Leão do Inverno

17 Livro Um — Capítulo XVI


Notas iniciais
Babi: Primeiramente a culpa não foi minha, e eu estava numa depressão pré-divulgação-das-notas-do-Enem. nn' Depois, chequem a data do próximo post nas notas finais, pra compensar vocês. Por fim, não se esqueçam que a gente ama vocês e boa leitura. Toki: Oin 'u' Parece que entramos em "Hiatus", não é? Minha culpa, mil perdões... Altas tretas. Viajei no natal e no ano novo. Depois minha prima veio passar "uns dias" aqui e é meio dificil escrever sobre arco-iris tunado lvl 5 quando ainda moro sob o teto de Aslan. Mil perdões e boa leitura :33 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- "Talvez um dia você entenda porquê tudo o que você toca certamente morre. Mas, você só precisa da luz quando está escurecendo, só sente falta do sol quando começa a nevar, só sabe que a ama quando a deixa ir. Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo, só odeia a estrada quando está com saudade de casa, só sabe que a ama quando a deixa ir." — JASMINE TOMPSON, Let Her Go.



ALEXANDRA

Logo no inicio de tarde Alex pegou o carro do pai e levou a Evony ao aeroporto.

Estavam sentadas com as mãos entrelaçadas, apenas esperando a hora da partida chegar. O silêncio instalado era desconfortável para ambas, mas o relógio continuava correndo. Cerca de 40 minutos haviam-se passado desde que sentaram ali quando Evony finalmente decidiu falar:

— Vamos lá, Boo. Diga-me qual é o problema – ela levou a mão da namorada aos lábios. O ato quebrou Alexandra, que sentia-se culpada.

— E-Eu- Tem algo que devo lhe contar – ela suspirou e viu o olhar da dinamarquesa tornar-se cauteloso. – Não estou sendo totalmente sincera com você.

— Você está me assustando, Alex. Não está sendo sincera sobre o que?

— Sobre meus sentimentos.

Evony soltou sua mão e arrumou-se na cadeira com o cenho franzido. Cruzou os braços e esperou a morena continuar.

— Lembra-se de quando tivemos aquela conversa sobre paixões e eu disse que tinha deixado dois amores aqui? – Alex esperou a loira assentir, com o olhar baixo. – Bem, um deles eu acho que perdi.

Ela respirou fundo ao se lembrar da conversa com Belle.

— M-Mas... Eu consegui reconciliar-me com o outro. Lembra-se dela?

— Sim. Mesmo você não falando sobre.

Evony tinha a voz um pouco tremula; talvez já soubesse o que estava por vir.

— Nós conversamos e decidimos tentar algo. Então você e eu...

Winter deixou a frase no ar, encarando suas pálidas mãos, esperando a reação de sua "atual ex-namorada". Após alguns segundos de silêncio, ouviu um soluço e praticamente pulou no pescoço da loira, sufocando-a num abraço.

— Não precisa chorar! Ainda seremos as mesmas. Nada mudará entre nós. Ainda amo você.

“Machuca ter de quebrar seu coração, porque você é importante para mim. Na verdade, tudo o que tenho feito ultimamente é descobrir que quebrei as pessoas que me amavam. Eu não suportaria que você fosse uma delas! Prometa-me que não sofrerá por mim. Arranjará alguém legal, não vai se drogar e-”

Winter falava tudo de maneira rápida, sem parar para respirar. Abraçava a loira cada vez mais forte, mas acabou sendo abruptamente interrompida.

Evony a empurrou, encarando-a, confusa.

— Ei, acalme-se, gracinha! Sofrer eternamente ou me drogar? – Ela riu com vontade, não se importando se soaria rude. – Poupe-me, Boo! Pareço a Olívia Gold, por acaso?

Alexandra uniu as sobrancelhas, perturbada.

— Eu posso ficar magoada ou triste, mas... Querida, não sou essas garotinhas que caem de amores por você e ficam se cortando nos cantos por não serem retribuídas do jeito que desejam. Amores vão e vem. Você me ensinou isso quando me deixou naquela noite.

Winter não sabia ao certo como reagir ou responder.

— Meu amor por você também vem da amizade – a loira continuou. – Como você disse, nada mudará. Apenas não faremos mais sexo.

Alex preferiu continuar em silêncio, digerindo tudo. Essa realmente não fora a reação esperada.

— Você superou rápido – ela riu de leve após um tempo.

