Libido

10 Capítulo 8


Notas iniciais
Esse capítulo é um pouco maior que o anterior ^-^ Espero que gostem. Sinalizem qualquer erro de português ou concordância, a autora agradece. Mais uma vez lembrando que essa é uma história +18 com conteúdo sexual.

Olhei para James, que dormia profundamente. Contemplei seus músculos, descobertos pelo lençol que somente encobria, e de forma indecente, seu traseiro.

Sua respiração era pesada, como de se esperar pelo cansaço do dia anterior e pelo horário em que dormiu, demasiado tarde. Chegamos do hospital, tomamos nossos banhos e caímos na cama.

Eu sabia de côr cada pedacinho daquele corpo, um corpo no qual me deliciava. Ele era meros centímetros mais baixo que o irmão, com o corpo um tanto mais magro e cabelos dois tons mais escuros.

James sempre fora interessante pra mim, desde a primeira vez que o vi.

Balancei a cabeça, incrédula pelo atraso de David. Ele me fora apresentado por alguns amigos em comum, achando que depois meu problema em Paris e as férias em Florença, achar uma foda fixa era uma boa ideia.

Ele me pareceu interessante, apesar da irritante mania de me olhar nos olhos primeiro e depois para meus atributos físicos. Eu não estava acostumada a esse tipo de aproximação, pois normalmente os homens e mulheres focavam suas atenções em minha bunda, logo depois nos meus seios e depois chegando aos olhos. David Andrew Nolan por sua chegada diferente, se tornou um desafio.

Verifiquei de novo meu relógio, e logo depois voltei meu foco ao lobby. Ele havia insistido em me levar a um restaurante de um hotel costeiro, mesmo sem saber que eram meus favoritos.

Ponto

De repente, um homem muito parecido a Nolan ficou em meu campo de visão. Era minimamente mais baixo que ele, mas era um pequeno detalhe pois sua beleza era aterradora como a de David.

Ele caminhou até mim, e eu juntei meus lábios analisando a situação. Hum... interessante.

Após alguns segundos, ele finalmente chegou aonde eu estava sentada.

"James Nolan" falou, com um tom profundo e me estendendo a mão.

"Regina Mills" a segurei, dando meu melhor sorriso.

"Um prazer em conhece-la"

Mordi meu lábio inferior, então era parente de David "O prazer é meu, gostaria de desfrutar da sua companhia, mas estou esperando alguém"

Ele sorriu malicioso "Eu sei, está esperando meu irmão e estou aqui por isso"

Franzi o cenho, aparentemente David havia mandando um representante bonitão para me dar um toco "Ele teve um problema e me pediu pra vir"

Engoli a seco, por mais que já soubesse ouvir em voz alta que fui rejeitada me deixou desconfortável "Oh, que gentil! Levei um fora por um representante, bonito por sinal "

"Não foi um fora, ele realmente teve um problema e me pediu pra vir. David tentou ligar mas não conseguiu te contactar" explicou, mas eu não consegui acreditar em uma palavra.

"Eu deveria acreditar nisso?" perguntei, me aproximando dele e sentindo seu cheiro, era forte e eu gostei disso imediatamente.

"Acredite se quiser, mas devo salientar que meu irmão tem mania de mentir e enganar as namoradas"

"Gostei de você, James. Quer tomar algo comigo, já que estamos aqui?"

"Além da bebida, posso ter algo mais?"

"Claro, é só saber se comportar. Querido"

Voltei minha atenção para o espelho saindo do devaneio, contemplando minha imagem. O vestido roxo que vestia me valorizava nos lugares certos, a maquiagem leve como esperado para um escritório deixava meus olhos iluminados e minha boca com um "quê" a mais, adicionando a cicatriz, me deixando única.

"Você é gostosa, demais" pude ouvir uma voz rouca, e eu sabia que era pelo sono.

"Bom dia para você também, James" provoquei, com um sorriso nos lábios. Peguei meus saltos do chão, empinando minha bunda para sua visão.

"Não tanto querida, você me deixou com um problema ontem" falou, e pude vê-lo se levantando nu, pelo espelho.

"Essas coisas acontecem" dei meus ombros e antes que eu pudesse soltar minha costumeira gargalhada, senti seus braços ao redor de mim.

"Nunca me provoque. Achei que já soubesse dessa regra" disse, contra o meu ouvido e pude sentir sua ereção matinal quase rasgando meu vestido.

