Life

32 Capítulo 31


Notas iniciais
Oi gente! Bom, confesso, eu não ía atualizar hj pq cheguei cansadaça da aula, mas aí vi que Lilith, uma das leitoras de Life, recomendou a fic!! o/o/o/o/o/ já são ciiinnccoooo recomendações!!!!
Aí, depois disso... tive que fazer um esforço! rs
Quero mto agradecer a TODOS pelos reviews a cada capítulo, que me fazem parar de trabahar só pra dar uma espiadinha e ver se tem novos comentários!! rsrsrsrs
Bom, é isso... Lilith, minha querida, mto obrigada! Este cap é pra vc :)
Boa leitura!

Eu não sei de onde ele surgiu. Estava me divertindo com a vadia, finalmente pronto pra ter dela o que eu sempre quis: minha vingança.

Aquela garota era teimosa, petulante e incrivelmente atrevida. Ela tinha me humilhado na primeira vez que a encontrei. Depois a vaca salvou minha vida e ficou se vangloriando por isso. Eu via todos aqueles otários babando por ela e fazendo tudo que ela mandasse. Tá certo que ela era uma puta de uma gostosa, mas eu conhecia mulher muito melhor que essa vadia. Mas eu a queria. Eu queria principalmente por saber que Alex a desejava, mas não a tinha.

Eu tive diversas oportunidades de ter minha vingança, mas não o fiz, eu precisava do lugar e da oportunidade perfeitas, então esperei pacientemente a festa de aniversário de Naska chegar. Eu acompanhei cada um de seus passos. Vi quando saiu gostosa com o vestido curto e depois ficou piruando pra todos os lados com aquele viadinho cientista e sua irmã bêbada. Vi quando dançou com Júnior, o soldado babaca e apaixonado, e com Dornelles, aquele velho enfadonho.

Então eu deixei Petrus e Sidarta preparados. Esses seriam os meus melhores cúmplices para o que estava planejando fazer... também estavam loucos pra transar com a vadia. É claro que eu podia ter pego a vaca sozinho, mas eu queria mais... queria não só fuder com ela, mas também humilhá-la, despedaça-la. Não queria que morresse, queria que vivesse sempre comigo assombrando seu sono.

Tudo correu como o planejado. Eles a trouxeram pro galpão e me deleitei ao ver o terror em seus olhos. Primeiro ela lutou, mas logo entrou em desespero e não se apresentou tão difícil de ser dominada. Confesso que esperava mais dela, por ser do jeito que era, mas algo me disse que ela estava muito mais abalada do que assustada ou surpresa...

Arranquei o vestido e confesso que fiquei um tempo admirando seu corpo esbelto. Quando finalmente me preparei para penetrá-la, senti um baque no peito e outro no rosto, simultâneos e tão absurdamente fortes, que ouvi meus próprios ossos quebrando, antes mesmo de sentir a dor.

Caí longe do ponto inicial e ouvi apenas os sons dos outros dois sendo arremessados longe, ou sendo mortos, eu não sei.

Senti a dor latente em todo o corpo e o sangue escorrendo pelo nariz. Respirar estava impossível, tamanha dor nas costelas. Só podia ser ele... aquele filho da puta tinha chegado e agora eu estava fudido.

Levantei com dificuldade e apoiei-me em uma caixa grande do depósito. Ouvi algum dos outros chamar meu nome, mas não dei importância e fui com dificuldade até a saída. Alex tinha nos atacado de um jeito impressionante, só podia ter entrado em transe, o desgraçado. Isso não fazia o menor sentido, afinal não tinha nenhum vampiro maldito por ali, mas era a única explicação.

Foda-se, eu tinha que sair dali. Aquela vadia e o maluco do Alex podiam ferrar com a minha vida, eu precisava agir rápido. Segui cambaleante até minha casa e juntei o máximo de suprimentos possíveis, além de armas e munição. Rapidamente lavei o rosto, sentindo o osso deformado no nariz. Sentia dor e o sangue escorria como uma bica. Eu tinha que ir embora de Naska, mas teria que esperar até amanhecer, o que seria em poucas horas.

Carregando a mochila com dificuldade, segui até o lado sul de Naska, onde as defesas eram mais fracas nos muros em função de um rio que passava do lado de fora e afugentava os malditos, fazendo dos muros norte, os principais. Eu ficaria ali, aguardando o amanhecer, aguardando a chance de escapar.

...

