Santa Clara e as pessoas muito receptivas. Percebi que a fama do ‘Salvador’ havia se disseminado e Alex era ovacionado por todos, uma verdadeira celebridade, um alarde por onde passava. As pessoas também desconfiaram de mim. Acharam completamente estranho uma garota ter feito essa travessia, sempre feita por soldados corajosos, ou malucos.

O alarde com nossa chegada foi imenso porque Olavo e os outros tinham chegado antes e contado sobre Alex e o que passamos, então todos ficaram animados em excesso com isso. Eu fui até a ala hospitalar, acompanhada por Júnior e Dornelles, que tinham leves arranhões para tratar. Conheci os médicos locais, que eram dois, um casal, na verdade. Duas pessoas de idade e com muita experiência.

Dona Rosa tratou de mim. Era muito habilidosa e gentil e me levou para sua casa – privilégio dos dois médicos da província. Não era nada além de dois cômodos, que pareciam um palácio pra mim, que não tinha uma casa há dez anos.

Dona Rosa preferiu me deixar descansar longe dos soldados, o que era desnecessário, uma vez que viajei com eles por dias... mas sinceramente, eu estava muito mais relaxada e tranquila sozinha ali. Era tão raro e bom ficar sozinha, sem gente a minha volta... eu poderia pensar, colocar tudo em ordem, especialmente sobre meu objetivo aqui. Finalmente eu poderia seguir os planos de Evelyn e dar um passo importante nas nossas pesquisas.

Rosa e Mário, seu marido, passariam a noite na enfermaria. Havia soldados o suficiente para vigiar os muros e Alex e os demais poderiam descansar e recuperar o corpo. Isso era importante. Na minha ânsia por ficar sozinha, nem perguntei à Rosa sobre Lauriê, mas faria isso mais tarde, tudo o que eu precisava era de um banho e umas horas de sono. Meu corpo doía e finalmente eu poderia relaxar.

Tomei um banho morno e agradável. São José tinha alguns geradores que serviam pra mantermos as comodidades mais simples e que nos faziam tão bem, como um banho quente. Eu me perdi na água e no vapor. Minha mente viajava, enquanto meu corpo era renovado. Eu tinha visto tanta coisa que jamais sonhei, que as informações borbulhavam dentro da cabeça.

Estava mais do que claro que os vampiros tinham conseguido planejar uma armadilha pra nós e tinha sido elaborada. Eles estavam passando por uma evolução, um processo diferente de tudo o que já tinha visto. Eu não conseguia explicar, por meio da ciência que eu sabia, como esse processo acontecia com eles, mas estava acontecendo.

E tinha Alex.

Não havia explicação racional ou biológica que explicasse sua transformação e sua capacidade acima do normal para exterminar as feras. E aquilo martelava o tempo todo em mim, como uma pergunta que precisava ser respondida, como um objetivo cego.

Meu corpo se eriçou ao lembrar de seu toque, de seu gosto e a pressão contra mim. O que era aquilo? Eu jamais seria capaz de sentir carinho ou amor por um homem novamente, mas eu tinha um interesse diferente em Alex. Eu o permiti se aproximar como nenhum outro e tinha medo disso, medo de toda essa confiança depositada nele. Isso tinha que parar, eu tinha que enxergar Alex como ele realmente era, acima de qualquer coisa. Eu precisava colocar na cabeça que ele era um homem como os outros, que não merecia minha confiança e nada de mim... mas era difícil. Eu me sentia bem com ele e sentia confiança em suas palavras, mas isso podia ser perigosos demais. Estava na hora de voltar a ser e agir como sempre, pra não ser pior.

Saí do banho e vesti algo mais leve. Um short caqui e uma regata branca me fizeram muito bem. Penteei os cabelos lavados e sentei no sofá. Deixei o corpo relaxar e dormi quase que instantaneamente, vindo a acordar só muitas horas mais tarde.

...

Acordei muito bem disposta e recuperada. Lá fora já era noite e meu relógio marcava 12:03h. Lavei o rosto e me olhei no espelho. Eu estava muito bem, com o rosto corado e sem inchaços e meus cabelos lisos estavam volumosos o suficiente para estarem sexy. Prestei atenção nos sons de fora, e tudo parecia tranquilo e silencioso. Peguei a pistola carregada e coloquei presa ao short, na parte de trás, com a blusa por cima disfarçando, e saí.

Eu precisava finalmente saber se Lauriê realmente estava em São José e caminhei pelo centro da aldeia pensando nisso. O tempo estava apenas ligeiramente frio, coisa que um casaquinho fino resolveria. Mas eu não tinha, então ficaria daquele jeito mesmo. Eu particularmente não gostava de sair de shorts, ainda mais a noite, mas eu já tinha estragado todas as calças que tinha posto na mala e precisaria de mais em breve.

Caminhei de encontro aos portões, onde havia uma quantidade imensa de gente de plantão nas guaritas e na parte de baixo. Fiquei agradavelmente surpresa por ver mulheres no meio, embora fosse minoria esmagada.

Aproximei-me de uma delas e ouvi diversas gracinhas pelo caminho dos soldados em guarda.

- Olá. – falei para a mulher que tinha cara de má.

- Oi. – ela respondeu mais cordial que sua aparência – Você foi quem veio com o Salvador e os demais?

- Humm, sim.

- Nossa! Que incrível! É verdade sobre tudo aquilo – a mulher se empolgava – que vocês estiveram à beira da morte todas as noites? Que perderam um amigo?

