Life
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Aos leitores novos, que não conhecem meu estilo, não estranhem as mudanças aparentemente sem sentido de ponto de vista. Sei que pode parece confuso no início, mas logo vcs acustumam... e sinceramente, prefiro o POV dos meninnos que os das meninas, eles tornam tudo mais interessante...rs
Só mais uma coisinha.... o nome Alex se pronuncia 'Álex', ok? sabe, tipo americanizado msm...pois é, eu sou influenciada por eles, o que posso fazer??? rs
Boa leitura!!!
Saí do galpão rindo da cara e babaca daquele soldado atrevido. Homens eram sempre tão previsíveis e insuportáveis, que me divertiam.
É claro que reparei em seus olhares sobre mim assim que entrei e um dos otários ainda assobiou como um adolescente. Encontrei, pra minha sorte, o líder deles. Não era grande coisa, os outros eram bem mais corpulentos que aquele branquelo, mas não pude negar que até eu estava curiosa por conhece-lo. Ele não era salvador coisa nenhuma, mas tinha uma habilidade interessante e que me seria muito útil, afinal, com ele por perto as minhas chances de sobreviver tinham aumentado bastante. Eu só rezava pra que ele não fosse um idiota completo como o amigo bombado que eu torci o braço.
Eu comuniquei que estaria indo junto e ele acenou. O canalha nem me olhou nos olhos, nem disfarçou que me comia em pensamento. Menos mal, pelo menos ele não era um hipócrita dissimulado.
O branquelo era alto e me disse que se chamava Alex. O corpo não era igual ao do Stallone, o que eu imaginei de início pelo o que ele fez na noite anterior, mas até que era atlético. O rosto também era bonito, digo, muito bonito. Levemente quadrado e com o nariz reto. A boca não era muito carnuda, mas o sorriso até que tinha seu charme.
O cabelo castanho bem claro estava meio bagunçado e um pouco maior do que eu acho que ele usaria normalmente... a verdade era que muito pouca gente dava um valor tão grande para essas futilidades nos dias de hoje, nós não conseguíamos ter tempo para estas coisas... embora algumas mulheres que eu encontrei realmente prefeririam morrer a drenadas do que ter o cabelo despenteado... quanta besteira.
Mas o que mais me chamou a atenção nesse Alex foram, sem dúvida, os olhos. Eu não o deixei perceber meu encantamento porque isso seria ridículo, mas devo admitir que jamais encontrei olhos como aqueles. Eu não saberia dizer a cor exata, mas estava entre um tom de verde e azul que eu não consigo precisar. Eram brilhantes e expressivos. Pena que o canalha não olhou para outro lugar senão meus seios, pois se tivesse me encarado eu poderia admirar mais um pouco aquela cor tão bela e incomum.
Resolvi revisar o equipamento que levava e fui falar com Sr. Moroe sobre minha moto, deixando de lado os pensamentos sobre Alex e seu bando. Eu tinha que me focar em Lauriê, tinha que encontra-la.
Assim que cheguei em frente a oficina de Moroe encontrei o velhinho sentado em seu banquinho de madeira com um peão repleto de graxa nas mãos. Ele estava tão entretido na peça que não reparou em minha presença.
- Espero que esse troço velho não seja da minha moto. – falei chegando para mais perto.
O senhor de meia idade levantou os olhos e sorriu.
- Minha cara, a sua está um aço, esperando apenas a bela amazona.
Sorri abertamente. Monroe era o único que podia dizer estas coisas sem que eu me irritasse. Desde que cheguei a Santa Clara, ele sempre foi muito gentil e jamais me olhou de forma diferente, digo, jamais me olhou com desejo e isso me fez ter um imenso carinho e respeito por ele. Eu chegava a passar horas o ajudando, junto com Helena.
Ele era um velho mecânico que perdeu a filha, única família que tinha, logo que os vampiros surgiram. Ele tinha assistido a filha morrer e não pode fazer nada. Certa vez ele me disse que eu lembrava muito ela por causa da personalidade e beleza... eu acho que é por isso que ele não consegue me olhar de outra forma senão a do carinho. Eu gostava disso. Era raro poder ficar relaxada e tranquila perto de alguém como eu ficava com ele e Helena.
