Life
15 Capítulo 14
Notas iniciais
^-^ só eu msm! pra vcs verem minha intimidade com o fogão, hein! heheheheh mas sério, tenho pavor de fritar coisas, eu me enrolo em um milhão de panos pra não respingar...rsrsrs dei azar domingo :(
Bom, sem mais delongas:
Boa leitura!!
A noite passou lenta, mas, felizmente, nenhum vampiro apareceu. Eu consegui cochilar algumas vezes e Filipe também descansou o bastante para estar bem melhor no dia seguinte. Os sodados estavam cansados, não tinham dormido quase nada e acumulavam a tensão da noite anterior.
Devido ao cansaço extremo de todos, eles preferiam dormir por duas horas antes de começar a viajem. Já que eu estava relativamente bem, fiquei de campanha com Filipe, que já andava e conversava com mais animação e se revelou um companheiro bem divertido.
No horário combinado, todos levantaram acampamento e a viajem prosseguiu, com a mesma divisão de soldados entre os veículos. Dornelles dirigia o jipe dessa vez e Alex contou aos demais o que me contou na noite anterior. Era de consenso geral de que os vampiros estavam mais espertos e isso representava um perigo real pra nossa viajem. Por sorte, nosso ritmo estava bom, apesar dos empecilhos noturnos, e se tudo desse certo, estaríamos em São José antes do cair da noite.
Preferimos não parar pro almoço e dividimos umas poucas frutas que recolhemos no mato antes de levantar acampamento. Os relógios apontaram 15h quando avistamos de longe a ponte. Pelo mapa, a província de São José estaria a menos de cinco quilômetros de distância e isso significava que as respostas de Lauriê estavam mais perto do que nunca.
As motos com Olavo, Carvalho e Santana iam a frente, checando o caminho. Vimos quando eles pararam diante da ponte e desceram das máquinas. Algo estava errado. Olavo estava vermelho e esbravejava, enquanto os demais ficaram parados olhando para frente. Logo entendemos o motivo. Conforme o jipe se aproximava da ponte fomos vendo o grande buraco que havia em seu centro. Estava despedaçada, apenas com os vergalhões da estrutura interna expostos, como lanças, voltados para o centro não existente. Ao redor, grandes blocos de concreto espalhados pelo mato e o grande vão que separava os dois pontos da estrada permitia que o vento formasse um redemoinho que fazia meu cabelo voar.
- Merda! Merda! – Marcos esbravejava ao descer do jipe.
Todos o seguiram, enquanto eu fiquei de pé sobre a carroceria. Observei o ambiente ao redor... algo estava realmente estranho. Então eu vi no canto da ponte, quase perdido no mato, o que procurava.
Desci o mais rápido que meu corpo debilitado conseguiu. Caminhei até o mato, onde havia restos de plástico e fios, além de um monte de cinzas. Segundos depois, Júnior e Alex estavam ao meu redor.
- Isso são explosivos? – Júnior perguntou.
- Bom, parece que sim... – respondi, agachando para pegar um pouco de cinzas nos dedos. Nem precisei aproximar o nariz para sentir o cheiro de podre – E parece que não é apenas isso...
- Um maldito foi torrado aí. – Alex percebeu.
- Pois é... e a explosão também é muito recente, não tem um sinal de relva nas pedras e os fios ainda estão inteiros... – falei juntando as peças na cabeça. O cenário podia ser pior que o imaginado.
- Você quer dizer recente tipo... ontem a noite? – Alex perguntou, já entendendo minha linha de raciocínio.
- Isso explicaria a noite tranquila que tivemos, não acha? – perguntei encarando os olhos azuis esverdeados.
- Vocês estão supondo que um vampiro implantou os explosivos ontem a noite, prevendo a rota que tomaríamos, implantou os explosivos e voluntariamente se suicidou para nos atrasar?
A voz veio atrás de mim, naquele tom sarcástico irritante que só Olavo conseguia ter.
- Bom, provavelmente o vampiro que orquestrou tudo isso não foi o mesmo que se queimou aqui. – falei olhando pra Alex diretamente.