- Sim, perdemos Filipe, que fazia parte da tropa de Alex. Na verdade, eu não faço parte, apenas me juntei a eles quando passaram por Santa Clara. Eu vim atrás de uma pessoa que creio viver aqui. Já deve ser uma mulher de meia idade, chama-se Lauriê, você conhece?

A mulher franziu o cenho e negou.

- Olha, eu não conheço nenhuma Lauriê, não. Mas a verdade, é que eu estou aqui a pouco tempo. Vim com uma caravana de Horizon, minha província anterior. Mas eu te aconselharia a falar com o doutor ou com a esposa dele. Eles são bem antigos aqui e conhecem todo mundo. Desculpe não poder ajudar mais.

- Imagina, eu te agradeço. – falei acenando na direção dela – Então.. acho que vou até a ala hospitalar. Tchau.

A mulher ficou me encarando até eu sair. Já vinha um homem troncudo falar comigo e tinham alguns me encarando desejosos e eu tratei de me mandar. Definitivamente, aquele short não estava ajudando.

Caminhei rapidamente e fui em direção ao pequeno espaço que era a ala hospitalar, resumida em uma casa grande em alvenaria que tinha um gerador e aparelhagem cirúrgica. Até que era bem equipado em comparação com outras aldeias. Eles tinham um bom lugar aqui também.

Estava pensando sobre a província e me direcionando até a enfremaria, quando ouvi um barulho perto. Era... música?

Curiosa, desviei o caminho e passei por algum galpão grande que estava fechado. Atrás dele eu vi um movimento e a música aumentou. Estava tocando Black Eyed Peas, era isso? Minha nossa, como eu lembrei do nome desse grupo?

A batida era boa e envolvente e quando me aproximei ouvi as risadas do grupo. Havia uma fogueira e os soldados estavam reunidos ali, com mais algumas pessoas. Parecia uma festa.

- Manuella! – Júnior acenou e todos me encararam.

Caminhei em sua direção, sob os olhares fulminantes dos presentes. Vi Olavo e Santana do outro lado cochichando, mas não os encarei. Júnior, Dornelles e mais uns três soldados que eu não conhecia estavam reunidos. Eles bebiam vinho.

- Aceita? – Júnior ofereceu.

- Não melhor não.

- A gracinha não bebe? – um dos desconhecidos me perguntou, me olhando de cima a baixo e fixando o olhar em minhas pernas nuas.

- O último que a chamou assim quase ficou seu um dos braços, amigo, cuidado. – Dornelles falou sorrindo pra mim e o soldado se espantou.

- Isso é verdade. – sorri de volta.

- Então, estamos comemorando nossa vitória e também por estarmos vivos. – Júnior falou levantando a taça.

- Bom, pra mim isso é uma desculpa esfarrapada pra encher a cara. – eu ri e tomei o copo de sua mão, tomando um gole. Que se foda, um gole não me mataria.

Todos riram.

- Eca, isso aqui não é suave? – falei engolindo o vinho rascante e devolvendo o copo a Júnior, que ria da minha cara.

- Eu não gosto de suave. – ele disse.

Pronto, foi o suficiente para os outros soldados encarnarem ele, dizendo em conotações duvidosas que Júnior não gostava de ‘suave’. No meio da distração eu percebi a ausência de Alex e Marcos.

- E Alex, tá nos portões? – perguntei a Dornelles, que ria das tentativas de Júnior de voltar atrás no que tinha dito.

- Não sei, ele e Marcos não apareceram.

- Bom, Manuella – um dos outros soldados começou a falar e frisou bem meu nome – tenho vinho suave se quiser, tenho que você precisar.

Eu encarei o infeliz.

- Obrigada, mas eu posso buscar eu mesma.

O cara ficou sem graça e me apontou na direção do galpão pelo qual eu havia passado, dizendo que nos fundos tinha bebida. Eu ri e saí para o galpão. Até que um vinho viria bem essa noite. Depois de dois copinhos eu podia passar na ala hospitalar e falar com um dos médicos.

Caminhei sem pressa e dei a volta no galpão. A música ainda podia ser ouvida. Entrei no lugar enorme e vasculhei na fraca luz do local. Havia muitas caixas empilhadas com diversos tipos de suprimentos. Fui andando mais pro fundo e tinha algumas garrafas de conhaque numa prateleira de metal.

Ao lado, mais pra esquerda, comecei a ver as garrafas de vinho. Aproximei-me delas e percebi um som estranho. Era abafado e ritmado e eu não identifiquei. Curiosa, fui para a parte dos fundos. Ali havia uma porta, entreaberta, que tinha uma placa com algo que não prestei atenção. Minha mão já estava na arma, na parte de trás do corpo.

Dei um passo e espiei pela fresta da porta. Na hora percebi de onde vinha o som estranho. Eram gemidos abafados. No pequeno quarto, vi muitas coisas no chão e uma loira sentada na mesa de madeira. Seus seios enormes sacudiam com as estocadas e ela tinha um pano na boca para abafar o som, mas ela estava gostando, tinha os olhos revirados e vidrados, as unhas arranhando a madeira. O homem a penetrava com força, puxando a bunda da mulher para ele para ir mais fundo. Ela o envolvia com as pernas magras e ele lhe mordia o pescoço.

Seria uma cena excitante, se não fosse por quem a protagonizava. Quando a mulher soltou um gemido mais alto, o homem virou para encará-la durante o gozo e vi o reflexo de seus olhos azul esverdeados, fitando a loira que entrava em êxtase. Ele percebeu minha presença e virou rápido. Vi seus olhos arregalarem ligeiramente quando percebeu que eu o observava.

Notas finais
Review??