Life

56 Capítulo 55


Notas iniciais
Genteeee... caraca, faz UMA SEMANA que não atualizo!! Vixe, nunca fiquei tanto tempo assim, que eu me lembre... rsrsrs Bom, agora posso dizer que Life está em sua reta final e... bom, passei por uns probleminhas aqui em casa, coisa de reforma, que fizeram minha cabeça ficar longe... mas, no fim das contas, a gente tira uma lição de tudo nessa vida e o que eu aprendi com essa reforma aqui em casa foi: NÃO FAÇA REFORMAS! Bom, é isso, espero que curtam este cap que fiz no sacrifício! rsrsrsr
Bjs e obrigada demais pela paciencia e carinho de todos :)

O tempo passou e nós não ouvíamos mais os sons da luta lá fora, ainda assim, sentia meu corpo tremer de dor e medo. Um barulho alto fez todos sobressaltarem e apontarem as armas para a entrada do galpão, onde a porta estava sendo aberta.

- Raphael! — Falei sorrindo de alívio, levantando com as forças que não tinha.

Caminhei na direção dele, que veio andando rápido até mim, com aqueles olhos brancos e brilhantes. Senti o calor de seu corpo no abraço apertado e Raphael sussurrou coisas que não compreendi em meu ouvido. Parecia uma prece, em um idioma diferente.

Respirar o ar a sua volta, sentir que estava comigo, me fez finalmente relaxar. Eu sabia que ali, em seus braços, nada nem ninguém poderia me atingir. Foi com o coração que disse as palavras engasgadas em minha garganta.

- Eu te amo.

Raphael me apertou ainda mais contra si e sua mão acariciava meu cabelo. Ele me apertava de um jeito como se quisesse me fundir a ele... e era tudo o que eu queria, sempre estar ao seu lado. De um jeito brutal eu percebi o quanto o amava e o quanto senti medo ao pensar que poderia perdê-lo.

Percebi quando ele me afastou um pouco, apenas o suficiente para me olhar nos olhos. Como sempre, eu tremi com seu poder e com a força do que eles me transmitiam. Estavam diferentes, puros, com um brilho ainda mais divinal.

- Eu sempre te amei, Manuella, e nunca vou ser capaz de dizer o quanto. – ele me disse com os olhos fixos nos meus.

Voltei a apertá-lo contra mim e ouvi os passos lentos de meus amigos vindo até nós.

- Raphael? – a voz de Marcos ainda estava trêmula.

O Arcanjo mudou de posição para encará-los, mas ainda mantinha seus braços a minha volta. Com uma das mãos, secava o resto das lágrimas em meu rosto.

- Estão bem? – ele perguntou.

- Acho que... muitos morreram. – Marcos respondeu.

- Sim... Caliel e os outros devastaram Santa Fé.

- Caliel? – perguntei intrigada.

- Sim. Caliel era uma Anjo, um ser da Luz, mas suas escolhas e atitudes o levaram para o outro lado. Agora ele é um demônio e tudo o que deseja é ver a espécie humana destruída. Assim como ele, existem milhares, anjos que não aceitam a nova chance que o criador lhes deu. Eles pretendem fazer de tudo para impedir que vocês encontrem a cura, por isso precisaremos ser rápidos e encontrar a base que Lauriê informou. O tempo está se esgotando.

Nós ouvimos as palavras assustadoras de Raphael sem poder acreditar. Tudo estava confuso.

- O... o demônio ele está... – um dos soldados perguntou, com a voz trêmula.

- Não, ele fugiu antes que eu pudesse destruí-lo. Acredito que ele irá reunir os outros para mais um ataque, portanto precisaremos partir imediatamente e encontrar a base. Lá vocês trabalharão na cura e eu sei que irão encontra-la porque o Criador assim deseja.

- Outros? Como ele? – perguntei sentindo um calafrio.

Raphael tratou de me puxar para mais perto.

- Não se preocupe – ele disse e eu sabia que Caliel não chegaria tão perto de mim novamente.

Ele me soltou e estendeu o braço direito a frente. Instantaneamente, sua Gladius surgiu nas mãos. Estava impecável, brilhante e imponente em sua cor dourada magistral. Ouvi alguns suspiros dos presentes.

- Vêem isso? – Raphael perguntou.

Ele então mostrou uma pequena marca na base da lâmina da espada. Era pequeno, como um símbolo e tinha um brilho avermelhado, como se tivessem entalhado a fago no metal sagrado.

- Isso significa que a Guerra Celestial começou.

Nós continuamos encarando-o, sem entender nada. Raphael fez mais uma vez a espada sagrada sumir em pleno ar e voltou para perto de mim.

- Isso significa que os Céus estão em guerra. Os Anjos estão escolhendo um lado. Em alguns dias haverá uma batalha na qual lutarão irmão contra irmão. Aqueles que se voltarem contra a vontade do Pai Celestial, deverão ser expulsos do Paraíso, onde deverão apenas existir aqueles que desejam guiar os homens com amor e sabedoria.

