Lie To Me
10 Capítulo 10: You Have Candy Lips, Darling ~~
Notas iniciais
É uma coisa meio estranha você sentir dois sentimentos altamente oposto ao mesmo tempo, e ainda mais estranho sentir vários sentimentos oposto de uma vez só.
Alfred estava feliz porque tinha encontrado o inglês, aliviado e satisfeito, mas furioso, com medo e triste. Estava com medo por Arthur, triste pelo estado do inglês e furioso com quem havia feito aquilo com ele, mesmo que, inicialmente, ele não devesse se importar.
Arthur estava sentado com as pernas numa posição estranha, quase que torcidas, com as costas apoiadas no poste de luz que iluminava a rua. Estava quase nu, as roupas rasgadas, o belo porém antigo terno feito em frangalhos. O blazer não estava ali, e a camisa branca que ficaria por dentro estava completamente rasgada, aberta, com o peito deixado a mostra. A calça também não existia, o que deixava suas pernas alvas quase que brilhando por causa da luz do poste refletindo na água, mas não era só isso.
Apesar de ainda estar vestindo as duas únicas peças de roupas, as cuecas e a camisa, era possível enxergar dezenas de pequenos cortes por suas pernas, alguns nos seus braços, manchas escuras em seu rosto e algumas nas costelas, além de filetes de sangue escorrendo ainda por uma de suas sobrancelhas e outra do lábio inferior.
Sua respiração estava pesada, seus olhos verdes estavam desfocados como se não estivesse ali e ainda fazia um silêncio mórbido, as lágrimas salgadas escorrendo por seu rosto. E Alfred sentiu muito ódio, um ódio quase mortal de quem tinha feito aquilo com ele.
Tentou levantar o inglês, mas quando o estava erguendo do chão, o mesmo gritou de dor, agitando-se, o que fez Alfred voltar a lhe colocar no chão. Nenhum membro parecia estar quebrado, então, por quê...?
-Puta que pariu...-Alfred murmurou, olhando detrás do poste, aonde as mãos de Arthur estavam até aquele momento. Se ele não tinha saído se arrastando por aí ou se não tinha feito alguma coisa, era porque algo o estava prendendo ao poste de luz, e mais exatamente, suas mãos estavam amarradas atrás do mesmo não com corda ou barbante ou até com algemas, e sim, arame farpado.
Arthur deveria ter tentado se soltar sozinho, deveria ter tentado puxar as mãos a qualquer custo, o que tinha feito o arame farpado rasgar sua pele de tal forma que estava em carne viva, o sangue escorrendo pelo chão e se misturando com a água da chuva. Talvez ele tivesse gritado tanto e sentido tanta dor que desistira de fugir, de pedir ajuda, e sim, apenas esperar por alguém ou quem sabe pela própria morte.
-Calma, Arthie, eu vou te soltar...-Alfred tirou seu casaco marrom das costas, aquele que lhe dava sorte, e o enrolou nas mãos como um forro. Pegou com as duas no arame farpado e puxou uma parte para cima e o outra para baixo, querendo quebrar o arame.
O que funcionou depois de alguns segundos, mas o casaco de Alfred não tinha servido muito bem como forro e as farpas do arame tinha entrado em suas mãos, o que as fazia sangrar agora, mas o americano não estava preocupado com isso.
-Pronto, Arthie, agora vou te pegar e a gente vai sair daqui, okay?-Alfred disse, evitando olhar para as mãos do inglês e o erguendo no colo, ligando rapidamente para Sebastian e avisando que tinha encontrado o inglês. Logo ambos estavam dentro do carro, fora da chuva, mas enxarcados e novamente aflitos.
Arthur não tinha falado nada ainda, e aquele silêncio inquietava o americano, que continuava falando com o inglês, mas sem receber resposta nenhuma. Agora, sentado no banco de trás de couro negro do carro com Arthur em seu colo (porque temia soltá-lo e fazer com que sua temperatura já baixa abaixasse mais ainda), não sabia o que fazer.
Arthur tinha a cabeça deitada em seu ombro, a lateral do seu corpo apoiada no peito de Alfred e as pernas machucadas sobre o banco. Ele parecia tão frágil e tão quebradiço que Alfred temia até mesmo se mexer.
-Sr. Jones, para onde vamos? O Hospital mais próximo fica...-O motorista começou, mas foi interrompido por um grito desesperado de Arthur.
-NÃO! NÃO! Eu quero ir para casa! Só para casa!
-Mas, Arthie, você está ferido e...-Alfred tentou explicar.
