Lie To Me
17 Capítulo 17: It's Not Over Yet.
Notas iniciais
Alfred estava com frio. Seu terno antes tão bonito estava agora rasgado e sujo de sangue, com botões faltando, aberto. Seu rosto estava inchando e o supercílio e o lábio inferior estavam sangrando ainda.
Infelizmente, Sebastian ligara para seus pais depois que Alfred fora preso no colégio. Não o culpava, afinal, quem pagaria a fiança senão seus pais, uma vez que a estrela do futebol fora preso por agredir mais de 20 pessoas no baile aparentemente sem motivo algum e só conseguir ser detido quando a polícia chegou?
Agora estava na cela, um preso roncando ao seu lado, dormindo, o bafo de bêbado. Queria ligar para Arthur, lhe pedir desculpas, contar toda a verdade mesmo que isso piorasse um pouco a situação, mas precisava fazer alguma coisa antes que fosse tarde demais.
Ficou realmente apavorado quando Arthur disse que “acabou” e mais apavorado ainda quando o inglês disse todas aquelas coisas. E do medo, surgiu a raiva, tanta raiva que esmurrou e chutou todos aqueles que vaiaram e riram do seu namorado, ou pelo menos aqueles que estavam mais próximos. Realmente, só parou quando a polícia chegou, porque nem vários rapazes do baile lhe segurando foram o bastante para lhe parar, afinal, ele era um jogador de futebol altamente treinado. Lidar com várias pessoas em cima de si ou lhe agarrando para lhe parar era sua especialidade.
Um policial surgiu em frente a cela e destrancou a mesma, chamando Alfred, lhe dizendo que sua fiança fora paga. Se levantou da pobre cama aonde estava sentado e, cambaleando por causa da dor na perna que sentia, caminhou para fora, preferindo ficar, sabendo que enfrentaria a ira de seu pai e de sua mãe.
E como imaginou, seu pai estava do lado de fora da delegacia, o carro dos Jones dirigido por Sebastian parado no acostamento. Como não havia ninguém andando na rua, pois eram pouco mais de 3 da manhã e o pai do nosso americano tinha acabado de chegar de viagem, este último se aproximou e somente deu um tapa no rosto do filho, que nada fez.
Só aquele ato era o bastante para expressar toda a humilhação que Joseph F. Jones sentia naquele momento em relação ao seu filho. Ele sabia que no dia seguinte, mesmo recorrendo a todos os seus contatos para impedir, a mídia publicaria que o único filho de um dos casais mais ricos da América fora preso por agressão. Temia mais ainda que as pessoas feridas por Alfred processassem a família, o que causaria um desastre.
Levou as mãos até as têmporas, respirando fundo.
-Me desculpe.-Alfred disse, fitando o chão do carro. Sebastian dirigia e o pai do jogador de futebol estava bem ao seu lado, ainda com uma das mãos na cabeça. Antes poderia até ser da boca para fora, mas mesmo com toda aquela raiva guardada que tinha do pai e da mãe, aquele ainda era seu pai. Depois de tudo, ele só queria alguém, qualquer pessoa.-Me desculpe, pai.
-Não há desculpa.
-Eu sei que não há, mas ainda assim, peço desculpas.
-Um Jones não pede desculpas, é sinal de fraqueza.
-Pois sou então fraco, pai. Eu aceito o meu erro, e se o senhor considera isso algo errado, eu não quero estar certo.
-Olhe o jeito que fala comigo, Alfred F. Jones. Você me deve obediência.
-E o senhor me deve o amor que nunca tive.
-Pare de me responder!-O adulto exclamou, fazendo o filho estremecer um pouco, o olhar ainda no chão, a ferida aumentando cada vez mais, ele só precisava de alguém, de um ombro, de alguém, alguém, e não gritos e críticas. Sentia como se fosse desabar por todos os erros que cometera.
-Me desculpe.-Disse, mais baixo.
-Pare de pedir desculpas! Não ouse mais falar esta palavra na minha frente! Você percebe o que fez?! O estrago que isso vai nos trazer?! Jornais do mundo inteiro vão falar deste escândalo!
-Me desculpe!
-Pare de...
