Leão do Inverno

7 Livro Um — Capítulo VI


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Gey, por fazer uma recomendação tão perfeita. Estamos realmente honradas, e esperamos que a fic toda possa te agradar. Obrigada. Babi: Hey, guys. Como estão? Lindos, como sempre. ICANT com tanta perfeição. Tá, parei. Enfim, só avisando que esse capítulo vai ser cheio dos feels, e, ai, apreciem sem moderação :3 Toki: AAAEEHOOO õ/ HOJE EU FICO COM A OUUUTRA PENSANDO EM VOCÊ! TUTS TUTS TUTS QUERO VER (8) Galeeeraaa... Hj vão ter altos coraçõezinhos quebrados. Adogo HUEHUE (acho que vi muita novela mexicana na infância... Já já brota um Carlos Daniel aqui.) Boa leitura, cambada de gatos õ/ -------------------------------------------------------------- "Te dei tudo que eu tinha e você jogou no lixo. Me dar todo o seu amor foi tudo que sempre te pedi. Porque o que você não entende é que eu pegaria uma granada por você. Jogaria minha mão numa guilhotina por você. Eu pularia na frente de um trem por você. Você sabe que eu faria qualquer coisa por você. Eu passaria por toda essa dor, levaria uma bala no meio do meu cérebro. Sim, eu morreria por você, amor, mas você não vai fazer o mesmo." — BRUNO MARS, Grenade.



OLIVIA

Estavam na cama assistindo a madrugada transformar-se em manhã. Era a primeira vez que tinham um momento particular depois da desastrosa festa de aniversário, e agora Alex vinha aconchegar-se nos braços da amiga para curar suas feridas.

Olivia Gold respirou fundo, sentindo o perfume de Alexandra Winter invadir seus pulmões. Delicadamente ela pressionou seus lábios contra o ombro nu da garota, sentindo-a apertar seus dedos, que agora estavam entrelaçados nos dela.

— Nunca pensei que chegaríamos a isso – Alex sussurrou, fungando. – Ela mudou as únicas aulas que tínhamos juntas!

Via repetiu o movimento com os lábios, apertando mais a amiga contra si. Desejou, naquele instante, que Samantha não existisse; na verdade o mundo todo poderia se resumir a Alex e ela, e ainda assim tudo estaria perfeito.

— Não vai me dizer mesmo o que está havendo? – Perguntou, sentando-se e se apoiando no antebraço para encará-la.

— Você não entenderia.

— Tente – Olivia implorou, acariciando seu rosto.

Queria ouvi-la dizer. Precisava escutar a confissão partindo dela, ou jamais calaria aquela dúvida. E esperava estar errada. Deus, como esperava. Sentia sua bile vir à garganta só com a possibilidade de estar correta.

Winter puxou o edredom mais para cima, cobrindo-se até o pescoço.

— Via – sibilou ela, muito baixo. – Eu decidi algo.

O silêncio pareceu ser incentivo o suficiente para ela explicar-se.

— Eu pensei muito sobre tudo; sobre o que estou vivendo, o que quero viver e... – Alexandra sentou-se, segurando as mãos de Gold nas suas. Ela estava gelada e trêmula. – Eu vou para a Alemanha com o meu pai.

As palavras tiraram todo o ar dos pulmões da loira. Sentiu os olhos formigarem e riu nervosamente.

— Você não pode estar falando sério.

— Eu sinto muito – ela gemeu, afagando os cachos de Gold. – Mas não posso mais. É doloroso viver dessa forma. Humilhante e-

— Você vai jogar tudo para o alto pela Samantha?! – Exclamou, indignada. – Você não pode-

— Ela é parte de mim. Ela... Eu... Eu preciso dela mais do que posso admitir e simplesmente não sou capaz de suportar viver sob o mesmo teto tendo de ignorá-la. Faz duas semanas que não trocamos um único bom-dia. Duas semanas, Via. Eu amo minha irmã e, e-eu...

Ela subitamente parou. Olivia sabia perfeitamente que a morena não conseguia falar de seus próprios sentimentos. Alexandra Winter podia lidar com o emocional de todos, mas o seu próprio era tão complexo e secretamente guardado que era incapaz de expô-lo. Ela implodia, e isso a machucava. Era visível.

Via levantou-se rapidamente, virando-se para a janela. Ninguém precisava vê-la chorar.

— E eu? – Perguntou, sem atrever-se a olhá-la. – Eu não posso ficar sem você.