Acho que se passou mais de uma hora que estive abraçada a Alex. Eu estava com medo, com vergonha e me sentindo a mais miserável das mortais. Jamais imaginei passar por aquilo novamente, o terror ainda fluía em minhas veias, mas a presença de Alex me ajudava a manter o controle. Eu lembro vagamente de quando ele chegou, lá no galpão. Entre a visão embaçada pelas lágrimas e pelo desespero, senti quando o corpo de Olavo foi varrido para longe de mim violentamente.

Na hora, eu me encolhi, assustada com o que aconteceria a seguir. Eu só sabia que queria morrer. Não vi muita coisa, pois estava em choque, só sabia que ele estava lá. Ouvi o som seco de ossos quebrando e senti o ar se mover ao meu redor com a movimentação dos corpos voando por todos os lados. Não sei se Alex os matou ou se apenas os afugentou, só sei que vi o reflexo branco e brilhante vindo até mim e me segurando.

Ele me embalava em seus braços e depois de tanto tempo, relaxei. Com o passar do tempo, os tremores passaram e o medo diminuiu. Eu me sentia segura ali e quente.

- Você já está com cãibras? – perguntei em voz baixa, percebendo quanto tempo ele estava ali parado comigo.

Ele riu discretamente.

- Não, não estou. – Alex falou.

Voltamos a ficar em silêncio. O tempo passou e eu pensei em muitas coisas. Pensei o que poderia ter acontecido se Alex não tivesse chagado a tempo; pensei em como eu podia ser uma pessoa diferente se não tivesse sido atacada quando menina... pensei em como eu poderia ser feliz com um homem que eu amasse... se eu fosse capaz de amar.

Finalmente me movi, afastando o tronco do dele e olhei para um ponto qualquer de seu rosto que não foram os olhos.

- Obrigada. – eu disse simplesmente.

Alex sorriu e passou a mão delicadamente em meu rosto, que doía pelas pancadas... devia estar inchado. Depois passou a afagar meu cabelo, ainda olhando pra mim. Eu senti a face esquentar, estava envergonhada.

- Sabe que não foi culpa sua, não é? – ele disse calmamente, ainda me olhando e carinhando meu cabelo.

Sacudi a cabeça em negativa, sem conseguir responder de imediato. Foi um tempo depois que ouvi minha voz embargada desabafar:

- Eu... eu não sei o que teria feito se você não tivesse chegado... eu pensei em...

- Xiii... – Alex me interrompeu, pondo os dedos em meus lábios — Eu vou sempre proteger você, Manuella... eu só lamento não estar com você antes pra poder impedir aquilo. – ele falou de forma séria, porém suave.

- Mas você tinha saído pra se divertir, não tem culpa. – falei baixando o rosto.

Senti sua mão delicada em meu queixo, fazendo uma leve pressão para que eu o encarasse.

- Olha pra mim. – pediu com doçura.

Relutante e sentindo vergonha de mim mesma, encarei finalmente os olhos coloridos, que tinham um interessante e magnífico brilho. Era como se por trás da cor, estivessem brilhando brancos. Nos encaramos por um tempo e o brilho diminuiu até que restou apenas a cor que eu tanto gostava.

- Eu não estava com ninguém na festa. Eu não conseguia parar de pensar em você, o tempo todo, e meus pensamentos foram tão longe que quando dei por mim, Sandy tinha me afastado um pouco da multidão. – ele voltou a acariciar meu rosto ferido e era tão bom que me deu vontade de fechar os olhos, mas não o fiz.

- Eu disse a ela que não poderíamos ficar juntos. – ele continuou, ainda com os suaves movimentos – Eu simplesmente não conseguiria me sentir eu mesmo com alguém que não fosse você.

Eu senti vontade de sorrir com suas palavras, mas estava tão abalada ainda que não consegui.

- Você... você... o que fez com... eles? – perguntei voltando a baixar a cabeça, desviando o olhar do dele.

Alex voltou a me guiar o rosto em sua direção.

- O que gostaria que eu fizesse? – ele perguntou ainda com suavidade, voltando a alisar meus cabelos.

Pensei em muitas coisas e em nada ao mesmo tempo. De repente, tive visões terríveis de Alex estripando-os de forma violenta e brutal, ou torturando-os até a morte e senti um frio na barriga. Eu não queria que ele fizesse aquilo, não queria que ele matasse ninguém por mim.

- Eu... eu não sei, só... só não queria mais vê-los. – falei algum tempo depois.

- Só isso? – ele perguntou curioso – Não gostaria de vê-los mortos?

- Eu não sei... se teria coragem de tirar a vida de alguém a sangue frio... e também, não acharia legal que você o fizesse.

