Liberte-me
1 Onde paramos?
Notas iniciais
É incrivelmente absurda a habilidade de jovens conseguirem se matar cedo com tamanha facilidade, não seja apenas pelo risco que seus hormônios os fazem correr, mas o uso abusivo de álcool, drogas, sexo desprotegido. Eu não consigo mais contar nos dedos quantos “amigos” eu perdi por conta disso e quantos mesmo depois de quase morrerem continuarem frequentando os mesmos tipos de bares, casas, festas que nós.
Não tenho muita vontade de vir aqui, não que eu não me sinta confortável – não sou um puritano – mas é que na verdade eu tenho me sentido para baixo. Pode ser o fato dos meus melhores amigos não derem a mínima, era uma lei para eles, seja qual for o problema eles só sabiam dizer “Foda-se”. E o que não resolvia em nada. E o pior, eles não davam a mínima para mim, sempre se lembravam de me chamar para sair, mas só essas coisas banais, não recebi nenhuma ligação quando acordei me desejando feliz aniversário, não ganhei nem se quer um maldito abraço e agora estou aqui, sentado em um sofá infestado de mofo ao lado de uma menina que não faz a mínima ideia em que planetas estamos
- Você tem uma aura legal – murmurou ele para mim.
Eu me levantei em um pulo só, porque eu estava muito chapado e não queria passar vergonha sendo o cara que não consegue se levantar, eu consegui e na força que levantei quase toquei no teto, não adiantou de nada tentar não passar vergonha.
Atravessei o corredor lotado de pessoas se beijando – para não dizer que estão quase se tornando um só nas paredes – e tive meu braço queimado por pontas de maconha que eles seguravam os balançando no ar.
Eu estava em busca da Kate, que sempre fazia isso, ela não conseguia ficar um minuto comigo na festa que já estava dando a mão para um rapaz qualquer e seguindo seu rumo ao nada. E James que não podia ver um rabo de saia.
Passando pelos quartos que deveriam estar trancados, dado a circunstancias do que estava ocorrendo lá dentro, eu encontrei Kate no último, no colo de um rapaz sobre uma mesa de escritório. Andei de um lado para o outro tentando faze-la notar minha presença. Ela olhou para o meu lado e arregalou os olhos
- ERIC! – gritou pasma.
- O que foi? Até parece que nunca vi você fazendo se... – Eu pensei que nunca passaria por aquele momento em que se perde todo o ar e não consegue uma reação.
O rapaz na verdade não era um rapaz como eu imaginava, era Elly, a menina que eu ficava constantemente e estava prestes a pedi-la em namoro. Existe algo mais clichê do que seu amigo te trair com a pessoa que você gosta? O pior é que não fiquei com raiva da Elly, sempre soube que ela era uma vaca, mas não imaginava aquilo de Elly, pensei que tinha achado a única pessoa que não pensava só em drogas e sexo, erro meu.
Fiquei ali parado olhando as duas me encararem. Eu deveria ter saído correndo, como uma adolescente mimada faz nos filmes, mas não, uma coisa que aprendi foi: Não saia sem se vingar. Então dei dois passos para a frente, vi Kate arregalar mais os olhos e então soquei a cara de Elly. As duas gritaram e Kate riu em seguida, não vi a reação de Elly pois sai rápido.
Corri por toda festa tentando encontrar a saída e quando a encontrei Kate já estava lá olhando aos arredores, eu sempre achei ela muito bonita, branca, cabelos negros sempre bagunçados, olhos castanhos e cansados, lábios que mesmo que de forma natural sempre parecia estar clamando por um sorriso.
Ela se virou e pôs os olhos em mim, caminhou até onde eu estava e pressionou os lábios olhando para baixo. Eu tinha ouvido ela tentar esconder uma risada, mas ela se conteve bem e olhou seria para mim.
- Me desculpe Eric, eu não deveria ter feito aquilo.
- Você não deveria mesmo. Mas eu também não deveria ter feito muitas coisas, as coisas andam difíceis Kate, eu já não consigo mais levar tudo com uma palavra. Tudo tem ficado bem mais complicado – sentei no chão, pois minhas pernas já cambaleavam clamando por piedade. Kate me acompanhou e sentou ao meu lado.
- Eu sei o que diz, acho que uma multidão de desconhecidos e sexo em cinco minutos não me aliviam mais, mas o que vai aliviar? Maconha? Pó? Nenhuma droga vai me aliviar.
- Você não precisa de drogas, você tem a mim – eu a olhei nos olhos e mutuamente rimos.
- Certo. Eu comi sua namorada e você está desistindo de tudo? Pensei que fosse mais forte que isso. – Kate disse com uma voz misturada com risada.
- Você comeu minha namorada, pensei que tinha bom gosto, porque ela era um lixo. – novamente rimos, porque era verdade, e por isso achei que isso não iria acontecer, ela parecia ser incomível.
Eu e Kate ficamos ali sentados, rindo de nós mesmos. Sem álcool, drogas, somente sendo nós mesmos, porque nós somos amigos de verdades, e amigos de verdades não conseguem odiar um ao outro, por mais que Kate tivesse feito o que fosse, eu ia perdoa-la, isso me fazia um completo imbecil, mas era a pura verdade, eu e ela não precisamos de muita coisa, só de nós mesmos. Porque é assim que demonstramos nosso amor.
- Kate – ela me olhou – eu te amo.
- Eu te amo também, Eric – ela se debruçou para me abraçar.
- Se forem transar quero um ménage – a voz que vinha de trás de nós, e também um corpo que se jogava em nosso meio, era James, nossa meia lua nos dois pontinhos.
:)
Notas finais
*Perdão sapatas de plantão, ela só gosta de curtir de tudo ;D
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