Life
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Boa leitura!!
Chegamos a São José, finalmente, e foi um alvoroço, como sempre era quando chegávamos a uma nova província. Eu estava cansado e precisava de um banho, uma boa comida e cama. Minha cabeça explodia ainda com os pensamentos em Manuella.
Fomos até a enfermaria, onde Carvalho e Santana estavam se recuperando. Marcos e Dornelles fizeram alguns curativos e estavam ainda muito abalados pela perda de Filipe. Era um bom homem. Lembro que do dia em que ele entrou para o grupo. O maluco dizia que ia matar o máximo de vampiros pra vingar a morte da noiva, que estava grávida quando foi morta. Ele tinha um objetivo e eu respeitava isso.
A noite chegou logo e eu já tinha conseguido o meu banho e descanso. Manuella foi descansar longe de nós e, no fundo, eu achei melhor. Eu não conseguiria ficar completamente relaxado com ela por perto. Só de lembrar eu ficava duro e quente.
Acordei por volta das onze e os homens me avisaram de uma festa atrás do galpão. Tinha música vinda de um micro system antigo e bateu uma nostalgia quando ouvi as músicas que eu curtia anos atrás, bem antes da guerra. Bebi algumas biritas, mas nada que me fizesse cair. Durante a noite, por mais que eu soubesse a quantidade de soldados que guardavam São José, eu não conseguia relaxar completamente. A tensão sempre existia, eu estava sempre a espreita, como que esperando a hora de mata-los.
Secretamente, tinha a vontade de sair dos muros daquelas províncias e me embrenhar nos matos, mutilando a todos eles. Mas eu sabia que, até mesmo em meu estado de frenesi, eu não era imortal. Mas era difícil resistir ao impulso, mesmo quando os malditos não estavam por perto para incomodarem minhas narinas.
A reunião começou a encher e meus companheiros não paravam de contar nossas aventuras para os outros soldados que ficavam maravilhados. Ouvindo assim, era como se eu não tivesse participado dessas coisas porque eu simplesmente não era eu quando lutava. Eu me vi sob a ótica deles e era bem... diferente de como realmente acontecia pra mim. Eles me viam como uma esperança, uma arma, um salvador. Mas eu era apenas um homem comum, que surtava quando sentia o cheiro da morte.
Foi pouco antes da meia noite que elas chegaram. Os soldados trouxeram companhia para animar a festa e eu lembrei instantaneamente da noite em que entrei em frenesi pela primeira vez. Era um grupo pequeno de garotas, que pareciam bastante enturmadas com os rapazes dali.
Todos conversavam, em seus grupos pequenos. Eu percebia os olhares delas, as jogadas de cabelo, o morder de lábios. Eu via tudo isso. Era tão fácil tê-las. Sempre foi simples pra mim, mesmo antes dessa porra toda começar. Eu sempre tive uma boa aparência e um bom papo, simplesmente tinha jeito com elas. Mas depois que virei essa ‘celebridade’ era ainda mais fácil que antes.
Eu, sinceramente, não prestei atenção em nenhuma em particular, pois meus olhos me traiam de tempos em tempos dando uma vasculhada no local. Até que senti uma mão acariciando minhas costas.
- Oi.
- Oi. – respondi com um sorriso para a loira que me acariciava.
Era bonita, tinha um decote imenso que deixava bem a mostra seus seios fartos. O cabelo era liso e grande, do jeito que eu gostava, e tinha olhos azuis. Ela tinha um sorriso bonito e os homens a olhavam com desejo. No fundo, era nada mais que um rosto bonito com um gostoso par de seios. Eu senti atração pela moça, mas nada desesperador. O que me enlouquecia era mesmo pensar em quando tive aquela morena em meus braços. Manuella não saía de meus pensamentos.
A menina puxou assunto, sempre me tocando. Eu era educado, mas não estava a fim de nada mais, até que ouvi sua amiga dizer o nome dela.
- O quê? Desculpe, como se chama? – perguntei encarando-a.
- Manuele. — a loira respondeu sem piscar.
Respirei fundo. Mas que insanidade era essa de sentir o corpo vacilar só por ouvir um nome parecido com o dela? Eu não estava me entendendo, não podia estar em meu juízo perfeito. A carne estava ali, pronta para ser consumida, mas eu só conseguia pensar na mulher que deixou plantado no meio de um buraco imundo no penhasco. Isso era o fim.
- Inferno! – reclamei antes de puxar pela mão a Manuele, que saiu saltitando atrás de mim, deixando-se guiar.
