Life
46 Capítulo 45
Notas iniciais
Bom, esse fds foi terrível aqui em casa e não consegui postar... Bom, espero compensar com esse cap revelador :) rs
e me desculpem tbm por não ter respondido os últimos reviews, mas tenho uma apresentação importante na quarta-feira e estou preparando tudo e estudando basante. Provavelmente só atualizarei novamente na quarta bem tarde ou quinta.. :/
Bom, no mais quero dizer que estou mega feliz pq Life recebeu mais uma recomendação!!! Mandinha, sua linda, mto obrigada!!!! Este cap é pra vc!! E mto obrigada a todos vcs pela paciencia e pelo carinho!
Boa leitura!!!
Eu o via, eu o ouvia, mas não conseguia acreditar. De alguma maneira eu sabia que não era Alex, embora aquela figura a minha frente não fosse um completo desconhecido. Era o corpo de Alex, mas com outros olhos e outras feições. Estava mais fechado, sério e imponente.
Eu caminhei lentamente, rodeando-o, até alcançar meus companheiros que estavam ainda boquiabertos. A figura a minha frente ainda nos encarava.
– O que está acontecendo? — perguntei séria, sentindo a mão deslizar até a pistola que trazia presa a minha calça.
– Não precisa pegar sua arma, Manuella, até porque ela não adiantaria nada contra mim. – a figura respondeu, mirando seus olhos brancos em mim.
– Então me diz cadê o Alex e quem é você. – falei séria, sentindo o coração acelerar.
– Eu sou Raphael, enviado de Deus a este plano pelo Criador para salvar os humanos da extinção. Eu estive dividindo o mesmo corpo que o humano Alex, mas agora eu e ele temos consciências diferentes, graças a energia provida pela minha Gladius... que você encontrou.
Raphael, ou seja lá quem fosse, olhava pra mim com curiosidade.
– Como sabia onde estava? – ele indagou.
Eu ainda demorei para recobrar a voz, as palavras dele ainda rodavam sem sentido em minha mente... como assim ele e Alex dividiam o mesmo corpo? Como assim ele era um... anjo?
– A.. e-eu... eu tive um sonho, outra noite. Uma criatura estranha apareceu pra mim num espelho e disse... disse que no caminho para a cura, onde o sol se esconde no céu, estava a libertação.
Depois disso eu olhei para o planalto e o espelho d’água e eles seguiram meu olhar. Era ali o lugar.
– Entendo... meus irmão te avisaram sobre isso, sabiam que você encontraria.
Encarei a figura a minha frente e ainda não compreendia suas palavras, minha cabeça estava confusa demais.
– Você... você é um anjo? – Dornelles perguntou encarando o outro sem piscar.
– Sim, eu sou.
– Nossa... – Marcos exclamou e Júnior não conseguia esboçar reação.
– Onde está Alex? – perguntei a ele, com medo da resposta.
– Aqui, mas por enquanto eu estou assumindo o controle do nosso corpo. – ele respondeu.
– Nosso corpo? – questionei ficando levemente alterada.
– Quando eu aceitei a missão de vir aqui, eu nasci em um corpo humano. Minha essência se fundiu a de Alex e nós sempre fomos um só... até agora.
O cara falava com imponência e eu não conseguia enxergar nele nenhum traço de Alex que fosse. Ele era exatamente o mesmo cara que surgia durante o frenesi, mas agora, ele detinha o controle totalmente de suas ações.
– Nós precisamos recomeçar a viajem. É imprescindível que vocês alcancem a base militar onde tudo começou pra que possamos ter alguma chance. – ele disse, encarando os soldados.
Júnior, Dornelles e Marcos, ainda não sabiam o que fazer e simplesmente começaram a caminhar, indo de volta para a cidade onde os demais estavam. Eu fiquei pra trás. Alex... ou Raphael, sei lá, parou e me encarou.
– Você não vem?
– Não. Não sem repostas.
– Eu já não disse tudo o que precisava saber?
Eu acho que abri e fechei a boca umas três vezes sem conseguir emitir som algum. Foi só depois que consegui falar.
