Leão do Inverno

39 Livro Três — Capítulo XIII


Notas iniciais
CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FINAL DA FIC — 01. HOLAAAAAA! COMO VÃO VOCÊS???? Gente... É o último capítulo. Vocês tem noção que depois disso só vai ter o epílogo e já era? Eu não estou sabendo lidar. Na verdade, essa é a frase que eu mais usei nos capítulos anteriores, e é o que melhor define minha situação. Sem muita enrolação, só quero avisar que vocês precisam muito ler as notas finais e DEDICAR O CAPÍTULO À LINDA DA BIA E À MARAVILHOSA DA LOH por recomendarem a fic e por serem tão lindas. Obrigada, de verdade. Eu sei que meus agradecimentos são cansativos, mas, gente, o que seria de um autor sem as pessoas que leem o que ele escreve? Anyways, boa leitura. Tô muito emocionada pra me prolongar. ---------------------------------------------------- “Eu estive esperando por tanto tempo por uma coisa tão certa, por amor que duraria. Agora nossos sonhos estão se tornando realidade. Através dos tempos bons e dos ruins, eu estarei esperando lá por você. E você é tudo que eu quero. Quando você deita em meus braços, eu acho difícil de acreditar que nós estamos no paraíso. E amor é tudo que eu preciso e eu achei isso em seu coração. Não é muito difícil de ver que nós estamos no paraíso.” – BOYCE AVENUE e MEGAN NICOLE, Heaven.

SAMANTHA

O último domingo de Janeiro estava sendo marcado por temperaturas negativas e uma nevasca pouco forte do lado de fora do terceiro andar do Tennyson Lodge. Lá dentro, no entanto, Samantha Winter encontrava-se quente.

Ela sorria, realmente feliz, vendo Alexandra abraçar Anabelle Parker de forma quase histérica, rindo alto.

Há alguns momentos ela estava se comportando como uma pessoa normal, mas no instante em que Annie mencionou a palavra “casamento”, de alguma forma o lado descontrolado e exagerado de sua irmã fora libertado – algo que ela poucas vezes vira acontecer.

— Isso é tão... Fantástico – Alex disse, agora olhando para Samantha, que ria pela forma como as bochechas geralmente pálidas encontravam-se num tom intenso de carmim agora. – Não é?

— Claro! – Sammy tentou responder com o mesmo entusiasmo.

Anabelle, que estava secando as lágrimas, também ria, mas de forma desconcertada.

Sam não conseguia imaginar o que estava passando pela mente da médica, uma vez que ela estava anunciando seu casamento para a mulher que costumava amar. Porém, ao perceber que estava se perguntando isso num tom que não sugeria nenhum rancor, de fato, Samantha sorriu ainda mais largamente.

Embora o ciúme de Alex com Belle ainda fosse uma dor incômoda, fora posta sob controle, e o afeto que um dia sentira pela psicóloga estava voltando a aflorar.

— Mas eu não vim até aqui apenas para anunciar isso – Belle ria, ainda um pouco emocionada; o anel de noivado faiscando a cada movimento de suas mãos delicadas.

Alexandra e Samantha inclinaram-se mais em sua direção, esperando para que ela prosseguisse e, com um sorriso encantador, a loira declarou:

— Eu vim, na verdade, para perguntar se... Se vocês gostariam de ser minhas madrinhas.

Após digerir as palavras por alguns instantes e degustar a ideia apropriadamente, foi Sam quem descontrolou-se e atacou a loira com um abraço forte. Ela jamais imaginara algo assim – não depois de tudo.

A relação delas com Anabelle Parker poderia ser classificada de várias maneiras – desde pervertida até uma perda de tempo –, e justamente por ter certeza de que, depois dela, Belle fora a pessoa que mais cuidara de Alexandra, Sam sentia-se envergonhada pela forma como agira nos últimos meses em relação a médica e, sobretudo, tocada por saber que, ainda com todas as adversidades postas na trilha da história delas juntas, Doutora Parker continuava se esforçando para fazê-las parte de sua vida.

Embora a dor de certas perdas estivesse castigando a mais jovem das Winter àquela altura, ela conseguiu ver naquele convite, naquela pequena ação, o impulso que precisava para aceitar e abraçar a chance de felicidade que lhe estava sendo oferecida.