- Por quê? – Alex questionou

- Porque não quero te ver como um deles... – respondi voltando a me aninhar em seus braços.

Alex respirou fundo e beijou o topo da minha cabeça enquanto me enlaçava em seus braços quentes. Então eu falei o que sempre quis esquecer, me abri com Alex como nunca tinha feito com ninguém na vida, enquanto mexia suavemente em um dos botões da sua camisa.

- Eu nunca conheci meu pai. Eu vivia com minha mãe e minha tia, que sempre me deram tudo o que eu precisei pra ser uma garota feliz. Eu estudava num colégio bom e tinha muitos amigos. Desde cedo sempre me destaquei por causa da minha aparência... eu sempre fazia seções de fotos na escola ou era aluna representante só porque tinha um rosto bonito.

“Um dia, a professora de ciências passou um trabalho em dupla. Era a nota final, a turma toda tinha que fazer algo bem bonito. Eu fui pra casa da minha amiga de classe e passamos a tarde toda fazendo o trabalho. Era tão lindo... fizemos uma maquete linda sobre o amor. Colocamos vários casais de bonequinhos em uma praça, todos presos eternamente naquele instante de felicidade.”

“Na hora de ir pra casa, caiu um temporal muito forte. Eu liguei pra casa e avisei a minha mãe que dormiria na casa da Ângela por conta do tempo, disse que tudo ficaria bem. Eu passei uma noite incrível. Nós aproveitamos que a mãe dela estava viajando e usamos a maquiagem dela, seus sapatos altos e suas jóias... também lembro que fomos dormir tarde de tanto conversar.”

“No meio da noite eu acordei com sede. Eu sempre dormia com uma jarra de água ao lado da cama em casa porque tinha essa mania, mas a Ângela não. Ela dormia como uma pedra e não acordava por nada. Então resolvi descer até a cozinha pra pegar água. A casa dela era incrível, linda e o quarto dela ficava lá no sótão, um espaço que toda garota sonhava em ter.”

“Desci até o térreo e fui para a cozinha. Eu estava no meio do copo d’água quando ouvi um som atrás de mim. Era o pai da Ângela. Eu me desculpei com ele e disse que estava apenas com sede, que já voltaria pra cama. Ele sorriu e disse que estava tudo bem. Enquanto eu guardava a garrafa de água, ouvi mais barulho vindo da sala, que ficava meio distante da cozinha. Ele disse que estava numa pequena reunião com uns amigos e me chamou até lá pra me mostrar uma coisa.”

“Quando cheguei, eu vi a televisão ligada, e dois caras bebendo cerveja no sofá, largados como se estivessem em suas próprias casas. Ele me apresentou a eles e disse que seríamos todos bons amigos. Eu não reparei na hora porque estava com sono, mas o pai da Ângela fechou a porta da sala atrás de mim.”

Nessa hora senti meus pêlos se arrepiarem e minha respiração ficou acelerada. Alex beijou o topo da minha cabeça e eu parei de mexer no botão da camisa dele. Senti uma dor no peito e o estômago revirar. As imagens daquela noite se misturavam com as que vivi a poucas horas atrás. Foi lentamente que continuei.

“Eu lembro de tudo. Lembro de quando ele me agarrou por trás e me jogou no chão e de como os outros dois vieram rindo ajuda-lo e me segurar. Lembro de tentar gritar, de tentar correr. Lembro do coração batendo tão forte no peito que chegava a doer. Eles arrancaram minha roupa e o pai da Ângela foi o primeiro. Eu lembro que senti uma dor tão grande que parecia que ele estava me rasgando ao meio, me queimava por dentro.”

“Eles não tiveram pena de mim em nenhum minuto. Eu lembro de sentir ele me invadir e se deitar sobre mim. A barba dele arrastava em minha boca, junto com o suor que escorria da testa pelo esforço. Eu chorava muito e ele ria na minha cara enquanto me violava da forma que mais lhe convinha. Eu sentia o cheiro da pele dele, do suor, da cerveja, do tabaco, do meu sague que sujava o chão... eu jamais vou esquecer aquela sensação porque era como se eu estivesse morrendo várias vezes, sendo estraçalhada por dentro.”

“Depois dele, eu não sei fui capaz de sentir muita coisa mais. Meu corpo me desligou dali. Eu via e ouvia as coisas ao meu redor, mas era como se aquilo estivesse acontecendo com outra pessoa, sabe? Eu lembro dos outros dois fazerem coisas horríveis com meu corpo, mas eu estava embriagada pela dor e pela vergonha. A única coisa que lembro enquanto aquilo acontecia era de ouvir sempre as mesmas coisas.”

