Lie To Me
18 Capítulo 18: The End (?)
Notas iniciais
Alfred bateu na porta do apartamento daquele que mais queria ver naquele momento e em todos os outros. Bateu e bateu, sem resposta, e não demorou a gritar pelo nome do inglês, que o ignorava, na verdade, sequer o ouvia.
Arthur estava na sacada do apartamento, sentado na cadeira-de-rodas com um ar definitivamente morto, mas o coração batendo embora que dolorosamente. Lembrou-se de um filme então, assim, de repente, aonde um cara não tentava se matar, mas depois de ser deixado pela mulher, pegou um cutelo e cortou o próprio polegar fora. No hospital, quando estava sendo cuidado por uma das enfermeiras de plantão, esta lhe perguntou porque diabos ele tinha feito isso, então ele disse: “Eu queria sentir no meu corpo uma dor tão grande quanto a dor que sinto no meu coração agora”.
Pelo menos, no filme, no final ele termina com essa tal enfermeira. Na vida de Arthur, porém, não haveria um final feliz. Pelo menos ele achava que não merecia um, que já era tarde demais para qualquer final feliz, que já estava patético demais para erguer a cabeça de novo, apesar de tudo.
Ele não mentiu quando disse que, se Alfred o traísse, ele morreria. E por isso, estava na sacada do apartamento agora, usando seus braços para subir, um pouco desajeitado, no parapeito. Além disso havia apenas o vento lhe empurrando. Qualquer movimento em falso e cairia.
E Alfred batia na porta e gritava pelo outro sem parar, usando então seu ombro contra a madeira antiga para arrombar sem querer saber da dor que sentia no braço, certo de que se não se apressasse, a dor seria maior. Ele apenas sentia isso.
Arthur jogou as pernas inertes para fora da sacada, ambas então sendo balançadas pelo vento, suas mãos segurando-se ainda com força no parapeito aonde se sentava, temendo e não temendo o que estava planejando fazer. No chão da sacada, o celular continuava reproduzindo, como em todos os dias passados, as mensagens de voz deixadas por Alfred.
O americano sentiu o braço deslocar, mas não se importou, arrombou a porta.
Arthur se inclinou para frente, afrouxando a força das mãos e se soltando em questão de segundos.
Alfred viu o outro na sacada e correu.
Arthur seguiu em direção ao vazio do ar e de uma queda de mais de 20 metros.
Alfred prendeu a respiração.
Arthur perdeu a respiração.
----------------------------------------------------------------------------------------------------
“Sabe, Arthie.”
“O quê?”
“Um dia nós vamos sair pelo mundo juntos, só nós dois. Podemos até visitar seus pais.”
“E o colégio, seu imbecil?”
“Nos formamos depois, precisamos aproveitar enquanto ainda somos jovens!”
“Só você mesmo para pensar em algo tão impossível assim...”
“Sabe, Arthie.”
“O quê?”
“Tudo bem se você não quiser viajar. Não me importo de só ir até a esquina contanto que você vá comigo.”
“Lá vem você de novo com essas coisas melosas...”
“Arthie, acho que até para shopping em véspera de natal eu iria se você fosse comigo.”
“Isso sim é uma declaração...”
“E sabe, Arthie.”
“O quê, pela última vez? Depois dessa nós vamos poder dormir?”
“Eu gostaria que você segurasse mais minha mão.”
----------------------------------------------------------------------------------------------------
-Aonde está Alfred, Sebastian?-Perguntou Joseph Jones, pai de Alfred, no celular, saindo de casa naquele momento, dirigindo sua Mercedes azul escura.-Como? No apartamento de um amigo? Fazendo o quê?! Que seja, diga que estou indo viajar e que não sei quando volto, mas que a mãe dele vai passar por aqui em duas semanas...
O empresário virou o carro numa esquina, o celular ainda em mãos.
-E diga a ele também que deixei o dinheiro na conta dele já, tudo acertado. Não deixe que ele venha me importunar depois... Uma última coisa? Ah, sim, eu gostaria que... Que você dissesse a ele que... Eu sinto muito orgulho do meu filho. Agora cale a boca e vá trabalhar, não estou lhe pagando para falar no celular.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Susanna riu estrondosamente, deixando o colégio naquele momento. O colégio estava finalmente fechando depois do final das atividades dos clubes, e ela, com sua mini-saia e top estava agarrada à Brandom que, de repente, passou a exercer um tipo de atração nela.
