Capitulo 3-Mundos paralelos

Durante a viagem toda mais ninguém falou, nem mesmo quando apanharam o avião e por fim chegarão ao destino desejado, pelo menos por alguns.

– Lucas, Lucas…Lucas, acorde. – Chamou Irina.

– O que foi? – Resmungou Lucas esfregando os olhos e tirando os fones dos ouvidos.

– Chegámos. Olha, olha!

Endireitou-se no seu lugar e olhou pela janela. Apenas se viam árvores e mais árvores e ainda mais árvores.

– Então o achas?

– Parece um cenário do conto de fadas que representei no infantário.

– Sim, é maravilhoso não é?

– Sim…É… diferente.

Pararam em frente de uma enorme casa com um muro á volta, um muro que rodeada a casa totalmente.

– General Galles. Que bom voltar a vê-lo. – Disse um homem com um uniforme, o uniforme que apenas os do exército usavam. Apenas ao vê-lo Lucas ficou mal-humorado.

– Sargento Borges, como vai?

– Bem obrigada. Espero que tenham tido uma boa viagem.

– Muito boa obrigada – Disse Irina indo para o lado de Jack.

– Então é este o famoso Lucas. – Disse estendendo a mão a Lucas.

– Devo ser – Ignorando a mão – E você é o Sargento que me vai ensinar, estou certo?

– Certíssimo. E espero que de seu melhor.

– Não se preocupe. Vou-me esforçar ao máximo. Palavra de escuteiro.

Ao dizer isto pegou nas malas e dirigiu-se para dentro de casa.

A casa era tão grande por dentro como parecia por fora, se bem que em melhor estado. Lucas encontrava-se numa pequena sala que dava acesso a várias divisões da casa e á sua frente havia uma escadaria que rodeava a sala.

– Lucas? Que conversa foi aquela! Tu nunca foste escuteiro. Eu tentei que fosses mas tu nunca me ligaste. – Irina apareceu atrás dele.

– Sim, e nunca vou ser. Não tenho intenções de me esforçar em nada este verão. A não ser que vamos embora agora mesmo, fazia tudo 100 vezes mais depressa.

– Lucas…

– O que foi? – E ao dizer isto subiu a escadaria e foi á procura do seu quarto.

Depois de muito procurar, encontrou-o. Era maior que o seu quarto em casa, mas não parecia tão confortável sem o seu computador ou a consola de jogos. Deitou as malas no chão e deixou-se cair na grande cama com uma colcha azul que condizia com o Índigo das parentes. Ia fechando os olhos de cansaço mas algo o impediu.

Á sua frente havia uma enorme janela que deixava entrar muita luz no quarto. Levantou-se com intenções de fechar as cortinas mas ao ver a paisagem apenas ficou a olhar, toda aquela imagem verde.

– Já sei onde ir amanhã! – Falou para o ar.

Mirabelle ---------------------------------------------

– Mirabelle! MIRABELLE!

– Ya voy mamá! – Disse Mirabelle ponde de lado a ração de Ogień. – He venido. – Saiu do celeiro a correr direito á lagoa.

– Por fin mi amor. Se cansóde míte llama.

– Lo siento mamá.

– No se preocupe. ¿Dónde estás con ese caballo, todo olvidado.

Mirabelle apenas sorriu.

–Bueno. Ayúdame aquí. – Disse entregando-lhe um monte de roupa. — Lléveloa casa, por favor.

– Esta bien. – Mirabelle correu até á pequena cabana, abriu a porta e dirigiu-se ao andar de cima. Poisou a roupa em cima da cama de seus pais e voltou para baixo.

– Estou-te dizendo, acredita em mim. Eu estava lá como quem não quer nada, encostado ao muro aproveitando os raios do sol e de repente… Aleska veio até mim e pediu-me para ir com ela ao Księżyc z pożegnanie. Ela praticamente se ajoelhou ao meus pés até eu dizer que sim… Ela até começou a chorar, devias ter visto – Zarek estava a entrar na cabana com Michal atrás dele.

– Acho que não é assim que ela se lembra – Disse Mirabelle descendo as escadas.

– É a verdade – Zarek era o segundo irmão mais velho de Mirabelle.

– Anda lá Zar, quem é que acredita que Aleska te convidou para sair. – Mirabelle nem tinha notado que Jedrek estava deitado no sofá admirando a habilidade de Zarek de contar historias.

Mirabelle ao vê-lo foi até ele e sentou-se a seu lado.

– Provavelmente quem se ajoelhou a chorar até que ela fosse ao baile, foi ele. – Disse Mirabelle ao ouvido do irmão mais velho a rir.

– Certamente. – Concordou acompanhando o seu riso.

– Ide gozar com outro. É verdade. Michal acredita em mim, não acreditas?

– Zarek, és meu amigo desde sempre, considero-te com um irmão, mas…

– Mas?

– Ouve essa história, não bate certo. Quer dizer. Aleska? A rapariga mais superficial do mundo, a pedir-te que saias com ela e a chorar ainda, por cima. Não bate certo! – Enquanto Michal falava, Mirabelle e Jedrek continuavam a rir.

– Está bem! Talvez ela não tenha chorado… Nem se ajoelhado… Ou muito menos me pediu para ir com ela… mas, eu vou com ela ao Festival, isso é garantido.

– Essa parte eu acho que é verdade – Advertiu Mirabelle.

Ela não achava o seu irmão a figura da beleza, ela nem não conseguia compará-lo com Jedrek ou Michal, tendo em conta que ele era mais baixo que eles, mas mesmo assim ele sobressaia com o seu cabelo loiro e olhos azuis.

– E é! Ela deu muita luta, mas por fim… consegui que ela saísse comigo. – Agora todos os quatro se riam.

Zarek não era o típico rapaz que muitos pais queriam para casar com as suas filhas mas Mirabelle acreditava que, casasse com quem casasse seria uma rapariga de muita sorte. Zarek levava tudo para a brincadeira, era impossível uma pessoa ficar seria ao lado dele.

– Bem, isto está muito bom mas eu preciso ir. – Mirabelle saiu do sofá e dirigiu-se á porta.

– Ei Belle, vais ver de Ogień? – Perguntou-lhe Michal.

– Sim.

– Então vou contigo, também tenho de ver de Szybko. Xau.

Ambos se despediram de Zarek e Jedrek e saíram.

– Mirabelle?

– Diz.

– Vais ao Księżyc z pożegnanie?

– Claro. Se eu não for a minha mãe mata-me. Ela está com a ideia de me inscrever no concurso śpiew aniołów

– Eu concordo com ela. – Mirabelle olhou para ele.- Tens uma voz incrível. Serias capaz até de vencer Aleska.

– Não sei. Não me sinto bem a cantar em frente de todos.

– Conheço-te desde sempre e nunca te importaste de cantar á minha frente ou da tua família.

– Está bem, mas é diferente… É a minha família, vivo com ela todos os dias. E tu… Bom, és meu amigo desde sempre. És como mais um irmão para mim.

– Só me vez como irmão?

– Michal? Eu? – De repente pararam

– Já percebi. Deixa para lá.

– Desculpa. – Disse tristemente.

– Belle, não tens que te desculpar. Não me importo de esperar.

– A sério?

– Sim. Quando se trata de ti, eu tenho todo o tempo do mundo. – Mirabelle deu-lhe um sorriso agradecido e continuaram a andar.