Notas iniciais
Temo, que não entenderam muito. Mas como todo livro. Só entenderemos tudo no final.

A jovem de cabelos de ouro tinha certeza que era hora de contar a ele sua história. Pois ele já tinha contado a dele, e aceitado seu inevitável silêncio por anos.

Olhou para seu rosto, o rapaz não era belo, mas seu sorriso superava todas suas imperfeições, pensava ela, com o brilho da fogueira, fazendo seus cabelos da mesma cor que o fogo, ficarem loiros como os dela.

Começou a contar com rapidez.

– Nasci aqui, ao lado da Floresta de Heronden, também chamada de Floresta Cinza. Morava em uma casa dívida pela minha família e os Story, pois mesmo tendo títulos de nobres, nós fomos muito roubados desde então, e vendíamos principalmente nossos móveis para pagarmos dízimos. Era uma boa época. Já te contei da minha fuga de casa. Mas nunca te contei que a caçula dos Story era Gionne, sim, ela era de um reino mais afastado, nascerá lá, ganhava o nome de lá. Era uma garota como eu, nobre, mas que se comportava como uma camponesa. Brincávamos juntas, e éramos chamadas para sermos damas de companhia para muitas princesas. E príncipes, na verdade era Gionne que era convidada. Sua beleza comovia a todos. Mas ela tinha um problema que se chama Asma, ela tinha falta de ar. Como os velhos.

Sentada mexendo em seu vestido, que costurou com a cortina, que tinha roubado de uma casa perto das redondezas. Era branco, simples, com camada se saia marrom que havia conseguido comprar, ela conseguiu um novo vestido, para não ser muito notada.

Depois de um tempo continuou:

– Ela se casou, para conseguir dinheiro para sua família e principalmente sua doença, e foi embora. Com apenas 12 anos. E eu fui tão egoísta...- Começou a fungar, se sentia-se impotente.

Depois de tanto tempo, lutando contra homens maiores que ela, conseguiu fugir de guardas, prisões. Se escondendo em esgotos e casas sujas. Amice era respeitada por integrantes do mercado negro e muitas vezes por burgueses.

Mas naquele momento, ela se tornava uma garotinha, não estava chorando, só soluçando, com uma dor no peito.

Grover ouvindo a história atentamente, tinha esperado anos para saber mais sobre ela. Tinha passado meses sem ouvir mais que algumas palavras dela. Não sentia a sensação de vitória, aquilo o afligia, apenas queria protege-la do resto mundo.

Abraçou ela, com toda a vontade. Não se importou com os empurrões.

– Eu juro que não conto a ninguém. – Encostou sua testa na dela, fios de ouro com fios de bronze se entrelaçando.

Vendo seus olhos verdes e enormes a observando, recuperou a razão:

– Aprendi uma coisa com essa jornada. Não irei deixar que só pela minha pobreza eu tenha que fazer algo que não quero. – Tremulou um pouco o rosto. – Nós não vamos fazer o que o rei mandar. – Beijou seu lábios, um único beijo demorado.

Ele empurrou ela para o lado pegou sua espada jogou sua capa de paladino para tampar seu rosto.

– Vamos. – Apagou o resto do fogo que sobrará com sua bota e começou a andar.

Ela sorriu. Ele aprendeu direitinho, pensou Amice.

Com leveza levantou-se, pegou suas coisas nas mãos e começou a andar.

Tinham que encontrar um homem com o pseudônimo, Travesso. Ele daria abrigo, comida, transporte.

Mal esperava eles, que era um pouco mais que isso.

Notas finais
A cada capítulo alguém vai contar um história. Como narradora, quero contar mais sobre o futuro a partir desse capitulo. Mas não significa quem o passado não importa.