Ela sabia que a ausência de Katherine lhe machucaria. Sabia que algumas amizades seriam perdidas e laços desfeitos. Sabia que este era o preço que pagaria por amar quem amava. Mas sabia que havia pessoas que jamais lhe abandonariam. Pessoas quebradas o suficiente para enxergar em seus cacos e farpas o complemento perfeito para suas próprias fendas. Pessoas como Anabelle Parker, que apesar de tudo estaria ali para ela e Alex.

Naquele momento, no meio do inverno londrino, perdida entre milhões de pessoas, Samantha Winter sentia-se grata. Grata por finalmente ser capaz de entender que uma vida completa não significava uma vida cheia – apenas uma vida onde as pequenas peças oferecidas eram suficientes para preencher as lacunas que as adversidades esporadicamente cavariam.



ALEXANDRA

— Mas ela está demorando muito! – Emma Thorne murmurou, impaciente, pela décima oitava vez, e Alexandra Winter teve de respirar fundo para não estapear-lhe o rosto.

— Emma – Alex segurou os braços desnudos da loira, fazendo-a encarar-lhe. – Ela não vai fugir. Acalme-se.

Tentando ignorar a policial histérica ao seu lado, Alexandra resolveu dar uma última volta na clareira onde a festa de casamento de Anabelle Parker fora montada.

Estavam no meio de New Forest, uma área de preservação natural que contava com alguns espaços particulares onde toda a estrutura da cerimônia fora montada. O altar fora posto no meio de um imenso gazebo de madeira, todo enfeitado com copos-de-leite e rosas vermelhas. Entre as árvores, lanternas rústica de luzes brancas foram colocadas e perto da área onde o juiz-de-paz ficaria, meia centena de cadeiras foram dispostas.

Era o cenário de um conto de fadas, e o clima quente ajudava a fazer tudo parecer ainda mais aconchegante.

Era agosto. Quinze de Agosto, mais precisamente, e embora Samantha estivesse correndo de um lado para o outro, cuidando dos pequenos detalhes que competiam às madrinhas, Alex sabia que ela não esquecera que quinze de Agosto significava o aniversário de Katherine. Sabia também que ela tentara ligar para a mãe, que agora estava vivendo em Bedfordshire, mas as ligações foram rejeitadas, como todas as outras desde Janeiro. Mas Alex sabia, sobretudo, que Sammy não queria falar sobre aquilo, da mesma forma que ela estava evitando sequer pensar sobre o assunto.

A forma como Sam aparentava estar atarefada lhe parecia, sob uma análise psicológica profissional, uma forma de fugir da realidade, e compreendendo que a pianista precisava daquilo tanto quanto ela própria, Alexandra apenas permitia que ela fizesse o que fosse preciso para sentir-se mais feliz – ou, pelo menos, mascarar a infelicidade.

Não que elas não estivessem felizes, pois elas estavam. Tão felizes como Alex jamais julgou ser possível sentir-se, principalmente depois de tudo o que passara para poder finalmente deleitar-se com aquela sensação de paz que lhe estava sendo oferecida. Mas havia espaços na vida das gêmeas que talvez ficassem vazios pela eternidade. O amor delas era ofensivo e doloroso para outros que não elas mesmas, pois eles jamais entenderiam a magnitude daquele sentimento. E como poderiam, se nem mesmo a própria Alex se julgava capaz de comedir tudo o que estava sentindo?

As únicas pessoas que sabiam eram seu irmão e Olivia, Anabelle e Emma – quem esforçava-se para fingir ignorância visando uma boa convivência –, Andrea, Raven e Esther, amigas das gêmeas Winter. Ethan, que estava em lua-de-mel no Paraguai, ainda não fazia ideia de nada daquilo, e Alex, de forma covarde, desejava que continuasse assim, mais para proteger Samantha do que qualquer outra coisa, porque sabia que a irmã não aguentaria se ele também lhe virasse as costas.

