Life
12 Capítulo 11
Notas iniciais
espero que gostem o/
Boa leitura!!!!
Cheguei até a sala onde a maioria estava reunida, ainda estava pensando em como poderia implicar com Alex. Aí aconteceu.
Ouvimos um grito e um tiro e, em segundos, todos estavam armados, apontando para a origem do problema. Ouvi gritos e urros dos malditos, que estavam do lado de fora do abrigo. De alguma forma eles nos encontraram.
– EU DISSE QUE OS MOTORES ESTAVAM QUENTES! OS DESGRAÇADOS NOS ENCONTRARAM AQUI! – Carvalho gritou lá da frente.
Alex passou por nós, já com o facão na mão direita, e parou na dianteira. Não tivemos tempo pra pensar. Houve um estrondo na porta e me abaixei instintivamente, com os braços cruzados diante do rosto. Quando dei por mim, vi que havia uma coisa grande na porta e vampiros por todos os lados.
O cheiro de podre e os gritos das criaturas eram enlouquecedores.
Atiramos contra os que passavam por Alex, que sumiu na multidão de malditos. Eles eram muitos e estavam nos encurralando no estreito corredor. Ouvi algum deles gritar, estava ferido. Havia sangue por todos os lados e senti alguém me empurrando pra trás.
- PROTEJAM-SE! – um deles gritou.
Instantes depois vi um clarão e senti cheiro de fogo. Havia fumaça por todo o corredor e as luzes se apagaram. Meu coração batia forte no peito. Apertei as pistolas nas mãos e procurei pelos outros na escuridão.
- VAMOS! VAMOS SAIR DAQUI! – reconheci a voz de Dornelles.
Do alto da escada podia ouvi sons de batalha, provavelmente vindos de Alex, e também tinha uma luz amarelada, como fogo. Segui andando, me escorando nas paredes, torcendo pra que não houvesse malditos vivos, ou mortos-vivos, sei lá.
Pisando nos corpos dilacerados, tentava me equilibrar e subir as escadas. Apoiei-me na parede e escorreguei, deixando uma das pistolas caírem. Havia muito sangue e eu não enxergava nada a minha frente. Infelizmente eu não tinha tempo pra procurar minha arma.
Finalmente cheguei ao topo da escada e vi que os soldados atiravam nos vampiros em chamas que Alex havia deixado pra trás. Um dos soldados estava sendo carregado e havia muito sangue. Um rombo na parede permitia que enxergasse lá fora. Alex estava lutando contra um grupo de vampiros que estava chegando, provavelmente atraídos pelo barulho e cheiro de sangue.
- ELES ESTÃO VINDO! VAMOS SER TRUCIDADOS! – Marcos gritava enquanto atirava na direção das bestas, que vinham contra nós.
O grupo estava disperso e a munição já estava limitada.
- TEMOS QUE CHEGAR AOS VEÍCULOS! SE FICARMOS MORREREMOS! – Carvalho gritou enquanto apoiava Filipe, o soldado ferido.
Nós fizemos uma linha de defesa, tentando proteger os feridos. Quanto a Alex, não poderíamos ajudar de forma alguma...
- AS MOTOS E O JIPE ESTÃO NOS FUNDOS, TEMOS QUE CHEGAR ATÉ LÁ! – Júnior gritou a plenos pulmões enquanto atirava nos malditos.
- VOU JOGAR OUTRA GRANADA. ASSIM QUE EXPLODIR NÓS CORREMOS! CARREGUEM FILIPE PRIMEIRO E COLOQUEM NO JIPE, AS CHAVES JÁ ESTÃO NA IGNIÇÃO!
Olavo nem terminou de gritar e já ouvi o barulho do pino caindo no chão. Uma explosão tão grande quanto a primeira me fez abaixar. Via os vampiros que atacavam Alex do lado de fora queimarem e um clarão foi feito no chão pelo impacto.
- VAMOS! – ele gritou e imediatamente nós corremos.
- E O ALEX? NÃO PODEMOS DEIXÁ-LO LÁ! – eu gritava enquanto corria.
- ELA TEM RAZÃO, TEMOS QUE VOLTAR! – Marcos gritava enquanto já alcançávamos as motos.
Um grupo de malditos já chegava mais perto. Eles estavam vindo de todos os lugares. Muitos haviam queimado, e vinham com os corpos em chamas em nossa direção, mas outros mais chegariam em breve.
- NÃO PODEMOS! TEMOS QUE CONFIAR NELE! VOCÊ VAI ATRÁS, POR QUE NÃO VOU! – Santana gritava com Marcos enquanto ajudava a por Filipe no jipe.
Olavo e mais alguém atirava nos poucos vampiros que vinham atrás de nós.