Nós fomos para o galpão escuro e eu não podia acreditar no que estava recusando. Eu confesso, meu corpo queria sexo. Eu precisava disso e sentia falta. Meus pensamentos fixos em Manuella já estavam passando dos limites e eu precisava provar que nada mais era do que um desafio. Ela representava a gata selvagem que todo homem quer domar, mas isso não me impediria de fuder com nenhuma mulher. Pro caralho com essa porra!
Senti o calor da volúpia me dominar quando, de súbito, girei o corpo e agarrei a garota pela cintura. Eu a joguei no chão do galpão e lhe invadi a boca sem perguntar ou pedir passagem. Ela me aceitou e senti que me queria quando passei a mão em sua intimidade e ela soltou um gemido. O caminho estava verde.
Eu não esperei um segundo. Meu corpo se acendeu rápido e minhas mãos velozes retiraram a blusa e o sutiã da garota, expondo tudo aquilo de seios que ela tinha. Apertei-os com força, entre as mãos, antes de lamber os mamilos. Ela soltou um gemido muito alto, o que me fez parar. Aquilo atrairia atenção.
Ofegante, a garota fez menção de levantar.
- Ali atrás. – ela disse.
Não esperei mais. Eu queria fuder com ela naquele instante, enquanto os pensamentos sobre Manuella não me invadiam o corpo e a mente.
Carreguei-a por uma salinha que tinha nos fundos do galpão. Havia uma mesa de madeira que serviria bem. Com o braço, arrastei tudo o que havia ali e fiz uma sujeira no chão. Coloquei-a sentada na mesa, de pernas abertas. Eu a beijava e mordia enquanto ela me arranhava as costas por debaixo da blusa.
- Tem camisinha? – perguntei entre beijos.
- Ela levou a mão até o bolso do short e retirou um pacotinho. Peguei o objeto sorrindo e abri meu zíper.
Enquanto eu colocava o preservativo, a garota retirou o short, ficando completamente nua e exposta pra mim. Menos mal, teria menos trabalho.
Vi sua virilha molhada de tanta excitação e ela se masturbou enquanto eu terminava de colocar o látex em meu pênis.
- Nossa, que delícia isso tudo. – ela disse lambendo os lábios e encarando meu membro.
Eu a puxei para frente e a penetrei violentamente, como eu sabia que ela estava acostumada. A garota gemeu alto.
- Assim você vai acordar a vila inteira. – falei enquanto sentia o calor e a umidade me envolver.
Mais que depressa, ela pegou a blusa que trouxe consigo e fez um rolinho, enfiando na própria boca. Perfeito.
Eu comecei a devorá-la, sempre com estocadas fortes e vorazes, como meu desejo pedia. A loira estava em êxtase e gemia bastante em meu ouvido. Eu não gostava. O som dos gemidos exagerados me tirava do sério. Nunca entendi por que as mulheres gostavam tanto de gritar durante a transa. Mas pouco me importava, eu só queria gozar e sair dali.
Eu mantive a pegada, aumentando e diminuindo o ritmo conforme minha necessidade. Normalmente eu não gozava muito rápido, mas também não demorava absurdos... só gostava de prolongar a transa quando valia a pena. Não era esse o caso. Não porque ela não fosse gostosa, estava deliciosa, na verdade, mas eu ainda não estava sentindo o prazer que normalmente sentia.
Eu ouvia seus sons e senti sensações fortes, mas que não seriam suficientes pra me fazer gozar. Fechei os olhos e apertei a cintura da loira, fazendo a penetração profunda. Senti quando ela contraiu o corpo, sentindo seu orgasmo, mas eu não estava nem perto de chegar ao meu. Maldição, isso estava durando até demais.
Eu entrava e saia com força, tentava fazer o máximo e me concentrar no prazer, mas eu não conseguia, não quando pensava que queria Manuella ali comigo. Inferno! Inferno!
Fechei os olhos e me concentrei. A garota me beijou, ainda estava sentindo prazer com minhas investidas, mas seu beijo me esfriou, porque logo percebi que ele nem chegava aos pés do que eu realmente queria. Interrompi o beijo e virei a cabeça pro outro lado, tentando me concentrar mais uma vez.
Ela não tentou me beijar novamente, estava voltando a sentir um grande prazer e voltava a fazer aqueles sons irritantes contra o tecido. De olhos fechados, levei minha mente para algumas horas atrás, quando eu tinha o corpo da morena perfeita imprensado contra o meu e sentia seu cheiro, Céus, era como se pudesse senti-lo ali, naquele instante. Aquilo me excitou e prossegui. Lembrei de como era seu toque em minha pele e de sua respiração em meu rosto... apertei a cintura da outra com força como eu queria ter apertado a daquela mulher e não fiz.
