Leão do Inverno
19 Livro Um — Capítulo XVIII
Notas iniciais

ALEXANDRA
Alexandra Winter tremia de raiva e arfava. Andrea a segurava pelos ombros e pedia por calma. Se Alex ouviu? Obviamente não.
Ela marchava pesadamente, esbarrando em quem ousasse interromper seu caminho. O motivo tinha nome e sobrenome. Miguel Rodriguez.
Tudo começara no primeiro dia de aula.
Após a conversa com Anabelle, Alex decidiu seguir para suas aulas vespertinas, assim como Samantha, mas sua irmã estava alojada no departamento de música, do outro lado do castelo. Então, já que estava sozinha decidiu que passaria antes no banheiro para lavar o rosto.
Fora um pouco difícil encontrá-lo e assim conseguiu encheu as mãos com água e jogou em seu rosto, respirando fundo enquanto toda a conversa com sua ex-psicóloga passava por sua mente.
Ex-psicóloga, lembrava-se de ter rido de forma amarga ao pensar sobre o assunto, Quantas "Ex" tenho agora. Ex-melhor amiga, ex-namorada, ex-psicóloga...
— Samantha Winter! Eu rodei esse mausoléu inteiro atrás de você – Alexandra mal pudera ver quando um corpo chocou-se no seu.
A garota mulata tinha um cabelo cheio e encaracolado. Alex poderia ter ficado o dia todo encarando-a, mas percebera que devia estar com uma cara abobada, ouvindo a jovem tagarelar por oito minutos seguidos sobre o "trote".
—... E esse ano somos veteranas! Vai ser ótimo fazer os calouros sofrerem um pouquinho. Quero participar do Obedece ou Apanha – ela fizera uma pausa e arqueara as sobrancelhas. – Sam, por que está toda produzida no look rock and roll?
— A-Ah, desculpe não ter interrompido antes – Winter recordava-se vivamente do modo como suas bochechas coraram. – Não sou Samantha – e, vendo a confusão no rosto da outra, adiantara-se em explicar o mais rápido possível. – Alexandra Winter. A gêmea. Legal conhecê-la – colocara seu usual sorriso no rosto e estendera a mão para a garota em sua frente.
— Andrea Herrera. A amiga. Legal conhecê-la, também – Andrea tinha um sorriso adorável, e a amava contato físico, portanto puxara Alex sem cerimônias, depositando um beijo em sua bochecha rosada. – É muito bom conhecer a tão famosa Alex.
E Alexandra corara novamente.
— Então, Alex- Posso chamá-la assim? Está cursando o que? – Na ocasião Winter rira baixinho ao perceber que ela não esperou pela resposta para continuar falando. – Eu faço Belas Artes. Segundo ano. E se alguém perguntar se sou parente da Carolina Herrera, não hesite em dizer que sim, e que convidei você para passar um fim de semana com ela.
Mesmo agora Alex ainda não conseguia acompanhar todos os assuntos que Andrea podia começar em um único minuto.
— Entrei hoje no segundo ano de psicologia – ela respondera depois de ter ouvido sobre perfumes, roupas e Miami.
— Oh, droga. Será que isso é considerado calouro? Temos de descobrir!
Andrea puxara-a por quatro corredores, falando ininterruptamente, mas Winter despediu-se dela o mais rápido que fora capaz para conseguir chegar a sua sala.
As primeiras aulas passaram consideravelmente depressa naquele dia, e mesmo ela estando um tanto distante, sempre fora desperta por alguém vindo questioná-la o motivo da mudança de curso, confundindo-a com Samantha.
Quão popular ela pode ser?, lembrava-se de ter perguntado, e mais tarde, descobrira que a resposta era “muito, como sempre”.
Na saída para o intervalo, Andrea estava a esperando. Ela não era Olivia Gold, mas era bom ter alguém com quem caminhar.
