Leão do Inverno
2 Livro Um — Capítulo I
Notas iniciais

Chovia muito naquela tarde de outubro. As pesadas gotas açoitavam as janelas do quarto de Olivia Gold, respingando para dentro pela fresta deixada a fim de libertar o cômodo da fumaça com cheiro de hortelã.
Luzes escorregavam para dentro periodicamente, raios constantes que cortavam o céu cinza-chumbo, quase como dedos fantasmagóricos, finos, pálidos e destruidores.
O rosto de Alexandra ficava ainda mais lívido sob aqueles flashes irregulares, Via percebia, olhando-a fixamente de sua cama.
— Quero dizer – Alex retomou seu monólogo de minutos antes, soltando a fumaça azulada pelo nariz – não é como se estivéssemos sentimentalmente ligadas, mas Belle é... Uma grande amiga – completou, absolutamente perdida em seus próprios devaneios, encarando a parte sul da Eaton Mews pela janela embaçada.
— Eu sou uma grande amiga e não vou para a cama com você – Gold se levantou, aproximando-se do espelho para observar as pequenas sardas de suas bochechas. – Você gosta dela? Mesmo ela sendo uma pedófila e tudo o mais?
— Sim. Digo, não – sacudindo a cabeça, Alexandra bufou. – Ela não é pedófila. Tudo o que fazemos é consentido. Mas, não. Não estou apaixonada, nem nada. Eu acho. O sexo é bom e... Gosto de conversar com ela.
— Era de se esperar. A mulher é uma psicóloga! – Via a encarou pelo reflexo do espelho antes de voltar suas atenções novamente para as bochechas salpicadas. – Mas você sabe que é perigoso. Ela tem o quê? Trinta anos? É o dobro da sua idade! E seus pais não fazem ideia de que você gosta de mulheres. Tenho certeza que Ethan abriria um processo contra a Senhora Parker se descobrisse que ela anda lhe dando alguns orgasmos casuais.
— E minha mãe provavelmente criaria uma nova Inquisição e obrigaria seus amigos estúpidos da igreja a caçá-la com tochas e foices. Eu sei, Via, eu sei – Winter deu um longo trago no cigarro mentolado, batendo as cinzas do lado de fora da janela com suas imensas unhas bem cuidadas. – Mas ter consciência dos perigos não significa simplesmente evitá-los. Gosto de Belle. Ela é meu ponto de fuga.
Olivia deixou a conversa morrer, refletindo consigo mesma sobre a incógnita chamada Alexandra Winter. Era a garota mais linda que conhecia, a mais divertida e inteligente, a melhor nos esportes e mais criativa, com a voz mais doce e o sorriso mais cativante. Conhecia a garota desde a pré-escola, quando ela e Samantha ainda andavam juntas e vestiam-se igual.
Alex era inegavelmente mais legal que sua irmã gêmea. Fazia as coisas do seu jeito, e seu jeito era sempre o melhor. Quando criança parecia um menino, e, ao lado de Olivia, as travessuras nunca terminavam. Costumavam esconder-se no banheiro da escola depois do intervalo para poder fugir para o parquinho ao invés de voltar para a sala novamente; subiam nas árvores da Primrose Hill e saltavam de lá como se não houvesse o menor risco. Aos sete anos, não havia um arbusto no Hampstead Heath Park que elas não conhecessem.
E, mesmo depois de doze anos na companhia da garota, Via tinha a invariável sensação de que não a conhecia por completo, de que Winter era profunda demais para ser inteiramente decifrada. E isso a incomodava.
Gold guardava seus maiores segredos, e, ainda assim, por vezes parecia que a garota não era suficientemente confiável.
Frustrada, Olivia encarou seu reflexo no espelho. Era alta demais, magra demais, com seios grandes demais e sardas demais. Seus curtos cabelos loiros caiam em cachos pequenos até os ombros e os olhos castanhos pareciam ser a única coisa realmente viva em seu rosto desnecessariamente pálido.