Eu corri na direção da minha moto e já tirei a chave do pescoço, sempre a mantinha pendurada ali comigo. Mais que depressa e controlando a tremedeira, enfiei-a na ignição e girei. Tentei mais uma vez, já colocando a moto na vertical. Desta vez ela ligou e apertei o start. Coloquei minha pistola atravessada na boca e acelerei. Ouvi ao mesmo tempo o barulho do jipe e das outras motos misturadas os tiros dos soldados.
A situação era crítica, estávamos vendidos no meio da estrada e do mato, repletos de sangue fresco de Filipe e dos outros feridos. Ao acelerar senti o vento frio da madrugada em contato som um corte no meu braço que nem sabia que estava ali. Provavelmente veio com os estilhaços da primeira granada.
- Merda... – resmunguei pra mim mesma.
- TEMOS QUE VOLTAR! TEMOS QUE PEGAR O ALEX! – ouvi Marcos gritando na moto ao lado. Parecia que os vampiros tinham sido neutralizados, mas outros podiam chegar a qualquer momento.
- VAMOS! EU VOU COM VOCÊ BUSCÁ-LO! – Gritei de volta enquanto segurava a pistola com a mão esquerda.
Marcos acenou e se aproximou do jipe para avisar aos outros que voltaríamos. Eu já dei meia volta para tentar resgatar Alex antes que mais vampiros aparecessem. Não podíamos deixa-lo. Eu podia não acreditar nessa coisa de Salvador de Deus e também podia não ir muito com a cara dele ou dos demais soldados, mas eu não podia negar que ele era diferente. Alex trouxe esperanças às pessoas de Santa Clara. Eu via em seus rostos a fé retornando, a esperança sendo reavivada com sua simples presença. Elas tinham fé em Alex e por mais que isso fosse absurdo, eu não podia deixar que isso se perdesse.
Fui na frente de Marcos e acelerei o máximo, extraindo toda a potência do motor da Kawasaki. Pelo retrovisor, vi o jipe se afastando e a moto de Marcos fazendo a volta para me seguir. Olhei pra frente e vi o estrago que a granada tinha feito. Havia uma quantidade absurda de corpos dilacerados e muito sangue no chão. O farol iluminava um banho de sangue sobre a terra.
Olhei rapidamente e não identifiquei o corpo de Alex em parte alguma... seria possível que ele estivesse em outro lugar, batalhando com outros vampiros?
Não deu tempo de pensar, ouvi Marcos gritar meu nome e quando olhei pelo espelho, vi um trio de vampiros aparecer entre a moto dele e a minha. Marcos atirou e fez o retorno. Vi que acertou em cheio um deles. Os outros dois o seguiram.
Eu tinha que ajuda-lo, pois a moto não era mais rápida que os malditos e Marcos estava em maus lençóis, mas eu também precisava encontrar Alex. Estava com um mau pressentimento, não conseguia encontra-lo! Foi então que vi. O farol iluminou um ponto metálico no meio do mato. Era o facão dele. Estava fora da estrada, um pouco mais pra dentro da mata fechada. Ele estava desarmado, podia estar ferido, ou até mesmo morto.
Segui com a moto na direção do facão, mas um vulto surgiu diante de mim, soltando um grito alto. O hálito do vampiro e o susto me fizeram frear fortemente e minha moto o atropelou.
Foi tudo muito rápido. O impacto me fez ser lançada pra fora da moto na direção do mato fechado. Caí no chão, rolando várias vezes até bater na árvore. Sentia o sangue escorrer da testa e a cabeça latejava. A luz do farol da minha moto tombada estava na minha direção.
Respirando com dificuldade e sentindo muita dor procurei minha pistola, que parou a metros de mim. Cambaleando, cheguei até ela e bem no momento que a segurei, ouvi o grunhido atrás de mim. No reflexo, rolei para frente e a criatura passou por sobre minha cabeça, arrancando meu prendedor e vários fios de cabelo.
Gritei de dor e de susto. Ainda no chão, estendi o braço e segurei o metal tão familiar.
Não tive tempo pra mirar muito. Assim que estendi o braço, o vampiro já estava bem perto. Descarreguei toda minha munição na criatura que foi cambaleando pra trás a cada impacto. O vampiro caiu no chão, se contorcendo e berrando. Eu estava ofegante e assustada. Já não tinha mais arma e estava sozinha.
Mais que depressa, levei a mão até um dos bolsos da calça. Tirei meu canivete, tremendo como nunca em minha vida. Além do canivete, eu tinha somente um pequeno frasco com água benta*.
- ALEX?! – gritei a procura dele.