Elas andaram pelos corredores até a cafeteria onde, segundo Herrera, Sam estaria, e numa mudança brusca de assunto, a mulata soltara, num tom malicioso que mesmo agora fazia o estômago de Alex girar:
— Olha ela ali com o Miguel. Ele é completamente louco por ela. Edward o odeia.
E pela primeira vez Alexandra sentira algo que não nojo pelo namorado da irmã. Naquele instante ela soube que também odiava Miguel.
Aproximaram-se sutilmente e a carranca de Alexandra só aumentou durante o trajeto pelo emaranhado de mesas. Andrea pigarreou chamando a atenção de ambos, que deram um pulo de susto.
— A-Alex e – a gêmea mais jovem fizera uma pausa constrangida e descera o olhar para os braços entrelaçados – Dre. Olá!
— Sou Miguel – o rapaz soltou Samantha, estendendo a mão para Alexandra com um sorriso tão largo quanto o de um doente mental. – Vocês realmente são idênticas!
— É o que se espera de gêmeas – ela falara e Andrea não contivera risinhos, largando seu braço para cumprimentar Sam. – Sou Alexandra.
Ela ignorara a mão que lhe fora estendida da forma mais esnobe que fora capaz e caminhou até Samantha, passando sua mão pela cintura da irmã, sorrindo traiçoeiramente.
Ali selara o tratado de guerra com Miguel.
As semanas se passaram e sempre que se encontravam, faíscas voavam de seus olhos. Para infelicidade de Alex, o Encosto estava sempre próximo a Sam. Com os braços sobre seus ombros ou sua cintura.
A Winter mais velha distribuía coices, puxava descaradamente a irmã dos braços do garoto e a envolvia em seus próprios. Dre jurava que um dia presenciara Alex mostrar a língua para ele. A imaturidade era tamanha que quase chegaram ao ponto de fazer cabo de guerra com Sammy.
Andrea divertia-se horrores presenciando as cenas.
Agora, no entanto, para o azar de Miguel, a situação não exigia infantilidade de Alexandra Winter, mas sim violência. E se seu desejo fosse saciado, sangue.
Estava escurecendo e o Jardim Comunal estava vazio, senão pelos estudantes corajosos que se atreviam a ficar do lado de fora, mesmo com a temperatura beirando a zero.
Sam lutava para se livrar daquele aperto incomodo, mas Miguel era mais forte.
O Encosto, como Alex o chamava, tinha cometido o terrível erro de grudar seus lábios nos dela.
— Alex, espere! – Herrera corria atrás dela e tentava puxá-la.
Ao ouvir o nome da irmã, Samantha arregalou os olhos e apelou para a última opção que lhe restava. Ergueu o joelho direito e desferiu um golpe entre as pernas do rapaz, que a soltou imediatamente e curvou-se levando as mãos ao local da dor, gemendo audivelmente.
— Alex, n-não é isso o que-
Mas o que quer que Samantha estivesse dizendo foi brutalmente interrompido pelo angustiante barulho do punho de Alex se chocando contra o nariz de Miguel.
Rodriguez estava agora caído no chão com uma mão entre as pernas e outra sobre o rosto.
— Argh, porra! – Ele grunhiu, tentado estancar o fluxo de sangue que jorrava por suas narinas. – Porra, porra, porra!
A gêmea mais velha sacodia o punho no ar e gemia de dor. Andrea e Samantha estavam estacadas no local, perplexas demais para fazer qualquer coisa.
As poucas pessoas que se encolhiam sob o frio de fevereiro assistiam a tudo, surpresas e amedrontadas. Duas garotas saíram apressadas, carregando os livros de forma atrapalhada, e um pequeno grupo de rapazes levantou-se, surpresos.
— Hija de pu- – Miguel se levantava, praguejando, quando o pé de Alexandra acertou-o, voltando a derrubá-lo.
— Ei, docinho, acalme-se! – Um dos garotos da rodinha aproximou-se, segurando-a longe do latino, que agora era amparado por Samantha e Andrea.