- Vai ver ele está atrás do seu lindo pescoçinho, minha querida. – a mesma voz irritante falou, agora em um tom mais grave e rouco.
- Vai se fuder. – falei antes de virar de costas e seguir para o outro lado, a procura de mais pistas.
Olavo riu alto e fez menção de me seguir.
- Você é muito linda de costas, sabia? De rente ele queria essa sua bunda gostosa também.
- Cala essa boca. — Júnior interveio e Alex logo completou:
- Me polpa das suas putarias baratas, Olavo, tem coisas importantes acontecendo aqui.
Olavo riu e completou antes de sair:
- É claro, Salvador.
Durante o silêncio que se formou, caminhei até o mais extremo possível, onde os vergalhões se entortavam e miravam para o grande vão. Mais um redemoinho de formou no vão entre as elevações do relevo e meu cabelo esvoaçou. Junto com o uivo tradicional da ventania, ouvi um som de fundo um pouco incomum.
- Esse cara é um otário mesmo. – Marcos falou aproximando-se junto com Filipe.
- Vocês podem explicar o que está acontecendo aqui? O que pretendem fazer agora? – Filipe perguntou e todos começaram a falar ao mesmo tempo.
Eu tentava identificar o ruído, mas era estranho e baixo demais e aquela discussão entre os soldados não estava colaborando em nada.
- Será que vocês podem calar a boca?! — perguntei chegando ainda mais para o penhasco, o som parecia vir de lá – Você não estão ouvindo?
Após minha pergunta, eles se calaram e aguçaram os ouvidos. No silêncio, eu pude confirmar minhas suspeitas. Era um som estranho e vinha de algum lugar desconhecido
- O que é isso? – Santana veio pra perto – Que porra de barulho é esse?
O som parece que aumentou e percebi que veio de trás dos escombros da ponte que caíram no mato, atrás das pilhas de concreto gigantescas.
- Vem de lá. – apontei para o lado oposto de onde eu estava.
- Esse som me lembra... meu cachorro. – Júnior falou com uma cara estranha.
Depois que ele falou, realmente eu pude ligar o som a algo. Parecia realmente ruídos de cães... como, rosnados ou grunhidos, mas sem latido.
- Você não tem um cachorro. – Marcos observou.
- Parem vocês! Esse som... eu não estou gostando... parece de... animais? – Alex observou.
O silêncio foi ainda mais profundo e eu senti minha adrenalina subir... algo estava errado, muito errado.
- Vamos investigar! Armas, agora! – Alex ordenou.
- Alex, eu não acho que seja uma boa idéia. – falei andando em sua direção. Os outros já preparavam as armas — Já são 15:30h e nós temos que achar um jeito de atravessar pro outro lado.
- Eu não acho que valha a pena – ele falou já pegando uma pistola semelhante a que ele me deu – A ponte está destroçada e o único jeito de chagar ao outro lado é fazendo uma curva pela montanha, o que levaria mais de um dia pra acontecer. Se nós estamos certos e tem vampiros envolvidos nisso, é melhor pegarmos eles agora enquanto ainda temos a luz do sol.
- Você até que pode ter razão, mas esse som não parece de vampiro algum. – observei, pegando engatilhando minha pistola também.
Alex seguiu na frente e Marcos, o seguia de perto. Filipe, Dornelles e eu íamos atrás e logo ouvi os demais em meu encalço.
Demos a volta pelo mato, a fim de seguir o estranho som que só fazia aumentar. Estava cada vez mais parecendo como grunhidos e rosnados, definitivamente era de algum ser vivo... ou alguns.
Foi então que quase entramos em choque. Quando contornamos a grande pilha de concreto conseguimos ver a cena grotesca e perigosa: pendurados nos vergalhões da ponte destruída, haviam cordas grossas e nas pontas das cordas, vários leopardos e leões. Os animais estavam pendurados por uma das patas traseiras e pareciam muito feridos, além de raivosos. Foram feridos e postos ali de propósito por algum motivo macabro que logo foi revelado: quando Santana pisou perto de um tronco caído ele se moveu.
