Leão do Inverno
8 Livro Um — Capítulo VII
Notas iniciais

Era a terceira semana de novembro e o frio estava tão intenso que o Senhor e a Senhora Winter permitiram a seus filhos um fim de semana prolongado, livrando-os de uma segunda-feira congelante na Westminster School.
Samantha Winter resolveu ficar sob os cobertores, assistindo a uma série de ação da americana com Thomas, tentando ignorar a vontade crescente de perguntar ao irmão aonde Alexandra fora.
Olhou no relógio pela nona vez, constatando que faltavam poucos minutos para as três da tarde. Inquieta, a morena se remexeu no imenso sofá, puxando as cobertas mais para cima.
Era impossível não pensar. Não pensar nela e em toda aquela situação.
Perguntava-se acima de tudo se outras pessoas costumavam passar por aquela situação. Sabia que primos comumente trocavam bem mais que carícias – sua melhor amiga, Esther Navas, era perdidamente apaixonada por Eliot, seu primo de primeiro grau com quem crescera.
Mas irmãos? Irmãosdo mesmo sexo? Gêmeas?
Não que eu esteja atraída por ela, acrescentou rápido em sua mente, como se quisesse corrigir seus próprios pensamentos. Foi um momento peculiar. Duas bêbadas. Apenas isso.
Sam ouviu ruídos vindos da direção do hall e levantou o pescoço, tentando espiar por sobre o sofá.
Alexandra passou pelas portas da sala tirando a jaqueta e o cachecol. Estava vermelha de frio e a pequena sacola em suas mãos tremia de acordo com os espasmos gélidos de seu corpo.
— Harry ligou – Thomas avisou, sem tirar os olhos da televisão.
— Que Harry?
— Harry Mollison; seu amiguinho... O Harry – Tom franziu o cenho. – Ele perguntou se você estava com a Via, porque ele não consegue falar com ela pelo telefone.
— Eu passei na casa dela depois de sair com o Shinji – Alex explicou, pensativa. – Isso é estranho... Não sabia que ela e Harry estavam se falando – atirando a sacola para o garoto, a morena começou a tirar a grossa blusa escura que vestia sob a jaqueta. – Tome. Assassin’s Creed. Não deixe Katherine ver.
Os olhos do garoto brilharam ao tirar o jogo da embalagem. Samantha podia ouvir os passos da irmã se distanciando em direção a escadaria, mas Thomas novamente a chamou:
— Obrigado, Alex!
Ela respondeu um “yo” abafado e o garoto ficou em silêncio, observando o presente com velada admiração.
— É um jogo de luta? – Sam perguntou, tentando interagir com o irmão.
— Não exatamente. Vou explicar para você como funciona depois. Precisará saber se quiser me acompanhar nos Dias do Irmão do time de futebol.
— Hm, Tom – a morena sentou-se, afastando os cobertores e encarando o garoto de cachos dourados sentado do outro lado do sofá. – Eu adoraria passar um tempo a mais com você, mas não creio que Alex trocará de lugar comigo tão abruptamente.
— Você vai se adaptar – ele sorriu; ele sempre sorri, como papai. – Sentirei falta dela, também.
— E por que ela não pode continuar indo com você? Eu não me encaixo no perfil esportivo, você sabe.
— Talvez porque ela vai embora? – Tom disse, confuso, piscando enquanto a olhava.
As palavras não fizeram o mínimo sentido para a garota, que permaneceu parada, desfrutando da ignorância.
— Embora? – Samantha inquiriu debilmente. – Para onde?
Thomas a olhava como se esperasse que um riso explodisse da garota a qualquer momento. Ele realmente achava que ela estava brincando.
— Para Alemanha – o garoto explicou, lentamente, percebendo que não havia nem um sinal de humor na expressão pasma da irmã. – Com o papai.
Foi estranho como suas pernas se moveram rápido, quase sem comando.
Num momento estava encolhida no sofá, e no outro seus pés batiam rapidamente contra o piso marmóreo da escada.
Não sabia por que estava fazendo aquilo. Devia manter distância.
Volte, gritou para si mesma assim que e girou a maçaneta com força, sem pedir licença. Volte agora!
Mas era um pouco tarde demais; ela já estava encarando uma Alex seminua, sentada de frente para o computador, cantando no ritmo da música alta.
— Você não consegue bater? – Alexandra perguntou num tom agressivo, virando a cadeira para ficar de frente para ela.
A camiseta larga. A calcinha pequena. E os cabelos bagunçados.
Se controle.
Ela era tão perfeita.
É o seu reflexo, sua estúpida.
Samantha não conseguiu encontrar as palavras pelos momentos que se seguiram. O calor acolhedor do quarto quase colocou-a num estado de torpor, deixando seu corpo estranhamente leve.
— Você vai embora? – Sam perguntou muito baixo.