— Solte-me! – Alexandra gritou, debatendo-se nos braços do rapaz forte às suas costas. – Eu vou matar esse-
— Alex, pare! – Samantha gritou, correndo os olhos de Miguel para ela. – Você quebrou o nariz dele!
O tom indignado de Sam fazia a raiva de Alex aumentar.
— Eu devia ter quebrado o rosto todo desse animal! – Com um puxão ela avançou novamente para Miguel, que soltou um palavrão em espanhol, cuspindo o sague para longe da boca.
— Pare! – Samantha voltou a gritar, agora mais irritada que perplexa. – Você está fora de si? Olhe só para ele!
A raiva deu lugar à mágoa, e a mágoa tentou retirar-se para ceder ao arrependimento, mas a gêmea Winter mais velha não permitiu. Parou de se debater nos braços do garoto às suas costas, observando, com um nó na garganta, Sam acompanhar Rodriguez para a enfermaria, deixando uma trilha de sangue às suas costas.
ETHAN
Era sábado, o último de fevereiro. Estava frio e caía uma leve geada do lado de fora. Katherine estava ansiosa pela visita que receberiam no dia seguinte: os pais de Ethan vinham passar alguns dias com eles, e ela não pretendia poupar esforços para impressioná-los, uma vez que Stela, sua sogra, detestava-a.
Ainda estava cedo; o relógio do hall marcava nove da manhã quando Ethan abriu a porta para as filhas, que vinham encolhidas e com gelo nos cabelos.
— Bom-dia – Alexandra disse, tirando as luvas e revelando a mão enfaixada.
— O que foi isso? – Ethan perguntou, enquanto abraçava Samantha.
— Fecharam a porta na minha mão, ontem – Alex disse, baixo e rapidamente. Estava nitidamente irritada. – Um idiota qualquer sem nada na cabeça.
— Foi um acidente – Samantha disse alto, igualmente irritada, olhando a gêmea. – A culpa foi mais sua que dele, sabe disso.
— Como queira – a mais velha das garotas atirou o casaco sobre o cabide e apressou-se para as escadas, gritando por Thomas.
— Por que ela tem de ser tão estúpida? – Sammy choramingou, abraçando o pai com força, e o senhor Winter retribuiu o aperto, confuso.
Alexandra e Thomas ficaram trancados no quarto do garoto, soltando gritos e xingamentos periódicos, quase completamente abafados pelo som do videogame. Samantha dedicou seu tempo a seu amado piano, que tivera de ser abandonado por falta de espaço no apartamento novo, e mais tarde ajudou Katherine com o almoço.
O silêncio à mesa só foi quebrado quando Kate disse de forma displicente à Samantha:
— Quando você e Edward voltarão?
— Não voltaremos – Sam respondeu muito baixo, cortando sua fatia de pato com calma.
— Ora, não diga isso. Ele é um garoto adorável. E um ótimo namorado.
— Isso sou eu quem deve saber, não? – Ela largou os talheres, surpreendendo Ethan pelo modo de falar. – Por que não pergunta ao Thomas como andam as namoradas dele?
— Não tenho namoradas – ele disse rápido, levantando o rosto e correndo os olhos pelos presentes.
— Mas tem preservativos. Eu vi no seu bolso – Samantha deu de ombros.
Enquanto Kate pedia para mudarem de assunto, o celular de Ethan tocou. Ele o puxou discretamente e desligou sem ver quem era – porque ele tinha certeza de quem era.
— Alexandra – Senhor Winter disse, tentando ignorar agora a vibração no bolso – como vai Evony? Já que estamos falando de relacionamentos – acrescentou, na defensiva, assim que os olhos de sua esposa recaíram sobre si com um brilho assassino.
— Ela está bem. Pensando em se mudar para a Inglaterra.