— Alex? – Via a chamou, sem virar-se.
— Sim? – A garota que já tinha finalizado seu cigarro e agora voltava a se afundar nos livros de biologia genética sobre a cama respondeu.
— Você acha que seria capaz de se apaixonar por alguém?
Alexandra demorou tanto em responder que Olivia pensou que não tivesse entendido a pergunta. Quando tomou coragem o suficiente, Gold virou-se para olhá-la, sentando-se na cama, a sua frente.
— Sim – o sussurro foi tímido e contido, como se ela não quisesse realmente admitir aquilo. – Por mim mesma – completou muito séria, mas depois acrescentou um sorriso torto e quase melancólico a frase.
Via lhe atirou um estojo contra o peito, levantando-se e se encaminhando para o banheiro. Antes de fechar a porta, gritou:
— Faça um último exercício e comece a se arrumar. Seu pai vem nos pegar para o concerto às seis.
E, exatamente às seis, Ethan estava buzinando seu Vauxhall Insignia às portas dos Gold, mas Alex ainda não estava pronta e o fez esperar por quase vinte minutos.
Olivia estava fazendo companhia aos Winter e seu pai numa conversa muito animada sobre a partida do Chelsea na última semana quando Alexandra a chamou e, pedindo licença, a loira foi encontrá-la no andar de cima, se encarando no espelho, com o zíper do vestido preto aperto até o cóccix.
— Céus – Via suspirou, rindo, e se encaminhou para fechar a abertura generosa da roupa. – Você está linda.
— Acha que Sam vai gostar? – Ela perguntou, mexendo nos cabelos presos por palitinhos num coque comportado.
— Mesmo eu, com toda a minha heterossexualidade, lhe comeria nesse vestido – Gold zombou, deferindo um forte tapa na coxa da amiga. – Você está perfeita, Alexandra, agora, por favor, podemos? Juro que se seu irmão voltar a xingar o Čech eu perderei o controle.
Alex apenas assentiu. Parecia realmente nervosa. Vestiu seu sobretudo e desceu, despedindo-se do pai de Via com um forte abraço.
Dentro do carro, a caminho do Unicorn Theatre, a gêmea Winter mais velha não conseguia parar de coçar o nariz – algo que sempre fazia quando estava ansiosa. Olhava pela janela do carro, mas Olivia tinha certeza de que ela não estava realmente enxergando a paisagem.
A atmosfera estava realmente sufocante ali, com toda a hiperatividade de Alexandra contida. Até Katherine, que geralmente era distraída, percebera o estado de nervos da filha, mas comentou que deveria ser por conta da “conexão”.
— Coisa de gêmea – ela dizia, mais para si mesma do que para os outros quatro. – Samantha deve estar arrancando os cabelos também. É normal que Alex sinta o mesmo.
Mas, para Olivia, aquele nervosismo tinha outra origem. Uma mais profunda, mais secreta, pertencente à parte escura que Alexandra não permitia ser penetrada por ninguém.
Quando chegaram a Tooley Street o congestionamento de carros era imenso. Foram minutos aterrorizantes onde Thomas, o irmão mais novo de Alex e Sam, tentou incansavelmente entrelaçar seus dedos nos de Olivia por sobre o branco do passageiro.
Vários jovens talentos britânicos estariam ali, incluindo dois violinistas do País de Gales que foram recentemente convidados para fazer participações especiais na Royal Philharmonic Orchestra.
O lugar, que geralmente era utilizado para premiações e congressos, estava repleto de pessoas engravatadas, com joias tão grandes quanto bolas de pingue-pongue, donos de carros de luxo, diretores de empresas musicais e chefes de orquestras famosas.
Samantha teria sua chance de ouro naquela noite.
Havia uma grande foto dela no panfleto com a grade de horários. Ela era incrivelmente idêntica a Alexandra mesmo agora, depois de adolescentes.