"A regra também vale pra mim. Agora me solta" gemi

"Nunca" riu "Eu te amo, mesmo você sendo uma vadia egocêntrica"

A menção do "vadia egocêntrica" me fez sentir mal, e por alguns instantes encarrei o chão antes de respondê-lo

"Eu também te amo"

***

"Mrs. Nolan" um sotaque sulista feminino forte invadiu meus ouvidos. Eu estava na editora desde cedo e quando finalmente encontrei um pausa alguém aparece para me importunar. David não havia aparecido e eu acabei segurando alguns problemas dele, ele ia me pagar.

"Prefiro que me chame de Mills" retruquei, revirando os olhos e trocando o celular de orelha.

"Hum... me desculpe. Sou secretária.." ela começou e eu fiz questão de corta-la.

"Se é secretária de alguém, deveria ter ligado para minha secretária afim de marcar a reunião para sua chefe, não para meu telefone pessoal"

"Mais uma vez desculpe, é que a Mrs. Green pediu para contacta-la urgentemente" explicou, com a voz miúda como se tivesse medo.

Eu quis soltar uma risada quando ouvi o nome da chefe da pobre moça.

"Então.. que assunto ela quer tratar comigo?

***

Eu caminhei pelo restaurante. Meus saltos clicavam alto em meio ao ambiente clean e minimalista, era a cara de quem me convidara.

Vi Lucrezia sentada, em todo seu esplendor dos 26 anos de idade. Seu cabelo loiro, junto com os olhos claros e estatura pequena lhe davam um ar de jovialidade e inocência. Quem a olhava nem podia imaginar que era uma das mais maiores escritoras de livros eróticos da sua geração e muito menos a filha da puta escrota que era.

Por isso era alguém que poderia considerar uma amiga.

A vadia sorriu pra mim, e fez menção de se levantar entretanto desistiu e continuou me esperando no mesmo lugar. Ela vestia um terninho branco, e havia cortado os cabelos para um modelo chanel.

Finalmente cheguei e me sentei, sem fazer cerimônia em "olás".

"Lucrezia, o que veio fazer aqui?"

Ela riu, e eu gostava desse seu lado debochado. Mesmo sendo alguns anos mais jovem, ela era extremamente parecida comigo.

"Almoçando" respondeu.

"Por favor Lucrezia, somos melhores que isso" falei bebericando um pouco da água que jazia na taça de cristal.

"E eu sei disso, e não consigo entender porque repete tanto meu nome. Sabe muito bem que não gosto"

"Por favor, é muito melhor que te chamar de Tinkerbell. Sempre rio ao lembrar que esse era seu user no fanfiction.net"

Ela revirou os olhos, e logo depois me encarou.

"E então, o que está acontecendo na sua vida? Não temos contato desde que fui pra Vegas visitar minha mãe"

Hesitei um pouco, o pensamento de falar o que estava acontecendo entre eu e meu cunhado não era agradável, entretanto desde que a conheci, ela era uma espécie de confidente.

"Uma longa história, que poderia servir de inspiração para um livro seu" comecei "Mas vou adiar um pouco, quero saber primeiro como está sua mãe". A mãe de Lucrezia era uma viciada em poker e tequila, uma mulher de meia idade que se casou com um corretor de imóveis. Quando o casamento teve um crise e ela buscou formas de matar o marido, conheceu a história da Lucrezia Borgia e por isso homenageou a figura história colocando esse nome na filha.

"Hum... Ela está bem, na medida do possível. Não direi mais nada sobre a tequila, que morra!" suspirou indignada, e me lançou um olhar quando percebeu que eu a repreenderia "E não venha com sermões, você não tem nenhuma moral"

Ela acertou bem na ferida, boa.

"Agora" continuou, trocando o olhar bravo pelo malicioso "Quero saber como vai sua chata vida monógama"

"Hum... não tom monógama assim" finalmente botei pra fora.

A boca de Lucrezia formou um "O" e eu quis rir de sua expressão, então o fiz.

"Quero detalhes sujos e impróprios para o horário, com riqueza de detalhes. Quem foi?"

Me ajeitei na cadeira, minha mente voltando aos momentos com David e meu corpo por impulso já se encontrava desejoso por ele novamente.

"Foi... um... David"

Ela jogou a cabeça pra trás e eu a observei em sua reação exagerada.