-O senhor pode me escutar, só uma vez?!-Gritou, interrompendo o pai num surto.-Eu não quero saber, o senhor pode tirar todo o meu dinheiro, meu celular, meu videogame, tudo, não importa! Eu queria que o senhor olhasse um pouco para mim e não para o que as pessoas vão pensar sobre mim! Eu estou precisando tanto, tanto que meu pai fale comigo, e não grite, mas isso é difícil demais porque ele só pensa em dinheiro! Vamos, me dê outro tapa, me humilhe, grite comigo, eu já estou no fundo do poço, isso não é nada diante de tudo!
O americano parou, o silêncio pesando no ar, o bolo em sua garganta e seus olhos lacrimejando imediatamente. Até esperava por um tapa ou até coisa pior vindo de seu pai, mas toda a reação do mais velho foi um suspiro e um massagear de têmporas.
-Me perdoe, eu não quis ser a droga de filho errado que você não quer! Eu só queria que você olhasse para mim de vez em quando e perguntasse como eu realmente estou indo... Eu só... Sou tão idiota, eu estraguei tudo, tudo... Eu fodi tudo na minha vida!-Exclamou o mais jovem, sentindo que ia chorar, mesmo se segurando, ia chorar na frente do seu pai.
E quando as lágrimas realmente começaram a escorrer e ele começou a soluçar, inclinou-se para o lado numa das atitudes mais ousadas que já tivera na vida: Apoiar a cabeça no colo do pai e chorar, chorar tanto que encharcaria o terno do mais velho, puxando a peça de roupa com as mãos, quase a rasgando, a dor e a raiva e o arrependimento e tudo saindo pelas lágrimas.
E, incrivelmente, não foi afastado. E mais incrivelmente ainda, sentiu o peso de uma mão quente, lenta e hesitantemente pousar sobre sua cabeça.
Porque se Alfred não tinha muito jeito com as palavras em horas importantes, seu pai não tinha jeito com os gestos.
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Arthur chegara bem, pelo menos fisicamente, em casa. Sebastian lhe ajudara a subir no apartamento e ainda ousou perguntar, inocentemente, se algo de errado tinha acontecido no baile. O inglês não respondeu, apenas agradeceu pela ajuda e foi aquela a expulsão indireta para o motorista, que deixou o apartamento sem mais perguntas.
E sozinho no apartamento, Arthur ficou algumas horas olhando a parede, sem fazer nada, o olhar sem realmente olhar nada, olhando e não olhando a parede. Respirava fundo, tentando raciocinar, usar sua sempre lógica mente para achar alguma solução ou uma explicação lógica, algo que lhe desse uma base naquele momento.
Nada.
A única coisa que soava em sua cabeça era sua própria voz dizendo: “eu sabia, eu sabia”. Voltou a respirar fundo e soluçou. Prendeu a respiração, querendo engolir o choro que já estava em sua garganta. Quando soltou o ar novamente, veio mais um soluço, e mais um e mais um até não conseguir mais se segurar.
Soluçava ali, no silêncio exceto pelo baixo e finíssimo barulho da lâmpada acesa na sala, o terno sendo encharcado por suas lágrimas e, diferente de Alfred, que naquele momento ainda estava brigando no colégio, sem ninguém para ouvi-lo. Ninguém, a não ser ele mesmo, de vez em quando tentando abafar os soluços que vinham sem parar.
Olhou em volta, os olhos já vermelhos assim como todo o rosto. Tomaria um banho, vestiria seu pijama e veria televisão até tarde, adormecendo, por fim, no sofá, numa tentativa desesperada de mentir para si mesmo, se fingindo de indiferente diante de si próprio, para fazer de conta que não sentia seu coração rasgando e se destroçando por dentro lentamente.
Porque Arthur sabia que, se encarasse aquilo de forma tão abrupta, perderia todas as esperanças e se jogaria da sacada do apartamento num piscar de olhos porque, afinal, ele já pensara nisso algumas vezes, antes de conhecer Alfred, um pouco depois de chegar nos Estados Unidos.
E agora, ele se atrevia em pensar de novo, e sua própria mente tentava lhe proteger o fazendo mentir para si mesmo, dizer que estava tudo bem, que naquela noite passaria um filme legal na TV, vamos assistir porque acabou de sair do cartaz no cinema, deve ser legal, vamos assistir? Você quer parar de pensar no fato de que foi traído e humilhado de forma vergonhosa e que vai demorar sei lá quanto tempo para se recuperar e que é provável que saia dessa com cicatrizes emocionais horríveis e que nunca volte a confiar em alguém? E daí? Vai passar aquele filme legal na televisão, você está me entendendo?