— Sim – respondeu ela, simplesmente.
— E não ia me contar?
— Não – a gêmea mais velha voltou-se novamente para o computador. – Não pensei que fosse necessário. Você saberia de uma forma ou de outra. E eu não estava errada.
Samantha mordeu o lábio inferior, contendo as lágrimas.
Era como se todo o desespero das últimas semanas estivesse tentando verdadeiramente romper a barreira de sanidade que fora obrigada a criar. Sentiu um nó formar-se em sua garganta, obstruindo a respiração. Suas unhas estavam cravadas na palma das mãos, o sangue pulsava forte em seus ouvidos.
— Você estragou tudo – soluçou, numa voz embargada pelo choro. – Você estragou tudo, Alex!
— Eu?! – A ginasta riu, girando outra vez a cadeira.
— Por que fez aquilo? – Sam gritou, não se importando com Thomas no andar de baixo. – Você realmente não vê o que desencadeou, não é?
— Isso não tem nada a ver-
— É claro que tem! – Tremendo, a gêmea mais jovem agarrou os próprios cabelos, tentando calar a cacofonia de pensamentos em sua mente. – E você está fugindo! Está fugindo, porque é tudo o que sabe fazer quando suas respostas irônicas e piadas sarcásticas não funcionam!
— Não, Samantha – Alexandra disse, um pouco rouca; ela estava nitidamente contendo as lágrimas. – Você é quem sempre foge; é incapaz de encarar seus problemas. Você é fraca. Eu não.
Alex levantou-se da cadeira e sufocou a distância entre elas.
Você não devia ter feito isso, Sam gemeu interiormente, Não devia ter feito isso.
A proximidade afetava-a de um jeito intenso demais. Seus dedos agarraram o tecido da camiseta, puxando, torcendo.
O cheiro amadeirado lhe invadiu as vias respiratórias, confundindo seus pensamentos já em desordem. Ela queria tocá-la, senti-la daquela forma novamente. Mas era errado, era nojento e inescrupuloso.
E era irônico como a percepção do erro tornava tudo ainda mais tentador. O pecaminoso fazia-a desejar com mais força.
Nunca se imaginara naquela situação em toda sua vida, mas agora aquela vontade, a necessidade de Alex parecia tão incutida em seu íntimo que se surpreendia ao perceber como nunca manifestara tal anseio antes.
Ela queria. Queria muito. E se odiava por isso.
— Você não precisa fazer isso – disse, sentindo a pele pálida roçar as costas de suas mãos. Seus olhos estavam presos nos dela, mas a garota olhava para um ponto acima de seu ombro.
— Não. Mas eu quero – Alexandra soltou suas mãos, e gentilmente a empurrou na direção da porta. – Agora, por favor, saia.
A porta bateu com força, e seu coração pareceu despedaçar-se.
ETHAN
Ele perdera o dia todo ali, e sua cabeça estava latejando por isso. Era quarta-feira, o primeiro dia de dezembro, e ele devia estar em seu escritório, analisando as finanças para deixar tudo certo antes de sua viagem, mas ficara preso naquela sala, esperando a boa vontade do diretor – o maldito velho gordo – atendê-lo para uma consulta de dez minutos.
— Muito obrigado, Senhor Van der Lackome – Ethan Winter cumprimentou o diretor da Westminster School com um firme aperto de mãos, logo depois de enfiar os documentos recém-assinados dentro do sobretudo.
— Não há de que, Senhor Winter – ele adiantou-se para a porta, abrindo-a. – Espero que sua filha se adapte bem à BBIS. O ensino é o melhor da Alemanha.
— Por cinquenta mil euros o ano, sim, eles têm de ser os melhores – o arquiteto brincou, ácido, adiantando-se para fora e sentindo o celular vibrar em seu bolso.
Parou no corredor, antes de descer as escadas, analisando a frase que era um sinal claro de problema.
“Precisamos conversar. Playground. Assim que deixar o escritório do diretor. – V.”.
Victoria Wall.
Franzindo o rosto numa expressão de dor, Ethan desceu o lance de escadas.
A área da administração da Westminster School era a mais conhecida por ele. Recebia pelo menos três telefonemas da coordenação por trimestre, pedindo gentilmente para que comparecesse a uma reunião particular com o Diretor Van der Lackome, a respeito do comportamento de Alexandra.
No último andar estavam localizadas as salas do diretor e as dos coordenadores do ensino médio. No andar de baixo os responsáveis pelo ensino fundamental dividiam o piso com a psicóloga Anabelle Parker, a americana que tratava de Alex há dois anos.
Conhecera Victoria graças a ela; era sua secretária desde a época em que Alexandra iniciara suas consultas. Uma jovem de vinte e três anos, estudante de jornalismo. Cabelos curtos e muito escuros, pequena e com um sorriso encantador. Ele fora incapaz de resistir à saia curta e a camisa meio abotoada.
