capitulo 4- Um encontro

Lucas no dia seguinte levantou-se mais cedo. Lavou-se, vestiu-se, pegou na sua bola preferida e saiu devagar. Foi á cozinha pôs alguma comida numa mochila e foi para o jardim.

Quando já estava na rua começou a correr em direcção á floresta. Correu. Correu. Correu. Até que se cansou. Ele sabia que já estava longe o suficiente para não o encontrarem. Pegou na bola e com força chutou-a. A primeira vez a bola acertara numa árvore e a segunda não acertara em nada. Ele viu a bola desaparecer por entre as árvores e foi atrás dela.

– Onde raio está a bola. – Disse quase sem folgo. Assentou-se no chão para tentar respirar um pouco de ar e quando ia a fechar os olhos alguma coisa o atingiu.

– Mas que raio. – Olhou para o lado e viu a bola. A sua bola. A bola que ele tinha ganhado no campeonato de futebol- americano quando ele tinha apenas 8 anos.

– Como vieste aqui parar?- Perguntou pegando na bola. Olhou para a sua frente. A bola não poderia ter ido ter com ele sozinho. Alguém a mandara.

Como medo de que fosse o seu pai voltou pelo caminho que tinha vindo. Assim que chegou a entrada de sua casa viu o seu pai falando com um monte de pessoas.

– Lucas? Dá-me só um minuto.

– Estou feito, estou feito, estou feito. — Murmurou para consigo.

– Bom adeus a todos. Espero ter noticias rapidamente. – General Galles despediu-se de todos.

– Não se preocupe General, daqui a poucos meses todo estará acabado.

– Assim espero.

Quando todos se foram o General chamou-o.

– Lucas, podes-me dizer o que fazes acordado a esta hora?

– Como se tu já não soubesses.

– Não. Por acaso não sei.

– Ouve eu posso explicar…. O quê?

– Não sei o que fazes aqui a esta hora. Podes-me explicar?

– Hmm… Sim, claro. Completamente. Eu estava a treinar. O que mais poderia ser.

– A treinar? — Lucas pensava que o pai não acreditara. — Muito bem. Finalmente estás a perceber.

– Sim absolutamente. – Disse aliviado

– Agora vai comer. O teu treino ainda não acabou.

– Hmm… Sim… eu vou já. – Com isto correu para dentro de casa. Ele tinha-se safado desta.

Depois de comer o sargento Borges apareceu.

O treino durou horas, mas para Lucas durou anos.

– Vamos lá rapaz. Apenas corremos uns 10 Km.

– Não sinto os meus pés.

– O teu pai disse-me que és o melhor no atletismo. Não me parece nada.

– Eu sou o melhor! – Disse com raiva

– Se em 10 Km tu já estás de rastos. Ou os teus adversários são muito fracos ou enganas muito bem o teu pai-. Com isto foi se embora.

– Idiota! – Lucas é o melhor aluno do seu colégio e o mais popular não só por o seu pai ser General mas também porque é o melhor no desporto. Contudo ele hoje tinha corrido 10Km sem contar nos outros 20 Km.

Subiu as escadas com dificuldade, nunca sentira tanta dor.

Quando entrou no seu quarto deitou-se na cama. Ia praticamente a fechar os olhos quando se lembrou numa coisa.

– Se não foi o meu pai ou um dos seus capangas que me mandou a bola… então quem foi. – Por um segundo ignorou as dores e dirigiu-se á janela.

– Amanhã verificarei isso.

Mirabelle ------------------------------------------

– Ei Ogień. Vamos dar uma volta? – Mirabelle escovou-lhe o pêlo e por fim pôs-lhe a cela.

– Ei Belle! – Michal apareceu atras dela.

– Olá! Então, vieste ver Szybko.

– Sim. E tu? Vais fazer o teu passeio matinal?

– Claro que sim.

– Posso ir contigo?

– Desculpa, mas eu hoje queria ficar sozinha. Bem, só eu e Ogień. Importastes?

– Não. Eu percebo.

– Pode ficar para amanhã.

– Claro. Será um prazer.

– É melhor ir andando se quero chegar a tempo do almoço.

Mirabelle levou Ogień até á frente do estábulo e montou-o

– Bom passeio para os dois.

– Obrigada! Pożegnanie.

– Pożegnanie.