— Céus, você tem de murchar um pouquinho esse ego! – Evony riu, abraçando-a. – Essa foi realmente a coisa mais hilária que eu já ouvi. "Não sofra por mim ou vire drogada! Sei que sou gostosa, mas você vai me superar, um dia, talvez" – ela fez uma imitação estranha da voz de Alex e depois caiu na gargalhada, sendo prontamente acompanhada. – Você pode ser cobiçada, mas não exagere. Paixões são superadas.

Ela piscou um dos olhos, parecendo realmente confortável e sincera.

— Entenda, Boo. Ninguém quebra meu coração.

Após isso, a dinamarquesa pegou suas malas e novamente com a mão entrelaçada na de Alexandra, caminhou para fazer o check-in. Antes de passar pelo detector de metais, Evony envolveu Winter em um abraço apertado.

— Sentirei sua falta. Estamos te esperando no estúdio. Oh, e faça ter valido à pena me deixar – Evony se desvencilhou e colou rapidamente seus lábios nos de Alex, encaminhando-se para o detector.

Depois eu que preciso murchar meu ego, ela riu com o pensamento e após um último aceno, deixou o aeroporto.

A noite já havia caído quando Alexandra começou a arrumar suas coisas para a faculdade, com Sam lhe observando da cama. Era uma perspectiva nova e um pouco assustadora.

Oxford.

— Então você terminou com a Barbie? – Samantha perguntou casualmente e Alex revirou os olhos.

— Sim. E foi um término... Diferente. Descobri que devo “murchar meu ego”.

— “Murchar seu ego”? Mas- Ah, esqueça – ela permaneceu em silêncio, até que declarou energicamente: – Ela não te beijou, beijou?

Quando Alex demorou mais do que devia para responder, a pianista levantou o olhar e arqueou as sobrancelhas, encontrando a irmã lhe encarando com um sorriso maroto.

— E se eu disser que beijou?

— Ela te beijou?! – Sam exclamou, indignada, recebendo um riso em resposta.

— Por acaso está com ciúme, Sammy? – Alex observou-a se aproximar perigosamente.

— Estou. Porque agora você é minha, e somente minha.

Com uma delicadeza quase surreal Samantha a empurrou contra a porta, abraçando sua cintura, fazendo a distância entre seus corpos diminuir até a completa inexistência.

— Foi só um beijo de adeus. Não se preocupe.

Alex sussurrou, quase sem forças.

Céus, controle-se.

— E, falando nisso – ela começou, tentando fazer o calor súbito diminuir. – Quando você vai terminar com seu Ken?

Ao ouvir a pergunta, Sam enrijeceu, largando-a aos poucos.

A mais velha suspirou, irritada, e desvencilhou-se dos braços esguios.

— É diferente, Alex.

— Por quê?! – Ela elevou o tom de voz, indignada.

— Edward e eu estamos quase noivos! A Barbie era só uma namoradinha.

— Ótimo. Case-se com ele, então. Tanto quanto melhor. Evitamos vários transtornos.

Alexandra se preparava para apanhar um cigarro no bolso quando sentiu as mãos macias de novo lhe envolverem. Devagar, acariciando sua pele sob a blusa.

— Não, Alex. Sinto muito. V-Vamos fazer isso funcionar. Juntas.

Um nó cresceu em sua garganta. Queria gritar todas as inseguranças. Despejá-las no colo de Samantha como se esvaziasse uma bolsa superlotada.

Mas não podia. Ou ela iria embora. E Alexandra sabia que se a perdesse, desmoronaria.

— Sam – disse calmamente, sem conseguir realmente evitar falar – você sempre sonhou com filhos. Um casamento. Você desenhava seu vestido de noiva até os treze anos. Nunca terá nada disso. Não poderei lhe dar.

— Podemos achar um jeito – a mais jovem forçou-a a virar e encará-la. Seu rosto estava tão corado e luminoso de excitação que Alexandra sentiu vontade de rir. – Você e eu em Las Vegas. Elvis sendo nosso padre. Um anel de doce e uma champagne barata. É tudo o que preciso.

Samantha beijou-lhe os lábios rapidamente, fazendo carinho em sua bochecha.

— Podemos adotar. Ou fazer inseminação! Claro! Nosso DNA é idêntico, será biologicamente igual e-

Foi a vez de Alex a beijar. Lenta e calmamente, roçando seus lábios de forma sincrônica, roubando-lhe o resto de fôlego que o discurso afobado lhe deixara.

Quando se soltaram, ficaram abraçadas, com as bocas próximas e os corpos mais ainda.

— Veja pelo lado bom – Sam sorriu, mordendo seu lábio inferior de um jeito que a fez apertar sua cintura com força. – Não vou precisar te apresentar aos meus pais.