Era bom fazer isso, reviver aquele momento de prazer. Embora fosse estranho pensar que tive mais prazer beijando Manuella do que estava tendo fudendo aquela garota. Finalmente senti meu gozo próximo e soltei um som leve, de antecipação. Olhei rapidamente para a loira, que estava quase em seu clímax novamente. Foi então que senti uma presença por perto e virei a cabeça, na direção da porta. Não acreditei quando vi seus olhos me encarando e sua boca entreaberta. Era ela, meu demônio em forma de mulher. Ela me via gozar em outra.
Manuella saiu rapidamente, e garota sob mim gemia e se contorcia novamente. Parei de forma brusca, ofegante por tudo aquilo. Nunca em minha vida tinha vivido uma situação assim. Primeiro eu tinha beijado uma mulher e só pensava nela enquanto transava com outra, e para completar, tinha acabado de estragar qualquer eventual possibilidade de sentir outra vez o gosto dos lábios que eu tanto queria. Puta merda.
Eu saí de dentro da garota, que se jogou teatralmente sobre a mesa, ofegante.
- Nossa, isso foi incrível. – ela disse lentamente, olhando eu retirar a camisinha cheia de sêmen.
Nem me dei ao trabalho de respondê-la. Peguei as roupas da garota e a ajudei a vestir-se... também não sairia daquele jeito, mas era o que eu tinha vontade de fazer.
- Quando nos vemos de novo? – a menina perguntou enquanto se levantava e ajeitava o cabelo bagunçado.
- Você é uma delícia, mas acho que não vamos repetir essa noite... – falei fingindo um pouco – Pego estrada em breve.
- Me leva junto com você? – ela perguntou me olhando nos olhos.
Eu ri, um riso sem humor.
- Infelizmente, só tem uma mulher que consegue me acompanhar e não acho que você também consiga.
Ela pareceu se ofender, mas eu abaixei um pouco e beijei-lhe a face, enquanto completava:
- Não se ofenda. É que você é frágil demais pra isso.
Virei de costas e comecei a caminhar, sentindo o peito pesado. A garota parece que se conformou, ou eu sei lá, mas não me seguiu. Na verdade, não era essa garota que era frágil demais, era Manuella que era diferente, só isso.
...
Ok, eu senti um baque no peito quando vi aqueles olhos me encarando. Minha reação foi de sair dali. Eu imaginei secretamente, entrar naquele quarto e... e o quê?! Mais que inferno!
Virei rapidamente e peguei a primeira garrafa que vi na frente. Era de vinho, eu acho. Caminhei de volta pro lugar onde os outros estavam e consegui ler que tinha pego outro vinho rascante, por falta de sorte.
- Mas você não ía trazer um suave? – Júnior perguntou pegando a garrafa para abrir.
- É, eu... eu não encontrei. – respondi, controlando a fala. Não conseguia entender que coisa era aquela que sentia. Parecia uma dor no estômago, que não doía, não sabia explicar.
Júnior veio com meio copo pra mim e tomei um grande gole. Dornelles se aproximou.
- Está tudo bem? – ele me perguntou.
- É claro! — respondi com um sorriso. Eu era mestra em disfarçar meus sentimentos, fiz isso minha vida inteira e não seria diferente agora
- Bom – acrescentei a Dornelles e Júnior – vou deixar vocês aqui e vou atrás do meu objetivo.
- A cientista Lauriê? – Dornelles falou, reenchendo meu copo.
- Isso. Eu vou perguntar pro casal de médicos sobre ela. Parece que eles são os mais antigos aqui e devem saber de alguma coisa. – falei, já transparecendo tranquilidade.
Ouvi um gritinho alegre, que veio de uma menina lá atrás. Ela estava enroscada nos braços de Olavo, que passava a vão na bunda da infeliz e a puxava pra perto de si. Eu não podia com aquilo. Então virei na direção posta para ir embora, mas topei com Alex caminhando até nós. Aos fundos, a garota loira com peitos grandes tentava se ajeitar e andar reto ao mesmo tempo.
- Oi. – ele disse sem me olhar nos olhos.
- Alex? – Dornelles tentou disfarçar. Ele tinha me dito que não havia encontrado com Alex, mas eu sabia que estava apenas tentando encobrir.