-Não, eu não estou.-Murmurou Arthur, levando ambas as mãos até a cabeça e permanecendo ali, no meio da sala subitamente quente, na cadeira-de-rodas, querendo esquecer tudo aquilo e passar adiante mesmo sabendo que não conseguiria, que seu destino final seria atrofiar naquele apartamento, morrer aos poucos.
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A primeira coisa que Alfred fez quando chegou em casa foi pegar o telefone e ligar para o inglês, que obviamente não atendeu. A ligação caiu na caixa de mensagens e rapidamente o americano limpou a garganta e, um tanto ansioso, esperou a gravação com a voz mal-humorada do inglês terminar.
Aqui é Arthur Kirkland, só deixe sua mensagem e vá embora.
-Arthie... Aqui é o Alfred.-O americano começou, mexendo nos cabelos enquanto falava.-Olha... Eu queria... Não, eu, quer dizer, eu não queria que... Eu não sei por onde começar, atende o telefone, por favor. Eu sei que você está em casa e sei que você não está dormindo porque aos sábados você sempre fica vendo TV até tarde... Fala comigo, por favor, nem que seja pra me xingar, dizer que sou um imbecil, um bastardo, um idiota, que é tudo culpa minha, que eu não presto, mas fala comigo, por favor...
Alfred esperou no telefone, sem ouvir resposta alguma. No apartamento do inglês, Arthur estava na mesma posição, as lágrimas secas e a cabeça nas mãos como se o crânio pesasse demais.
-Arthie... Por favor, ou então, tudo bem, você deve estar me odiando, eu entendo você, sei que é meio cedo, eu só queria que você soubesse que eu amo você muito, mas muito mesmo, e que se você quiser eu te conto toda a história porque a versão da Susanna não foi verdade... Eu não nego que algumas partes foram verdade, mas tem coisas que ela disse que eu acho que você sabe que eu jamais faria com você. Você acha que se eu não te amasse, eu teria te dado tantas coisas? Feito um escândalo -tá, eu reconheço que foi um escândalo- pra transar com você? Você acha que eu estaria preocupado em te ligar agora? Eu me importo com você muito mais do que você acha.
Arthur ergueu a cabeça de leve, os olhos verdes sem brilho algum.
-Eu só queria que você soubesse disso, okay? Tudo bem se você não quiser falar comigo agora, só... Só pensa bem, pensa em mim, okay? Eu te amo.
E Alfred desligou então o celular, sentando-se na cama do seu quarto, levando a cabeça também até as mãos, embora o coração pesasse mais do que a cabeça. No apartamento, Arthur até tinha estendido um dos braços. Agora ele queria perdoar, ele queria esquecer aquilo tudo porque, querendo ou não, ele também amava o americano, e apesar de tudo, queria apenas que tudo voltasse a ser como era antes.
Mas estava muito infeliz para simplesmente perdoar, traído, magoado, então recolheu o braço e pelo resto do dia permaneceu ali, na mesma posição, sentado na cadeira-de-rodas observando o tempo passar e não atendendo às inúmeras seguidas ligações feitas pelo americano.
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Dois dias se passaram desde a súbita verdade. Na segunda-feira de manhã, Alfred passou no apartamento do inglês, mas este se recusou a subir e deixou bem claro para o porteiro que não queria ninguém batendo à sua porta. Na terça-feira de manhã foi a mesma coisa, e de repente Alfred se pegou pensando se do prédio que havia na frente do prédio do inglês, era possível ver a sacada do apartamento do mesmo. Não dava.
Desesperado, vagou pelos cantos da cidade, recusando todo e qualquer convite para sair, certo de que bebida e mulheres apenas piorariam mais sua imagem diante do inglês, já tão ruim. Seu rendimento no futebol diminuiu e seu apetite desapareceu. Estava atrofiando aos poucos.