"Oh Meu Deus! Você está com o Nolan 2! Eu sempre senti a tensão sexual entre vocês, quando não estava focada nele e naquela ereção maravilhosa que pressionava contra o tecido da calça"

"Lucrezia!"

"Não, não venha com essa. Agora que você já fez um teste na montanha russa, pode me falar se vale a pena a viagem? Quero andar o mais rápido possível"

"Você é uma filha da puta. E não vai ter como andar, ele está noivo de uma coisinha sem sal"

"É eu sei disso" soltou uma risada que poderia despertar a atenção de todo o restaurante "Meu pai chamava minha mãe de puta bem alto, enquanto a fodia. Agora, está com ciúmes de mim ou dele?"

"De nenhum dos dois" pontuei, a encarando. Eu já havia transado com ela, e foi uma experiência interessante.

"Vou fingir que acredito. Por favor, me diga: Foi bom? Faz quanto tempo? Porque sinceramente seu humor faz parecer que não transa tem dias"

"Nós transamos ontem, duas vezes e foi maravilhosamente bom" expliquei, tomando uma respiração profunda e mordi meu lábio inferior " a natureza foi bem generosa com ele, na realidade com James também. A família Nolan é abençoada nesse quesito"

Ela me encarou e sorriu, não consegui entender o motivo.

"Qual o motivo do sorriso debochado?" perguntei.

Tinker abriu a boca e finalmente me explicou "Eu vivi pra ver a puritana descobrindo sobre sexo"

"Por favor, isso novamente não" resmunguei, cansada de seus sermões sobre isso.

"Você é do tipo de pessoa que usaria a mentira mais sórdida pra derrubar alguém mas nem ao menos consegue se masturbar por sentir suja. Você é do tipo de pessoa que acha que por ter transado com algumas mulheres ou ter perdido a virgindade pra um cara que se tornou padre é a fodona do sexo mas não tenta nem anal. Eu nunca ouvi seu tom tão malicioso ou felino em relação ao sexo minha querida, admita"

"Eu realmente te odeio, não quero falar sobre isso" revirei os olhos "E onde está o maldito garçom?"

"Depois o chamamos, acho que nenhuma das duas vai querer alguém ouvindo sobre pra quem você abre as pernas enquanto anota um pedido de salada"

Eu odiava o sarcasmo dela, então troquei de assunto "E então, me diga suas aventuras"

Ela inclinou o corpo para frente, como se fosse fazer uma confissão e gemeu fechando os olhos, como se estivesse lembrando de algo.

"Hum.. nada demais. Meu romance com Hook não tem mais futuro"

Tentei lembrar entre os inúmeros namorados que a loira a minha frente já teve, até que a imagem de Hook, também conhecido como: O biólogo marinho de pênis enorme.

Ele era um cara bonito: cabelos escuros, olhos azuis e um sotaque gostoso.

"Qual foi o motivo do termino dessa vez? Ele não se encaixava como inspiração do seu próximo romance, como os outros sete namorados que teve esse ano?" provoquei.

"Você fala da minha busca de inspiração como uma beata do século passado, puritana. E não foi isso, ele não tinha tempo para mim e eu não tinha tempo para ele. Somente isso"

"E falando em inspiração, você não deu um sinal para editora sobre a continuação da sua saga" a lembrei e foi a vez dela de revirar os olhos.

"Isso não é um almoço de negócios, e sim de velhas amigas" me repreendeu "apesar que você me lembrou que tenho uma entrevista para a Marie Claire¹ que entraria hoje no site"

Ela pegou seu iphone, com seus dedos longos e unhas bem cuidadas enquanto eu chamei educadamente o garçom, entretanto antes que ele chegasse até nossa mesa, Lucrezia mostrou o conteúdo que brilhava na página inicial da revista online.

"Novo casal Real" dizia a manchete que logo abaixo exibia uma foto de David junto com sua noiva sem sal.

Um nó se formou em minha garganta e só consegui expressar qualquer reação depois de alguns segundos.

"Nosso almoço acabou aqui"

Notas finais
¹ Revista voltada para o público feminino de origem francesa. Hoje além da França, ela é distribuída para outros 26 países, em seus respectivos idiomas além de ter sua versão digital Gostaram de saber um pouco mais do passado entre Regina e James? #TeamEvilCharming ou #TeamRemes?