Não sabia ao certo quando os encontros começaram, mas duravam desde então. Passavam algumas tardes em motéis, ou, quando a pressa era maior, arriscavam-se a lugares comuns e até mesmo públicos – por isso a menção do parque da escola o deixou tenso.
Sentia-se mal muitas vezes ao deitar-se ao lado de Kate na cama, na hora de dormir, e sussurrar carinhosamente que a amava.
Ele era sincero ao dizer tais palavras, mas parecia que apenas nessa parte isso acontecia. Sua relação com sua esposa era complexa; ele nunca seria capaz de deixá-la, no entanto era complicado lidar com ela sem algum apoio exterior.
Ele era um homem e tinha suas necessidades, ou era o que dizia a si mesmo quando pensava no quão canalha se tornara.
Victoria não era a primeira. Houvera Vivian, sua secretária ruiva que pediu demissão seis meses depois de transarem enlouquecidamente no elevador quando um apagão geral tomou conta de Londres – Ethan passara de claustrofóbico nível cinco para nível um depois daquela tarde. E Rosa Perez, a espanhola que ensinara Samantha a tocar piano.
Victoria era seu caso mais duradouro, e ele se arrependia disso pelo simples motivo de que dera esperanças a ela. Dois anos a fizeram acreditar que Ethan trocaria sua família perfeita para viver ao lado de uma estudante de jornalismo que morava num apartamento com infiltrações no subúrbio da cidade.
Suspirando, o arquiteto atravessou o tapete de folhas alaranjadas e deu a volta na casa de dois andares que supria as necessidades de alojamento do time de futebol, e que era fechada naquela época do ano.
Victoria estava ali, fumando. A fumaça subia em espirais cinzentos contra o dia igualmente gris.
— Sim? – Ele foi frio ao cumprimentá-la, fazendo uma careta pela fumaça.
— Senti sua falta – ela sorriu largamente, aproximando-se para beijá-lo.
Ethan enrijeceu, esquivando-se para olhar a volta. Ali era um pouco demais mesmo para eles.
— Estamos sozinhos – ela garantiu, apagando o cigarro num dos vasos de flor ajeitados na janela da casinha. – É uma área fechada em novembro.
— Ainda assim-
Ele tentou afastá-la novamente, mas os lábios cheios que antes costumavam excitá-lo pressionaram os seus num beijo molhado demais.
As mãos dela desceram por seu peito, alcançando suas calças e apertando a área entre suas pernas. Winter soltou um gemido abafado, desconfortável.
— Já conversou com sua esposa? – Victoria perguntou, sorrindo.
— Sobre...?
— Como “sobre...?”? – Wall riu, intensificando as apalpadas no centro do corpo do homem, e sentindo-se mais incentivada ao perceber que ele estava respondendo aos estímulos. – Sobre o divórcio. Katherine é muito sensata, você só precisa ser delicado ao falar.
— Vic, veja-
Ele foi calado por outro beijo. O gosto da nicotina estava presente na saliva dela. Ele odiava aquele gosto.
Ethan sentiu suas costas baterem contra a parede da casa de madeira pertencente ao time de futebol e olhou para cima, percebendo a sombra acusadora da catedral de Westminster erguer-se sobre ele enquanto a secretária ajoelhava-se na grama úmida e abria-lhe o zíper.
Ele abriu a boca para dizer que parasse, mas no instante seguinte Victoria Wall estava com seu pênis semiereto na boca.
Ele agarrou seus cabelos com força, enquanto a língua rósea fazia círculos em sua glande que começava a inchar. À medida que empurrava seu órgão para dentro da boca dela, alcançando devagar a garganta apertada, fez uma anotação mental: adiantar a data da mudança para Berlin.
ALEXANDRA
Gostava de ficar sozinha, fumando. O frio era seu companheiro predileto, pois a preenchia sempre que se sentia vazia – não era como o calor, que lhe fazia transbordar; porque tudo em excesso era ruim.
Pela primeira vez desde seu aniversário permitira-se não pensar em nada. Deixar sua mente tão vazia quanto seu próprio coração quebrado.
Ali, deitada sobre as arquibancadas do campo de futebol, passado muito do horário de saída, olhava para as nuvens pesadas que se formavam no céu. Soltava lentamente a fumaça azulada de seus cigarros de hortelã pelo nariz, assistindo-a desvanecer-se a frente de seus olhos.
Desejou que seus problemas pudessem igualmente desaparecer.
Acidentalmente lembrou-se do leão mágico que inventara para devolver a boneca de Samantha, quando pequena.
“Kitty é um bom leão e costuma presentear as crianças que realmente acreditam nele” riu ao relembrar o semblante incrédulo da irmã.
— Eu acredito em você, Kitty – ela disse em voz alta, trocista. – Pode me dar minha irmã de presente?
