Life

53 Capítulo 52


Notas iniciais
Oi gente. Sei que devo desculpas a vocês pela enooorme demora nas atualizações. Life está na reta final e não queria deixar esfriar agora... já estou adiantando as próximas linhas pra tentar retomar o ritmo de postagens que tinha antes. E desculpem tbm a por não responder seus últimos reviews, hj esterei atualizando isso tbm. Bjos e mto obrigada pela paciência e carinho de vcs que seguem bravamente comigo!! rsrs E feliz dia dos namorados a tdos!!! o/
Boa leitura!!!

Nós sabíamos que nossa vantagem era enorme, pois podíamos viajar durante as horas do dia e da noite, mas também sabíamos que a margem de três dias a frente dava ao vampiro... anjo... que seja, o deixava muito a nossa frente. Pois é, não dava mais pra dizer ‘eu’, já que agora eu conseguia interagir mais com Raphael. Continuava sendo bizarro e muito, muito estranho, mas ele dizia que era normal, pois a cada dia que passava nós conseguíamos mais independência e mais controle sobre as ações.

Seguimos sempre na direção do litoral, pois precisávamos encontrar Caliel antes que ele chegasse à praia, ou nossas esperanças de encontrar aquele objeto minúsculo no fundo do mar seriam quase nulas. Pra dizer a verdade, eu não entendia completamente a importância da Gladius, mas Raphael parecia certo de que era nossa única chance de vencer e eu sabia que não seria inteligente discordar.

Nós viajamos dia e noite sem parar. Graças à fisiologia diferenciada do nosso organismo, conseguíamos revezar na moto sem precisar dormir por muito tempo; no máximo duas ou três horas de sono já era suficiente para seguir em frente. Nós tínhamos que correr em dobro para alcança-lo. Durante todo o percurso, apenas pensava em Manuella e em sua recuperação. Em determinado momento eu cheguei a rezar... pedi a Deus que ela estivesse melhor quando eu e Raphael retornássemos com a Gladius. Isso o agradou.

Era final de tarde do terceiro dia quando senti o rastro dele no ar. Provavelmente, nós percorremos em três dias o que Caliel percorreu em seis. Eu estava cansado, mas a necessidade de recuperar a espada era maior que tudo nesse momento. O cheiro suave e tranquilizante do mar distante vinha misturado a seu odor pútrido e marcante de morto-vivo. Eu sabia que ele estava perto.

Corri pelo mato, sabendo que cada segundo era importante. Corri para longe da estrada e da minha possante moto e apertei o facão na mão firmemente. O cheiro foi aumentando e, junto com ele, minha sede ensandecida por vingança. Lembrava claramente do momento em que aquele desgraçado acertou Manuella com o arpão e quase a matou, mesmo sendo Raphael quem estivesse no domínio naquele momento. Junto com minha ira, senti a necessidade do Arcanjo em caçar Caliel e por uma fração de segundo, brigamos internamente por controle... ambos queríamos a satisfação da vingança. Mas eu cedi. No último instante decidi que, embora eu desejasse muito acabar com aquele filho da puta, Raphael tinha muito mais condições de fazê-lo do que eu.

...

Desde o momento em que Alex percebeu o cheiro da morte no ar eu não pude me controlar. Depois de uma disputa mental em que saí vencedor, pude finalmente ter o controle do nosso corpo e minha fúria se amplificou. Eu sabia que Alex havia me dado espaço e eu iria vingar a nós dois pelo o que Caliel fez a ela.

O sol já se punha no horizonte e o céu nada mais era do que um quadro nublado em tons de azul e cinza, com o preto da noite querendo tomar espaço. Eu precisava acha-lo, onde quer que estivesse, antes que fosse tarde demais. Senti as mãos tremerem tamanha tensão e por um instante acabei perdendo o rastro do anjo-vampiro. Parei no meio da floresta, que começava a ficar revolta. Com a mudança do tempo, as árvores e os animais estavam alvoroçados e o vento demasiado forte não me favorecia.

- Droga... – resmunguei, parando de correr.

Eu sabia que estava perto, mas não sabia exatamente como encontra-lo... e a noite começava a cair. Então o vento mudou de direção abruptamente, e eu senti novamente o cheiro de podre no ar. Eram eles... meus irmão estavam me ajudando, eu tinha certeza disso.

Corri como nunca em direção ao cheiro e logo comecei a ouvir passos apressados o mato, há alguns metros de distância... Caliel!

Nós corríamos perto um do outro, mas ainda não nos víamos. Eu sabia que estava alguns metro atrás dele, mas podia ouvir claramente o barulho dos galhos secos quebrando sob seus pés e do deslocamento de ar que fazia... éramos como cão e gato, correndo para a praia, onde tudo poderia terminar... ou começar.

