Libido

18 Capítulo 16


Notas iniciais
Oi, bem minhas desculpas pelo sumiço virão depois. Primeiramente quero agradecer a Jé pelas lindas palavras na recomendação dessa fanfic. Bem, obrigada gata. Eu me emocionei com tudo, mesmo. Obrigada por toda intensidade, por toda ajuda, por todos os conselhos e influência sexual. Você é uma delicia. A história da nossa amizade se confunde com a dessa fanfic, então fico duplamente feliz por você gostar do meu trabalho. Espero que esse capítulo ainda que não seja o ideal, esteja aos pés da sua confiança em mim. P.s: O próximo capítulo vai ser parte ii desse e também dedicado a você, aproveite.

Olhei para meu celular num gesto quase mecânico, era a décima vez que repetia o movimento em menos de uma hora e não gostei disso. Desde que deixei aquela caixa para Regina, esperava uma resposta que não havia chegado.

Quis me bater por perceber que estava direcionando minha vida para aquela mulher, desde meus desejos até meu tempo, principalmente com meu casamento chegando, era loucura. Sim, literalmente, eu estava caindo de volta a hábitos obsessivos e isso não iria acabar bem. No mínimo me levaria à depressão, aos altos e baixos, por mais que os baixos fossem encontrados abaixo das curvas delineadas da minha cunhada.

Balancei a cabeça para espantar meus pensamentos, tentando focar nas minhas prioridades. Eu precisava desabafar, precisava beber.

As opções eram muitas, desde me embriagar em casa até mesmo ir até um bar qualquer, ou até mesmo me dopar com qualquer remédio enquanto tomava alguma coisa com alto teor alcoólico. Preferi a segunda, por saber que fora de casa me controlaria mais do que estando em quatro paredes.

Botei um pouco de ração para meu gato, que como sempre eu não sabia aonde estava. Peguei as chaves da minha velha caminhonete, ela tinha sido a primeira coisa que comprei com meu salário e local da minha primeira vez com Mary, aquele veículo era quase como um museu do que eu já fui um dia, entretanto o deixei de usar constantemente, por conta da dor das lembranças e também porque o conselho da editora não queria que um dos maiores acionistas fosse visto com algo tão fora do padrão de luxo.

Vesti o casaco antes de bater a porta e ir em direção a garagem. Seria uma longa noite.

***

Andei um pouco pelo centro após deixar meu carro estacionado numa rua não muito movimentada, os pubs estavam cheios e eu estava com preguiça de beber ao lado de pessoas que eram do tipo das que tinha que conviver durante o dia, engravatados que estariam discutindo sobre negócios. A única coisa que eu queria descobrir era como tirar Regina da minha cabeça, a sensação de seus lábios contra o meu, a lembrança de como suas pernas se abriam para que eu pudesse entrar por completo dentro dela.

Encontrei um bar depois mais alguns minutos caminhando, era pequeno e a maioria dos seus frequentadores eram homens, principalmente trabalhadores da construção civil. O ambiente me lembrou os bares que frequentei durante meus anos na faculdade.

No momento estava tocando Heart Shaped Box¹ em um tom alto, alto de tão forma que mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos, era reconfortante.

Pedi uma cerveja para um garçom mal encarado, que parecia com pouca de atender mais um cara que ficaria bêbado e provavelmente seria mais um para ele cuidar. Não o culpei porque essa era justamente a minha intensão.

A cerveja chegou e eu a tomei em poucos goles, pedindo outra logo em seguida. O líquido frio desceu como água em minha garganta porém me causou mais sede, me fazendo pedir mais uma.

Depois da quinta, meu reflexo já estava lento, assim como a visão afetada mas meus pensamentos em vez de afastar os pensamentos daquela mulher dos infernos, só se multiplicavam e nesse momento eu queria ser meu irmão para poder toca-la sem restrições.

Eu nunca havia sentido inveja de James, mas sempre há uma primeira vez pra tudo.

