Nos trocamos o número de telefone um do outro e marcamos de sair na sexta à noite. Naquele dia conversamos grande parte da noite no telefone. É não foi mensagem, mas sim ouvir a voz um do outro. Ele tinha um cachorro que se chamava Jimi, em homenagem ao guitarrista Jimi Hendrix, obviamente ele gostava bastante de rock, mesmo assim ele me contou que quando era pequeno o pai dele levava ele para um clube de motociclisas e lá tocava muito rock, principalmente The Jimi Hendrix Experience, Sex Pistols e Queen e particularmente por causa dessas idas ao motoclub ele acabou se apixonando por essas bandas, o que eu achei um máximo já que eu gostava bastante de Queen e Sex Pistols, principalmente porque eu era ruiva. Tinha um irmão mais novo de cinco anos e uma irmã mais velha um ano que estudava na nossa escola. Seus pais eram casados, sua mãe administrava um karaokê e seu pai era professor de matemática em cursinho, nas horas vagas era babá do Anthony, seu irmãozinho, e do Jimi. Ele ajudava no karaokê durante a semana e ás veze a mãe dele deixava ele dar uma social no karaokê, fazia muito sucesso, sei disso porque já ouvi falar de várias pessoas diferentes. A festa da qual ele me chamou pra ir ao sábado era o aniversário do Gabriel, que era o cara mais comportado do grupo de amigos dele que em questão disso as garotas ficam assediando ele que apenas finge que não as vê.
Falei pra ele que os meus pais eram separados. Meu pai era um advogado de um grande escritório de advogados em Uberlâdia e minha mãe era uma ex-dançarina profissional de balé até os vinte e quatro anos até que ela machucou o joelho e nunca mais pode dançar como antes, assim desistindo de sua carreira como bailarina. Recentemente se casou novamente e nos mudamos pra Brasília onde ela montou uma academia, dando aula de balé e yoga. Meu irmão mais velho está no primeiro ano do curso de engenharia mecânica na UFU. Ele continua morando com o meu pai e eu com a minha mãe. Eu tenho um novo meio-irmão que também é um ano mais velho do que eu só que ele estuda em um colégio de ricos. Meu padrasto e a mãe dele possuem guarda compartilhada, ele passa trÊs ou quatro dias na minha caso e os outros dias na casa da mãe dele, não conversei muito com ele então não pude falar exatamente como é a personalidade dele, só sei que é anti-social com a família, igualmente a mim. Minha nova casa tem piscina e eu ainda não usei ela. Eu já tive muitos peixes Betas e ele nunca duravam mais de uma semana.
– O que você mais gosta de fazer, quando não tem nada pra fazer? Nenhuma obrigação, eu quis dizer.
– Organizar meus livros enquanto como besteiras e danço músicas dos backstreet boys, ou ler algumas besteiras bem besteirol na internet.
– Achei que fosse dizer desenhar. E por quê backstreet boys? — Riu debochando, o que me deixou vermelha de vergonha de compartilhar uma coisa que poderia ser usado contra mim, mas qual é dançae está no sangue.
– Minha mãe era viciada nelas antigamente, meio que herdei seu vício — expliquei — E desenhar é mais como, fazer três refeições ao dia ou dormir, então não conta.
– Desenhar é seu vício!
–Talvez. Aagora você me fez me sentir uma drogada sem causa.
–Mas como você disse é como comer. Pensando nisso meu estômago acabou de roncar. -ri, ele disse seriamente. -O que você normalmente desenha?
–Coisas que me inspirem.
–Por exemplo...? Um algodão preto com dentes de vampiro e manchas vermelhas de esmalte nas presas de pedaços de unhas parecendo o sangue de alguma mão ou pé de algum pobre humano. — Não resisti e caí na gargalhada com essa coisa sem noção e sem nexo algum da qual ele disse.
– Acho que estão mais para criaturas desconhecidas, — disse recuperando o fôlego — mas não tão desconhecidas com asas em suas costas. Asas que atraem borboletas e mariposas e roubando o brilho das lâmpadas fosforescentes.
–Então que tal me mostrar eles um dia.
–Um dia.
– Promete?
– Essa coisa de promessa é um tanto infantil, não?
– Anda! Promete. Se não quiser também apenas aguarde. Eu vou ver eles de qualquer forma.
– Como pode ter tanta certeza?
Antes que ele pudesse me responder minha mãe grita dizendo pra desligar o telefone e ir dormir, olho pro relógio e já passam da meia noite. Fiquei apreensiva por um par de segundos. Normalmente minha mãe tiraria o meu telefone, já que ela é um tanto rígida em relação a regras. Culpo o balé quanto a isso. Penso então em me despedir o mais rápido possível.
–Bem, essa é a minha deixa.
– É, esperava poder conversar mais com você.
– Mas ainda tem amanhã.
– Ainda bem que ainda tem amanhã. — Pude ouvir seu riso do fone.
– Então... Até amanhã.
– Até amanhã. E respondendo a sua pergunta, eu posso ver o futuro. — ri
–Tchau... — ri mais um pouco até adormecer após colocar o telefone no gancho.
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