Liberdade
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma noite de lua cheia, com só o calor da fogueira a esquentando, Amice reviveu as memórias de sua infância, momento por momento, vindo como desenhos em sua mente. Tudo dentro daquela floresta, com árvores altas. Pinheiros. Sua mãe a ensinará a andar por aquela floresta. E ela assim, ensinará sua amiga Gionne. Memórias fortes vinham da última vez que virá Gionne, eram lágrimas e soluços. Mas fazia tempo que ela se fora. Como uma brisa fria no meio do verão. Que não importa o tempo que passou, sempre sentiremos falta.
Bateu na sua cabeça, tinha coisas mais importantes para tratar.
Ouviu um barulho de galhos se quebrando no chão. De imediato, pegou sua adaga e olhou para quem vinha. Respirou fundo.
– Sabe a senha?
– Claro que eu sei a senha! – Uma voz rouca gritou. Indo em direção a ela estava Grover, seu marido. – E ainda mais perguntar isso a um estranho, poderia ser: se afasta e diga quem é! Ou, tem um lobo atrás de você. Qualquer coisa seria mais útil.
– Você tinha demorado. Já ia te deixar e seguir meu caminho. — Ele tinha ido pegar alguns galhos e também revistar o lugar. Ela sabia como diferenciar as árvores e os arbustos altos, mas tudo o que se assemelhava a florestas normais eram diferentes aqui, galhos e folhas eram de uma cor cinza, algo sobre a neve, seiva e fumaça que cai em tudo em volta.
Só agora depois de anos, Grover começava a ser maior que Amice.
– Você ficaria anos me esperando. – Chegou mais perto e tocou sua bochecha, apertando-a.
Quando ele fazia aquilo lembrava sua mãe, mas nunca disse a ele.
– Temos menos de uma semana para sairmos daqui. – Dizia, já pensando em o que precisavam fazer depois disso.
– E após isso, será que poderemos descansar? – Deprimido, sentou a seu lado e aproximou suas mãos no fogo.
– Somos fugitivos.
– Senhora óbvio. O duque não nos deixará escapar até seu último suspiro, há capital...
– O rei, você quer dizer.
– Sim, não nos deixará fugir, e nossos rostos são bem conhecidos. Mas mesmo assim. Quero uma família. Quero casar com você no papel. – Dizendo aquilo com espaços quase intermináveis para ele.
Os dois olharam para baixo, Grover, por nunca ter aceitado que queria isso. E Amice, pois não aceitava estar presa a alguém. Foi devido a um roubo de seu grupo que apareceu Grover, um garotinho muito pequeno em relação a ela. Tinham fugido juntos, depois que seus companheiros foram capturados. E até ano passado não tinha aceitado que eram mesmo um casal.
– Quando chegarmos a sua terra natal. Vamos encontrar uma casinha. – Com um sorriso forçado olhou para ele. Mentir não era sua especialidade.
Murmurou algo, que ela não conseguiu entender. Se deitou a seu lado, olhando para as estrelas.
– Aqui é sua terra natal, estou certo? Quando eu cheguei no grupo você estava lá a alguns meses. A quanto tempo não volta para sua mãe?
– Cinco anos e 3 meses.
– Por quê?
Enlaça um dos seus fios de ouro em seu dedo e fala olhando para sua mão.
– Porque ela queria que eu me casasse.
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