-Aquele idiota do Arthur! Teve o que mereceu, não foi?! Nós somos gênios! Haha!-Riu, chamando atenção de todos aqueles que saíam naquele momento, principalmente de um bibliotecário que, embora não tivesse vindo ao baile por ter preferido ficar em casa, soube de toda a história por fontes confiáveis: seus amigos, um holandês, outro, grego, e outro, turco.
-Foi sensacional, eu até achei que não daria certo, mas foi estupendo!-Brandom exclamou, uma das mãos na cintura da garota que jogava os longos cabelos negros para trás.
-Eu sei, eu sei, mereço ganhar um troféu por isso! Ele teve o que mereceu, aquele inglês nojento!-Ela exclamou, mas parando de andar e sorrir de repente.
-Com sua licença.-Surgiu um rapaz baixo à sua frente, os cabelos negros e olhos escuros chamando atenção, uma mochila cheia de livros nas costas e mangás nos braços.-Não pude evitar escutar sobre o assunto de vocês.
-Ah, sobre a aberração daquele inglês nojento?! O que, você não gosta dele também?-Susanna perguntou, o sorriso presunçoso nos lábios.
-Eu só acho que você está totalmente errada. Arthur Kirkland é muito mais do que você jamais virá a ser. Ele é educado, sabe o valor de casa coisa e luta por elas, e não precisa usar cem pessoas e depois jogá-las fora para chamar atenção nem ascender na vida. Adeus.-E assim, Kiku partiu, deixando para trás uma Susanna simplesmente em estado de choque.
-O que foi isso?! Cada assombração que me aparece, céus!-Exclamou ela, ajeitando os cabelos com uma das mãos e então suspirando, mas voltando a sorrir, esquecendo o assunto.-Brandom, estou indo para casa, por que não passa lá mais tarde? Minha mãe vai estar fora e podemos nos divertir...
-Acho uma ótima ideia...-Ele sorriu também, beijando-lhe e a boca e então se separando, ela andando por um lado da rua e ele, para o lado contrário.
Susanna estava feliz, confiante por ter “ensinado” a Arthur que ele deve obedecer sempre, que não deve se meter com ela, tanto que chegou em casa bastante sorridente. Jogou a bolsa no chão da sala e já ia para o seu quarto se, na ida, não tivesse passado pela cozinha aonde sua mãe chorava copiosamente.
-Mãe? O que foi? Não me diga que se cortou de novo lavando a louça...-Disse, pondo as mãos na cintura de forma dramática.-O que é isso que a senhora está segurando? Hospital? É o resultado daquele exame que eu fiz? O que diz aí?
-Minha filha...-A mais velha exclamou, puxando Susanna mais para perto, abraçando-lhe, continuando a chorar.-Minha filha...
-O que foi, mãe? Você tá me assustando...
-Filha... Você... O seu exame de positivo...
-Positivo? Para o quê? Me dê este papel aqui!-Disse, tomando a nota das mãos da mãe, lendo lentamente, os olhos então se enchendo de lágrimas. O exame dizia que, agora, Susanna era uma portadora do vírus HIV, ou seja, tinha adquirido AIDS.
Enquanto ao Brandom, este nem conseguiu chegar em casa. No meio do caminho foi assaltado e levou dois tiros. Sobreviveu, mas no hospital recebeu a irônica notícia de que tinha ficado paraplégico por causa da área aonde os tiros atingiram.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Sobra, então, para o final desta história, creio eu, a parte mais importante: o real final.
Porque Alfred prendeu a respiração.
E Arthur perdeu a respiração.
Porque bem na hora que seu corpo se inclinou para frente e ele se viu caindo, ouviu a porta sendo arrombada e até tentou se agarrar ao parapeito novamente, sem sucesso algum. Então, surgiu Alfred que, claramente desesperado e sem pensar, correu até a sacada e com alguma força quase que sobre-humana por causa da adrenalina (é isso o que aqueles cientistas inteligentes dizem né), conseguiu agarrar o pé do inglês e segurá-lo bem na hora.
E agora a imagem era de um inglês sendo segurado apenas pelo pé, de cabeça para baixo numa altura assustadora, por um americano que usava toda sua força para não deixá-lo cair, o que era uma tarefa difícil porque o vento não ajudava.