— Você não vai. Sempre estarei aqui. Nunca vai me perder – mãos gélidas envolveram sua cintura. – Eu amo você, Via.

As três palavras fizeram os joelhos da loira fraquejarem. Seu coração passou a escoicear as costelas, tão rápido e descontrolado que ela podia senti-lo na ponta dos dedos.

— Oh, Alex – Gold foi incapaz de conter os soluços agora. – Eu também amo você. Você não imagina o quanto!

Abraçadas, as garotas voltaram para a cama e assistiram o dia clarear. Via deitada sobre o peito de Alex, que carinhosamente descia os dedos pelo macio cabelo da amiga. Algumas vezes a loira cedia ao choro novamente, molhando o fino tecido da blusa da Winter mais velha, que nesse momento a abraçava mais forte, transmitindo uma segurança quase palpável.

Quando seu despertador tocou, nenhuma das duas tinha dormido. O dia seria longo na Westminster, mas Olivia Gold não estava preparada para deixar o colo da amiga tão cedo.

Uma vez mais desejou viver num mundo onde Samantha não existisse, onde fosse apenas ela e Alex.



“— VOCÊ TEM CERTEZA que está bem? Acho que não devia ficar sozinha; eu-

— Belle vai cuidar de mim – Alexandra soltou-se, deixando a sala.”

Via afundou o rosto nas mãos, sentindo-se estúpida. Porque ela nunca seria a primeira opção. Nem a segunda. Talvez nem mesmo a terceira. Alex era um sonho inatingível, e ela era excepcionalmente burra por cogitar torná-lo real.

— Via? – Ela foi chamada e virou-se, encontrando Harry Mollison parado a seu lado. – Você está bem?

— E-eu – ela franziu o cenho, sacudindo a cabeça em seguida. – Está tudo bem. Só estou preocupada com Alex.

Harry sentou-se ao seu lado, ali, na calçada do outro lado da escola. Ele era um garoto alto, com o corpo bem moldado pelo futebol, de olhos e cabelos e escuros e dono de uma barba muito agradável. Mollison, Winter e Gold eram amigos no ensino fundamental, e continuaram sendo próximos depois do ingresso na Westminster, mas as recentes amizades do garoto abalaram a ligação que tinham.

— Ouvi dizer que ela surtou. A Fitzy está espalhando para quem quiser ouvir que ela é louca – ele tirou um cigarro do bolso e o acendeu.

— Aquela mulher é desprezível – Olivia disse lentamente. Sua cabeça pesava.

— Com certeza é – Mollison deu um longo trago em seu cigarro, batendo as cinzas. – Você quer tomar um café? Está bem frio aqui; seu nariz está vermelho.

Gold conseguiu sorrir um pouco.

— Tudo bem – assentiu. – Mas apague o cigarro – pediu, sentindo falta do aroma mentolado dos cigarros de Alexandra.

Harry era sempre previsível, então escolheu o café da Victoria Street, que ficava muito perto da escola. Era um prédio antigo que a franquia de lanchonetes comprara e redecorara com tons amadeirados e seus logotipos verdes.

Olivia não costumava tomar café puro, mas pediu um duplo com muito açúcar para manter-se acordada, e revirou os olhos quando percebeu que Harry estava postando fotos do copo com seu nome escrito a caneta no Instagram.

— Registrar o momento; Starbucks é status – explicou o garoto quando percebeu o olhar dela. – E então, o que realmente está havendo?

— Já disse, não é nada, só Alex e-

— Via, eu conheço você desde a primeira série. Fui eu quem ajudou você e a Alex a colar goma de mascar na cadeira da professora de artes, e eu estava lá quando você encheu o aquário da sala de recreação de cola.

— Ainda me arrependo disso – Gold fez uma careta ao lembrar-se de como subiu nas costas de Alex e apertou o tubo inteiro de cola dentro do lar dos peixinhos dourados.

— Eu conheço você – a mão grande tocou a sua, e os olhos castanhos da loira cravaram-se no gesto. – Há algo errado. Alex também não está bem, mas ela não se abre e nós sabemos disso.

E, novamente, as lágrimas embaçaram a visão de Via, fazendo as bochechas sardentas e muito pálidas corar.

— E-ela... Ela vai embora – sussurrou, ainda com os olhos fixos na mão de Mollison sobre a sua. – Ela vai pra Alemanha com o Senhor Winter.