Tudo foi rápido demais. Alguém ou alguma coisa havia posto uma armadilha simples e eficaz. Santana deve ter esbarrado na corda que segurava o dispositivo: uma pedra pequena rolou para trás e o tronco caído rolou para frente, na direção do abismo nos fazendo ter que correr para escapar de sermos arrastados para baixo. Na adrenalina do momento, cada um correu ou se jogou para um canto, mas o pior ainda estava por vir.
Os animais pendurados, que passavam facilmente de dez, tiveram as patas liberadas e caíram no chão, perto de nós. Estressados, assustados e muito raivosos, o instinto de caça deles estava ativado e o alvo éramos nós.
- CORRAM! – ouvi alguém gritar.
Depois disso, eu não vi mais nada além do verde do mato passando por mim velozmente, na mesma velocidade em que minhas pernas corriam para longe dos animais vorazes. Ouvi tiros e rosnados ainda mais altos. Meu corpo doía ainda do esforço exagerado da outra noite, mas o impulso de sobrevivência era maior que tudo. Tirando forças de onde não tinha corri para longe, para dentro do mato, para longe das garras animalescas.
Parei, apoiada em uma das árvores, muito ofegante. Ainda ouvia tiros sendo disparados e perto de mim ouvi um grito. Corri em direção a ele e cheguei a tempo de ver um dos braços de Filipe ser estraçalhado por dois leopardos enfurecidos. Um deles me encarou e veio na minha direção. Deitando no chão, de costas, atirei duas vezes na direção do animal e na segunda ele soltou um choramingo alto e sangue fresco voou de sua testa. O corpo enorme caiu antes de me alcançar.
Trêmula, dei um salto de susto quando ouvi outro grito de dor extrema do soldado, que já estava coberto de sangue e me olhava em agonia pedindo por clemência.
- FILIPE! – gritei desesperada antes de descarregar minha arma no bicho que o comia vivo.
O felino tombou de lado, caindo morto. Corri na direção de Filipe, e vi o brilho de seus olhos se apagarem assim que ajoelhei ao seu lado. Não tive tempo pra nada depois disso.
- MANUELLA! – quando me virei pra trás, seguindo som de meu nome, ouvi o som do tiro que acertou o leopardo que vinha em minha direção. O sangue morno do bicho se espalhou sobre mim.
- Você está bem? – Marcos perguntou correndo em minha direção.
- Sim. Filipe, ele... eu não pude fazer nada. – falei gaguejando, ainda nervosa com o que tinha acontecido.
Marcos estava ensopado de sangue e tinha a calça rasgada, mas não estava ferido.
- Viu os outros? Sabe para onde correram? – ele perguntou tão agitado e nervoso quanto eu.
- Não, não vi ninguém, apenas corri. – respondi pegando um carregador cheio e reabastecendo minha arma.
- Estamos fudidos! Já são quase quatro, daqui a pouco isso aqui vai estar infestado de malditos vampiros! MALDITOS VAMPIROS! – ele gritou descontrolado, levando as mãos à cabeça.
- Marcos, temos que encontrar os outros! Temos que achar abrigo! – falei já começando a correr, apontando minha pistola para frente, preparada para outro ataque ávido e feroz.
Marcos correu ao meu lado por mais de vinte minutos e não encontramos ninguém, muito menos o caminho de volta para o jipe. A situação estava tensa e a noite logo chegaria. Então ouvimos um barulho no mato. Rapidamente Marcos se aproximou e ambos apontamos as armas na direção do som. Foi com um sonoro ‘Puta que pariu’ que Marcos recebeu seus companheiros.
Alex estava inteiro, embora tivesse marcas de batalha e a roupa rasgada. Dornelles parecia cansado.
- E os outros, sabem se estão vivos? – Marcos perguntou, ainda olhando para todos os lados.
- Eu vi Olavo e Carvalho irem na direção oposta, acho que conseguiram chegar até o jipe... os outros eu não sei. – Alex respondeu.
- Filipe está morto. – falei encarando Dornelles e baixando a cabeça – Quando ouvi seu grito eu corri, mas não cheguei a tempo... foi horrível.
- Mas que merda! O que foi isso? Como aconteceu essa merda toda? – Marcos parecia ainda muito alterado.