— Mas minha sogra vai me odiar do mesmo jeito – Alex sibilou, tentando não entrar em combustão.

Seria cômico se não fosse trágico, mas as irmãs riram do mesmo jeito. Samantha a arrastou para a cama, jogando-se sobre seu corpo, envolvendo-a num abraço aconchegante e quente, muito confortável.

— Estávamos falando sobre casamento e filhos – a mais velha se deu conta, encarando o teto enquanto acariciava os cabelos de seu reflexo. – Estávamos planejando isso.

— É um pouco assustador – Samantha murmurou, desenhando coisas abstratas em seu peito. – Mas eu quero. Soa certo para mim. Todos esses planos, com você e ninguém mais. Casar, ter filhos, e um Glove Beagle.

— Glove Beagle? Prefiro um Husky. Realmente quero um Husky. E colocaria o nome de Shark – ela divagava, ainda com os dedos nos cachos da gêmea.

— Não seja cruel. Huskies sofrem demais fora de países particularmente frios – Sam disse, levantando a cabeça para olhá-la. – E, “Shark”? Sério? – A mais jovem riu e fez uma careta.

— Admita, “Shark” é legal! Nome de cachorro forte e poderoso – Alex tinha um sorriso luminoso nos lábios, quase como se pudesse ver o Husky passeando pelo quarto. – E você não vai colocar lacinhos nele.

— Está mais para nome de tubarão, é obvio. Mas é até legal. E eu vou colocar lacinhos sim, se ficar bonito – Samantha deitou-se novamente, voltando a desenhar.

— Podemos adotar três vira-latas, também – a futura psicóloga apontou. – E chamaremos eles de Meraxes, Vhagar e Balerion, o Terror Negro. O que acha?

— Isso é algum tipo de seita online? – A pianista a encarava, confusa.

— Oh, sério? – Alexandra saltou da cama, inconformada, apanhando na estante um dvd e enfiando-o no aparelho. – Precisamos concertar isso agora.

E quando voltou para a cama, depois de apagar as luzes, Alexandra Winter beijo sua irmã calmamente, enquanto apertava “play” na interface de “Game of Thrones – 1º Temporada”.

ANABELLE

O tique-taque do relógio nunca fora seu som predileto no consultório da Doutora Cristal Smith, sua terapeuta.

— Dói — Anabelle Parker disse, respondendo a pergunta da médica a sua frente. – Penso que teria sido mais aprazível deixar como estava. Doía, mas era uma dor prazerosa. Sentia-me amada.

— Para uma psicóloga que ajudava jovens a superar suas deficiências e transtornos de autoimagem, você tem sérios problemas de autoestima.

— A amo – Parker disse. – É diferente.

— Você pode amar outra – Cristal sorriu, dando de ombros.

Ela podia? Anabelle suspirou, puxando o cachecol mais para cima e apanhando seus materiais sobre a mesa.

A Universidade de Oxford era um paraíso gelado naquela época do ano. A aparência celestial, toda tingida de branco por conta da neve conseguia roubar-lhe o fôlego. Belle adorava aquele lugar.

Atendera na Westminster School por quase quatro anos, e há cerca de quatorze meses fora admitida para lecionar na Universidade mais renomada da Inglaterra como professora de Avaliação Psicológica I para o terceiro ano. Um sonho realizado, que agregava muitos outros em seu encalço. Dali a dois meses se mudaria para outro apartamento, um pouco maior e com muito verde na Woodlands Close, e posteriormente poderia pensar em trocar de carro.

Uma nova vida para uma nova Belle – uma Belle sem Alexandra, algo em seu íntimo insistia em dizer.

Tentando ignorar o pensamento, Doutora Parker cruzou o corredor e desceu a escadaria, apenas para encontrar a fonte de seus pesadelos. Duplicada.

Elas estavam de mãos dadas, sorrindo. Alexandra estava incrivelmente linda – lésbica –, com coturnos e jaqueta de couro, enquanto Samantha tinha luvas cor-de-rosa felpudas.

Qualquer coisa que Sam estivesse dizendo pareceu perder a graça quando Alex viu Belle. O sorriso luminoso se desfez, dando lugar a uma expressão profunda e incerta.

A psicóloga sentiu o estômago revirar em agonia. Tinha se esquecido completamente de que a Winter mais velha fora transferida para lá.
Os esforços de Anabelle foram inúteis para tentar esconder o misto de decepção e surpresa. Samantha tampouco fora discreta em mascarar sua inquietação, forçando Belle a perguntar-se se estaria se lembrando da noite em seu apartamento.