-Alfred!-Arthur exclamou, os braços meio que tremulando no ar.-O que está fazendo aqui, seu idiota?!
-Eu estou salvando sua vida! Ficou maluco?! Se você queria se matar, tivesse pelo menos me comunicado antes!
-Para quê?! Para me humilhar até no meu enterro?!
-Não, idiota, para eu morrer com você! Não consigo imaginar uma vida sem você! Imbecil!
Alfred puxou Arthur para cima, quase caindo para além do parapeito por causa do impulso, mas conseguiu trazer o inglês e, com um último puxão, o trouxe para dentro da sacada novamente, caindo sobre o americano.
-Me solte!-Arthur exclamou, batendo em Alfred.-Me solte! Fique longe de mim, eu odei...
Mas não pode mais falar porque bem na hora Alfred o beijou com todas as forças, expressando toda a falta, toda a saudade, toda aquela semi-vida que tinha vivido até aquele momento sem ele, tudo isso enquanto o abraçava com tanta força que, com mais um pouco, poderia sufocá-lo.
E Arthur, ainda ferido por dentro, o correspondeu porque nem ele aguentava mais aquilo tudo. Claro que ainda estava um tanto infeliz por ter sido traído, mas ele não queria mais saber. Não queria saber se Alfred ainda mentiria para ele, se ainda faria coisas ruins, se ainda o iria querer, ele só queria Alfred de volta, só queria as boas sensações e os momentos felizes de antes de volta.
Porque, de repente, o perdão pareceu barato demais para toda aquela dor que estava sentindo.
-Arthie.-Alfred chamou quando ambos se separam.-Me perdoa, por favor. Eu nunca quis te machucar, você sabe. Eu te contei a história toda pelo celular, pelas mensagens, você chegou a ouvi-las? Eu me odeio tanto pelo o que eu fiz com você, eu... Me perdoa, por favor. Faço qualquer coisa para que você me perdoe, qualquer coisa.
-Eu perdoo você... Mas me prometa que nunca mais, nunca, nem se for algo besta, vai mentir para mim novamente. Nunca mais.
-Nunca mais vou mentir, eu juro. Eu te amo, Arthie, e olhe pra você! Está magro, mais do que antes, e está pálido e...
-Calado porque você também não parece muito melhor. Já ousou se olhar no espelho? São as olheiras mais extravagantes que já vi na vida.
Alfred até ia falar alguma coisa, mas fechou a boca e simplesmente sorriu, pegando no rosto do inglês com carinho.
-Arthie, eu fiquei com tanto medo de que você... Morresse. Sério, eu enfrentei, quer dizer, o Sebastian enfrentou, o seu porteiro para vir até aqui! Eu sabia que você faria alguma coisa estúpida e parece que cheguei na hora certa, não foi?
-Não se gabe tanto assim.
-Mas eu salvei sua vida, não deveria dizer uma coisa boa para mim agora? Algo com status.
-Não, porque foi você que me fez ficar assim, idiota.
-Ah, qualé, Arthie! Só uma frasezinha! Coisa pouca, vai!
-...Tá! Você... Você é o meu herói, agora vá para o inferno.
-Só se você for comigo.
E assim, voltou a beijar o inglês como se tudo no mundo estivesse consertado.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
7 meses depois.
-Arthie, você já está de pé? Viu como eu disse que aqui é muito melhor do que ficar em casa?-Disse Alfred, o pijama branco aberto lhe dando um ar curioso enquanto o vento batia em seu corpo. Estavam num hotel literalmente de frente para o mar, e no chalé aonde ficavam, as maioria das “paredes” eram feitas de vidro e podiam ser abertas à vontade, o que explicava a grande ventilação.
Arthur estava na cadeira-de-rodas, vestindo um pijama branco também (isso porque certas peças de roupas foram dadas pelo hotel), os cabelos desgrenhados e as manchas vermelhas no pescoço da noite anterior chamando atenção por causa do contraste. Lia um jornal atentamente, na cozinha, com uma xícara de café ao seu lado, na mesa.
O inglês virou a cabeça para o americano, que se sentou à sua frente, os óculos tortos no rosto.
-Ah, bom dia. Quer chá?
-Não, quero café... Por que está acordado tão cedo? O sol do Caribe não vai desaparecer, assim, do nada, sabe? Temos o dia todo, afinal, nos formamos há um mês e somos maiores de idade, certo, Arthie?