“Eles diziam que era bem feito, por que eu era muito bonita. Eles diziam e repetiam que eu era uma garota linda e que eu tinha que pagar por ser assim. Porque eu sempre seria melhor que as filhas deles.”

“Depois eles me soltaram, já cansados de me usar. Lembro que o céu lá fora começava a ficar mais claro e os dois foram embora. Eu fiquei jogada no canto, tremendo, encolhida, em choque. O pai da Ângela jogou minhas roupas em cima de mim e disse pra eu me vestir enquanto ele limpava a sujeira que tinha feito no chão da sala dele... Eu nem sei como fui capaz de levantar e me vestir... eu sentia tanta dor e tantas coisas que eu não sei como consegui. Só lembro dele falando que se alguém, algum dia, soubesse sobre isso, ele iria atrás de mim e da minha mãe e faria tudo de novo. Ele disse que Ângela não podia mais ser minha amiga, pra que eu nunca mais voltasse a vê-la.”

“Então eu voltei pro quarto da Ângela, peguei minhas coisas e fui embora de lá, chorando muito. Eu passei o dia todo vagando pela cidade, com medo e assustada demais pra voltar pra casa. Eu achava que não conseguiria nunca olhar nos olhos de minha mãe depois daquilo.”

“Só cheguei em casa a noite. Minha mãe e minha tia estavam desesperadas. Eu disse que estava bem, que tinha saído pra ajudar uma amiga que tinha sofrido abuso, que ela precisava desabafar. Eu descobri naquele dia o quão bem eu sabia atuar. Era como se realmente outra pessoa tivesse vivido aquilo. Elas duas insistiram pra que eu contasse quem era, que a menina precisava se cuidar, fazer exames, tomar remédios, mas eu as convenci de que ela estava abalada demais e que não tinha coragem de falar a verdade. Contra tudo o que imaginei, minha tia arranjou umas pílulas contraceptivas, daquelas que se tomam no dia seguinte quando um casal esquece de se prevenir. Ela disse que a menina tinha que tomar e fazer uma série de exames pra ver não tinha pego nada e que tinha que denunciar o desgraçado. Mal sabia ela que estava dando o remédio pra sua própria sobrinha.”

“Eu tomei o remédio e rezei pra que nada de pior tivesse acontecido comigo. Depois eu passei a ser diferente do que eu era, só... passei a ser como sou hoje. Minha família achou que eu estivesse abalada pelo trauma da minha amiga, mas era só eu, que tinha morrido por dentro. Eu jurei que jamais desistiria de meus objetivos, que jamais deixaria homem nenhum me machucar daquela forma ou de qualquer outra. Eu nunca mais consegui ouvir elogios sem sentir um arrepio na espinha, nunca mais pude acreditar em sentimento nenhum porque eu sei que só o que as pessoas veem em mim é minha aparência, minha beleza. Isso se tornou uma maldição na minha vida.”

Eu finalmente me afastei um pouco de Alex e o encarei. Eu via o entendimento em seus olhos. Agora ele compreendia o motivo de eu sempre me afastar, de eu não suportar elogios e olhares em minha direção.

- E o que houve depois? – ele perguntou suavemente, deslizando o dedo indicador em meu rosto.

- Bom, meses depois a guerra que já estava acontecendo longe daqui, piorou e depois veio a maldição dos vampiros, e tudo mudou. Eu me separei de minha mãe e minha tia. Foi quando o governo recolheu os mais jovens e levou para bases militares. Depois de algum tempo eu encontrei Evelyn, uma cientista brilhante e uma pessoa incrível, que me ajudou e me deu suporte. Ela meio que me adotou e me ensinou tudo o que sei. Ela nunca me perguntou sobre o passado, mas Evelyn nunca precisou perguntar nada pra mim, ela sabia o que tinha acontecido e um dia ela simplesmente chegou com uns papéis na mão e disse que eu estava limpa. Na base militar em que cresci, eles faziam coletas regulares de sangue pra monitorar as pessoas, pra se certificarem que não estavam infectadas, já que não entendíamos ainda muito bem o que era aquilo. Evelyn simplesmente burlou o sistema e fez alguns exames adicionais com meu sangue.

“Eu nunca me preocupei muito com isso, pra ser sincera, porque eu achava que o pior de tudo eles já tinham feito comigo. Eu não me importaria de morrer por alguma doença terrível e nojenta porque nada seria tão horrível quanto aquilo. Mas eu não tive essa sorte. A única cosa que eles fizeram foi acabar com minha vida.”