Com as bochechas vermelhas, a gêmea mais jovem sussurrou algo e se retirou deixando Alexandra e Anabelle sozinhas.

— Oi – Alex sorriu, se aproximando, e só então Belle percebeu que estava parada no meio da escada.

— Olá – Parker forçou um sorriso.

— Esperei que me ligasse – Winter murmurou, coçando o nariz, como sempre fazia quando estava nervosa. – Estava na expectativa de que me convidasse para o réveillon.

— Com certeza seu réveillon em família foi no mínimo... Interessante – Anabelle indicou a direção de Samantha.

Alexandra corou e acompanhou Belle quando esta começou a caminhar despreocupadamente.

— Parece que estão mais próximas.

— Nós- Foi estranho- – Alexandra segurou a mão da psicóloga, forçando-a a parar. – Estamos juntas, Belle. De um jeito estranho, defeituoso e ainda muito instável, mas estamos juntas.

Ela sabia.

Podia sentir.

E não precisava que Lexi lhe explicasse em que sentido elas estavam jutas.

Mas o golpe foi duro o suficiente para lhe tirar todo o ar. Seus olhos estavam queimando. Deuses, por que tudo estava girando?

Seus músculos faciais se repuxaram num sorriso e a Doutora Parker engoliu a bile que subia queimando pela garganta.

— Isso é bom. Fico feliz.

Não, Alex. Por favor, não me deixe. Eu não consigo. Não de novo.

— É – Winter não parecia tão certa. – Belle... Eu sinto tanto. Tanto – a morena tomou fôlego e tocou seu rosto. O contato fez Anabelle oscilar. – E-eu- Eu amo você, eu realmente amo, mas- Sam é...

— Sua alma gêmea? – Parker sorriu largo para esconder as lágrimas. – Eu sei. Eu sempre soube.

Ficaram em silêncio; um opressor, desconcertante silêncio. Belle só queria fazer a dor parar. Queria que, ao menos a parte racional de seu ser, aquela que ainda não fora consumida por sua adoração por Alex, parasse de julgá-la e deixasse seu peito sangrar em paz.

Queria fugir dali. Para onde ela, um tipo defeituoso de Ícaro, pudesse ficar longe de Alexandra, o Sol que derretia a cera de suas asas e roubava seu passaporte para a liberdade.

— Eu convivi anos com a ausência do seu amor, Lexi – Anabelle se soltou do aperto. – Acostumei-me a isso. Seu tipo de amor nunca foi o suficiente, nunca foi real ou substancial. Nós amamos com gestos; palavras são apenas palavras. Se você não demonstra, de que vale dizer?

"Não duvido de que me ama. Mas a sua forma de amor é fria demais pra sustentar a fogueira que provocou em mim.”

A garota parecia ter ficado muda, mas as lágrimas descendo por suas bochechas diziam muito mais que centenas de palavras vazias.

Anabelle estava quebrada. Destruída como jamais estivera e incerta de que poderia se recompor algum dia.

Com calma e ciente de que aquela seria a última vez, a psicóloga esticou-se e depositou um beijo demorado nos lábios de Alexandra Winter, guardando na memória o sabor daquela boca que era sua perdição.

— Sejam felizes – desejou sinceramente antes de adiantar-se pelos corredores, apressada.

Em seu carro, cada lembrança lhe acertava como uma bofetada. As ruas que agora começavam a acumular gelo eram borrões distorcidos por suas lágrimas. Teve de estacionar em um lugar qualquer ou atropelaria alguém.

Com a cabeça apoiada no volante, Belle deixou o choro e os soluços escaparem de sua garganta, desejando poder gritar até suas cordas vocais se recomporem. Era tão estúpida, tão ingênua, e agora estava miserável, decompondo-se por algo que – ela sempre soube – estava fadado ao fracasso.

Ficou ali pelo que pareciam ser horas, até que alguém bateu no vidro, arrancando-a bruscamente e seu torpor autocomiserado.

Esfregando os olhos já muito inchados, Anabelle baixou o vidro, deparando-se com um par de olhos cinzentos tão profundos que lhe desconcertaram.

— Está parada num hidrante, madame – a policial disse, abaixando-se para ficar com o rosto na altura da janela. Sua farda estava muito molhada por estar parada no meio de uma tempestade que Parker não percebeu começar.

