Capitulo 2- Promessas quebradas

– Foi a última vez, estás a ouvir? A última. – Uma vez mais Lucas encontrava-se sentando no sofá do escritório do pai. Era pelo menos a Sétima vez esta semana.

– Vá lá. Que diferença faz uns míseros dólares.

– Não é o dinheiro que me preocupa. És tu! – Disse assentando-se detrás da secretaria.

– Eu? Porquê? O que foi que fiz?

– O problema é o que tu não fizeste. O que tu não estás a fazer.

– Não estou a perceber nada.

– Com a tua idade eu já estava no exército…

– Não comeces de novo. – Lucas alevantou-se furioso do sofá e pôs-se á frente da secretaria.- Eu já disse. Eu não quero ser como tu. Quero muito mais do que ser um simples General, bem visto por todos. Eu também tenho os meus sonhos.

– Que sonhos? Estás a falar da tua pequena fantasia de jogar futebol- americano? Lucas, isso não te vai levar a lado nenhum, entende isso de uma vez por todas.

– Não é uma simples fantasia. É aquilo que eu quero para mim. Aquilo que eu gosto de fazer. – Lucas acalmara-se, mas mesmo assim, ainda havia raiva nos olhos dele. – Por que é que não entendes tu?

– Lucas. Meu filho, escuta-me por um minuto. És o meu único filho. Tu serás o único herdeiro de tudo o que eu possuo. Apenas tu podes continuar a levar o nome da família mais além.

– E se eu não quiser!? – Disse no gozo.

– Vais querer. Quer queiras quer não, tu vais para o exército!

– O que é que queres dizer com isso? – Disse suspirando.

– Quero dizer que durante este verão, durante o tempo em que estivermos fora, terás aulas. Mandarei vir um Sargento de propósito apenas para te ensinar.

– Que conversa é essa? Aonde é que vamos? Pensei que passaríamos aqui a férias. Que Sargento? – Lucas não estava a perceber nada de nada – Do que estás a falar.

– Os planos alteraram-se á última da hora. Vamos para Flensburg. O Sargento Borges encontrasse-a lá connosco.

– Flensburg? Onde é que fica isso afinal?

– Se prestasses atenção nas aulas saberias que fica na nossa fronteira com a Alemanha. Agora vai fazer as malas! Vamos partir em breve.

– Estupidez. Podes-me obrigar a ter essas malditas aulas, mas eu juro… eu juro que não me vou esforçar um único minuto que seja- Dizendo isso abriu a porta e fechou-a com força, fazendo estremecer os quartos pendurados na parede.

Minutos depois Irene, mãe de Lucas, bateu á porta preocupada.

– Jack? O que aconteceu? O que disseste ao Lucas para ele ficar assim?

– Disse-lhe a verdade.

– Que verdade é essa?

– Quem ele vai para o exercito quer queira que não.

– Jack, já falamos sobre isso, ele não quer deixa-o seguir os sonhos dele.

– Irene, não é assim tão simples. Ele tem de ter disciplina. Eu pensei em dar-lhe um tempo para ele pensar mas não dá. Assim que chegarmos a Flensburg ele vai ter as aulas.

– Do que estás a falar?

– É verdade, ainda não falei contigo. Amanhã vamos partir para Flensburg.

Na manhã seguinte Lucas acordou ainda com menos vontade do que o costume. Irene teve de o chamar pela terceira vez:

– Lucas! Anda lá. Quanto mais depressa formos mais depressa vimos.

– Se isso fosse verdade, já me tinha levantado á 3 horas atrás.

– Lucas, sei que não gostas da ideia, mas pelo menos vê o lado positivo da situação.

– Á sim! E qual é ele, não me dizes.

– Lucas… — Disse Irene com um sorriso abalado. Ele não gostava quando a mãe se punha assim, por isso mudava logo de assunto.

– Então! Como é que é aquilo lá?

– Pelo que o teu pai me disse, é bem diferente daqui. Lá não há Prédios, carros… bem na verdade a casa na qual vamos ficar é a única em Quilómetros.

– Vendo bem. Não há lá nada.

– Há lá árvores.

– Aqui também há árvores.

– Sim, é verdade. Mas as árvores de lá são incomparáveis. – Irene falava com se fosse algo mais do que árvore como se fosse vida.

– Mãe, árvores, são apenas árvores.

– Quando chegares lá verás. Não vai ser tão mau como pensas.

Irina beijou-lhe a testa e saiu do quarto.

Minutos Lucas alevantou-se sem pressa, passou-se por água e vestiu-se. Ele nunca se preocupava em se pentear pois usava sempre o cabelo despenteado, como objectivo de enfurecer o pai, e por outro lado, o seu cabelo negro parecia atrair Bree Tompson assim como todas as outras raparigas.

Pegou nas suas malas e desceu as escadas.

– Bom dia. – Disse-lhe o General mal ele desceu as escadas, mas Lucas não lhe ligou e seguiu para o jardim.

– Então! Onde vais? – Elliot apareceu no portão com a sua bicicleta nas mãos.

– A Flensburg!

– Onde? Pensei que ficavas cá no verão! E o festival?

– Sim, eu também pensava que ia cá ficar.

– Então, o que aconteceu?

– Foi o seguinte: Não se pode confiar nas palavras do meu pai.

– Sim. Mas tu já devias saber isso!

– Pois, mas não é tudo. Pôs na cabeça que vou ter aulas de um sargento qualquer.

– Bem… uma coisa tens de admitir! O teu pai vai finalmente ter o que ele quer.

– Não vai não! – Disse mandando as malas para o porta-bagagens e fechando-o.

– O que queres dizer com isso?

– Logo verás. – Disse com um sorriso na cara.

– É melhor irmos andando. – General apareceu por detrás de Lucas – Elliot, por cá?

– É verdade tio. Vim ver se o Lucas queria ir dar uma volta comigo mas, parece-me que não vai ser possível.

– Temos de estar em Flensburg por volta do 12:00. Mas podes ir visitar-nos sempre que quiseres. Lá há vários espaços para andareis de bicicleta.

– Tenho a certeza que sim! – Disse Lucas com sarcasmo.

– Será um prazer tio. Xau, Luc. Manda notícias.

– Podes deixar. Vê lá se enquanto estiver fora aproveitas para enganar alguma. – Disse rindo.

– Até parece que elas se esquecem de ti.

– Xau. Vê se aproveitas para enganar a Bree.- Fechou a porta do carro apressa para que Elliot não tivesse hipótese de se defender.

– Quem devia “enganar” a Senhorita Tompson era você. – Disse o General, saindo com o carro do portão.

– Jack, não comeces! – Avisou Irina.

Esta iria ser uma longe viagem.