Libido
9 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu já havia pensado em ficar num lugar trancado com David... o estrangulando.
No entanto nunca numa sala de sutura, com tantos objetos pontiagudos e cortantes, não que não fosse bom para um assassinato, mas explicar para os policiais minha deplorável situação pós sexo não era uma opção, então eu gritei.
"Me tira daqui!" sei que meu grito saiu rouco e baixo, entretanto era a minha única opção.
"Para com isso" meu cunhado replicou "Não vai adiantar, temos que pensar em algo mais eficaz"
"Olha, falando assim até parece que sabe fazer contas de somar"
Ele soltou um riso, pouco se importando com o que eu falei e logo depois sacou o celular do bolso, procurando algo.
"Vai tentar com a luz do seu celular buscar um buraco de rato pra sairmos daqui, desiste Sherlock" disse, e ele riu da minha cara, como se eu fosse uma menina de cinco anos.
"Cala a boca por dois segundos, sua vadia egocêntrica!"
"Não tente mandar em mim, babaca" repliquei, me aproximando de seu corpo. A tensão sexual crepitava entre nós, como um campo de força invisível que nos mantinha presos um ao outro.
Pude vê-lo olhando fixamente para minha boca, entretanto a luz do celular o desfocou disso e o redirecionou para o telefone.
Em poucos segundos procurou algo e discou um número. A chamada se realizou em instantes e em milésimos pude ouvi-lo falar.
"Alô?" perguntou, e pude ouvir sua resignação, crendo eu que poderia gritar o jogar algum objeto na porta de vidro para poder abri-la.
"Hey!" a voz feminina ecoou do aparelho celular e eu a reconheci mesmo tendo a ouvido pouca vezes, era a vadia de jaleco.
"Eu sei que pode parecer estranho, mas preciso de um favor seu" ele começou sem graça, sem saber como explicar a situação patética em que estamos.
"Resta alguma dúvida de como está a sua mãe?" a medica perguntou e uma risada surgiu em minha garganta.
David pareceu perceber o que eu queria fazer, então sinalizou para que ficasse calada.
"Não, é que eu fiquei preso numa sala.." sua voz soou constrangida "na sala de sutura e gostaria de saber se poderia me tirar daqui"
"Sei que nos conhecemos a pouco tempo, mas achei que você fosse mais inteligente que isso" ouvi a risadinha "mas tudo bem, qual das salas de sutura você está? Tem alguma noção?"
O vi franzir o cenho, tentando se lembrar exatamente de nossa localização "Era uma perto da cantina" começou, se esforçando para lembrar "num corredor.."
"Ah, seu irmão foi a pouco então tenho tempo para ir até aí e então saber como se colocou nessa roubada" falou "Até daqui a pouco"
David então se virou para mim, me encarando com os olhos azuis nesse momento gélidos
"Por favor, não fale nada. Sem gracinhas ou veneno pra cima dela"
Eu pisquei para a forma em que falou comigo, como uma ordem
"Você não é Deus, David. Não tente agir como tal"
***
Alguns minutos se passaram, até que pude ouvir um barulho na maçaneta e logo depois a porta fora aberta. A médica nos olhou, com um olhar curioso diante a situação.
Soltei um suspiro pesado, saindo da sala sem mesmo pedir um obrigada. Um estranho sentimento de sufocamento me tomou, era inquietante alguém cogitar o que ocorrera ali.
Andei pelo largo corredor, tentando resgatar em minha mente aonde havia um banheiro. Passei pela cantina e em poucos passos encontrei o que queria. Entrei no banheiro, e lavei meu rosto ainda levemente corado, ajeitei os cabelos e então lavei minhas pernas ainda meladas e úmidas do esporro de David.
As sequei precariamente com os papéis toalha, enquanto me olhava no espelho. Não tinha a mínima ideia no que estava me metendo, mas não era nada ruim se a recompensa final era seu pau me invadindo, rasgando, gozando..
Pisquei um pouco, afastando esse tipo de sentimento. O tesão nunca fora bom conselheiro, e por isso foquei em como sairia dali, pois minha bolsa estava com James. Teria que falar com David e isso não era uma boa opção.
Saí do banheiro, determinada a pedir o dinheiro para o táxi e me livrar daquele ambiente. Andei sem prestar atenção, até que esbarrei em algo duro e quente.
"Me desculpe.." comecei, entretanto o cheiro que exalava o homem não me deu dúvidas quando finalmente o fintei "James"
Ele me olhou confuso, se perguntando o que eu estava fazendo ali "Regina...Mas você não tinha ido para casa?"
Engoli a seco o questionamento, minha mente maquinou uma desculpa que ainda que esfarrapada teria que servir "Eu esqueci minha bolsa, com meus documentos e preferi voltar e pegar do que ficar desprotegida" coloquei em meu rosto a expressão mais sonsa que conhecia "E você sabe muito bem que seu irmão não faria nada para recupera-la"
James ajeitou a postura, para seu modo quando eu reclamava de seu irmão. Isso me fez que ele engoliu a mentira "Você provavelmente esqueceu no carro, amor" falou e eu assenti com a cabeça "e por favor, não seja infantil" me repreendeu como se faz com uma criança e eu rolei os olhos "Ele devolveria"
"E você? o que faz aqui?" perguntei, tentando desfocar da minha presença no local.
"Bem, teve um problema na expedição de uma ordem de restrição e me ligaram. Preferi resolver aqui do que falar no telefone enquanto dirijo" explicou e eu forcei um sorriso, que foi correspondido.
Ele se aproximou de mim, me envolvendo em seus braços sem a mínima vergonha de onde estava, e então deixou sua boca a milímetros da minha orelha "E então, agora que já resolvemos tudo, acho que podemos ir pra casa e, aliviar o estresse" propôs, mordiscando meu lóbulo.
Seu contato me fez estremecer, como sempre, entretanto a vontade insana de ter James embrenhado no meio das minhas pernas foi sugada junto com minha umidade por David.
Em reflexo, me afastei, o deixando inquieto "Estou muito cansada, hoje não"
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