Olivia e os Winter sentaram-se na quarta fileira, com uma visão privilegiada do palco abaixo. Sam foi a sétima a entrar no palco, logo após Marco de Luca, um rapaz moreno que tocava violoncelo.
A gêmea Winter mais jovem estava vestida com uma calça preta justa e uma grossa blusa branca de botões dourados. Seus cabelos estavam soltos e um batom vermelho se destacava nos lábios grossos.
Alexandra foi a que aplaudiu mais forte quando a irmã adentrou o recinto, e seus imensos olhos azuis lacrimejaram. Quando o silêncio caiu, antes de as teclas de marfim serem acionadas, a única coisa que Via Gold conseguia ouvir era a respiração ofegante da amiga, que comprimia um sorriso largo com a palma da mão suada.
Olivia não percebeu realmente quando Samantha começou a tocar; seus olhos estavam presos no reflexo da garota, a cópia extremamente bem desenhada, vestindo roupas diferentes e com uma expressão de adoração nos olhos.
Alexandra deixava as lágrimas caírem, mesmo nas primeiras notas. Seus finos dedos pálidos tremiam e as bochechas molhadas começavam a assumir um tom de cor-de-rosa muito bonito.
Mas havia uma expressão estampada em seus traços.
Algo vindo de lá, das profundezas inexploradas daquela mente brilhante.
Alex encarava a irmã como se quisesse correr até lá e agarrá-la. Como se quisesse se atirar no palco, implorando por um abraço. Seus suspiros eram tão melados e derretidos que pareciam...
Apaixonados.
Os olhos de Olivia Gold saltaram das órbitas, sua boca se escancarou e, por um rápido momento, ela teve vontade de gritar com Alexandra.
“— Você acha que seria capaz de se apaixonar por alguém?”
“— Sim. Por mim mesma.”
Os dedos finos moviam-se ininterruptamente nas teclas claras, pressionando, deslizando, produzindo a mais delicada melodia. Era Vento, uma composição fabulosa e extremamente sentimental, acompanhada por uma orquestra secundária de violinistas.
Sam estava de olhos fechados; os lábios vermelhos comprimidos, sobrancelhas levemente franzidas. Alex sabia que ela choraria se afastasse as pálpebras. Vento sempre fora a música favorita da garota, e tocá-la para um auditório repleto de pessoas verdadeiramente importantes talvez fosse demais para as estruturas emocionais não muito fortes de Samantha.
Mas ela estava se saindo muito bem. Alterando as notas constantes, da mais aguda a mais grave, sem perder o compasso. As mãos vagueando pelo teclado, os suspiros se intercalando, o tronco balançando quase imperceptivelmente para frente e para trás.
Ela era fabulosa.
Quando a última nota morreu, flores foram atiradas para o palco. Estavam todos de pé. Samantha Winter estava sendo ovacionada, e Alexandra chorava incontrolavelmente ao ver as lágrimas escorrem pelos olhos claros da irmã.
Não esperou a próxima apresentação. Assim que Sam deixou o palco ela esgueirou-se por entre as fileiras, ignorando os protestos de Via e seus pais, e encaminhou-se para fora dali.
Precisava chegar até Sam. Dar-lhe um abraço e dizer o quão tinha sido maravilhosa. Girá-la em seus braços e sussurrar que a amava. Porque, céus, ela a amava com tudo de si, e, enquanto seu coração escoiceava o peito e as pernas venciam os degraus até o hall, ela tinha mais certeza disso.
Duas pessoas a pararam acreditando que ela fosse a musicista que acabara de se apresentar, e apenas com certo esforço conseguiu alcançar os camarins.
Teve de parar para enxugar as lágrimas e se recompor. O sorriso em seus lábios estavam tão largo que tornara-se dolorido.
Mas, assim que afastou a porta com as mãos trêmulas, sentiu em seu estômago uma familiar ânsia de vômito. Sua expressão de felicidade extasiada padeceu aos poucos e logo as lágrimas salgadas de alegria transformaram-se em pesadas gotas amargas de revolta.