-Não quero pegar o hábito de acordar tarde só porque quero dormir mais senão será pior quando eu for procurar um trabalho decente para mim.
-E você acha que eu te deixarei trabalhar, Arthie? Você vai ficar em casa, toda noite esperando por mim com uma fantasia diferente, o que acha?
-Acho que está ficando louco.
-Sonhos são permitidos.
-Eu...-Iria terminar de falar, mas foi interrompido bem na hora pelo celular, tocando insistentemente. Arthur olhou para Alfred sem entender. Só tinham dado o número daquele telefone (que era especificamente o número de Arthur, que só Alfred tinha) para algumas pessoas como Sebastian e... Só o Sebastian, já de total confiança.
Por isso, ambos olharam com curiosidade para o celular, afinal, não deveria ser nada comum, mas esperavam que não fosse nada de ruim. Alfred tomou o celular e o atendeu, o rosto expressando insegurança.
-Alô? Quem? Quem lhe deu esse número? Não, não é ele, é o namorado dele.-Sorriu nesta parte para o inglês, que por sua vez, bufou.-Só um instante.-Disse, passando o telefone para Arthur e dizendo com o olhar que, quem quer que fosse, queria falar com ele.
-A-Alô...?-Arthur disse, fitando o americano, sem entender.
-É Arthur Kirkland?-Soou uma voz do outro lado, masculina e objetiva, embora com um sotaque engraçado.
-S-Sim... Quem é?
-Sou o doutor Francis Bonnefoy.-Disse, claramente francês.-Eu soube que você foi um dos pacientes do doutor... Ah, esqueci o nome dele, mas vocês esteve no Hospital Saint Angels, certo? Foi aqui que eles te trataram, enfim, mon amour, é que o antigo doutor não era tão competente quanto pensavam e ele foi demitido, e agora, eu estou no comando. O problema é que, enquanto eu olhava sua ficha, vi que ela tinha um pequeno problema.
-O quê? Eu estou constantemente fazendo fisioterapia e tudo o mais, como o médico disse, eu...
-Não, seu bobo, é que na sua ficha diz que sua recuperação nos membros inferiores é impossível, o que claramente é mentira. O médico antigo errou, você pode sim voltar a andar. Você sente dor nas pernas, não sente? Este é o sinal mais concreto de que elas ainda podem voltar a funcionar. Claro que você precisa fazer um tipo diferente de fisioterapia, tomar outros remédios e saber que isso demora vários anos, mas que é possível voltar a andar, é. Não vai poder correr numa maratona e ganhar, mas correr até pode ser.
-Você está sendo sincero? Não está me enrolando?
-Sinceramente, o senhor acha que eu iria perder tempo com isso? Fui contratado e descobri que o seu diagnóstico estava errado, apenas isso. Não está feliz?
-Eu...-Arthur fitou Alfred por alguns instantes, os olhos úmidos.-Eu... Não sei o que dizer...
-Bom, eu estarei aqui quando o senhor voltar da sua “viagem de negócios” com o seu namorado, então, se quiser voltar a andar, me procure que tudo será resolvido, viu? Até mais ver, sr. Kirkland.-E dizendo isso, desligou o telefone, deixando apenas um Arthur boquiaberto olhando para o americano que, por sua vez, perguntava o que aquele homem queria para ser tão urgente a ponto de Sebastian ter lhe dado este número.
Arthur sorriu, sorriu tanto que até Alfred estranhou.
-Eu posso... Não, eu vou. Eu vou voltar a andar, Alfred.
The End (??)
Notas finais
Enfiem, se este é o final? Desta fanfic, sim. Se eu tenho alguma ideia para continuação, quem sabe uma 2° temporada? Pode ser, não digo nada porque sou lerda e preguiçosa pra escrever, mas se é possível? É sim, e provável também.
Espero que tenham gostado da fanfic tão quanto eu gostay de escrevê-la e tudo o mais, e não esqueçam de, quem quiser me deixar muito feliz, como uma despedida, deixar uma recomendação (//apanha//)
Enfiem, só continuay (e agora terminay) esta fanfic graças a aos meus leitores e leitoras, muito obrigada por tudo, e aviso à vocês se for postar uma 2° temporada (mas, mais uma vez, não garanto).
Okay, isso já está grande demais, até mais ver noutra fic pessoal ♥
Kisses ~~
Fale com o autor