Notas iniciais
Oi meus amores, espero que apreciem a leitura. Nos falamos lá embaixo. Fui!

As costas dela estavam de encontro ao seu peito, Cam mantinha os braços entorno dela de maneira acolhedora com o acomodado na curva do pescoço dela. Tinha sentindo tanto a falta do seu cheiro de jasmim, da pele suave contra seus dedos, de ouvi-la sussurrar que o amava enquanto ele se enterrava dentro dela, ou simplesmente, tê-la como agora, dormindo em seus braços. Havia se tornado algo familiar tê-la junto a si, não sabia por quanto tempo teria conseguido se manter distante pois sentia como se ela estivesse em seu organismo, tão presente e necessário como o próprio ar.

Cam afundou o nariz nos cabelos sedosos inalando o aroma gostoso de shampoo, imaginando se Lilly estaria realmente segura considerando que ela tinha fortes ligações com uma tríade complexa. Havia Lucinda “O amor roubado de Lúcifer”, Daniel “ O ladrão” e ele “O traidor”.

A conversa com Raquel o tinha intrigado o suficiente para pensar seriamente em questionar Lilly sobre seus sonhos, talvez o tal manipulador ainda não tenha encontrado o que Lúcifer deseja descobrir, e assim, ele estaria um passo à frente.

“ Enquanto transpunham o Anunciador, ele analisava a sua recente companhia. Estava intrigado com o fato daquela ex-demônio estabanada ter o encontrado, e pior, com o fato dela o ter o feito naquele estado. Ele conhecia a dor torturante que poderia ser comparada a ter as penas das asas arrancadas uma a uma, e se recordou de quando suas asas eram claras em um tom de branco brilhante feito diamantes que reluziam ao toque do sol e de como sofreu, quando fez sua escolha e elas se tornaram o dourado ouro de hoje.

Deixou seus olhos caírem novamente sobre a figura a alguns passos atrás. Raquel parecia exausta, mas ele não conseguia conter o riso ao se lembrar da ameaça dela “Vou te levar nem que seja arrastado”, até parece que ela conseguiria tal feito.

—Você me deixou curioso. Porque você foi até Shoreline atrás de mim? – Cam fingiu desinteresse, como se aquela conversa fosse somente para quebrar o silêncio.

—Bem. – Raquel pareceu estudar a melhor maneira de tocar no assunto. – Antes da festa do Roland, aquela em que a Lilly caiu na piscina, lembra?

—Hum.

—Você já a tinha visto antes daquele dia? – Questionou receosa.

—Não. Na verdade, estive dormindo por talvez uns 20 anos ou mais. – Disse ele pensativo. – O que isso tem a ver com o que te perguntei?

—Bem, naquela tarde, a Lilly estava dormindo quando cheguei ao nosso quarto, e antes que você pense que eu estava espiando o sonho dela, eu não estava. – Disse rapidamente e recebeu em resposta o olhar estreito dele.

—Contudo... – Cam fez um gesto com a mão para que ela prosseguisse.

Raquel o ultrapassou em passos largos parando a sua frente o fazendo parar com o movimento brusco. Ela fixou o olhar aos dele analiticamente por alguns minutos.

—Agora eu tenho certeza, era você. – Constatou voltado para o lugar de antes. – Ela sonhou com você naquela tarde.

Cam estancou no lugar com o cenho enrugado, como Lilly poderia ter sonhado com ele? Ele se lembrava da sensação estranha que o despertou naquele mesmo dia e o trouxe até ali, não tinha sido algo doloroso com a invocação de Lúcifer, mas incomodou o suficiente para guia-lo.

—O que você viu desse sonho? -Ainda tentava manter um tom de desinteresse sem muito sucesso.

—Muito pouco, foi apenas um vislumbre. Lembro de ter visto seus olhos, uma mulher ruiva muito bonita e acho que uma árvore, sei lá.

—Lilith. – Resmungou ele tão baixo que a outra não ouviu. Cam voltou a caminhar pelo escuro do Anunciador e desfez o véu cinza escuro que separava o interior escuro do seu destino.

—Pode ser irrelevante, mas Lúcifer me pediu. – Ela fez aspas com os dedos no ar – Que treinasse minhas habilidades de vislumbre nos sonhos dela, não aceitei, e bem. – Raquel tocou os ombros doloridos.- Deve ter alguma coisa nisso, pois ele convocou um manipulador muito hábil.

Eles surgiram na entrada lateral do Campus, algumas horas antes da festa de Halloween. Cam sentia sua mente fervendo com toda aquela história, provavelmente aquele tempo em Shoreline tinha servido para afastá-lo e deixar o caminho livre para alguma ação ardilosa, e se fosse esse o caso, Lúcifer já deveria ou estaria muito perto de descobrir seu interesse por Lilly. Ele apertou os punhos fechados, odiava ficar à mercê dos acontecimentos, principalmente os elaborados contra ele. “

Lilly sussurrou seu nome em tom sofrível o deixando alerta. Ela se encolheu e começou a soluçar baixinho enquanto lágrimas corriam por seu rosto. Ele a virou para si, mas ela parecia não conseguir acordar, e continuava sussurrando o nome dele baixinho entre os soluços “Não faça isso, não quebre o coração dele” sua voz era um verdadeiro lamento que o afligia, seja lá o que fosse a estava magoando.

— Li, por favor, acorda. – Disse na esperança de despertá-la.

—Eu vou sentir sua falta, não vá! – Ela sussurrou novamente. – CAM! – Gritou agitada, ele então a segurou firme para que não se ferisse enquanto se debatia, e logo percebeu que ela estava realmente acordando.

—Calma. Está tudo bem, foi só um sonho. – Disse no ouvido dela enquanto a enlaçava firme pelos ombros e logo a envolveu em seus braços.

—Desculpe. – Ela estava ofegante e parecia desgastada.

—Está tudo bem, eu estou aqui com você, amor. – Disse carinhoso aguardando até que ela retomasse o fôlego e enfim se acalmasse, Lilly se afastou e ficou de joelhos sobre a cama. – Foi um pesadelo? – Perguntou limpando o rosto úmido dela.

—Talvez – Ponderou. — Você estava com outra mulher. – Disse olhando para as próprias mãos, mas ele percebeu que os olhos dela marejaram. – E tinha também meu pai mais jovem, e vocês brigaram, não sei bem o porquê, mais então, vocês se deram as costas e. – Lilly parecia ponderar sobre o que diria a seguir. – Suas asas Cam, não estavam douradas como agora, eram tão brancas e pareciam brilhar a luz do sol, o estranho, era que meu pai também tinha asas. – Concluiu reduzindo o tom de voz revelando o estranhamento que sentia em se expor.

Cam parecia espantando e ao mesmo tempo impressionado, pelo que parecia, Lilly tinha visitado o passado dele sem o uso de um Anunciador, e muito da verdade tinha sido revelado mesmo que ela não tenha entendido. Ele suspirou pesadamente, não era sua intenção ter aquela conversa agora, mas talvez, esse fosse o melhor momento.

—Tenho algumas coisas para te contar, Li.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Beijos meus anjos e ate o próximo.