Lies
2 Sick of crying for you
Notas iniciais
–- Eu não quero ficar com o posto de goleiro de novo! Vocês prometeram que na próxima vez que jogássemos eu poderia ser artilheiro. – Alvo protestou, enquanto James e Teddy riam dele e subiam em suas vassouras.
–- Deixa de ser chorão, Potter. – Teddy gritou, já ganhando altura. Eu estava indo em direção à ‘Toca, com Louis, indiferente a eles. Não vou olhar para cima, não vou olhar para cima, era o que eu continuava repetindo para mim mesma bem baixinho quando ele falou – Oi, Vicky.
Vicky. Eu não achei que ele ainda pudesse se lembrar daquele apelido idiota que criara para mim ano passado. Pisquei com força, respirando fundo e descompassadamente. Ergui a cabeça o suficiente para avistá-los: Alvo, mais ao canto, acenando para mim, e James e Teddy, que estavam bem acima de nós.
–- Alvo, James. – cumprimentei doce, agarrada à Louis, que acenou um olá para os garotos. – Teddy. – completei com uma voz mais afetada do que eu esperava. Todos pareceram perceber, principalmente Louis, então, como o ótimo irmão que ele era, começou a me puxar para dentro, a fim de evitar que eu passasse mais vergonha.
Quando entramos senti meus olhos se enchendo de lágrimas, as bochechas corando rapidamente. Louis me encarou, em silêncio, com um olhar que significava “Suba antes que alguém a veja chorado”, e foi o que eu fiz. Subi os degraus de dois em dois, evitando ao máximo fazer barulho.
O quarto em que entrei era o em que os garotos costumávam ficar. Só percebi algum tempo depois, quando já estava sentada no chão, os joelhos recolhidos e abraçados ao peito, as lágrimas rolando debilmente por meu rosto. Quando levantei os olhos para secá-los pela terceira ou quarta vez percebi as paredes azuis cobertas de posteres de quadribol.
–- Droga. – murmurei me levantando. Assim que meus dedos envolveram a maçaneta eu os ouvi: passos. – Droga. Droga. – minhas mãos começaram a tremer. Hesitante, dei alguns passos para trás, secando o rosto apressada, tentando melhorar minha aparência para não-sei-porque-parece-que-estive-chorando.
A maçaneta girou quase em câmera lenta. Prendi a respiração. Era isso, Teddy, Alvo e James entrariam pela porta e me veriam ali, os olhos inchados e o nariz vermelho. Quando Louis passou pela porta voltei a respirar, tão aliviada que quase cai no chão.
–- Toir, aqui não, né inteligencia! Vem. – ele estendeu a mão e eu a apanhei. Saímos do quarto e ele fechou a porta com cuidado. Eu estava prestes a subir as escadas quando uma mão envolveu meu pulso.
Virei o rosto tão rápido que a única coisa que pude ver foi um borrão azul. Merda, merda, mil vezes merda!, era o que se passava em minha cabeça. Obviamente uma coisa bem produtiva para se pensar naquela situação, não?
–- Vicky, você estava...?
–- Não. – o cortei imediatamente. Puxei a mão, e ele me encarou confuso. Louis, que eu via pelo canto do olho, me olhou impotente e desceu as escadas do outro lado do corredor. Me virei e continuei subindo as escadas, tentando ignorar o fato de que Teddy me seguia.
–- Victoire. – ele falou com uma voz dura, me puxando com força. Bati em seu corpo e quando tentei me afastar sua mão estava firme ao redor da minha cintura. – O que aconteceu?
–- Me solta. – eu falei, encarando o chão. Minha voz fraca e sem nenhuma motivação. – Teddy, por favor.
Ele me soltou, dando um passo para trás. Seus olhos me avaliavam de cima à baixo, tentando entender o que estava acontecendo. Ele deslizou os dedos pelo meu braço, apanhando minha mão. Pela primeira vez depois de tudo encarei seus olhos. Aqueles lindos olhos que me estudavam e me desvendavam como à um livro. Maldito!
–- Você está bem? – ele perguntou de forma doce, quase não parecendo o mesmo de três meses atrás. Seus dedos tocaram a minha bochecha, hesitantes. Apanhei sua mão com a minha, aquela que ele não estava segurando.
Fiz que sim com a cabeça, mas tive certeza de que ele não estava convencido. Quase como se lendo meus pensamentos ele me puxou para perto, e me envolveu com seus braços. Eu não tinha forças ou vontade alguma de sair dali, então deixei que ele me abraçasse, pensando por um bom tempo antes de abraçá-lo de volta.
Era tudo tão errado, mas ele fazia com que as coisas erradas parecessem tão certas. Dei um passo para trás. Metade do meu cérebro gritava para mim que eu devia sair dali, enquanto a outra metade me tentava a encarar aqueles lábios a centímetros dos meus.
–- Não. – soltei, por fim, dando o máximo de passos que a pequena largura da escada me permitiu antes que minhas costas acertassem o ar e meu quadril acertasse o corrimão. – Não posso.
Subi o restante das escadas correndo e entrei o mais rápido possível no quarto, batendo a porta e trancando-a com a chave. Caminhei de costas, encarando a porta com medo de que ela pudesse simplesmente se abrir, até chegar à minha cama, onde me sentei, o coração acelerado pela corrida e pela proximidade de Teddy.
Não, pensei desesperada, eu não vou deixar a história se repetir. Não, eu não vou acreditar nas mentiras dele, não de novo. Mas eu sabia, eu sabia que acreditaria, porque era assim, sempre era assim, e sempre seria. Nos dois últimos anos fora assim, e eu sabia que a história se repetiria.
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