-Não! Não! Não! Eu quero a minha casa!-Arthur exclamou, segurando com ambas as mãos a camisa do maior, como se tivesse medo de ir ao hospital. Quem sabe medo de fazerem aquilo com ele de novo, medo de sair da proteção que Alfred exercia.
-Sebastian, vamos para casa então.
-Sim, sr. Jones.
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Subir o elevador com Arthur agora se contorcendo de dor não foi fácil. Antes ele estivera em silêncio, mas agora só falta morrer de tanto gritar, tanto que alguns dos moradores do prédio colocaram a cabeça para fora, procurando ver a causa de todo aquele escândalo no corredor.
O porteiro, que sempre fora amigo de Arthur, ajudou na hora de levar o inglês para cima enquanto Sebastian ia até alguma farmácia comprar remédios, ataduras e outras coisas de primeiros socorros.
Claro que minutos depois todos os vizinhos queriam saber o que estava acontecendo, o que tornou tudo uma grande correria para não deixar toda aquela multidão entrar no apartamento do inglês, de onde vinham os gritos.
Alfred deitou Arthur no sofá da sala, segurando-o pelos pulsos para que parasse de se contorcer enquanto o porteiro tentava dispersar os vizinhos, e logo Sebastian apareceu com várias sacolas cheias de suprimento hospitalar.
O motorista se aproximou de Alfred, perguntando:
-O senhor sabe como agir?
-O que quer dizer com isso?!-Alfred perguntou, falando alto por causa de Arthur.-Não, eu não sei nem como se coloca um band-aid! Você sabe?!
-Um motorista que se preze precisa saber fazer tudo que é necessário por seu patrão, senhor Jones. Fiz um curso de primeiros socorros.
-Ótimo, então eu seguro ele e você faz o que tem que fazer!
Sebastian se aproximou do inglês, usando alguma coisa que Alfred não sabia identificar para primeiro limpar as feridas em suas pernas e depois cobri-las, repetindo o procedimento em todos os cortes do corpo. Viu os hematomas arroxeando a pele alva, mas o resto parecia estar bem.
O vizinhos já tinham ido embora, e agora o porteiro também tentava acalmar o inglês, que continuava gritando de dor, como se o problema não fossem apenas os cortes e os hematomas.
-Arh!-Arthur gritou novamente, respirando rapidamente, ofegante, os olhos verdes vagando pelo teto quase como se estivesse tendo alucinações, o que não deveria ser muito difícil.
-Ele está com febre?-O porteiro perguntou.-Desse jeito ele não pode ter, sei lá, um ataque epilético ou algo assim?
-Eu não sei, fiz apenas o curso de primeiros socorros, e não faculdade de medicina.-Disse o motorista, olhando para o inglês se contorcendo.-Sr. Jones, ele não toma nenhum remédio nem nada? Ele é paralítico, certo? Vai ver que essa dor toda é por causa dos...
-A droga dos espasmos musculares!-Alfred exclamou, se pondo de pé e indo até o banheiro, aonde sabia que Arthur guardava os comprimidos, e pegando alguns, voltando correndo para a sala e se sentando ao lado do inglês.-Hey, Arthie, são suas pernas, não é? Olha aqui, são os comprimidos, elas vão parar de doer!
Mas Arthur não parecia estar raciocinando bem. Longe de febre, a temperatura estava baixa, assim como a pressão, e qualquer medicamento poderia lhe fazer pior ainda. Alfred rezava para que aquilo não piorasse seu estado, ele só queria que Arthur parasse de sofrer logo, até porque seus ouvidos estavam doendo.
Alfred tentou abrir a boca do inglês e fazê-lo engolir a força, mas o último mordeu sua mão e ainda lhe deu um soco porque o americano tinha soltado um de seus pulsos.
-Não tem nada aí para acalmá-lo?!-Alfred exclamou, voltando a segurar Arthur.
-Não vendem morfina na farmácia!-O motorista exclamou.-Nem anestésico nem nada!
-Droga!-Alfred exclamou, virando-se para Arthur novamente e vendo que o inglês acabaria se machucando se continuasse se contorcendo daquela forma. Parecia até aqueles fantasmas dos filmes de terror que tinha em casa.
Alfred então pegou os comprimidos e os colocou em sua própria boca, apertando então o nariz do inglês para que o mesmo abrisse a boca para respirar e então, rapidamente, colando sua boca com a dele num pseudo-beijo, apenas para que ele engolisse os comprimidos. Uma vez que os remédios dentro da boca do inglês (o que exigiu um pouco de habilidade da língua do americano, diga-se de passagem), Alfred se afastou e manteve a boca do outro fechada até que ele engolisse, e quando finalmente o fez, disse:
-Desculpa, Arthie.-E deu-lhe um soco aonde sabia que era o bastante para fazer alguém perder os sentidos, e realmente, Arthur os perdeu.
