capitulo 5- Diferente mais especial

Sentaram-se na relva a conversar durante horas, nenhum tinha visto o tempo passar.

– Deixa me ver se entendi. Tu estás aqui, por causa do trabalho do teu pai. Pai esse que não te deixa fazer o que queres, ou seja jogar futebol-americano.

– Exactamente.

– Porque não fazes o que queres?

– Porque enquanto não fizer 18 anos sou menor de idade e se sou menor de idade sem autorização soa meus pais não vou a lado nenhum. Minha mãe dar-me ia autorização, mas o meu pai…

– Nunca percebi isso das idades.

– É fácil. Enquanto não fizeres os 18 anos não és totalmente adulta.

– Essa parte eu sei. Não percebo é porque não podes seguir os teus sonhos antes disso. Não é justo.

– Não podemos fazer nada. Tu deves saber isso tens o quê? 17 Como eu.

– Não!

– 16! — Tentou

– Tenho 15. Só faço 16 daqui a alguns meses.

– Serio? Pareces mais velha.

– Sim, bom. Mas voltando ao assunto. Aqui é diferente.

– Como diferente?

– Os meus pais deixam fazer aquilo que eu quero. Não tanto como aos meus irmãos por que são mais velhos mas… tirando isso temos os mesmos direitos. Minha mãe sempre nos diz o seguinte “Seguinde siempre tus sueños! No importa dónde te llevará. Dado que es posible ser feliz.”

– Espanhol?

Belle concordou com a cabeça.

– E o que quer dizer?

– “ Seguinde sempre os vossos sonhos! Não importa aonde eles vos vão levar. Desde que sejais felizes!”

– Não me importava que me pai pensasse assim. – Sussurrou Lucas

– Nunca te rendas.

Lucas olhou-a nos olhos e sorriu-lhe.

– Não tenho intenções de o fazer.

– Ainda bem.

– Mas paremos de falar na minha vida. – Disse deitando-se – Conta-me a tua. A única coisa que sei de ti, é que estas longe de casa e sabes chutar muito bem.

Ambos riram.

– O que esperavas? Tenho 3 irmãos e todos são loucos por futebol.

– Certo, certo.

Belle deitou-se também na relva.

– Agora explica-me. O que fazes tão longe de casa?

– Eu não estou longe de casa. Eu cresci aqui. Nunca estive na Polónia. Aqui é a minha casa.

– Sim, mas eu pensei que eras da Polónia.

– Meu pai é. Viveu lá toda a sua vida. Mas minha mãe é de Espanha. E eu e os meus irmãos, todos nascemos aqui. Excepto Jedrek, ele ainda nascem na Polónia antes de virmos para aqui.

– És só tu e a tua família aqui ou á mais?

– Somos mais. Muito mais. Pelo que me pai me contou os Polacos estavam sendo atacados e … — Belle hesitou um pouco e depois continuou.

– Exterminados. A única maneira que os meus pais tiveram e todos os outros de sobreviver foi fugir. Depois encontraram este pequeno espaço e começaram a construir uma nova vida. Começaram a … reconstruir tudo o que perderam, tudo o que levou anos a construir arruinado… — Lucas podia jurar que Belle chorava enquanto se tentava lembrar da história. Devia ser difícil de imaginar os da sua espécie a ser destruídos.

Belle continuou.

– Levou anos mas eles conseguiram. Todo voltou á normalidade. E cada vez era-mos mais, agora são uma comunidade, uma comunidade sem mortes ou ate mesmo dinheiro. Sempre que alguém precisa de ajuda, está sempre outra pronta a ajudar, somo felizes assim.

Agora os olhos cinzentos dela brilhavam, ainda haviam lágrimas mas mesmo assim, havia muita esperança no seu olhar.

– Por isso é que eu estou a dizer – Disse alevantando-se e olhando para Lucas. – Se eles conseguiram criar uma nova vida, uma nova casa para todos nós, se eles conseguiram enfrentar os seus medos para salvarem aqueles que amam. Tu também serás capaz de enfrentar o teu pai… e seguir os teus sonhos.

Lucas admirou cada palavra que ela dizia, sabia que ela tinha razão. Ela era diferente. A vida dela era diferente. Mas nada a impedia de ser especial. Apenas pelas palavras dela, qualquer um via que ela era especial, que ela era diferente…