– E você acha que eu acredito nisso? Acha que eu acredito que seja um anjo que veio do paraíso a mando de Deus, entrou no corpo de Alex e que sai matando vampiros por aí? Olha, Alex, eu sei que você está aí em algum lugar e preciso de resposta, respostas plausíveis. Você é bipolar, esquizofrênico, tem dupla personalidade ou o quê?
Eu estava agora visivelmente alterada e nem eu conseguia acreditar em minhas próprias palavras.
– Eu sou Raphael, sou um Arcanjo e vim...
– TÁ, EU JÁ ESCUTEI ESSA LADAINHA, MAS PRECISO DE VERDADES, NÃO DE FANTASIA!! ME DIZ O QUE É VOCÊ E ONDE ESTÁ O ALEX QUE EU CONHEÇO, OU EU TE ENCHO DE BALAS AQUI MESMO!
A essa altura eu já estava com a pistola engatilhada, apontada para seu peito. Minhas mãos tremiam e eu gritava.
Ele continuou sério, impassível, e caminhou lentamente até encostar o peito em minha pistola.
– Eu sei que não vai atirar em mim porque no fundo do seu coração você sabe que minhas palavras são verdadeiras. O problema é que sua mente impede que veja a verdade porque você simplesmente não acredita que exista uma força superior que está acima da ciência.
Pisquei diversas vezes, e as palavras dele me atingiam como balas.
– Meus irmãos avisaram você porque sabiam que era a única que poderia me trazer até aqui, até minha Gladius. Eles sabiam que, dentre todos, você era a única que eu protegeria com a vida e que estaria viva para achar esse objeto sagrado.
Senti minha boca secar.
– Do que está falando?
– Você não compreende, mas vai acreditar. Sabe que nunca fui igual aos demais, sabe que eu e Alex sempre te instigamos, sempre superamos qualquer lei que sua ciência já determinou como verdade absoluta. E agora... você tem as respostas que tanto queria. Eu e Alex sempre fomos um só e agora temos nossas consciências separadas, embora ainda dividamos o mesmo corpo.
Ele esticou a mão e senti seu toque quente em meu braço. Imediatamente andei pra trás, quase que tropeçando em minhas próprias pernas. Eu estava trêmula e totalmente perdida.
– Eu sei que te devo respostas mais que a qualquer outra pessoa. – ele começou, voltando seu corpo pra mim e me consumindo com o olhar branco e brilhante – Mas também sei que, dentre todos, é que menos tem fé em seu coração.
Eu travei minha pistola e a coloquei no cós da calça cruzei os braços e mirei a figura a minha frente.
– Então me explica, vamos ver se capaz de me convencer.
Ele não piscou, não esboçou reação, mas seus olhos conseguiram me encarar de um modo incrivelmente mais profundo.
– Eu vim de um lugar onde o tempo e o espaço se fundem. Sou mais antigo do que qualquer ser que exista na face desta Terra. Minha casa é o lugar que muitos gostam de chamar de Paraíso. De lá, nós, os servos do Criador observamos e cuidamos de seus filhos mais amados, que são vocês.
“Desde o início vocês se corromperam, sempre decepcionando Àquele quem lhes deu o dom da vida e o presente do livre arbítrio. Nós, Anjos, Seres da Luz, sempre tentamos trazê-los de volta ao caminho do Pai, mas vocês se afastavam da verdade cada vez mais. Até que um dia, até nosso Pai Celestial pareceu desistir de vocês.”
“Ele disse que mandaria uma praga para acabar de vez com os homens, pois os homens já não tinham salvação. A praga que Ele enviaria seria simplesmente o conhecimento. Ele permitiu que vocês criassem e disseminassem a própria destruição. Entretanto, no último instante, ele ainda teve um sopro de esperança. O Criador os ama tanto que decidiu que um dos quatro Grandes Anjos, os primeiros seres criados por ele e que caminham a seu lado, tivesse o poder de decidir se o homem seria salvo ou não.”