Alfred virou-se para o porteiro e o motorista, que o fitavam, perplexos.
-O que foi? Não sou gay, estava apenas desesperado.
-Eu não teria pensado em tática mais... brilhante, sr. Jones.
-Você pode ir agora, Sebastian, muito obrigado. Conversaremos sobre um aumento pra você depois... Ah, preciso só que traga minhas coisas aqui para cima... Ah, você já as trouxe... Bem, cuido do resto aqui. Obrigado, vocês dois.
O motorista assentiu e saiu, seguido pelo porteiro, que fechou a porta do apartamento e deixou os outros dois sozinhos. Alfred trancou a porta e novamente fitou o inglês, desacordado, frágil, vulnerável.
Não podia negar que realmente estava desesperado naquela hora. O que não era bom, visto que ele não deveria se importar. Às vezes se sentia como um daqueles assassinos que deveriam ser frios mas que, sei lá, se apaixonavam por seus alvos. Não que ele estivesse apaixonado pelo inglês, claro que não, era só que ele não estava sentindo o que deveria sentir: Nada.
Era nada, o que ele deveria sentir. Nada. Mas ali estava ele, ofegante e até preocupado, uma vergonha. Seu pai lhe diria que misturar emoções com as formas de conseguir o que se quer era, com certeza, uma vergonha.
Agora, mais calmo, ele percebera o quanto tinha sido precipitado. Desde a hora que encontrara Arthur tinha agido apenas por seus sentimentos, por suas emoções, mas se alguém tivesse percebido? E se ele tivesse se importado mais do que devia?
Mas ele deveria se importar, certo? Humanamente falando, era culpa dele se Arthur novamente estava ferido. Primeiro fora culpa sua por causa do acidente, e segundo, fora culpa sua que o inglês tenha sido sequestrado e torturado ou sei lá o que tivessem feito com ele.
E Alfred sabia que tinha feito aquilo com Arthur, e o americano estava sentindo muita raiva. O que não deveria fazer sentido, já que as pessoas que fizeram aquilo com Arthur fizeram, justamente, com Arthur, e não com ele.
Veja bem, era tudo questão de “dever”. Alfred não deveria ter ficado chocado nem entrado em pânico nem ter ficado desesperado. Alfred não deveria se importar, deveria apenas fingir que se importava. Alfred não deveria sentir.
Mas ele sentia.
E temia muito o que sentia.
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Eram pouco mais das 7 horas da noite, quase vinte e quatro horas depois do incidente, quando Arthur acordou.
O inglês tinha a vista turva, o corpo todo doendo, a cabeça latejando muito como se a tivesse batido com força em algum lugar. Estava com fome, com sede, e olhando ao redor demorou alguns minutos para finalmente perceber aonde estava, desorientado.
E foi então que as lembranças voltaram a sua cabeça. A dor, a raiva, aquelas pessoas, os amigos de Alfred, Alfred, os gritos, os gritos que não paravam, os gritos esganiçados... Seriam dele? As lembranças estavam ali, mas ainda muito embaralhadas para que diferenciasse algumas coisas.
As pernas, sim, suas pernas. Tinha tido espasmos musculares quando, de alguma forma que ele não estava lembrando, voltara para casa. Tinha tomado os remédios, ele sabia, mas como? Tentou se sentar, mas seus braços também doíam...
Estava coberto com vários lençóis, mas sabia que estava nu, o que lhe deixava um pouco inquieto. Era como se tivesse passado a noite numa festa e agora estivesse com a pior ressaca de todas. Mas e... E...
-Ah, você acordou, Arthie! Seja bem vindo de volta!-Alfred exclamou, aparecendo na sala apenas de bermuda e tendo um prato com alguma coisa nas mãos.-Estou fazendo o jantar, você quer?
E foi só olhar para o americano que todas as lembranças se tornaram mais e mais claras. Tinham lhe prendido naquele poste, com arame farpado, ele lembrava. Ergueu os pulsos, vendo apenas as ataduras que cobriam suas feridas. Lembrou-se também do americano indo lhe buscar, lhe erguendo nos braços, mesmo eles tendo acabado de brigar.
-O que foi, Arthie? Você está bem? Está sentindo dor?