— Céus! Eu não fazia ideia – Harry piscou várias vezes, mantendo o silêncio.

A cacofonia de conversas aleatórias era tudo o que os adolescentes ouviam ali, sentados à mesa. Até que Mollison arrastou sua cadeira para o lado e abraçou a loira com força, fazendo-a esconder o rosto em seu peito.

— Sinto muito por você perdê-la – Via o ouviu sussurrar em meio a seus soluços baixinhos. – Às vezes as pessoas não enxergam o quanto gostamos delas.

As palavras soaram profundas demais, intensas demais.

Lentamente Olivia ergueu os olhos para fitá-lo e o encontrou com as bochechas tão vermelhas quanto as suas. Uma das mãos que estava em suas costas tocou-lhe o pescoço e o rosto do atleta aproximou-se perigosamente do seu.

A sensação de foi diferente.

Harry puxou-a para mais perto, abrindo delicadamente sua boca. Os lábios dele eram macios e muito molhados, e sua língua incerta tocando a de Via fez a garota ter vontade de recuar.

Mas no instante seguinte lembrou-se de que não era a primeira opção. Nem a segunda. Nem mesmo a terceira.

Trêmula, a loira agarrou a nuca do rapaz, que, surpreso, se afastou um pouco para olhá-la, mas logo sorriu e voltou a beijá-la.

Beijaram-se por o que pareceu ser um longo tempo. Mollison estava com os lábios vermelhos e palpitantes quando Gold parou para olhá-lo, e ela sabia que devia estar num estado bem pior.

Instintivamente a garota fitou o centro das pernas do atleta e não se surpreendeu ao encontrar um volume acusador e o rosto já ruborizado do rapaz assumiu um tom de vermelho quase fluorescente.

— Si-sinto muito, Via – Harry afastou-se, tentando cobrir-se com certa dificuldade. – E-eu... Não esperava... Perdoe-me e-

— Tudo bem – a loira respondeu, sem reconhecer a frieza em sua voz um pouco rouca. – Vamos embora.

— Claro.

Mollison pareceu realmente desapontado quando se levantaram. Ele já estava tirando a jaqueta para cobrir a protuberância sob o jeans quando Olivia Gold completou:

— Espero que não tenha ninguém na sua casa a essa hora.

ANABELLE

O céu daquela terça-feira estava cinza e anunciava uma típica tempestade fria de outono. Trovejava forte do lado de fora, e suas janelas embaçadas tremiam a cada estrondo.

Anabelle Parker era particularmente apaixonada por dias chuvosos. Quando pequena, sua mãe sempre fazia bolinhos salpicados de açúcar e servia em frente à lareira. E a primeira consulta de Alexandra Winter com ela fora num dia chuvoso. Assim como a primeira vez em que fizeram amor em seu apartamento. E também quando...

— Doutora Parker? – A voz de Victoria Wall a tirou do transe que fizera um pequeno sorriso se abrir em seus lábios. – Doutora Parker?

— Sim? – Belle respondeu, piscando algumas vezes para focalizar o rosto da garota baixinha e de cabelos escuros.

— Desculpe entrar dessa forma, mas como ninguém abriu quando eu bati...

— Está tudo bem, Vic. O que houve?

— Alexandra Winter – Wall explicou, corando um pouco. A psicóloga sabia perfeitamente que sua secretária era perdidamente apaixonada pelo pai de Alex, o grande arquiteto Ethan Winter.

— O que tem ela?

— Ela... Ela teve um surto nervoso durante a aula de literatura, começou a gritar com a professora e se retirou da sala – à medida que a garota explicava, Belle sentia seu sangue fugindo do rosto. – A Senhora Fitzpatrick encaminhou-a para a Coordenação, mas ela ainda parece muito nervosa. A coordenadora do segundo ano achou melhor que ela viesse falar com você.

— Onde ela está?! – Parker soou mais desesperada do que pretendia, tirando os óculos do rosto com agressividade. – Traga-a para mim agora.

Victoria deixou a sala e, quando retornou, Alex vinha em seu encalço, com um semblante neutro.

Winter sentou-se na cadeira a sua frente, e quando Wall saiu, Belle se adiantou para ela, levantando seu rosto para que a garota a encarasse.

— O que houve? – A psicóloga perguntou, assustada. Ainda sentia-se gélida.

— E-eu – Alexandra franziu o cenho, parecendo buscar as palavras. – Eu não consegui ficar ali. Estou muito nervosa. Aquela mulher me irrita e... Céus, Belle, precisamos conversar.