“Os quatro Arcanjos, então, se reuniram, e meus três irmãos decidiram que, entre nós, eu deveria ter o poder da decisão. Assim sendo, eu esperei e meditei profundamente observando a cada um dos mortais. Um deles, um velho ancião, teve uma revelação, semelhante a que você teve, proporcionada por um dos meus irmãos, que ainda tinham fé na humanidade.”
“O velho xamã, sacrificou sua vida e sua alma, para que os homens fossem salvos. Em respeito ao seu sacrifício, eu aceitei a missão de vir até aqui, viver como um de vocês, e só então decidir se merecem ser salvos. Minha essência se fundiu a de um mortal que estava nascendo no exato momento em que decidi aceitar a missão, e essa pessoa era Alex.”
“Ao fundir nossas essências, minha consciência e a dele se fundiram e tudo o que eu era foi esquecido. Nós éramos um só, dividindo a mesma essência e o mesmo corpo. Até que um dia, eu despertei e foi quando nós passamos a lutar contra as criaturas da noite. Nossas consciências ainda não estavam completamente separadas, mas Alex me deixava inconscientemente assumir o controle sempre que estávamos perto das criaturas para que e as destruísse.”
“E assim nós convivemos até hoje, até o momento em que você encontrou minha Gladius. Esta espada sagrada contém apenas um ínfimo pedaço da essência do Criador e só pode ser manejada por um dos Quatro Arcanjos. Meus irmãos a puseram aqui e disseram a você onde encontrar, pois no momento em que eu a toquei, sua energia imensa foi suficiente para separar a minha consciência da de Alex. Agora, nós somos dois, dividindo um único corpo. Só em minha consciência plena eu posso decidir lutar contra os vampiros ou abandonar os homens a própria sorte.”
Ele se calou e eu estava em um estado de torpor. Como era possível acreditar em sua história, como era possível crer em tudo aquilo? E pior... como era possível não crer?
Forcei minha mente a voltar a ter foco, e meu corpo a voltar a ter controle.
– Por que... seus outros três irmãos escolheram você pra vir aqui? – perguntei caminhando até uma das pedras ao lado do planalto e sentando, deixando as pernas bambas descansarem.
– Porque dos quatro, eu era o único que não tinha mais fé em vocês. – ele respondeu.
Houve silêncio. Eu lembrei de vários momentos em que passei com Alex e... com Raphael. Das vezes que ele me salvou a vida, da vez que eu me arrisquei, mesmo sem saber, para salvá-lo. Das vezes em que Alex lutava por controle, tentando voltar a ser ele mesmo... das vezes em que, durante o transi, Raphael me protegia, de quando me salvou naquele galpão, quando eu estava dominado por Olavo e os demais e também de como ele os matou. Lembrei das vezes que fiz amor com Alex e de sempre ver por trás o brilho branco de seus olhos. Em todas essas vezes, eu estava com os dois.
Eu acreditava agora, embora não soubesse explicar. Dentro de mim, eu creio, que sempre soube que era duas pessoas completamente diferentes, sempre soube que Alex era especial, mas jamais diria que seu outro lado pudesse ser... um anjo e que tinha o poder de salvar a todos nós. Isso eu ainda não compreendia.
Raphael viu a compreensão em meus olhos, dissolvendo, aos poucos, a descrença. Eu estava confusa.
– Alex sabe de tudo isso? – perguntei encarando-o.
– Agora sabe. – ele respondeu.
Respirei fundo.
– E eu... não vou mais vê-lo?
Raphael demorou um pouco antes de responder.
– Nós apenas dividimos o mesmo corpo, mas temos igual direito a ele. O que faz com que um se sobressaia ao outro e é vontade de estar aqui. Sempre que havia uma situação de emoção extrema, ou eu ou ele deixávamos o outro assumir, ou brigávamos inconscientemente por controle. Agora, por exemplo, eu preciso estar aqui, porque ele também precisa da verdade.
– Então, vocês dois vão ficar... se revezando, é isso?
– Nós vamos estar sempre querendo assumir o controle um do outro, sim.