Resolvi tentar um atalho e dei a volta por cima de um planalto, correndo alucinadamente pela noite. Para meus olhos, era como se fosse dia. Eu sabia o que teria que fazer, pois Caliel chegaria à margem segundos antes de mim e isso já seria suficiente para ele pegar o impulso e força que precisava e jogar longe a miniatura da Gladius sagrada, que provavelmente ficaria perdida nas profundezas do oceano.

Deixei o facão cair em algum lugar e minha mão alcançou a pistola em meu bolso no instante exato em que alcancei o topo do planalto. De onde eu estava, tinha uma bela vista. Durante o dia, devia ser uma visão realmente esplendorosa, pois eu via toda a praia até a ponta a pedra, há quilômetros de distância, numa curva tênue e deslumbrante. Mas eu não tinha tempo para apreciar a paisagem porque, lá embaixo, no meio da areia, estava Caliel, correndo com tudo o que tinha para chegar até a beira da água. Vi quando seu braço se estendeu para trás, tomando o impulso para lançar a Gladius ao mar. Pus-me em posição, destravando a arma e esticando ambos os braços.

Tudo parecia em câmera lenta, de tão rápido que acontecia. Eu só teria uma chance e tinha que acertar. Então eu vi a hora de agir.

O pequeno ponto brilhante saiu da mão do anjo-vampiro bem no instante em que eu atirei. Parecia que eu podia ver a trajetória da bala, queimando o ar por onde passava com sua velocidade colossal. O projétil foi seguindo a reta, empurrado pela força do vento a meu favor e pude ouvir quando ele se estilhaçou ao atingir o metal sagrado da Gladius.

Meu tiro certeiro foi suficiente para desviar o trajeto da espada, que caiu há muitos metros de Caliel, em algum lugar na areia.

Eu não tinha mais tempo; corri na direção do anjo desnorteado. Ele não havia compreendido o que aconteceu e percebeu minha aproximação tarde demais. Nós nos trombamos e duelamos ferozmente. Caliel, já refeito do susto, era um adversário de peso, pois dominava um corpo ágil e forte, muito mais forte que o de Alex.

Ele conseguiu me acertar e cravou seus dentes e garras muitas vezes em minha pele. Ele era bom, mas não tão bom quanto eu. Com uma esquiva mais rápida que os sentidos dele puderam captar, eu desviei de seu agarro e me lancei em suas costas, caindo por cima dele sobre a areia. Com os braços, envolvi o pescoço da criatura e estava a ponto de quebrar-lhe quando o ouvi suplicar com o resto de fôlego que restava:

- NÃO! RAPHAEL, MEU IRMÃO, NÃO FAÇA ISSO!

Parei o movimento, embora não o deixasse respirar direito com o aperto firme que mantinha. Caliel prosseguiu.

- NÃO VÊ QUE SIGO APENAS AS ORDENS E O DESEJO DO NOSSO CRIADOR?

A voz estava alta e, ao mesmo tempo, rouca. De fato, aquele corpo não precisava de ar para mantê-lo vivo, mas ele sentia dor, apesar de tudo, e também o desespero compreensível de quem está prestes a perder a vida.

- Você é quem não percebe a verdade, Caliel... nosso Pai deu aos Homens mais uma chance, que sou eu, e eu decido salvá-los.

- SALVÁ-LOS POR QUÊ? O QUE ELES TÊM QUE VALHA A PENA? NADA! ELES SÃO IMUNDOS, IMPUROS, SEM NENHUMA GRATIDÃO AO AMOR QUE O GRANDE CRIADOR LHES DEU DURANTE TODO ESSE TEMPO! NÃO MERECEM VIVER NESTE MUNDO! NÃOMERECEM MAIS!

- Não cabe a você decidir, meu irmão, essa tarefa coube a mim, e eu decidi por salvá-los.

- VOCÊ ESTÁ PERDIDO, ESTÁ CEGO PELO O QUE SENTE POR AQUELA HUMANA, MAS NÃO VÊ QUE ELES ESTÃO TE CORROMPENDO, RAPHAEL?!

Caliel parecia desesperado, percebendo que seus últimos momentos estavam sendo vividos.

- Você está enganado. – eu falei – Eu não estou cego. A verdade é que apenas agora eu pude enxergar o que eles realmente são.

Dizendo isso eu senti os ossos do pescoço dele se quebrando entre meus braços. Apertei com tanta força, que praticamente separei a cabeça do resto do corpo. Aquele corpo, para Caliel, tornou-se inútil.

