Licantrope
5 Grifinória!
Notas iniciais
Subi alguns degraus que me levaram diretamente a uma sala bem iluminada, cheia de tapeçarias, quadros, esculturas, livros e uma pequena escrivaninha no centro, rodeada por duas cadeiras.
Fiquei algum tempo em pé, admirando a sala, mas logo me senti à vontade o bastante para me assentar em uma das cadeiras. O tempo foi passando devagar e a minha fome aumentava a cada instante. O único som ouvido no local era a minha barriga roncando, clamando por comida.
De repente, uma senhora alta, esguia e com um ar impostor entrou na sala. Ela estava vestida elegantemente e seus cabelos, já com muitos fios brancos, estavam firmemente presos em um coque no topo da cabeça. Carregava um chapéu velho e esfarrapado na mão direita, e logo se livrou dele, o colocando numa das estantes de livros. Levantei-me rapidamente, sem jeito e sem saber o que deveria fazer. Olhei fixamente em seus olhos e percebi um pouco de compaixão ali.
– Boa Noite, senhorita White, sou a Diretora da sua mais nova escola, e fui eu quem lhe mandou as cartas. Muito prazer. Pode se assentar novamente, não seja tímida, e desculpe-me a demora, mas um dos Potter resolveu fazer uma pequena algazarra em seu primeiro dia aqui, e eu, infelizmente, tive que dar-lhe um sermão... De novo.
Assentei-me novamente, ainda sem saber o que falar, logo fiquei quieta esperando as instruções da diretora.
– Bom, te chamei aqui para resolvermos o seu pequeno... hum... problema. Saiba que a escola já abrigou um lobisomem antes, e faremos da mesma forma com você. Todos os meses, quando tiver se aproximando a lua cheia, a senhorita irá, antes do anoitecer, até a enfermaria, para que a nossa enfermeira possa lhe dar a poção Mata-cão, que fará com que os “sintomas” se amenizem em seu corpo. Logo depois, a senhorita irá, através de alguns túneis, para uma casa em Hogsmeade, o povoado onde desceram do trem. Mandei que preparassem um quarto lá para que você possa ficar isolada e não seja um risco para seus amigos. Com todo o respeito, é claro.
Acenei com a cabeça, mostrando que eu tinha compreendido tudo e ela continuou com a voz num ritmo calmo, que me dava angústia.
– Pelo que sua mãe me informou nas cartas, você sabe a magia na teoria, e logo terá que ter algumas aulas extras de prática. Logo, logo arranjarei algum aluno que possa te ajudar e mando-lhe uma coruja. Os professores sabem da sua condição e já foram instruídos a não contar isso para mais ninguém, como a senhorita desejou. Todos eles estão à sua disposição se precisar de algo mais. Como já deve ter percebido, aqui fazemos o esquema de casas, onde elas serão como sua família durante a sua estadia aqui. Logo, faremos um teste para ver se a senhoria vai ficar na Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal ou Sonserina.
– Hum.. Desculpa a pergunta diretora... Mas a senhora não disse pra Amy que eu ficaria na Grifinória?! — Falei com a voz embargada.
– Ah, você já se conheceram então?! Sim, eu disse a ela e tenho quase certeza de que essa será a sua casa, pois não é qualquer garota que passa pelo que você passou e tem coragem o suficiente para erguer a cabeça e ainda enfrentar o desconhecido. A pobrezinha estava desconsolada, pois a senhorita Weasley, sua melhor amiga foi nomeada monitora chefe e terá um salão comunal novo, e ela ficaria “sozinha” na torre da Grifinória já que não gosta de suas colegas de quarto. Foi uma fora de acalmá-la.
A senhora se levantou e pegou o chapéu novamente na estante onde tinha o largado. E de repente um rasgo se abriu como se o chapéu estivesse sorrindo para mim. Não pude deixar de arregalar os olhos e involuntariamente me encolher na cadeira.
– Não se preocupe, vou colocar-lhe o chapéu e ele nos falará qual a sua casa. – A diretora falou carinhosamente.
Senti o tecido grosso deslizar sobre meus olhos e uma voz diferente invadiu a minha mente:
“Vejo que você é bastante inteligente senhorita White, perspicaz e tem sede de saber, entretanto acho que não conseguiria o que procura na Corvinal. Você precisa de amigos leais e que sejam corajosos como você para te ajudarem a enfrentar a sua sina. Você irá para a...”
– Grifinória – anunciou em voz alta e a diretora, pela primeira vez, me lançou um sorriso.
– Pode ir, já mandei uma coruja para a Amy para que ela venha te buscar e te apresentar seu quarto. Até logo.
– Até – sussurrei meio desnorteada e saí pela porta, descendo as escadas e encontrando uma sorridente Rose e uma Amy de cara fechada, muito brava.
– Ooooi Soph, bem-vinda à grifinória, vem, vamos te levar pro quarto, seu malão e sua coruja já estão lá. E um elfo deixou uma bandeja de comida na sua cama, é melhor correr antes que alguém pegue. – A Rose falou toda sorridente.
Pronto, essas foram as palavrinhas mágicas que me fizeram correr até o dormitório: “ Tem uma bandeja de comida na sua cama”. Meu Deus, que fome!
Fui conversando com a Rose, e tentando, mais uma vez, decorar os caminhos, mas até as escadas mudam de lugar! Quem foi que teve essa “brilhante idéia”?! Não sei nem onde estou, nem pra onde eu vou...
Enquanto isso a morena ficava de cara fechada, com os braços cruzados e uma expreção nada agradável.
– O que é que você têm Amy? – Perguntei educadamente
– Thiago Potter, é isso que eu tenho. – Ela bufou e saiu de perto, seguindo por outro corredor. Enquanto isso eu fiquei lá, com cara de interrogação, tentando entender o que havia acontecido.
– Acostume-se – a Rose começou – ela é bipolar assim mesmo. Se bem que hoje ela têm motivos pra ficar chateada... O Thiago,assim que acabou a seleção dos alunos do primeiro ano, chegou montado em uma vassoura e explodiu fogos de artifício com os dizeres: Amy, que nem no salão comunal da sonserina, que tal a minha cobra na sua masmorra?!
–Não acredito – falei, tentando imaginar a cena...
– Pois é... agora todos estão zoando ela e ela nem olha mais na cara do meu primo.. Bom, ele mereceu néh?!
– Com certeza...
Chegamos a uma porta com um quadro de uma mulher gorda e bem-vestida e a Rose simplesmente disse “dragão norueguês” e o quadro abriu como uma porta, revelando uma espécie de sala, totalmente vermelha e dourada, com uma lareira aconchegante no centro, e vários sofás espalhados. A ruiva me levou até um andar superior, onde tinham cinco camas e em uma delas estavam depositadas as minhas coisas. Todas as outras garotas já dormiam, então me despedi silenciosamente da Weasley e fui comer o jantar que repousava delicadamente sobre a minha cama.
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