Alfred ficara com ele, não ficara? A noite inteira, durante todo o tempo, e ainda procurara por ele naquela noite. Estava chovendo tanto que não conseguira ouvir o americano chamar, e então vieram aquelas outras vozes, as duas conhecidas, mas o inglês não soube identificá-las.
E durante todo o tempo ele tentava não apagar, não perder a consciência, porque sabia que se perdesse, eles fariam coisas com aquele, talvez aqueles brutamontes voltassem para terminar de lhe matar, e a única coisa que o mantinha acordado era a voz do americano, a única que ele identificava, a mais importante, a sempre presente, a que ele sabia que iria lhe proteger.
E foi por isso que quando Alfred se aproximou, segurando o prato de comida do inglês, o mesmo o abraçou e enterrou sua cabeça na altura da barriga do outro, chorando. Porque tinha sido tanta dor e tanta agonia de repente que ele precisava deixar ir, mesmo que tenha passado a noite anterior toda chorando, aquele choro baixo que atemorizara Alfred.
O americano deixou o prato de comida em algum lugar e se sentou no sofá, deixando que o inglês o abraçasse e escondesse seu rosto em seu peito nu enquanto Alfred mexia em seus cabelos, como faziam com as crianças, como às vezes via os pais fazerem nos filmes.
-Hey, Arthie, está tudo bem...-Alfred murmurou, procurando consolar o menor.-Você não está com algum dano mental nem nada, está? Tomara que não esteja. Olha, vou entender se estiver com algum trauma ou até se estiver com raiva de mim, mas, por favor, diga alguma coisa. A última vez que ouvi você falar foi quando gritou que queria ir pra casa e não pro hospital, então... Vamos lá, só uma frase?
-Você é um idiota...-O inglês murmurou, fazendo força para que não saísse um tanto distorcido por causa do choro. Sua garganta estava doendo ainda, mas ele ficaria bem agora.
-E você quase me matou do coração... Tem alguma ideia do quanto eu demorei pra te achar? Estou gripado por sua causa, de tanto pegar aquela chuva, aliás...
Alfred se afastou apenas um pouco e ergueu o rosto do inglês pelo queixo, usando a outra mão para tocar sua testa e então seu pescoço, fitando os olhos agora avermelhados de Arthur.
-Você não parece estar com febre, o que é uma boa coisa... E sua temperatura está normal, o que é melhor ainda. Quer comer ou quer chorar mais?-Alfred perguntou, sorrindo e limpando as lágrimas dos olhos verdes com os polegares.-Você está bem? Parece que vai desabar a qualquer instante, Arthie.
-Eu... Eu...-O inglês fungou, desviando o olhar por alguns segundos, engolindo em seco.-Me... Me desculpe por aquelas coisas que eu disse... Sobre odiar você e... Você sabe.
-Hein? Aquilo? Não tem problema, Arthie, eu já tinha esquecido.
O inglês então corou, lembrando-se da memória inteira, da briga, do beijo e então de uma das frases do americano: “Você tem lábios doces, Arthie.”. Não que devesse ficar feliz com aquilo, claro que não, mas... Mas... Fazia tanto tempo que ele não recebia um elogio.
-Arthie, você está bem mesmo? Se quiser, a gente pode ir ao hospital e...-Alfred começou.
-Não, estou bem.-O inglês interrompeu, soando um tanto triste.
-Tem certeza?
-Tenho, tenho...-Disse o inglês, passando os olhos pela sala para então voltar a fitar Alfred, que tinha uma expressão estranha no rosto. O americano coçou então a cabeça e foi só então que Arthur viu que em ambas as mãos havia algumas ataduras que cobriam suas palmas.-O que foi isso?
-Isso? Ah, minhas mãos?-O americano as virou para que Arthur pudesse ver melhor.-Foi quando eu estava te soltando do arame farpado. Não estão doendo, elas só...
-Desculpe...-Arthur murmurou, pegando ambas as mãos do americano e as levando até o rosto, sentindo a atadura roçar com a pele de sua face.-Desculpe...
-Desculpar pelo o que, Arthie? Você não fez nada, se alguém tem culpa aqui, sou eu. Eu que...
-Desculpe, Alfred...-Murmurou o inglês, abaixando o rosto, mas sem soltar as mãos do americano.-Desculpe por ser um peso, desculpe por ter que me aturar, me desculpe...
-Arthie, tem certeza que você está bem? Você está agindo muito estranho...
-Estou pedindo desculpas, seu idiota. Estou aqui, me abrindo pra você...
-Prestes a voltar a chorar.
-E você vem caçoar de mim?!