Assim que virei, vi um pedaço de sua bota. O corpo dele estava desacordado, banhado em sangue e caído sob uma enorme árvore e eu já não conseguia ver muito de seu rosto, pois ele já saía do feixe de luz da moto.
- Alex! Alex! – eu o chamei, sacudindo seu corpo desacordado, apertando o canivete como se fosse minha vida.
Eu precisava sair dali com ele, pois muito em breve mais vampiros viriam.
Coloquei o canivete na boca e segurei o corpo de Alex, que pesava uma tonelada, mas minha adrenalina estava tão alta, que eu consegui movê-lo, mesmo com dificuldade. Arrastando o corpo de Alex pelo braços, fui andando para dentro da mata, para a escuridão. Se eu desse sorte, acharia uma caverna, uma toca ou qualquer abrigo que pudesse tentar nos salvar.
Eu sabia que minhas chances eram reduzidas, pra não dizer nulas, mas eu não desistiria e se fosse pra morrer, seria lutando!
Arrastei Alex por alguns minutos, tendo apenas a luz forte da lua cheia para iluminar o caminho. Parei para recobrar o fôlego apoiando o corpo e o meu em um tronco enorme. A mata era semifechada, tinha árvores grandes, mas também muito mato e folhas secas no chão, o que não era bom pra mim, pois fazia muito barulho enquanto eu arrastava o corpo de inerte dele. Eu estava com muita sorte, ou com muito azar, porque apesar de tudo, eu estava ferida e nenhum maldito tinha aparecido ainda. Eu só esperava que eles ficassem longe até que eu acordasse Alex, ele era minha única opção, minha última esperança.
- Alex! Alex! Acorda, por favor! – sacudia seu rosto e dava pequenos tapinhas.
Agachei e coloquei o ouvido em seu rosto. A respiração estava fraca, porém estável.
- Alex, seu desgraçado, se você não acordar e um maldito vampiro me matar eu juro que volto do além pra me vingar de você! – sussurrei pra ele, deitando em seu peito.
Minhas esperanças já estavam perdidas. Eu provavelmente morreria ali mesmo. Senti o corpo dele se mover um pouco e tratei de sacudi-lo.
- Alex? Você está bem? – perguntei em tom baixo. Já havia muito do meu sangue e do de Alex espalhados pelo mato, não precisava sair gritando também.
- Eu... não... não me mexo. – ele resmungou – Estou fraco demais.
Sua voz era apenas um sussurro e ele fez muito esforço pra conseguir aquilo. Seu corpo estava muito abalado e quase sem energia.
- Ok, ok, eu tô aqui. – tentei dizer o que eu dava no momento – Eu não sei o que fazer, estou sangrando, eles vão nos achar, estou desarmada.
Alex tentou se mover, mas não conseguiu. Ele estava esgotado.
- Tem... tem um.. – ele tentou, mas não conseguiu dizer mais nada. Nesse momento, ouvi tudo o que não queria ouvir.
De longe, um grunhido monstruoso pairou na escuridão. Eles estavam perto.
- Merda! – exclamei, levantando com dificuldade e sentindo muita dor.
Arrastei Alex o mais rápido que pude e não sabia pra onde estava indo, só sabia que tinha que sair dali. Os segundos pareciam horas e o urro do vampiro estava cada vez mais próximo.
Parei exausta e peguei o canivete na mão trêmula. Eu não aguentava mais carrega-lo e o vampiro estava perto, eu tinha que me preparar para um combate direto. Naquele instante, lembrei da água benta no bolso e, apressada, peguei o pequeno frasco e abri. Eu não podia desistir assim.
Com uma ideia maluca, talvez plantada pelo desespero, eu espalhei bastante do líquido sobre o corpo de Alex, nos braços e pescoço e também no peito. O que sobrou, eu joguei em mim , também sobre os braços, rosto e busto. Eu sabia que não seria o suficiente e me senti uma idiota ali, com Alex desmaiado e um vampiro prestes a me alcançar no escuro da mata e tudo o que eu tinha era um canivete minúsculo e um frasco de água com ervas.
Céus... naquele instante eu pensei que se eu acreditasse em Deus, talvez pudesse pedir ajuda... ou perdão...
Então eu escutei um barulho. Era um ruído de fundo que não tinha percebido antes. Parecia... água? Será que era isso o que Alex tentou me avisar? Será que havia uma cachoeira ou um rio por perto? Se sim, eu ainda tinha esperança, pois os malditos não atravessavam água corrente.
Com o ânimo recobrado, voltei a colocar o canivete na boca e puxei Alex pelos braços, andando o mais depressa que pude. Não foi suficiente. Senti o hálito da morte muito perto, quando o vampiro berrou em minha direção. Ele surgiu a alguns metros e me viu. O nariz mexendo como se estivesse agoniado como cheiro do sangue. Ao longe, pude ouvir mais grunhidos e sabia que estava fodida.