Samantha estava nos braços de Marco de Luca, o violoncelista alto, moreno e cheio de músculos. O beijo que trocavam era tão intensamente apaixonado e lascivo que no mesmo instante Alex sentiu sua refeição anterior subir pela garganta e frear, tapando sua respiração.
Sam revirou os olhos e, por entre as pálpebras trêmulas, conseguiu enxergar a irmã. Largou o músico rapidamente, com uma expressão perturbada e suas bochechas coraram furiosamente.
— Alex – ela começou, parecendo estar realmente desconcertada. Mas a gêmea mais velha não estava ouvindo, sua atenção vagava pela camisa branca aberta, expondo sua camiseta da sorte do Batman – poderia não contar para o papai? Ele ficaria...
Com um aceno brusco de cabeça, Alexandra concordou, quase roboticamente. Esboçou um débil sorriso, deixando as lágrimas escaparem por entre seus cílios. Fez um sinal de silêncio, levando o indicador ao lábio, e depois saiu dali, tentando não tropeçar nos próprios pés.
Ei, você foi muito bem.
Nossa, você estava linda.
Foi brilhante, Sam, absolutamente brilhante.
Todas frases expiraram em seu cérebro, abandonadas, sem ao menos serem verbalizadas.
Não percebeu que estava soluçando violentamente até seu corpo começar a sacudir em espasmos que pareciam muito com uma pequena convulsão. Era tão estúpida, tão estúpida.
Quando iria entender que seu romance platônico estava fadado ao fracasso? Quando iria parar de gastar suas preciosas lágrimas com causas previamente perdidas? Quando diabos iria deixar de ser tão masoquista e se martirizar por algo que só lhe trazia dor?!
Não viu para onde estava indo. Não queria ver, de fato.
Ao atirar-se para fora do teatro, recebeu, de imediato, uma forte rajada de chuva no rosto, mas não reclamou. O frio nunca a incomodou, de qualquer forma.
Estava mais preocupada com todo o autojulgamento que travava na periferia de sua mente. Era uma criança. Pouco mais que um bebê. E admitia isso. Era uma jovem inexperiente na vida, alguém que estava simplesmente começando a galgar a imensa escadaria da existência.
O que alguém assim poderia saber sobre amor? O que ela poderia dizer sobre paixão? Sobre a necessidade, a dependência de outro alguém?
Sempre que se questionava sobre tais sentimentos e suas magnitudes, achava-se ainda mais estúpida por estar apaixonada por Samantha. Porque, no fundo, numa parte exclusa e quase sufocada de seu subconsciente, ela desejava, implorava, acreditava veementemente que aquilo iria passar. Cedo ou tarde ela perceberia que aquele desejo desenfreado que sentia por sua irmã não era nada mais que uma expressão distorcida de seu amor próprio. Uma manifestação indevida de hormônios. Uma besteira de adolescente.
Ela queria acreditar nisso com todas as suas forças, mas, enquanto corria para longe da Tooley Street, tudo o que sua mente conturbada conseguia projetar era a imagem de sua irmã beijando Marco de Luca com um desejo quase palpável; os corpos se tocando, a barba rala e escura roçando contra a pele pálida e macia de sua irmã, as mãos grandes apertando aquela cintura fina, e os dedos dela que antes acariciavam as teclas do piano, agora embrenhando-se nos fartos cabelos negros...
Não conseguiu segurar. O fluxo intenso de vômito subiu por seu esôfago e saltou por entre seus lábios. O líquido azedo e meio amarelado jorrou, dilatando sua garganta de forma ignorante.
Alex se debruçou sobre uma cerca de ervas ali perto e, tentando não desmaiar, vomitou toda sua refeição meio digerida, tossindo e engasgando com o fluido ácido que expelia.
Quando tudo acabou, desejou sentar no chão e chorar. Resumir-se a uma bola encolhida, encarcerada em sua estupidez. Tão patética.