— Com certeza precisamos – Anabelle sentou-se na ponta da mesa, de frente para a garota. – Desde quando você resolve seus problemas gritando como uma louca em plena sala de aula? Lexi, você sabe que Raven Fitzpatrick não te suporta. Em todas as suas redações ela só lhe dá notas baixas, mesmo você sendo uma escritora maravilhosa. Em todos os conselhos seu nome é citado; você não po... – a médica foi interrompida pelos lábios da garota nos seus.

Parker demorou a entender o que estava acontecendo. Com um gemido abafado de surpresa, acariciou de leve os ombros de sua paciente predileta, arranhando o pescoço esguio.

— Quem eu sou para você agora? – A loira inquiriu, com um sussurro oscilante. – Sua psicóloga ou sua amante?

— Eu preciso que você seja ambas – Alex a abraçou forte, afundando o rosto em seu pescoço. – Mas, acima de tudo, eu preciso que você seja compreensiva.

O silêncio nos momentos seguintes pareceu perfurar os tímpanos de Anabelle e seu estômago agitou-se, pressentindo a tragédia.

— Belle – a morena sussurrou, enquanto a doutora acariciava seus cabelos. – No próximo mês, quando meu pai for para a Alemanha, eu vou com ele.

A frase ecoou pelo cérebro da loira por vários momentos, mas mesmo desta forma foi quase impossível processar as palavras.

Lentamente Anabelle afastou Alexandra, olhando-a muito atentamente. Seus lábios se abriram e fecharam várias vezes; ela precisava encontrar algo para dizer, mas tudo o que sentia agora era uma estranha vontade de chorar.

Ela não podia. Não podia deixá-la dessa forma, tão subitamente. Belle precisava dela. Tornara-se uma dependente. Alex não podia... Ela não devia... Ela...

— E-eu... Eu só estou cansada, entende? – Winter continuou, olhando para suas mãos agora entrelaçadas nas da médica, descansando sobre as coxas da loira. – Estou cansada de me sentir anormal, e ficar perto dela só piora tudo.

— Você não é anormal, Lexi – foi difícil encontrar sua voz, mas Parker tentou soar o mais firme possível.

— Não? – Ela riu, levantando os olhos; estava chorando. – Eu transo com você chamando pela minha irmã gêmea, Anabelle.

As bochechas de Belle arderam, mas ela não desviou os olhos. Ouvi-la falando daquela forma era demasiado doloroso, mas não podia demonstrar.

— E por que você acha isso errado?

— Não sei, talvez pelo fato de ela ser minha irmã?! – Ironizou a garota, secando agressivamente os olhos.

— E quem lhe disse que amar sua irmã é errado, Alexandra? – A loira levantou-se, se afastando. – Quando eu perguntei a você como se sentia sabendo que sua mãe acha a homossexualidade errado, sua resposta foi: “não é porque a sociedade acredita que é errado que realmente seja. Eles atiram misseis uns contra os outros achando que assim terão paz. Eles financiam armas a países subdesenvolvidos acreditando que assim vão extinguir a fome.” Eu me lembro de cada palavra, Lexi. Por que com essa questão tem de ser diferente?

Dizer aquilo doía mais do que parecia ser possível. Nunca trataram daquela questão, mesmo depois da confissão que Alexandra fizera na noite do recital de Samantha.

Anabelle sentia-se tão estúpida e indefesa; estava incentivando a garota – de dezesseis anos – que amava a descartar qualquer hipótese, mesmo que remota, de constituir algum sentimento por ela, quando o que ela mais queria e precisava no momento era de reciprocidade quanto àquela paixão ardente.

— Eu não sei, Belle – Alex sentou-se na mesa, levando as mãos a cabeça. O gesto a fez ficar de costas para a médica, que agradeceu interiormente por isso. – Não parece certo para mim. Parece-me um... Um...

— Um pecado? – Anabelle riu em alto e bom tom, deixando parte de sua frustração se esvair com aquele som. – O que uma pessoa que não acredita em Deus pode saber sobre pecado? Isso é hilário. Você acha que não pode desejá-la por ela ter sido gerada pelas mesmas pessoas que você? Céus, que grande coisa, não? Em certas culturas o casamento entre irmãos é tão natural quanto respirar. Então por vocês compartilharem alguns genes é estritamente proibido que desenvolvam qualquer tipo de afeto não fraternal? Quanta estupidez!