Belle demorou certo tempo para responder, ainda tonta pela sessão de lágrimas e socos no volante. Sua têmpora latejava com força, os olhos estavam embaçados, mas ela podia sentir a oficial igualmente loira encarando-a ininterruptamente.

— Está passando bem, senhorita? – A mulher perguntou, num tom incerto.

— S-sim – Parker assentiu, rápido, esfregando o rosto. – Tive um mal-estar súbito e precisei parar. Só isso. Estou melhor agora.

— Usou drogas? – A policial perguntou, naturalmente.

A psicóloga demorou algum tempo para assimilar as coisas, e, comprimindo os olhos, encarou a mulher que segurava o colete amarelado e cafona nas mãos.

— Não. Estou lúcida e sobrea – disse, num tom pouco gentil. – Como eu disse, foi apenas um mal-estar.

— Certo – a oficial tirou o chapéu ridículo, apoiando-se no carro. – Está muito estressada, madame?

Aqueles olhos profundos demais pareciam querer perfurá-la. Belle corou.

— Desculpe-me, oficial...?

— Thorne. Emma Thorne.

— Desculpe-me, Oficial Thorne. Estou tendo um dia difícil.

— Certamente está – Thorne levantou-se, sibilando algo no comunicador preso em seu uniforme e voltou a debruçar-se sobre Anabelle. – Para onde está indo, madame?

— Hampstead – a psicóloga murmurou, entre dentes.

— Diabos. É muito longe – Emma franziu o cenho, fitando Parker com a dúvida estampada no rosto estranhamente delicado e quando falou tinha um tom muito irônico. – Vou acompanhá-la para me certificar de que chegue a seu destino sem outro “mal-estar”.

Emma Thorne voltou a erguer-se, sem esperar por algum tipo de protesto, e subiu na moto estacionada atrás do carro de Belle, ligando as luzes e esperando para segui-la como se ela fosse algum tipo de criminosa.

Irritada, a psicóloga deu a partida, guindo sob a forte chuva até a Heath Drive. Foram quase uma hora e meia dirigindo até seu apartamento, e, quando desceu do carro, recebendo uma rajada de chuva fria no rosto, deparou-se com uma Oficial Thorne trêmula e absolutamente ensopada.

Sua irritação pareceu dar lugar a pena quando assistiu a mulher descer da moto, espirrando água.

Contrariada e um pouco constrangida, Anabelle murmurou:

— Quer subir e tomar um café? Parece com frio.

Queria acreditar que fizera aquilo por caridade, mas a verdade era que Parker não aguentaria ficar sozinha. Não numa noite chuvosa. Não sabendo que Alex não apareceria, molhada e risonha, para lhe manter aquecida na madrugada.

A mulher demorou uma eternidade a responder, o que fez Anabelle imaginar seus pensamentos. Afinal, que tipo de louco convidava um policial para subir?

— Oh, sinto muito. Você está trabalhando.

— Estava voltando para casa quando autuei você – Emma amassou o colete nas mãos e apertou a nuca, nitidamente evitando Belle.

— Então você me escoltou, mas- Ora! – Parker sentiu o rubor da irritação tomar sua face, mas uma generosa rajada de chuva a fez se encolher de frio e depois de algum tempo buscando os olhos cinzentos de Thorne, declarou. – Bem... Seja como for, o convite ainda está de pé.

Notas finais
N. do A.: "Ninguém quebra meu coração". A frase de Evony foi tirada da série Skins, onde originalmente a personagem Elizabeth "Effy" Stonem diz: "Nobody breaks my heart". Uma das frases mais marcantes de todas as três gerações. N. do A. 2.: Shark, o Husky. Ele existiu e foi meu cachorro (Toki). Infelizmente, ele e seu irmão Labrador, Hanz, não estão mais entre nós. N. do A. 3.: Meraxes, Vhagar e Balerion, o Terror Negro são os dragões cavalgados, respectivamente, pelos irmãos (também incestuosos ^^) Rhaenys, Visenya e Aegon, da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, que eu (Babi) preciso mecionar a cada fanfic. Babi: EMMA ME BEIJA AGORA, PQP. Shippação é livre, obg. PRÓXIMO CAPÍTULO PREVISTO PARA SEGUNDA, 19-01, mesmo Toki e eu estando ambas sem pc. Só pra compensar vocês :3 E me beijem por esse spoiler. SPOILER DA VEZ: "— Não acha que devemos estrear o colchão? — Samantha amassou a barra da camisola, que subiu mais alguns centímetros." Toki: O que acharam do samba da nossa dinamarquesa? Gostaram? Aah e Belle... Meu coração doeu