Apanhou a bolsa cegamente, recebendo, de bom grado, rajadas de chuva grossa e fria no rosto. Tirou seu celular de lá, discou um número já conhecido e esperou.
Seus cabelos já estavam úmidos e desprendendo do coque quando, finalmente, uma voz soou do outro lado da linha, com um claro sotaque americano:
— Hm, alô? Lexi?
Demorou em conseguir encontrar as palavras; o choro fazia seus músculos da garganta doerem de forma incômoda, e, quanto mais tentava não chorar, quanto mais as vozes em sua cabeça lhe mandavam engolir as lágrimas, mais elas jorravam.
— Lexi? – Belle Parker perguntou novamente.
— Olá, Belle – Winter respondeu, trêmula, prendendo o celular entre o ombro e a bochecha para conseguir procurar um cigarro dentro da bolsa; a essência de menta tiraria o gosto do vômito de suas papilas gustativas.
— Ei, você está chorando? – A psicóloga logo perguntou, exaltada. Ela se preocupava. Nitidamente se preocupava, e isso a tornava melhor que muitos.
— Não. Bem, eu... Eu só... – Mas o soluço atrapalhou sua melhor desculpa, e, com o maço de cigarros na mão, Alexandra deixou-se escorar na parede de um estabelecimento qualquer, tremendo, sendo atingida pela tempestade. – Poderia vir me buscar? Por favor?
— Onde você está? Diga-me e chegarei aí logo.
Buscando cegamente por uma placa qualquer, Alex respondeu, ainda chorando:
— Gaery Street, próximo a Tooley – explicou, secando os olhos. – Por favor, por favor, Belle, venha logo.
E ela veio. Talvez não tivessem se passado quinze minutos desde a ligação quando o Nissan prata parou no acostamento da Gaery Street e uma mulher alta, de longos cabelos loiros e olhos muito verdes saltou.
Belle não se importou em molhar-se. Tirou seu casaco para envolver Alexandra, quem deixara seu próprio sobretudo no teatro, e, gentilmente, guiou-a para dentro do veículo, depois de alguns momentos abraçando-a com força.
Não conversaram até o Altima parar na Heath Drive. O apartamento de Belle era pequeno, com dois quartos, uma cozinha quadrada e minúscula, e uma sala completamente branca. Alex adorava aquele lugar.
— Você precisa ligar para os seus pais. Eles provavelmente estão desesperados a sua procura – Parker declarou assim que acomodou a adolescente sobre o balcão da cozinha.
— Posso respirar um pouco antes? Só... Só preciso... Acalmar-me – Winter pediu, sem coragem o suficiente para erguer os imensos olhos azuis.
— Certo.
Belle sorriu, acariciando os cabelos molhados que desabaram do coque. Delicadamente depositou um beijo no ombro desnudo e Alexandra encolheu-se, sentindo os arrepios lhe rasgando de dentro para fora.
— Quer conversar? – A psicóloga perguntou, sem afastar os lábios da pele gelada.
— Eu... Só...
E o choro irrompeu por sua garganta uma vez mais. Sentindo-se pequena e desprotegida, a morena agarrou-se a mulher a sua frente com força, afundando seu rosto pálido no pescoço esguio, tentando esconder-se do mundo, apenas sumir.
Por favor, você é tão dramática que se torna entediante, algo sussurrou em seu interior, e teve de morder o lábio inferior para conter o soluço agudo.
— É... É a Sam – Alexandra simplesmente disse, incapaz de refrear as palavras. – Ela é minha irmã e... Céus, eu a amo! A amo!
Mesmo em meio a seus suspiros pesados Winter foi capaz de ouvir o riso fraco de Belle Parker. Os dedos curtos e finos acariciaram seus cabelos e um beijo delicado foi plantado no topo de sua cabeça.
— Eu sei – a psicóloga riu. – Eu sempre soube.
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