A verdade era que eu estava cansada, cansada de ter que sustentar essa máscara de frieza o tempo inteiro. Era bom poder relaxar às vezes.
- Então a espera acabou. Eu viajo amanhã ao amanhecer com o pelotão novo. Eles seguem para o norte e é pra lá que eu vou.
- Manuella, Manuella, você não desistiu dessa idéia ainda, não é? – ele disse rindo e se pondo de pé com dificuldade.
- Desistir, mas que porra de palavra é essa? Não conheço.
Monroe riu e seguiu lentamente para os fundos de seu pequeno espaço. Assim que entrei na garagem/ oficina improvisada eu a vi: minha Ninjinha vermelha estava pronta pra mim.
- Bom, eu confesso que ela me surpreendeu bastante. Não parece uma 250 cc, não mesmo.
- Eu falei pra você! Essa coisinha linda faz uma trezentas comer poeira. – respondi orgulhosa da minha Kawasaki.
Minha moto não tinha muita potência de motor como as seiscentas e mil cilindradas, mas tinha um torque de dar inveja e isso era o melhor nela. A estabilidade e conforto me faziam pilotar por horas a fio sem cansar. Eu amava muito minha moto e sabia que Monroe tinha caprichado na revisão.
- Está prontinha e abastecida. Pode me pagar depois, pois você sabe que o preço da gasolina está exorbitante.
Eu ri.
Era estranho ainda pensar que dinheiro não existia mais. Só o que importava era sobreviver. Depois da guerra, tudo, absolutamente tudo mudou. Não existia mais essa coisa de dinheiro, de poder. Pelo menos isso foi algo de bom que veio com a guerra, se é posso dizer assim. Não havia mais um subjugando o outro, não havia mais empresas, chefes ou subalternos porque o dinheiro não existia mais. As pessoas simplesmente se ajudavam a sobreviver porque a vida era agora o nosso bem mais valioso.
- Pois é, põe na minha conta então. – falei enquanto passeava a mão pela carenagem vermelha lustrosa.
Nossa despedida foi rápida, sem drama. Ele era diferente de Helena. Não concordava comigo, absolutamente, mas não disse nada para que eu ficasse. Eu definitivamente gostava de Monroe e gostei muito mais da geral que ele deu na minha moto, ficou realmente boa, silenciosa e macia.
Naquela noite eu não consegui dormir direito, é claro. Nem eu e nem ninguém de Santa Clara porque todos ainda estavam muito abalados com o ataque de grande magnitude da noite anterior. Entre os rápidos cochilos que dei, lembro apenas de ter sonhado com o mar, que tinha um tom incomum entre o verde e o azul.
...
Assim que o sol despontou vermelho no horizonte, eu caminhei em direção a minha Ninjinha e verifiquei, mais uma vez, se estava tudo em ordem. Respirei fundo e pude ouvir ao longe, o motor do jipe ligar. Eles estavam reunidos nos portões principais, cercados por muitas pessoas e soldados.
Montei na moto e ajeitei a mochila de modo a apoiá-la do assento do carona, não queria ficar com dor nas costas logo no primeiro dia. A viajem seria longa e difícil, principalmente eu estando no meio de tantos desconhecidos. Minha barriga revirava de nervosismo e eu me forçava a pensar que nenhum deles se aproximaria, que tudo daria certo, mas aquela sensação de insegurança continuava a me gelar os ossos.
Respirei fundo e girei a chave na ignição. Esperei a luz da injeção apagar e apertei o start. Ouvi o belo e discreto som da máquina sob mim. Apertei fundo a embreagem e passei a primeira. Soltei lentamente a manete enquanto acelerava o suficiente para chegar até eles.
Mais uma vez vi os olhares de todos em mim. Será que eles pensavam que eu não viria? Não me importa, eu não tinha tempo a perder aqui.
- Então, vamos? – perguntei ajeitando minha trança. Usar capacete estava fora de cogitação.
Alex estava em uma bela 1000 cc branca e havia mais duas motos ao lado dele, todas de grande potência. Os demais estavam no jipe.
- Achei que não viesse. — ele disse sorrindo e ajeitando os óculos escuros.
Não respondi, apenas sorri de volta. Ele realmente não me conhecia.
Notas finais
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