Como seria ver pela primeira vez Regina acordando ao meu lado? Como seria tocar no vale entre seus seios enquanto ela estava nua e senti-la estremecer ao toque? Como é toma-la em uma cama e fazê-la gritar sem medo de serem pegos?

A frustração me tomou e então fiz sinal para que o garçom me servisse outra bebida no mesmo momento que olhei fixamente para a porta de entrada, quase num devaneio que a dona da minha mente entrasse por aquela porta, entretanto meu campo de visão fora bloqueado por uma mulher, ainda que fosse bonita, não era quem eu esperava.

Pisquei, a olhando e prontamente a reconhecendo, ainda que as roupas não ajudassem muito. Seu cabelo castanho acobreado e o olhar curioso não me fazia ter dúvidas, era Aurora, vestida com uma vestido tomara que caia colado ao corpo. Porém ela não estava sozinha, um pouco atrás estava uma morena alta, com traços orientais, a mulher era magra e esbelta.

Franzi o cenho, principalmente quando percebi que caminhavam em direção à minha mesa, e quando chegaram, Aurora sentou-se sem nenhuma cerimônia na cadeira vazia.

"Olá" me cumprimentou com um sorriso, enquanto a sua acompanhante permanecia em pé ao seu lado, o que estava começando a me deixar irritado, a bebida tinha esse efeito em mim.

"Sente-se" fiz um sinal para que a moça se sentasse, antes mesmo de responder o cumprimento da médica "E olá Aurora"

Vi a morena se sentar ao lado da sua companhia, ao mesmo tempo que o garçom me trouxe a bebida que eu havia pedido.

"Essa é Mulan" apresentou a amiga, e eu levantei a sobrancelha "Uma grande amiga minha do hospital" lembrei de quando falou do ciúmes de seu noivo para com suas amigas, seria aquela médica alvo também ou era a única que escapava da fúria ciumenta de Philip e por isso estava ali com Masen "Uma excelente ortopedista"

"Olá" falei, analisando a mulher. Sua postura era firme, centrada e seu olhar poderia se dizer apaixonado e determinado. Ou estava bêbado demais? Se não, eu a entendia mais do que queria. Era terrível ter quem se queria, ali do lado.

"Oi" a morena falou, se ajeitando na cadeira, fitando-me. Depois de alguns segundos, me esticou a mão para um cumprimento.

Aceitei de bom grado, aceitando a mão delicada enquanto minha mão estava mole e pegajosa de suor. Após o rápido cumprimento, a mesa fica em silêncio mortal, até que Aurora balança a cabeça e começa a tagarelar.

"O que veio fazer aqui?" me perguntou, fazendo um gesto para que o garçom se aproximasse da mesa.

Fiz um gesto para a bebida, tentando mostrar o óbvio.

"Não se faz amizades assim, Nolan" me repreendeu de forma exagerada, arrancando um riso meu e da sua amiga.

"E você?" a questionei, entre um gole e outro da cerveja.

"O frango frito com bacon daqui é incrível, além da cerveja. E também vim apresentar pra Mulan o melhor lugar para se comer algo na madrugada"

"Com seu noivo, você não parece o tipo de garota que saí de madrugada" provoquei, rindo com o álcool nublando minha mente.

"E você não parece o tipo de cara que fode com a cunhada numa sala de hospital" retrucou, cutucando a ferida. Percebi que Mulan arqueou a sobrancelha com a informação recém adquirida.

"Essa doeu" consegui dizer, antes que o garçom chegasse a mesa para anotar o pedido da médica e por tabela anotasse mais uma cerveja para mim.

"Como estão as coisas?"

"Não quero falar sobre isso"

"Eu também não quero fazer cirurgias, não quero perder pacientes mas isso acontece" pontuou, colocando a mão no queixo, me encarando "E me parece que alguém morreu, pela sua cara"

Engoli a seco com a menção de morte, essa palavra sempre era o lembrete da perda, da dor que eu queria entorpecer com bebida.