Galoparam durante minutos até chegarem ao prado onde sempre iam. Era um prado enorme cercado pela floresta. Havia no final da rapina uma pequena lagoa com uma água tão azul quanto os olhos dos seus irmãos.

Ogień ficou a beber da lagoa enquanto que Mirabelle assentou-se na relva esverdeada.

Pegou numa bolsa que havia trazido e tirou de lá de dentro um bloco de folhas. Desenhar e cantar eram as únicas coisas que a deixavam completa.

Enquanto desenhava alguma coisa a atingiu.

– Au! O que? – Olhou para o lado e viu uma bola.

– Tu outra vez. – Pegou na bola e mandou-a para o mesmo sitio de onde aparecera.

– Quem é o idiota que perde uma bola 2 vezes? E no mesmo sitio!

Foi até a Ogień, que agora estava satisfeito e acariciou-lhe a crina.

– Ei rapaz. Já acabaste por hoje. – Ogień virou os olhos de Mirabelle e olhou para o horizonte.

– O que se passa rapaz? O que estás tu a ver? – Mirabelle acompanhou o seu olhar e viu um cavalo preto.

– Vejam só quem está aqui! Anda cá miúda! – Chamou Mirabelle.

Quando o cavalo já estava suficientemente perto Mirabelle pegou numas das cenouras de Ogień e deu-lha.

– Cień. Vieste ver Ogień. – O cavalo preto acentiu com a cabeça como se percebesse o Mirabelle dizia.

Estava tudo silencio ate Ogień relinchar.

– O que? – Quando Mirabelle se virou viu um rapaz atrás dela.

– Kim jesteś? – Perguntou-lhe.

– O quê? Ouve não percebi nada do que disseste! – Disse Lucas aproximando-se. – Foste tu que me mandas-te a bola?

Mirabelle assentiu com a cabeça concordando.

– Tu percebes o que eu digo?

– Claro que percebo, quem pensas que eu sou?

– Desculpa. Não te queria ofender. Mas ao bocado falas-te numa língua muito esquisita.

– Pois. É que eu pensei que eras Polaco.

– Polaco?

– Sim… Polaco. Sabes pessoas que vivem na Polónia.

– Eu sei! Mas nós estamos longe da Polónia.

– Eu sei.

Olharam-se por uns minutos em silêncio até que Lucas falou:

– São uns belos cavalos. São teus?

– Só o Ogień – Disse acariciando o focinho do cavalo branco. — Esta é Cień é uma amiga nossa. Vem todos os dias ver-nos. Ela não se dá com a multidão. – Acrescentou por fim acariciando também o cavalo preto.

– Ouve. Não me interpretes mal mas os nomes deles : Ogie e Cen, são um bocado estranhos.

– Isso por que tu estas a pronunciar mal. É Ogień e Cień.

– Ohh! Ogień e Cień.

– Correto. Ogień quer dizer “Fogo” e Cień quer dizer “Sombra”.

– Faz sentido.

Mirabelle ao vê-lo confuso sorriu. Lucas acompanhou-a.

– Lucas!

– O quê? – Perguntou confusa.

– Meu nome. É Lucas. – Esclareceu.

– Hmm. Certo.

Minutos se passaram.

– E então?- Perguntou um Lucas impaciente.

– Então, o quê?

Ele levantou as sobrancelhas.

– Qual é o teu nome?

– Porque te interessa meu nome? – Perguntou despreocupada.

– Bom… Preciso chamar-te alguma coisa.

– Não precisas de nomes para chamares alguém.

– Sim, mas… — Ele parou para pensar -... sempre seria mais fácil.

– Não vejo como.

Lucas suspirou frustrado.

– Podes-me dizer ou não?

– Niecierpliwy Kid – Resmungou Mirabelle.

– O quê? – Perguntou confuso.

Mirabelle riu.

– Nada.

– Eu agradeceria que falasses comigo numa língua que eu percebesse. – Disse Lucas tentando disfarçar um sorriso.

– Mirabelle!

– Mirabelle?

– O meu nome. É Mirabelle.

– Eu gosto. É …

– Esquisito!- Acabou Belle.

– Não! Diferente!

Ambos tinham um sorriso no rosto quando se olharam, e ninguém, em nenhuma parte do mundo, se apercebeu do que a partir de simples sorriso nasceria.