- Você está dizendo que os anjos que perderem vão... cair? – Marcos perguntou.

- Serão expulsos, renegados a viver nas profundezas do abismo esperando pelo dia do Juízo Final.

Houve silêncio. Era tanta informação que sentia mais uma vez a cabeça doer. Eu não sabia como acreditar naquilo ou se eu acreditava, mas sentia, como todos os outros, que estávamos em um momento delicado.

- E... o que vai acontecer? – perguntei – Você vai... lutar com eles?

- Não. Eu estou preso a esse corpo, mas meus irmãos Arcanjos liderarão o exército contra as forças rebeldes. Enquanto a batalha ocorre, eles vão tentar impedir que vocês tenham sucesso aqui em achar a cura por isso temos que ser rápidos e aproveitar o momento em que eles estão se preparando. Nosso exército é muito maior e mais poderoso que o deles, mas não devemos subestimar sua força.

- Então... devemos partir? – Lisa perguntou.

- Sim, o mais rápido possível. – Raphael respondeu.

...

Santa Fé havia sido devastada. Mais da metade dos soldados que estavam defendendo os muros naquela noite morreu, muitos nem mesmo os corpos foram encontrados. Havia um banho de sangue sobre a terra e ao lado dos corpos mutilados só restava o pó restante dos corpos vampíricos que o sol tratou de pulverizar. Todos estavam tristes, a província estava de luto.

Do grupo que saiu de Naska, apenas eu, Lisa, Júnior, Marcos e Dornelles restavam e eu soube com pesar da morte de nossos amigos, incluindo o pai de Lisa, naquele dia em que fui atingida por Caliel. Nossas esperanças estavam reduzidas a quase nada e nós não sabíamos mais em que acreditar ou o que fazer.

Raphael era o nosso líder. Ele guiava e nos comandava nesse momento difícil e seguir suas ordens era natural e sensato. Ele decidiu passar mais um dia em Santa Fé, ajudar os feridos, enterrar seus mortos. Raphael também precisou reerguer as estruturas abaladas da cidade, das pessoas que ficariam ali, ainda mais solitárias sem nós.

Foi no final do velório coletivo que ele subiu em uma pedra e falou a todos. Com sua sabedoria e luz, ele disse exatamente as palavras que aquelas pessoas precisavam ouvir. E elas o ouviram e choraram e se emocionaram com seu relato. Não havia mais espaço pra dúvidas entre elas, todos tinham a certeza de que Raphael, o Arcanjo enviado por Deus pra nos salvar, cumpriria sua missão. Ele disse que todos que nos deixaram naquela noite estavam com o Pai Celestial, olhando e lutando pelos que ficaram e que cada um era importante nessa batalha. Eu vi a chama renascer em seus olhos, a esperança que Raphael mantinha viva dentro deles, ainda que fraca, era o que os moveria de agora em diante e também a nós.

Foi no segundo dia a tarde que partimos em direção à base principal, onde tudo começou. O pequeno comboio seguia calado. Havia apenas nós seis, e a responsabilidade de encontrar o que ninguém antes encontrou estava sobre os ombros de Lisa e dos meus. Ela, assim como eu, já não era mais a mesma. Nós havíamos visto e sentido muitas coisas que colocaram nossa fé e nossas opiniões à prova. Lisa lutava pelo pai, pelo irmão, pelos amigos, assim como eu, e de alguma maneira, eu sentia que podíamos conseguir porque eu sabia que aquele era o meu destino.

- Vamos descansar um pouco. – a voz levemente grave de Raphael soou lá na frente.

Nós paramos as motos. Já estávamos pilotando a quase seis horas sem parar. A base devia estar há mais uns três dias de viajem num ritmo muito acelerado, mas, por mais que nos esforçássemos, nossos corpos pediam clemência. O único inteiro era o Arcanjo que se esforçava em caçar alimentos e reabastecer as motos e nossos estoques de água potável.

Júnior e Dornelles estavam cochilando à sombra enquanto Marcos tentava ensinar Lisa a pilotar a motocicleta; ela era a única garupa entre nós. Caminhei um pouco para esticar as pernas e estava tentando apreciar a paisagem enquanto deixava de lado toda essa merda de guerra celestial e demônios.

A mata estava exuberante, linda, de um verde tão vivo que parecia irreal. Uma revoada de araras vermelhas sobrevoava as copas das árvores e eu me perdi em sua beleza infinita. O vermelho vivo, as cores puras... e aquele som... Fechei os olhos, respirando o ar puro da mata enquanto alguns poucos raios de sol passavam pelas folhas e me aquecia a pele suavemente. Por um instante eu pensei em como tudo isso é lindo, em como a Natureza é perfeita e em como ela está tão melhor sem a gente.