"Eu estou acostumado com a morte" menti "O suficiente para dizer que o que tem entre eu e ela não é nada parecido com isso"

Aurora pareceu sentir minha agressividade com o assunto, mas forçou de novo.

"Então diga o que parece, um bêbado sempre quer alguém para conversar" ofereceu seus ouvidos e eu sabia que ela não pararia até eu soltar tudo que estava em minha garganta.

"Tudo bem" suspirei, frustrado. Preferia desabafar com alguém que não veria mais, entretanto não tinha mais essa opção.

"Nós transamos outra vez" comecei pela parte mais fácil, o físico "E agora eu não consigo mais tirar essa mulher da minha cabeça, e não é somente porque fodê-la é como estar no céu e sim porque ela está no meu sistema" falei quase rosnando, e recebendo um olhar compreensivo da ortopedista silenciosa "Não é amor, porém é um sentimento forte. Pode ser ódio, luxúria mas sinceramente? Não importa o nome, vai me levar à ruína total!"

"Você tem que acabar com isso" foi a única coisa que saiu dos lábios da cardiologista após todo meu desabafo.

"Eu sei, o problema é que eu não sei se consigo. Além do mais, não houve um final"

"Então, você tem que dar um fim nisso agora" afirmou, e então decidi ter Regina por uma última vez, até levar minha vida para a normalidade.

"Obrigada" agradeci pelo conselho, antes de buscar no bolso o dinheiro que cobria minhas despesas ali

"Espera, você não vai dirigir" me advertiu com um tom médico.

"Não vou" falei, andando cambaleante à minha última vez.

***

Liguei para James, com minha voz arrastada e um desculpa esfarrapada que felizmente deu certo. Menti, falando que Regina estava atrasada com um prazo e eu precisava de uma assinatura e um esboço. Ele comprou, ou mesmo sabendo da mentira pouco se importou, pois eu nunca fora uma ameaça para ele ainda que sua esposa no começo iria sair comigo.

Eu não era uma ameaça para ele, mas a mulher com quem ele dividia a cama e a vida, era uma ameaça para minha sanidade.

De acordo com meu irmão, ela estava treinando boxe em uma academia no centro. Lembrei de algumas vezes que ela me ameaçou, falando que um dia ainda me deixaria estirado no chão com um soco. Mal sabia que agora me deixara assim, ainda por outros métodos.

Peguei meu celular, disquei para a companhia de táxi que sempre me atendia, esperando que chegasse o mais rápido possível.

****

Regina

Eu estava socando com toda a força o saco de pancadas, que balançava conforme cada golpe que eu dava. Minhas mãos estavam cansadas, no entanto, era bom sentir todas as minhas articulações, o suor deixar meu corpo pelo simples fato de me desligar de tudo, de me fazer esquecer que estava puta comigo mesma.

Eu não podia mais pensar em David

Não é e nunca foi amor, é um tesão desmedido.

Movi minhas pernas, mordi o protetor, frustrada. A endorfina não estava me ajudando em nada, o suor que meu corpo liberava muito menos.

Eu odiava a fraqueza,

Fui fraca quando meu pai morreu, fui fraca deixando Daniel ir, fui fraca quando aceitei minha mãe em minha vida por diversas vezes mesmo quando ela me machucava.

David seria minha última fraqueza.

Dei mais alguns socos e tentei controlar minhas respiração. Era o básico mas naquele momento estava parecendo algo quase impossível.

De repente um barulho alto chamou minha atenção. A porta antiga abriu e eu franzi o cenho pois havia pago para não ser incomodada e ninguém vinha treinar tão tarde da noite.

Parei meus movimentos e olhei para a direção de onde vinha o barulho, até que meus olhos se ajustaram a nova luz que vinha da brecha da porta aberta, revelando a única coisa que poderia me derrubar naquele ringue.

Notas finais
Espero que gostem baes