Estava falando sozinha. E riu disso. Gargalhou com força e em bom tom, até que o riso transformou-se em soluços, e os soluços em lágrimas, e com o antebraço tapou o rosto.
Mas seria a última vez que choraria por isso. Não voltaria a derramar uma lágrima sequer por Samantha, ou por esse sentimento que crescia em seu peito e lhe consumia como o fogo ao capim.
Que a dor lhe transformasse em algo maior e mais forte. Que aquela estranha sensação de perda lhe fizesse madura o suficiente para seguir em frente. Que aquela paixão inviável fizesse dela uma vivente, e que toda aquela agonia fosse apenas um degrau em sua escadaria para a vida.
Ela era jovem. E estúpida se pensava que aquela era a pior dor que enfrentaria.
Secando o rosto, Alex apanhou sua bolsa, o maço de cigarros e o isqueiro e atravessou o campo calmamente, de cabeça erguida, fria, mas um pouco mais alta.
Cruzou o playground, não se importando com o coturno afundando na areia úmida e dirigiu-se para a saída leste, analisando a catedral de Westminster lhe encarar friamente com sua arquitetura deslumbrante.
Parou quando ouviu um suspiro baixo.
Seus olhos procuraram a fonte do barulho ritmado e encontraram em meio à neblina da tarde.
Desviando os olhos da cena absurda para seu maço de cigarros, Alexandra sentiu o estômago revirar. Lendo o rótulo da embalagem teve certeza de que não era maconha, e, ao encarar novamente a movimentação ao lado da casa do time de futebol, teve vontade de rir e vomitar ao mesmo tempo.
Victoria Wall – ela tinha certeza que era ela, porque aquele cabelo oleoso refletia até Liverpool, se olhasse no ângulo correto – estava ajoelhada, fazendo um sexo oral frenético e despudorado em seu pai.
Seu pai.
Ethan Winter estava fodendo a secretária de Belle.
Foi uma das sensações mais estranhas que já experimentou. A capa de super-herói despencou dos ombros dele. A máscara de perfeita índole caiu, e Alex quase desabou com ela.
A ânsia se intensificou ao pensar no quão hipócrita todos eles eram; cada uma das pessoas naquela família.
Trêmula e ainda chocada, Alex continuou seu caminho para fora da Westminster School. O gosto do vômito estava impregnado em sua boca, e por isso acendeu outro cigarro, sem se importar com a cabine de segurança a cem metros dela.
Chamem o meu pai, ela pensou, sombriamente.
Olhou no relógio que trazia no pulso. Se corresse conseguiria pegar uma floricultura aberta. Enfiou a mão no bolso da frente da calça. Vinte e sete libras, dois papeis de bala e seu Oyster card¹.
Caminhou apressadamente até a Trafalgar Square, e lá conseguiu comprar um buquê de rosas azuis artificialmente pintadas. Todas eram reais, exceto uma.
Quando o N5 finalmente chegou a Charing Cross, as luzes da cidade já estavam acesas e o céu assumia vagarosamente uma tonalidade púrpura. Em sua parada final, Hampstead, achou um homem vendendo enormes balões em formato de coração e não hesitou em gastar suas últimas cinco libras ali.
O’Connor, o porteiro do prédio de Belle, concordou em não anunciá-la, e, quando bateu a porta do número trinta e quatro, foi recebida por um abraço apertado e surpreso.
Parker apanhou as flores, encantada, enquanto Alex brincava com os balões.
— Aconteceu algo? – Anabelle perguntou, dedilhando as rosas delicadas. – Não esperava que viesse e-
Alexandra a beijou, rindo um pouco ao atrapalhar-se com tantas coisas em mãos. A psicóloga a olhava, inquisidora, mas visivelmente emocionada, e a ginasta amarrou as bexigas na maçaneta da porta antes de dirigir-se a loira.
— Eu quero que saiba – Winter disse pacientemente, envolvendo a americana pela cintura e colando suas testas – que eu só vou esquecê-la quando a última rosa deste buquê murchar.
Anabelle a observava fixamente; os olhos enchendo-se de lágrimas ansiosas. Ela tinha percebido que uma das rosas era de plástico.
— Eu não tenho direito de lhe pedir nada – a morena disse, sentindo as bochechas corarem; deslizando os dedos pelos traços da médica, ela sentiu seu próprio choro aflorar, mas não o permitiu transbordar. – Mas ainda assim, quero que espere por mim.
Belle soluçou, desmontando suas defesas. Seus olhos verdes estavam tão brilhantes que Alex podia se ver ali.
— Por favor, espere por mim, porque eu vou voltar para você, Belle – colando seus lábios delicadamente, Winter sussurrou: — Eu prometo que vou.
Porque eu te amo, pensou, sinceramente, antes de empurrá-la para o sofá.
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