“Ontem... eu saí da festa com Júnior. A gente discutiu e eu subi pro meu espaço pra deitar, mas nunca cheguei até minha cama. Eles me surpreenderam no corredor e me levaram pro galpão.”

Houve silêncio. O resto da história ele já sabia.

- Eu sinto muito. – ele disse um pouco depois.

- Não sinta. Tem coisas que não se podem mudar. – respondi sentindo o peso enorme dessas palavras.

Só então eu percebi que ainda estava sentada no colo de Alex, no chão da sala, enrolada apenas nos restos do vestido. Vi que o vestido e também em alguns lugares da minha perna estavam sujos de sangue, eu nem tinha reparado nisso.

- O que é isso? — perguntei franzindo o cenho.

- Bom... eu acho que feri um deles quando os puxei pra longe de você... – ele respondeu meio sem jeito. Eu sabia que nem ele mesmo se lembrava do que tinha acontecido, pois tinha entrado em transe.

- Bom... agora sabemos que não são só os vampiros que fazem você entrar naquele frenesi. – falei abaixando a cabeça.

Ele sorriu rapidamente.

- Eu acho que eles conseguiram me fazer sentir mais ódio deles que dos vampiros. – Alex falou me olhando profundamente.

- Eu... queria tomar um banho. – desviei a atenção de sues olhos brilhantes e acrescentei – Posso?

- Claro.

Alex desabotou a blusa branca que vestia, que tinha várias mancha de sangue antes despercebidas. Com a enorme blusa, ele me vestiu pra que eu pudesse levantar. Senti as pernas meio dormentes pelo tempo em que ficamos ali. Alex se direcionou até o banheiro e abriu a porta do pequeno aposento.

- Bom, não é lá grande coisa, mas tem água quente. – ele disse sorrindo.

- Obrigada. – respondi, novamente falhando ao tentar corresponder.

- Você quer que eu vá buscar suas coisas? – ele perguntou inda em direção à porta.

- NÃO! – gritei involuntariamente – Por favor, não me deixe sozinha. – acrescentei rapidamente, tentando controlar os batimentos cardíacos.

- Tudo bem, eu não vou. Vou te esperar aqui. – ele disse com calma e o semblante tranquilo.

Alex foi até seu armário e pegou uma blusa de manga semelhante à que vestia, mas azul.

- Toma, pra você deve ficar grande. – ele disse, entregando-me o pano azul claro.

- Obrigada.

Entrei no banheiro e fechei a porta. Era um espaço pequeno e claro. Retirei a camisa de Alex, suja de sangue, e o vestido rasgado, deixando-os sobre a pia modesta. Retirei a calcinha preta e quis rasga-la em pedacinhos depois do que Olavo falou, mas não pude, pois era minha única lingerie disponível. Atravessei a cortina cinza e liguei o chuveiro. Demorou apenas alguns segundos para que a água ficasse morna, e depois quente. Fiquei embaixo d´água deixando ela levar embora a dor do meu corpo e da minha alma e as lágrimas caíam misturadas ao líquido quente.

Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas sei que não foi pouco. Saí apenas quando não havia mais lágrimas para sair e os dedos estavam enrugados. Fechei o chuveiro e deixei a água escorrer, tirando o excesso com as mãos. Eu não pensava em nada, exceto em como seria poder viver num mundo onde eu nunca tivesse passado pelo o que passei.

Saí do banheiro vestindo a camisa de Alex, que ficou realmente grande em mim, quase da altura do vestido. O cabelo molhado fazia uma mancha na blusa, tornando-a mais escura naquela região. Alex estava com uma bermuda e outra blusa branca meia manga, sem estampas. Ele me aguardava sentado na beirada de sua cama, com os cotovelos nos joelhos, como se estivesse refletindo sobre algo importante.

Ele me olhou com carinho e eu sabia que estava reparando em meus olhos vermelhos e inchados, mas não disse nada sobre isso.

- Vem cá. – ele falou esticando a mão em minha direção.

Eu a segurei e ele me puxou, com delicadeza, para a cama arrumada e cheia de travesseiros fofos e brancos. Ele chegou para o lado, indo para o centro do colchão, e me puxou junto com ele. Sentei ao seu lado e ele me puxou para si, abraçando-me. Relaxei o corpo, apoiada nele, que me abraçava e mantinha segura no círculo de seus braços. Não dissemos nada, apenas ficamos daquele jeito, enquanto o dia lá fora começava a raiar.

Notas finais
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