- Foi uma armadilha. – Alex respondeu com convicção – Ele explodiu a ponte e pendurou os leões... sabia que nos separaríamos e que os animais nos deixariam feridos.
- Feridos?! Aquelas feras quase nos mataram! Não faz sentido! – foi a vez de Dornelles se exaltar.
- Bom, faz sentido se eles queriam apenas acabar com a gente. – respondi encarando a todos – Essa armadilha foi muito bem planejada e executada. Eles não queriam nos ferir pra nos achar depois, isso foi feito pra nos matar.
Era isso. A verdade estava bem ali, na nossa cara, mas ainda assim, muito difícil de acreditar. Jamais os vampiros tinha ido tão longe em sua complexidade de ataque. A coisa estava feia.
- Vamos, temos que encontrar um lugar antes que anoiteça. – Alex determinou e cada um ficou com seus próprios pensamentos sombrios.
Os relógios apitaram 17:30h e senti o coração apertar, muito em breve seria noite e estaríamos perdidos.
- Ali! – Dornelles apontou uma fonte de água. Ela brotava de uma fenda na pedra, vinda do solo, e formava uma poça de água cristalina em um pequeníssimo espaço. Era como uma grande bacia de água pura e gelada.
- Muito bem. Ninguém está ferido, mas estamos encharcados de sangue. Vamos nos lavar, o máximo possível e deixem tudo o que estiver ensanguentado dentro d’água. É melhor sentirmos o frio do mato que o calor daquele bafo de podre que eles têm. – Alex falou já tirando sua blusa e mergulhando as mãos na poça de água para se lavar.
Nos entreolhamos e seguimos seu conselho. É claro que me dei mal, pois minha blusa estava totalmente repleta de sangue e tive que tirá-la. Lavei os braços, o rosto e o cabelo muito depressa e deixei minha blusa dentro da poça de água fresca, que trataria de diluir o cheiro de sangue.
Minhas calças tinham uns respingos, mas molhei o bastante para melhorar a situação. Todos estavam sem camisa e Dornelles teve que rasgar boa parte da calça. Continuamos andando depressa, pois ainda tínhamos meia hora de luz do dia para achar um abrigo. Preferi soltar os cabelos, que eram relativamente grandes. Assim podia tapar um pouco das costas nuas e também o colo que ficava a mostra com o top minúsculo que vestia.
- Pelo menos eu vou poder ter uma visão bonita antes de morrer. – Marcos falou se referindo a mim enquanto corríamos procurando abrigo no mato. Eu merecia aquilo....
A luz do dia se foi completamente quando finalmente encontramos algo. Era uma pedra enorme e tinha uma fenda. A luz da lua estava incerta, pois havia muita nuvem no céu, mas pudemos enxergar nossa salvação.
- Vamos! Rápido! – Alex falou e nessa hora passamos a ouvir os sons assustadores do mato a nossa volta.
Apontando a arma para a grande fenda Dornelles entrou primeiro. Era muito estreita e ele teve que prender o ar para conseguir entrar.
- Aqui não é muito fundo, não vamos caber todos! – ele gritou enquanto se espremia o máximo possível para dentro do abrigo improvisado.
Marcos foi depois e Alex apontava sua arma para todas as direções enquanto respirava profundamente a procura de algum vestígio de vampiros. Marcos se espremeu e entrou com muita dificuldade. Eles estavam fundo no esconderijo e foi aminha vez. Quando coloquei o pé pra dentro, ouvi Alex xingar. Os grunhidos começaram ao longe e podia sentir que seu corpo enrijecia. Maldição! Se ele entrasse em frenesi ali, seria o fim. Ele não tinha seu facão, nós não tínhamos munição o suficiente. Seria uma desgraça total.
- Alex, se controla! – falei saindo do buraco na pedra e indo ao seu encontro.
- Manuella, vai logo, eles estão perto! — sua voz já saía ofegante e baixa.
- Marcos, Dornelles, vou tirar o Alex daqui. Fiquei em silêncio e não conversem. Se derem sorte eles não vão achar vocês. – falei rapidamente e em voz baixa, no mesmo instante que agarrava a mão de Alex e começava a correr pelo mato. Corria para longe dos sons, para longe da morte.
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