— Eu deixaria tudo por ela – Winter confessou, e a psicóloga fechou os olhos, mordendo o lábio inferior para conter um suspiro de dor. – Não me importaria com nada. Mas Sam não faria o mesmo.

— Você ao menos já tentou? – Belle perguntou, secando rapidamente os olhos enquanto a garota voltava-se para ela, encarando-a com as imensas íris azuis arregaladas.

Alex não respondeu nos momentos que se seguiram e a loira ficou interiormente grata a isso; era menos um golpe que teria de aguentar.

— Nã-não – Alexandra respondeu, levantando-se.

Ela tremia, com o rímel escorrendo pelo rosto; seus cabelos estavam uma bagunça naquele estranho coque feito com uma tiara. Foi irrefreável o instinto de arrumar os fios desordeiros e Anabelle logo se viu perto de mais.

— Eu daria tudo para poder amar você como a amo – a morena sussurrou a poucos centímetros de seus lábios; o sotaque britânico exageradamente acentuado fazendo as pernas de Parker fraquejarem.

— Eu nunca pedi isso.

— Você nunca pede nada – Alexandra murmurou, roçando seus lábios. – Essa relação só gira em torno das minhas necessidades. Minha mãe tem razão, eu sou uma maldita egoísta.

— Oh, pobrezinha. Como ela aguenta? Argh, poupe-se da auto-piedade – resmungou a médica.

Winter a agarrou pela cintura, juntando seus lábios novamente. Desta vez com mais calma e delicadeza. Anabelle segurou-lhe o rosto entre as mãos, afagando as bochechas molhadas com seus polegares.

— Você está tremendo – disse a psicóloga, quebrando o contato de suas bocas.

Ela não respondeu, apenas apertou-lhe mais contra seu corpo.

— Vou pedir para ligarem para o seu pai. Prescreverei um calmante leve para você.

— Não preciso – Alex se afastou, esfregando os olhos. Ela ficava tão adoravelmente infantil fazendo aquilo que a doutora Parker quase voltou a abraçá-la.

— Precisa, sim. Um calmante e chá de camomila. Também lhe darei o dia de amanhã em casa – Anabelle sentou-se a mesa, pegando alguns papéis em suas gavetas. – Há quantas horas você não dorme?

— Algumas.

— Quantas horas, Alexandra? – Repetiu, mais ríspida, sentindo seus próprios lábios tremerem e as lágrimas embaçarem a visão.

— Eu não sei. Quarenta e oito? Cinquenta? Algo assim – a morena respondeu num sussurro.

— Você vai pra casa, e, quando chegar lá, coma algo e me ligue – assinando a receita do calmante, Belle voltou a se por de pé. – A noite volte a me ligar. E amanhã de manhã também. Se alimente bem, por favor, e não beba nada com álcool.

— Posso ficar na sua casa? – Winter perguntou, olhando-a com os olhos suplicantes.

— Você precisa descansar e comigo ao seu lado isso não acontecerá – Parker entregou-lhe as receitas e voltou a abraçá-la. – Espere na secretaria enquanto Ethan vem até aqui.

— Por que não posso esperar aqui?

— Tenho pacientes agora – Anabelle mentiu, sentindo a garganta apertar. – Vá.

Alexandra, sua Lexi, assentiu, fungando, e deu-lhe um pequeno beijo nos lábios, deixando a sala.

— Até depois, Belle. E obrigada – ela murmurou, jogando a mochila nas costas.

— Não há de que.

Notas finais
Toki: Será que as leitoras-amantes de Carla Alexandra continuarão a amá-la após o abandono de Belle, Samantha e Olívia? Não perca, tudo isso e muito mais no próximo capítulo de: ~voz de suspense~ Leão do Inverno. Bjs bjs, galera :3 Babi: ICANT com essa menina, ahsuhduashud' Apenas rindo. Enfim, como foi? Eu sei, meu core está sangrando demais, tá doendo, Bellex é amor e, ai... Então, é, apenas lembrando, pra quem é da cidade de São Paulo, por favor, economize água e energia elétrica; estamos bem ferrados e tals, vlw? Flw. E pra quem não é também, né, mas vocês entenderam o apelo. SPOILER DA VEZ: "Por favor, espere por mim, porque eu vou voltar para você, Belle – colando seus lábios delicadamente, Winter sussurrou: - Eu prometo que vou."