-Você é bipolar, sabia? Num minuto está triste, noutro está calado, noutro está com raiva e então triste de novo. Não precisa pedir desculpas. Se eu estou aqui, se eu feri minhas mãos e se eu fiz tudo isso foi porque eu quis, e não por sua culpa. Eu sou mais culpado no cartório do que você, então, Arthie, por favor, pare de agir estranho assim, senão vou achar que você adquiriu algum problema mental ou algo do tipo.
-Eu não sou de ferro! Eu tenho... Tenho problemas também!
-Oh, que bom saber, mas é por isso mesmo que eu estou aqui, para compensar os seus problemas, apagar os seus defeitos e realçar suas qualidades... Se é que você tem alguma.-Alfred riu, vendo que logo o outro ficava com raiva.
-Oras, seu...!
-O que foi, lábios doces? Vai me bater? O quê? Perdeu a força? Só porque eu te chamei de lábios doces? Arthie, você não está corando está...? Você está! Ahahahaha! Está corando! Puxa, Arthie, isso deixa bem claro que você é gay mesmo.
-Eu NÃO sou gay!
-Então por que está corando?
-Porque... Porque... Porque foi... Foi meu primeiro beijo. Isso é normal.
-Foi seu primeiro beijo?! Puxa, Arthie, o meu primeiro beijo eu dei com... Oito anos de idade.-Sorriu o americano, fechando os olhos como se relembrasse os bons tempos para então abri-los novamente, fitando o inglês.-Você sabe que ainda está segurando minhas mãos, não sabe?
Arthur as soltou, jogando-as para o americano e então fitando a televisão ligada, mas no volume mais baixo. Tinha um colchão no chão, provavelmente aquele que usava na sua cama, assim como lençóis e travesseiros. Alfred deveria ter dormido ali, tudo para não deixar Arthur sozinho.
-Arthie, quando você estava esperneando de dor, eu tive que te beijar de novo para te dar os comprimidos. Eu tentei te fazer engolir da forma convencional, mas você até me mordeu. Você não se importa, não é?
-VOCÊ O QUÊ?!
-Te beijei, lábios doces.-Alfred sorriu, como se estivesse feliz por ter arranjado um novo apelido para o inglês, que só fazia corar mais e mais.
-Não me chame assim! Eu tenho nome! Eu já deixo que você me chame de “Arthie”, que é um apelido desagradável, não vou deixar que me chame disso também!
-Oras, Arthie, mas você tem lábios doces! O que posso fazer?
-Pare com isso!
-Com o que, lábios doces?
-Pare!
-Lábios doces, lábios doces, lábios doces...!
-Pare senão eu...
Mas antes que ele terminasse a frase, Alfred tinha lhe puxado pela nuca e agora o beijava novamente, só que de um jeito mais sensual e romântico que antes. Não apressado, como no restaurante, e não desesperado, quando para o fazer engolir os comprimidos, mas como ele faria com uma garota se quisesse conquistá-la.
Levou uma das mãos até o peito do menor, sobre seu coração, apenas para o deleite de ouvir o órgão batendo surpreendentemente rápido enquanto forçava uma passagem para a boca do inglês, que pouco depois conseguiu invadir, usando sua língua para vasculhar a boca do outro até que encontrou a língua do menor, tímida, inexperiente, o que até o deixava com vontade de rir.
Continuou beijando Arthur por mais um minuto até que teve que respirar, então se afastou, vendo que um fino fio de saliva descia pela boca agora aberta do inglês, que Alfred limpou com o polegar.
-Viu? Lábios doces, como antes.
Notas finais
Enfim, eu gostaria de agradecer a todos que estão acompanhando esta fanfic tão fervorosamente que me mandaram mensagens aqui pelo Nyah! e, céus, quando atraso algumas horas de postar me sinto a vilã da história, então desculpem por só vir postar neste horário (exatas 23:22 da noite) mas é que O DIA AINDA NÃO ACABOU, ENTÃO NÃO ESTOU TECNICAMENTE ATRASADA! //APANHAMAIS.
ENFIM DE NOVO, eu gostaria que vocês deixassem review pra me alegrar pessoalmente porque o Kallein, vocês sabem, o Kallein, está doente ultimamente e por causa disso o mau humor dele tem aumentado numa velocidade absurda, o que me faz querer escrever cenas de MORTE e DOR e DESESPERO então se vocês ainda quiserem ver um final feliz nessa bagaça //apanhadenovo// mandem reviews, okay?
BAH NOITHCCÊS PROCÊS ~~
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