Senti um vento quente sair do corpo desacordado e retorcido do vampiro e, de repente, desapareceu. Eu sabia que Caliel estava com os Arcanjos agora e eu precisava continuar.

- Obrigada. – eu disse alto, antes de me deixar cair exausto na areia.

...

Senti minha essência se desprender do corpo do vampiro que estava caído na praia, derrotado por Raphael. Ira... raiva... por muito pouco em não consegui meu objetivo. Precisava sair dali, pois já era capaz de sentir a aura dos Arcanjos se aproximando e não seria bom me encontrar com eles naquelas circunstâncias... nem nunca.

Transcendi, mentalizando Haziel, e no instante seguinte estava ao seu lado. Incorporado no corpo de uma fêmea alta e esguia, meu irmão estava de tocaia, observando a pequena Santa Fé.

Havia muitos de nós ali, misturados aos vampiros puros, que não foram dominados por Anjos aliados. Eles nos seguiam instintivamente, aguardando nosso sucesso, mas esporadicamente, deixavam seu instinto os dominar e acabavam por fazer alguma burrada. Havia um vampiro preso, ao lado de Haziel. Estava envolto por cordas grossas e se debatia ferozmente. Meu irmão o havia separado pra mim. Era uma boa casca, forte e jovem, de um macho típico.

Aproximei-me dele e invadi seu corpo vazio pela boca e nariz, preenchendo o que antes era oco.

- A imunda vive. Está sendo cuidada aqui desde quando você a feriu.

Encarei Haziel e acenei.

- Raphael tem a Gladius. Precisamos agir antes que ele convoque as forças de resistência. – falei

- O que tem em mente? – Ayel questionou, juntando-se a nós, controlando o corpo de um jovem rapaz magricela.

- Vamos ter que atacar com tudo. Eles não podem continuar... especialmente essa garota... ela deve morrer.

...

Senti a claridade através das pálpebras e sabia que estava mais uma vez naquele lugar bonito e tranquilo. Era bom, pelo menos a dor e a escuridão passavam e não me atormentavam enquanto eu estava ali.

Caminhei com meu vestido leve pelo enorme campo e vi uma figura me encarando. Era um dos Arcanjos, o de olhos violeta.

- Você precisa voltar. Agora. – ele disse. A voz estava calma, mas eu sabia que algo grave e urgente havia acontecido.

- Ele... ele conseguiu a Gladius? – perguntei.

- Sim, mas agora Caliel voltou e está com um grupo de anjos em frente à Santa Fé. Eles dominam corpos de vampiros e planejam atacar ainda essa noite. Raphael não voltará a tempo e você precisa avisar aos soldados do ataque, caso contrário serão dizimados e nunca chegarão até a base.

Senti uma agonia no peito.

- Eu... eu não posso voltar. – falei sentindo a angústia aumentar – Não consigo. Sempre que eu tento, sinto dor e então eu volto a mergulhar nesse... nesse lago negro e angustiante.

- Isso é porque você não está certa do que quer. Você tem medo de seguir em frente e também tem medo de ficar. Você precisa se decidir.

- Como assim? Eu... estou morta?

- Não... ainda não. Você está no limiar dos dois mundos, Manuella, e é a sua vontade de seguir ou de voltar que vai determinar seu destino.

Fiquei em silêncio, sem saber o que pensar.

- Eu... não compreendo. – falei finalmente, sentindo-me cansada.

- É o seu livre arbítrio, sua vontade, sua escolha. Se você tem um motivo para voltar, então lute e volte.

Eu encarei o Arcanjo e toda sua perfeição e, por um instante, me perdi no universo violeta arroxeado que eram seus olhos lindos. Havia tanto pelo o que voltar... mas voltar pra lá era sentir dor novamente, deixar essa paz e tranquilidade eternas para trás; era voltar a ter medo. Mas havia Alex... e Raphael... e Lisa e Helena, Dornelles, Marcos e Júnior... e havia meu sonho que ainda não tinha sido concretizado.

- Um dia, eu fiz uma promessa a uma pessoa... e eu quero cumpri-la. – falei lembrando-me de Evelyn e de mim mesma, anos atrás.

- Então volte... e lute pelos seus sonhos.

Antes que o Arcanjo desse um passo a frente, eu me joguei em seus braços. Sabia que jamais o alcançaria, mas pude sentir o baque de sua energia me jogar para trás, para longe, direto para o lugar onde eu deveria estar. De uma maneira sutil e muito rápida, podia jurar que senti o abraço do Arcanjo de olhos violetas, momentos antes de tudo ficar escuro e dolorido outra vez.

Notas finais
Reviews??