Libertação (Cameron Briel)
37 O amor não é para todos
Notas iniciais

Estava sentando de maneira confortável em sua poltrona em um canto escuro do quarto com a cabeça jogada no encosto, os cachos escuros desalinhados, o olhar estreito fitando o teto enquanto mantinha entre os dedos um cigarro de menta, com sua mente remoendo aquele sonho.
Tinha se conectado a ela apenas para intensificar o sonho e permitir que fluísse por mais tempo, agora, estava tentando analisar o que viu. Aquilo definitivamente não poderia ser tido como sonho, havia uma clareza distinta. Também não achava que se tratava somente de uma lembrança, já que Lilly teria de ter vivenciado aquele momento para representa-lo, e aquilo estava muito próximo das projeções que ele criava, mas ainda assim diferente, ele poderia até jurar que em determinado momento eles realmente haviam estado lá.
Tragou o cigarro e soltou a fumaça lentamente, observando o movimento dela se desfazendo no ar. Tinha sido enviado para analisar os sonhos daquela garota, mas aqueles vislumbres o intrigavam e pior, o enciumavam, ele sentiu o amor que ela nutria pelo General ao ponto de compartilhar a dor dele.
Adam deixou o ar fugir de seus pulmões pelos lábios entreabertos. O amor sempre lhe causava esse desconforto, imaginava se o que via nos outros seria possível, talvez seu coração nunca fosse tocado e nesse caso, se contentaria com os prazeres que quatro paredes lhe proporcionava, afinal, o amor não era para todos e tinha certeza que não seria para ele.
Tinha sido orientado a investigar aquela garota e a distância que mantinha dela era o suficiente para alcançar seus sonhos sem ser encontrado, sabia que ela era a garota do General Cambriel, um dos mais próximos a Lúcifer, o que poderia ser perigoso, mas sua intenção era se aproximar, formar uma ligação com ela e depois ler seus sonhos. Tudo muito simples, exceto pelo fato de ter se sentido atraído por ela, talvez os olhos violetas em uma combinação perfeita com os seus longos cabelos negros, ou os lábios bem delineados ou teria sido o corpo bem feito, que o tinham feito invadir os sonhos dela no intuito de prová-la, mas aquela coisa estranha que sentiu quando ela implorou para que se afastasse o incomodou. Lilly devia se entregar aos seus desejos e deixa-lo, mesmo que em sonhos, toma-la, mas não, ela resistia.
“
Noite anterior ao retorno de Cam
A janela estava aberta e foi muito fácil entrar por ela, Raquel não estava e pelo que imaginava não voltaria. Roland não estava no perímetro naquele momento o que facilitou a invasão. Ele seguiu furtivamente dentro do quarto até alcançar a cadeira na mesa de estudo e a colocou próximo a cama se sentando. Lilly parecia ainda mais linda que nos sonhos tórridos que ministrava a ela, os cabelos espalhados pelo travesseiro, as pontas de seus dedos formigaram ao se lembrarem do toque na pele macia dela, seguiu com a mão até muito próximo, mas não se deixou tocá-la, “Que porra eu estou fazendo aqui? ”, sua mente inqueriu. Não precisava se aproximar tanto para espioná-la, a dias que fazia isso do conforto de seu quarto a muitas quadras dali, espiava e brincava com seus sonhos. O que o perturbava era o porquê, sentia falta do perfume de jasmim, que havia sentindo na primeira vez que invadiu aquele cômodo.
Era curioso a necessidade que sentiu em simplesmente vê-la, não sobre o efeito entorpecido dos seus sonhos, mas sim, naturalmente. Certamente isso seria o efeito do seu desejo contido, não tinha permissão de tocá-la, não de verdade. Pousou a mão sobre a face dela, tão levemente quanto possível vindo dele e fechou os olhos apertado “Que porra estava acontecendo com ele? ”, sua mente martelou o suficiente para fazê-lo se levantar e sair pela mesma janela que adentrou a minutos atrás, estava ali a trabalho e não iria se envolver.
(...)
A festa estava como ele diria “fodastica”, cheio de garotas sedentas por uma noite de sexo que ele não se recusaria a satisfazer, mas por algum motivo muito estranho, somente uma lhe atraia a atenção. A jovem exaltava suas formas dentro do vestido branco godê de renda forrado, que seguia até o meio de suas coxas e expunha suas pernas bem torneadas, o decote em V não muito profundo com um trançado de tiras tornando-o mais discreto e um pequeno par de asas brancas preso as costas e os cabelos negros caiam pelas laterais de seus ombros, presos e levemente ondulados. Ela parecia animada e ele se viu admirando o sorriso sincero que curvava seus lábios, então, notou quando o General se aproximou. Lilly não tinha percebido sua chegada, falaram alguma coisa que ele não ouviu mas percebeu a aproximação insinuante do outro junto a ela que se virou, fazendo alguma coisa estranha remoer dentro dele.
Quando Lilly se virou, Adam viu aquele reluzir em seus olhos, não parecia com o brilho que viu enquanto lhe dava prazer, era algo mais genuíno e puro e sentiu ciúmes por isso.
—Então o General voltou. – Adam girou a rosa vermelha entre os dedos. – Mas eu ainda a quero. – Proferiu para si. ”
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