— Oh, é mesmo? – Samantha afastou de vez o prato, olhando a irmã da mesma forma que Katherine olhara para Ethan. – Você não me contou isso.
— Talvez eu tenha dito e você estivesse estudando com aquele seu amigo. Como é o nome? Miguel? Acho que é algo assim.
O celular continuava a vibrar e Ethan o agarrou para desligá-lo quando viu uma mensagem em pop-up na tela.
“Se não estiver aqui em uma hora, vou até sua casa.”
O sangue do rosto do arquiteto se esvaiu e ele teve de piscar algumas vezes para espantar a imagem de Victoria Wall batendo a sua porta da mente.
Com um nó crescente na garganta, ele levantou-se, um pouco desnorteado.
— Está tudo bem, querido? – Kate perguntou, encarando-o, preocupada.
— Sim. Eu só- Jack- Ele precisa de mim imediatamente no escritório.
— Jack está em Brasília – Alexandra levantou as sobrancelhas, parando de comer.
— Ele precisa que eu assine documentos importantes e mande para ele por e-mail.
Ele sentia a desconfiança na voz dela. Era como se aqueles dois olhos muito azuis o estivessem condenando previamente. E ele não podia fazer nada a não ser culpar-se por estar traindo a confiança da filha. Outra vez.
— Temos computadores de sobra nessa casa – Alex objetou, percebendo exatamente do que se tratava, com nojo palpável.
— Os documentos estão lá – ele disse baixo, por fim, vencido e desmascarado pelos olhos da garota. – Eu sinto muito.
— É claro que sente.
Alexandra levantou-se, atirando o guardanapo sobre a mesa e disparando para o andar superior.
Ethan não ouviu bem o que Kate dizia a respeito de ele estar de volta logo; só conseguia olhar para o rosto dela e assentir enquanto vestia seu casaco, sentindo-se o pior dos homens.
Fraco. Algo sussurrava em sua mente, com a voz de Alexandra. E ele sabia que não era realmente nada além disso.
Tudo começara, novamente, em janeiro. Ainda em North Yorkshire, ele e Katherine brigaram por conta das atitudes de sua esposa com relação à Alexandra e sua amiga. Ele estava estressado, bêbado e carente quando buscou o telefone de Victoria Wall em sua agenda de contatos.
Ele a vira algumas vezes depois que se mudara para Berlin. Sempre quando vinha visitar a família caía no mesmo erro de contatar a jornalista recém-formada. Não sabia bem por que o fazia, já que além de Katherine ali em Londres, mantinha um caso com uma designer de construção civil na Alemanha.
Tenho minhas necessidades, era o que dizia a si mesmo, numa busca vã de aliviar a culpa persistente, mas talvez tivesse necessidade de trair e machucar mais do que de fazer sexo.
No entanto, fosse como fosse, nada disso importava agora que estava parado, encarando a porta encardida de um condomínio medíocre no subúrbio da cidade, esperando que Victoria abrisse.
No caminho programara todo um discurso. “Não podemos mais nos ver”, diria, “amo minha esposa”, acrescentaria. Mas quando a porta lhe foi aberta, os braços magros e finos da jovem se enroscaram em seu pescoço, beijando-o com altivez.
Ele tentou se separar dela, mas ela parecia um polvo e mantinha-o perto mesmo contra sua vontade. E, por tudo o que era mais sagrado, Ethan era um homem!
Com suas necessidades.
E não podia culpar seu corpo por reagir a tais estímulos.
Não viu como o zíper de sua calça se abriu, mas logo estava com Victoria no colo, manchando o tecido de sua roupa com os fluidos de seu corpo. Ela movia-se para cima e para baixo, com o membro viril de Ethan sendo prazerosamente apertado entre suas paredes úmidas e quentes.
“Não podemos nos ver mais.”, “Eu amo minha esposa”
Nada disso fez sentido nas próximas horas.
Quando finalmente pararam já era noite cerrada. Uma chuva caía do lado de fora, transformando em gelo o asfalto sujo da cidade.