A criatura gritou e saltou em minha direção. No reflexo, ao invés de soltar Alex para tentar me proteger, eu o puxei com mais força. Precisava chegar até a água que estava perto, eu só não sabia exatamente onde.
O vampiro aterrissou sobre Alex, bem no peito, e ele gritou. A criatura também gritou e eu senti um cheiro de carne queimada. Vi fumaça sair do corpo do vampiro, nas partes em que ele encostava em Alex, na parte banhada com a água benta.
Foi o tempo que precisei para atacar. usando o canivete, usei toda a força que me restava e cravei a pequena lâmina no demônio, bem no meio do rosto, em um dos olhos negros. O sangue dele jorrou na minha cara e ele tentou me agarrar. Gritei de dor ao sentir suas garras cortarem meus braços.
O vampiro deu um salto pra trás e saía fumaça de suas mãos, pois eu também estava repleta de água benta. Ele grunhia e cambaleava pra trás, com a mão no olho onde estava meu canivete. Com um impulso voltei à Alex e puxei forte seus braços. Senti o chão, antes tão firme sob os pés, ceder. Era um barranco.
Eu meio que rolei, meio que deslizei, trazendo Alex comigo. Enquanto deslizava sobre as folhas e a lama feita pela umidade da noite, ouvia o urro de desespero do vampiro que saltou de lá de cima. A nossa volta, mais e mais grunhidos se formavam.
Eu senti a água gelada respingando em mim quando cheguei lá embaixo, era um rio. Agarrando Alex o puxei para dentro da água, mas o vampiro chegou junto comigo e me desferiu um golpe no rosto. Eu caí pra trás e ele pulou sobre Alex, que, com o impacto do vampiro e a água fria, despertou.
Percebendo a situação, ele tentou lutar. Vi seu corpo enrijecer, novamente entrando naquele transe esquisito, diante da criatura que levantou a mão para o golpe fatal. Sem pensar e com uma velocidade que eu não sabia que tinha, pulei pra frente, atingindo o maldito no rosto, enfiando ainda mais o canivete em sua cabeça.
Alex estava exausto demais, não conseguia fazer muito. Pelo reflexo da lua vi que seus olhos nem conseguiram mudar de cor.
Desesperada, agarrei-o e puxei mais para dentro do rio. O vampiro ainda gritava e eu vi os outros vultos surgindo na ribanceira... eram muitos para contar. Mais que depressa eu fui para dentro, onde a correnteza aumentava e a profundidade também. Eu não enxergava quase nada, apenas sentia a água e via os vampiros correrem para a beira do rio. Eles ficaram na beirada, gritando, desesperados, como os animais que eram, mas eles não atravessavam, nem pulavam em nossa direção. Algo os impedia de fazê-lo e eu agradecia profundamente por eles não conseguirem atravessar água corrente, por mais absurdo e ilógico que isso fosse.
Apertei Alex com força e deixei a correnteza nos levar para o centro. Na margem, os malditos gritavam e nos seguiam, conforme eu nadava com Alex junto a mim. Por sorte, se é que podia dizer isso naquela situação, eu vi uma protuberância no meio do rio que tinha alguns bons metros de largura. Era uma pedra.
Com dificuldade nadei na direção dele, mas a correnteza ali já estava bem mais forte e eu engoli bastante água. Estendi a mão e segurei em uma das fendas da pedra. Já não conseguia tocar o fundo com os pés. Alex estava acordando, tentando entender o que passava, tentando recobrar as forças. Eu via sua agonia ao tentar fazer algo e seu corpo não responder.
Finalmente eu segurei firme na pedra e vi que Alex já conseguia se mover, com dificuldade. Os gritos dos vampiros ao nosso redor eram aterrorizantes. Respirando com dificuldade soltei Alex quando vi que ele já se segurava sozinho na pedra. Ele falava alguma coisa que eu não compreendia. Estava exausta, meu corpo ferido estava no limite.
Eu tremia violentamente com a adrenalina e com a água fria. Os cortes em meus braços ardiam e eu perdia muito sangue. O rosto estava dormente com o golpe que levei e minha visão foi embaçando. Bom, pelo menos Alex estava a salvo...
Foi com esse pensamento que eu senti minhas mãos falharem, se soltando da pedra, e meu corpo submergir na água gelada. A dor era forte demais. Os sons foram ficando distantes e eu até fiquei feliz por não ouvir mais os gritos famintos das criaturas enquanto meu corpo afundava no rio e na escuridão.
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