De repente, senti um calor diferente. Era agradável e protetor.

- Eu entendo o ponto de vista deles. – falei voltando a caminhar por entre a mata e acariciando as folhas e flores enquanto Raphael me seguia de perto.

- Por quê? – ele perguntou passando os dedos nas folhas por onde eu tocava.

- É isso... sabe? Nós só fizemos destruir esse lugar e as criaturas que vivem aqui... eu entendo o ódio que esses anjos rebeldes sentem da nossa espécie... às vezes, eu também sinto.

Parei de caminhar assim que alcancei um filete de água e logo vi a pequena fonte de água pura escorrendo de uma pedra. Molhei os dedos na água gelada e passei pelo rosto.

- Mas não é a espécie toda, são algumas pessoas. – ele disse, chegando mais perto.

- Algumas? – perguntei olhando fundo em seus olhos brancos e puros.

- Bom, mesmo se fosse noventa e nove por cento, o um por cento restante não merece pagar pelo erro dos demais, não acha?

Eu continuei encarando-o.

- Eu não sei... acho que no fundo, nenhum de nós é puro de coração.

Ele respirou fundo e senti seu toque quente em meu rosto.

- Não, você está enganada.

- Por que... por que você mudou de idéia? Você disse que foi escolhido pra essa missão porque dentre os quatro você era o único que tinha perdido a fé... como mudou tanto?

Raphael se aproximou e eu senti que ele podia ter tudo o que quisesse de mim. Aquele olhar fixo me fazia tremer, me fazia sentir medo de tanto sentimento.

- Sabe de uma coisa... antes de vir pra cá eu era diferente, eu achava, no fundo, que eu já tinha vivido e aprendido tudo o que devia. Eu era um arrogante, sentindo que era superior a vocês. Eu não tinha consciência disso, não sabia que sentia isso no fundo da minha alma, mas estava lá e eu só... só pude perceber o quanto estava errado vindo até aqui, vivendo como um de vocês e vendo o mundo e a vida como um humano.

Raphael chegou tão perto, que senti o cheiro da sua pele misturado ao ar puro da floresta e aquilo me embriagou.

- Você fala de um jeito... é como se você fosse de fora, de um mundo diferente.

- Mas eu sou. – ele disse colocando meu cabelo rebelde para trás da orelha com carinho.

- Eu não gosto... sinto como se você fosse embora pro seu mundo a qualquer momento e me deixar.

Eu o encarei novamente, sentindo os olhos marejados e o coração dolorido. Ele deslizou a mãos para minha nuca e emaranhou o cabelo nelas. Senti seus lábios nos meus e o sussurro de sua linda voz.

- Não chora... não me priva do seu sorriso porque sem ele eu não posso viver em paz.

Enlacei-o em meus braços e senti o gosto da boca dele na minha e era diferente de tudo o que já senti. De alguma forma eu sabia que estava com Raphael plenamente. Nós não conversamos sobre isso, mas eu não sentia mais Alex entre nós e também não via mais o colorido de seus olhos, havia apenas o branco ali. Era difícil e, ao mesmo tempo, extremamente fácil me deixar levar por Raphael por que eu o amava. Uma parte de mim sentia muito a falta de Alex e o queria por perto, mas a outra parte... essa parte amava Raphael com todas as forças.

Eu nunca pensei amar alguém desse jeito, não antes de conhecê-los. Alex e Raphael me mostraram o que é o amor verdadeiro, me deram razão para viver novamente, de forma plena, me mostraram a felicidade, mesmo em meio a toda essa bagunça. Eu sabia que amava ambos e que sem um deles, minha vida jamais seria a mesma... eu, jamais seria a mesma. Eu era como um ímã, dividido em duas partes iguais e poderosas. Se antes eu não sabia se seria capaz de amar alguém, agora eu sabia que era capaz de amar aos dois, igualmente.

Deixei um gemido baixo escapar dos lábios quando senti os beijos quentes e urgentes de Raphael em minha pele, no pescoço e ombros. Ele tremeu com isso e eu sabia que o queria comigo, como tive Alex, eu queria amá-lo.

Foi num momento rápido em que nós paramos pra recuperar o fôlego entre os beijos desmedidos, que eu olhei fundo em seus olhos brancos, cheios de desejo, e decidi o que queria. Lentamente retirei a blusa que vestia, deixando-a cair no canto da pedra. O vento morno nos atingiu fazendo meu cabelo sacudir lentamente e, pela adoração em seus olhar, eu me senti bela diante do Arcanjo.

Raphael se reaproximou, dessa vez com mais calma e senti o beijo profundo e explorador me consumir. Em pouco tempo, estávamos nos amando sob a floresta intocada e eu não conseguia pensar em mais nada.

Notas finais
Bom, pela demora.... estou postando mais um hj :))))
rsrs
Reviews???