Ethan respirava com dificuldade devido a um nó em seu peito, e levantou-se para se vestir antes que Victoria se acomodasse em seu colo.
Sua calça estava suja e inutilizável agora, e começou a desesperar-se com isso. Levantou-se, seguindo para o banheiro sem porta na intenção de lavar a mancha, ignorando os chamados da garota no quarto ao lado.
— Pode, por favor, prestar atenção em mim? – Victoria atirou-lhe um travesseiro, acertando-o na nuca.
— Estou ocupado – ele disse, sério, e viu pelo espelho sujo que ela o encarava.
— Precisamos conversar – Wall sentou-se ereta na cama, encarando as mãos.
A garota começou a se vestir aos poucos, observando atentamente os esforços de Ethan de remover a lubrificação dela e o próprio sêmen dele do tecido. Quando ela já estava coberta e envolta em um edredom puído, voltou a chamar a atenção do arquiteto.
— Estou grávida.
Ethan não entendeu mais que um murmúrio, a princípio, mas depois o som se afixou em seu cérebro e tomou forma, dando lugar a uma sentença curta e chocante, que ele precisou de longos dois minutos para digerir.
— Quem é o pai? – Ele não se importou se aquilo iria ofendê-la ou não. Só precisava ter certeza de que aquela atrocidade que escutara era realmente verdadeira.
Ela surpreendeu-se com a pergunta, e num tom que era misto de amargura e raiva, gritou:
— É claro que é você, seu canalha!
Respire, Ethan disse a si mesmo quando o cenário começou a girar a sua volta e o chão de ladrilhos encardidos pareceu querer subir a seu encontro.
Lembre-se de respirar.
Ele sentia-se prestes a vomitar ali, olhando aquela garota magra de cabelos curtos, negros e oleosos.
Não sabia ao certo o que sentir. Raiva? Nojo? Medo?
Se Victoria estivesse falando a verdade, não haveria muitas maneiras de aquilo terminar.
Ethan podia trair sua esposa sistematicamente, mas tinha certeza de que a amava acima de qualquer amante ou prostituta com quem se deitasse. Sua família era sagrada para ele, mesmo com todos os defeitos que tinha. E seus filhos mereciam mais que um irmão bastardo.
— Quando isso aconteceu? – Ele perguntou, sério, mirando a mulher com olhos frios e impassíveis.
— Da primeira vez. Eu estava sem as pílulas há algum tempo – ela disse calmamente, como se fosse algo banal a ser discutido.
— Por que não me disse, porra?!
— Você sempre insistia em usar camisinha! Pelo menos uma vez eu queria saber como era...
— Você é burra, garota? – Ethan gritou, segurando-a pelos braços com agressividade e sacudindo-a. – É algum tipo de doente mental?!
Quando largou-a com um empurrão vigoroso, a jornalista o olhava, aparentando choque extremo.
Mas ela não poderia estar mais chocada que ele.
— Segunda-feira pela manhã daremos um jeito nisso. O mercado negro de abortos não deve ser tão difícil de se contatar.
Não deveria ser tão caro, mas mesmo que fosse, não importava, de fato. Katherine não era ligada às finanças dele, desde que as dela estivessem gordas e intocáveis.
Ethan não percebeu o que estava acontecendo até as unhas de Victoria Wall serem cravadas em seus braços nus. Sangue escorria enquanto ela o atingia e o amaldiçoava, gritando que não era uma qualquer.
Ela cuspiu em seu rosto, o golpeou de todas as formas que uma mulher histérica conseguia fazer, e mesmo tentando agarrá-la, Senhor Winter foi incapaz de contê-la dada tamanha fúria.
Victoria livrou-se dele e apanhou as chaves de uma velha minivan, propriedade do jornal para o qual ela trabalhava agora, e Ethan apenas observou, atônico, Wall sair do apartamento as pressas, chorando copiosamente.
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