Mas não mais que o inglês que, ao invés de passar o dia todo na cadeira-de-rodas, ficava deitado na cama olhando para a janela, vendo o sol nascer e se pôr com indiferença, querendo perdoar mas então não sabendo se podia mais, não sabendo se sequer poderia olhar nos olhos do americano com um fio de confiança. Atrofiava, morria.
Mas então, num lapso, numa ideia, numa visão, uma media desesperada, Alfred pensou na melhor e mais comum maneira de pedir desculpas para um “namorado”, e ligou para a maior floricultura da cidade pedindo que entregassem num certo apartamento um número tão exorbitante de flores que os mesmos até acharam que fosse trote, tanto que depois da aula, Alfred foi até a floricultura e encomendou os tantos ramalhetes de rosas vermelhas.
Todas deixadas ao pé da porta de Arthur, que se recusava a abrir a porta, ficando sem comida na geladeira, coisa que não importava muito porque ele não comia mesmo. Mas Arthur não podia evitar em sentir o doce cheiro das rosas, e o máximo que fez foi olhar pelo olho-mágico da porta as centenas de flores.
Os olhos verdes se encheram de lágrimas entre mágoa e perdão, mas tudo que fez foi curvar-se sobre si mesmo e chorar por tudo e por nada, apenas chorar porque desde aquele dia era a única coisa que fazia com êxito.
E todos os dias Alfred ligava para Arthur com esperança de que este último atendesse as ligações, deixando todos os dias então mensagens pedindo desculpas e tudo o mais, e quando ele via que não iria funcionar, ligava todos os dias para a floricultura e pedia que lhe entregassem mais flores. E isso durou por cerca de duas semanas. Alfred já estava era doente e Arthur estava literalmente morrendo de desnutrição, e não achem que estou exagerando porque estou e sendo bastante leve diante dos fatos, porque quando quase não se come nada, você fica desnutrido e fraco e pálido e horrível mesmo.
Tudo isso até o dia que Alfred simplesmente não aguentou mais e foi até o prédio do inglês com Sebastian, o motorista. Por que ele não tinha feito isso antes? Queria dar um tempo ao inglês e também, o porteiro era simplesmente enorme, mas o nível de desespero do americano já era tão grande que ele não queria mais saber, e por isso, decidiu subir, não importasse como, até o apartamento de Arthur e tentar convencê-lo custe o que custasse.
Quando chegou na portaria, engoliu em seco.
-Senhor Jones? Já aqui novamente? O senhor Kirkland não quer lhe ver, sinto muito e peço que vá embora.-Disse o porteiro, os braços cruzados ameaçadoramente.
-Eu preciso falar com ele.-Alfred respondeu, os olhos azuis por trás dos óculos já não raciocinando muito bem.-É questão de vida ou morte.
-Não poderei deixá-lo subir, sr. Jones.
-Você não está entendendo! Eu...-Alfred até começou, mas então Sebastian se meteu na sua frente, entre ele e o porteiro, lhe empurrando de leve para o lado.
-Sr. Porteiro, eu acho que podemos resolver esta questão. Sr. Jones, o senhor pode subir e deixar tudo comigo, afinal, como um motorista que se preze, devo ser capaz de resolver todo e qualquer problema.-Sorriu o motorista, fazendo o porteiro abrir a porta para dizer alguma coisa mas então se calar, cambaleando para trás e caindo no chão da entrada do prédio para depois se pôr de pé, dando um soco no motorista, que desviou.
Alfred não viu o resto. Provavelmente Sebastian tinha começado a bater e também era provável que aquilo acabasse dando problema mais tarde, mas ele estava simplesmente desesperado naquele final de tarde, o sol quase se pondo.
E com um bolo na garganta, entrou no elevador e subiu até o andar já conhecido pelo cheiro de rosas vermelhas.
Notas finais
Sophs, cê é muito má. É, eu sei, tanto que o Kallein anda comigo né.
Cara, o final da fanfic está... Hm, nem sei como dizer. Sobre este chap, eu sei que ficou bem angst e bem dor, mas não se preocupem, logo vai acabar (vocês não sabem a alegria de terminar uma fanfic ♥)
Enfiem, espero que tenham gostado, então cara, 10 REVIEWS! Se eu conseguir 10 reviews nesse, domingo à noite (ou a tarde) posto o LAST CHAPTER PROCÊS!
Kisses e até lá ♥
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