Calei-me. O que mais eu poderia perguntar? Minha mente mal acreditava em tudo aquilo, estava sendo demais pra processar.
– Nós temos que ir. A essa altura, todos devem estar prontos pra partir. Já passa da hora do almoço e estamos em uma região perigosa. Temos que chegar até a base original, lá encontraremos respostas e teremos a cura.
Eu o encarei.
– Então você decidiu nos salvar? – perguntei olhando fundo em seus olhos.
– Eu vivi entre vocês. Eu percebi o quanto o mundo dos homens é difícil, o quanto vocês lutam contra os próprios instintos. Durante todos esses anos eu vi e senti coisas que em toda minha existência nunca tinha sentido. Eu conheci pessoas ruins e pessoas boas. Senti raiva, ódio e conheci a amizade. Eu vi o quanto podem ser sublimes quando arriscam a vida por um amigo, o quanto dói perder um filho. Eu percebo agora que o homem, em si, não é mal, apenas alguns deles fazem escolhas erradas. Mas o importante é que se vocês forem extintos, muita coisa boa será perdida e é por essas coisas que vale a pena lutar.
Desviei o olhar do dele. Minha cabeça doía e eu estava me sentindo perdida, como jamais estive. Eu sempre detestei minha vida, depois do que me aconteceu. Eu nunca fui a pessoa alegre e feliz que era e não era por causa dos vampiros, ou da guerra, era simplesmente porque eu havia perdido a alegria de viver. Eu havia me tornado uma pessoa amargurada, que afastava de si qualquer um que tentava se aproximar. Eu sempre julguei que todos fossem me fazer o mal que aqueles homens me fizeram um dia e as palavras de Raphael me faziam ver que era justamente o contrário.
O mundo está repleto de pessoas de todos os tipos, capazes de todas as coisas. Eu não devia ter me fechado tanto pra vida, não devia ter deixado que aquele trauma me consumisse. Se um anjo que havia perdido a fé na humanidade pode ver isso, eu, como humana também deveria ver. Mas não era fácil.
– Eu... posso falar com Alex?
Fiquei de pé e levantei a cabeça lentamente para encará-lo. Era tão óbvio agora. Eram tão diferentes.
Raphael respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos. Quando voltou a abri-los, vi o azul esverdeado inconfundível do homem que eu amava. Ele me olhava de volta e eu sabia que era Alex.
Nós não dissemos nada, ele parecia tão ou mais abalado que eu.
– Eu devia ter adivinhado. – ele finalmente falou, um tempo depois.
– Isso... isso, não era possível. Como você saberia de algo assim? – perguntei a ele.
Alex respirou fundo e voltou a me encarar. Ele sabia da verdade agora e, de alguma maneira, parecia aliviado com isso.
Ele soltou uma risada breve, naquele jeito sarcástico que eu tanto amava.
– Desgraçado... – falou enquanto ria.
– O que foi? – perguntei sem entender.
– Agora eu sei por que estava cada vez mais difícil voltar a assumir o controle depois do transe. Porque eu sentia que estava cada vez mais longe de voltar ao normal.
– Por quê? – perguntei me aproximando.
Alex me encarou.
– O desgraçado se apaixonou por você. – ele disse – Por isso brigávamos tanto um com o outro por controle. Ele não queria te deixar.
Pela terceira vez essa tarde, abri a boca e não consegui falar nada. Alex apenas riu e me estendeu a mão. Retornamos para a cidade juntos, calados, e minha mente simplesmente não absorvia mais nada depois de tudo aquilo. Talvez, eu tivesse sido morta na noite anterior e tudo isso não passasse de uma alucinação, algo que certamente acabaria quando meu coração finalmente parasse de bater. Quem sabe?
Notas finais
>> e parabéns ao que se ligaram no início da fic (primeiro parágrafo do primeiro capítulo!) e sacaram que Alex tinha algo de angelical dentro dele. E um super parabéns à leitora Chi, que acertou tudinho :) é isso aí! rs
Fale com o autor