Eu entrei no jogo que sabia jogar e falei em tom sarcástico:
- Bom, acho que não sou a única que estou sem sorte hoje. Eu não encontrei o vinho suave que queria e acabei por empatar a foda do Alex. Foi mal aí.
Bati em seu ombro com leves tapinhas, enquanto fazia cara de ‘sinto muito’.
Júnior e Dornelles nada disseram, mas a risada descontrolada de Marcos soou atrás de nós. Ele também já tinha terminado sua noite e se juntava a nós.
- Caralho, que merda hein Alex?!
- Bom rapazes, não quero atrapalhar mais a noite de vocês. – falei caminhando para longe daqueles olhos azuis esverdeados.
Antes de virar a esquina, falei alto para o grupo:
- Ah, Alex, já que eu te interrompi, você pode pensar em mim quando for se aliviar, mas só dessa vez, OK?
Saí rebolando discretamente e só soltei o ar quando finalmente estava sozinha. Minha nossa, onde eu estava com a cabeça? O que eu queria agora era voltar lá e provoca-lo, fazê-lo subir pelas paredes de desejo por mim, mas, ao mesmo tempo, queria sumir. Eu não queria admitir, mas estava sentindo algo por ele, algo que eu nem me atreveria a dizer o nome, mas que estava ali.
Respirei fundo várias vezes e segui meu caminho. Eu bem sabia que nunca seria capaz de me envolver com Alex ou com ninguém, então eu deveria tirar esse sentimento de dentro de mim antes que ele se aprofundasse e a melhor maneira de fazê-lo era mantendo a mente ocupada. Eu encontraria Lauriê e teria minhas respostas.
Cheguei até o lugar que era tido como a ala médica. Tinha alguns poucos dormindo em camas simples, e encontrei a idosa médica Rose lavando as mãos.
- Doutora Rose? – perguntei em tom baixo, me aproximando lentamente.
- Olá, querida, está melhor?
- Sim, muito obrigada. Eu acabei descansando no sofá e depois encontrei os soldados.
- Ah, sim, eles estão fazendo uma festa atrás do velho depósito, não? – ele perguntou, virando em minha direção.
- De fato... mas eu vim aqui por outro motivo. – falei pra ela enquanto sentava em uma cadeira.
- Eu sei. – Rose falou, me encarando com os olhos claros benevolentes e um sorriso no rosto marcado pelo tempo.
- Sabe?
- Bom, não sei o que quer, exatamente, mas sei que está atrás de alguma coisa importante. – a velha senhora falou enquanto sentava na cadeira em frente a minha – Você é do tipo de pessoa forte, que tem um rumo na vida, uma meta. Eu percebi quando chegou aqui. O seu objetivo te move e te leva longe.
Senti o peso de suas palavras e sabia que a experiência e idade falavam por ela. Respirando fundo, indaguei:
- Bem... eu agradeço as suas palavras. Eu tenho realmente um desejo comigo. Sempre foram as perguntas e a busca por respostas que me moveram. Eu aperfeiçoei essa característica vivendo com minha mentora, Evelyn. Nós pesquisamos durante anos o comportamento e a origem dos vampiros, esperando achar uma cura, uma luz. Ela morreu diante dos meus olhos, sem uma gota de sangue no corpo. O meu objetivo é realizar esse sonho dela, o meu sonho. Eu preciso e vou encontrar um jeito de nos salvar.
Rose sorriu. Eu falei com tanta gana e vontade, com tanta certeza, que era difícil até pra mim absorver tudo isso. Sempre que eu pensava sobre a cura, sobre o que eu queria, eu sentia essa chama no peito, que queimava de um modo avassalador. Era como se, dentro de mim, eu soubesse que conseguiria, ou, pelo menos, faria todo o possível.
- Rose... – continuei – Minhas pesquisas e de minha mentora Evelyn levaram a tantas ruas sem saída, tantas perguntas... Depois de anos, finalmente encontramos uma ligação, um nome que pode ser muito útil nesse processo. É o nome de uma pesquisadora, que provavelmente esteve por dentro do processo de criação e disseminação do vírus. Eu tenho evidências pra acreditar que ela está aqui, em São José, e preciso que me diga onde encontra-la.
- Mas, qual o nome dessa mulher? Eu te asseguro que, se ela estiver aqui, poderei te ajudar. – a médica falou, totalmente focada e concentrada.
- Lauriê. Seu nome é Lauriê. – falei olhando-a fixamente.
Rose franziu o cenho e disse as palavras que eu não queria ouvir.
- Sinto muito, Manuella, mas eu nunca ouvi falar dessa mulher.
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