Ela não aguentaria várias situações, Alex concluiu, semanas depois de Katherine descobrir sobre o relacionamento delas. Aquela história de amor, ainda que mágica e linda, arrancaria de Samantha várias coisas com que ela sonhara a vida toda. E isso ficou ainda mais dolorosamente claro para Alexandra ao ver o olhar sonhador no rosto da irmã quando esta finalmente parou ao seu lado, perto do altar, fitando o fim do tapete vermelho por onde Anabelle Parker caminhava num vestido de noiva que lhe caía maravilhosamente bem. Ao lado da médica, o elegante cirurgião plástico de meia-idade, Henry Parker, caminhava para o altar da forma mais orgulhosa que um pai poderia fazer.

Os cabelos loiros de Belle atados numa trança-espinha-de-peixe combinavam quase propositalmente com o coque igualmente dourado de Emma. Ambos os vestidos brancos e minimamente detalhados arrancavam suspiros audíveis e, ao lado de Alexandra, Sam deixou uma exclamação de adoração – ou seria uma inveja velada? – escapar.

Alex sentiu seu coração errar as batidas; ela abriu a boca para dizer algo, mas não foi capaz. Preferiu guardar o que quer que estivesse pensando para si, tentando focar-se em Belle e não na fantasia de que ali poderia ser ela própria e sua irmã, no casamento delas.



EMMA THORNE TINHA as mãos sobre as de Anabelle enquanto as duas cortavam o imenso bolo de casamento juntas. Alexandra jamais vira Belle sorrir tanto quanto naquela tarde e ainda que a futura psicóloga estivesse certa de que Samantha era a mulher mais linda do mundo, não podia deixar de reparar no quão criminosamente perfeita Anabelle estava – e Emma também, mas ela jamais admitiria isso.

Sam, que secava as lágrimas de emoção para longe dos olhos e ria como uma bêbada, desvencilhou-se de Alexandra, dando a volta na mesa para conseguir algumas fotos das noivas com seu próprio celular, e Alex, que estava encantada demais assistindo aquele espetáculo loiro a sua frente, permaneceu onde estava.

Ela só se deu conta de que havia alguém ao seu lado quando virou-se para pegar outra bebida.

Seu corpo colidiu com o de Olivia Gold e, com os olhos arregalados, ambas encararam-se por alguns momentos. Desconcertada, Alexandra fez menção de continuar seu caminho até a mesa de bebidas, mas a mão de Via segurou-lhe pelo braço, tomando sua atenção uma vez mais.

— Eu só- – Olivia começou, suas bochechas corando e fazendo as sardas tornarem-se perceptíveis mesmo sob a generosa camada de pó. – Eu venho tentando dizer isso há algum tempo. Eu- E-eu- Eu sinto muito. Eu acho.

Embora sua mente girasse rápido e os pensamentos se chocassem uns contra os outros, Alexandra não era capaz de produzir nenhum raciocínio lógico. Ela apenas encarava Olivia, piscando repetidas vezes.

— Eu fui idiota. Pessoas comportam-se como idiotas quando são machucadas – Gold largou seu braço aos poucos; os olhos vagando para o chão enquanto as palavras saíam. – Eu só não percebi que quem me machucou foi eu mesma.

Os risos e a música dos anos oitenta no plano de fundo pareciam completamente destoantes àquela cena. Seu silêncio estava constrangendo Olivia, mas nem ao menos tomar ciência disso fê-la encontrar algo útil para dizer.

— É só que... – a loira retomou, talvez pensando que deveria explicar-se mais amplamente. – Eu estava com tanta raiva e com tanta dor. Eu estava tão louca e revoltada. Eu perdi a única pessoa que eu realmente amei a vida toda e minha vida estava uma droga, mas saber que a culpa de tudo era minha não tornava nada mais fácil. Eu estava tão... Só.

— Eu não quis abandoná-la – Alex viu-se quase gritando, tocando a garota sem muito jeito. Havia lágrimas em seus olhos e sua voz quebrou quando prosseguiu. – E-eu só estava dragada demais nas minhas próprias desgraças e eu sentia que se me ligasse a qualquer coisa aqui na Inglaterra, a dor que eu tentei deixar para trás só faria crescer. Eu sinto muito por tê-la deixado quando você mais precisava, Olivia. Eu- Eu não queria- Eu sei que-

— Está tudo bem agora – Gold disse e o sorriso que acompanhou esta declaração fez Winter realmente acreditar que aquilo poderia ser verdade. – Nós somos uma família. E eu não aguentava mais agir de forma contrária a isso.

Alexandra não soube como, mas assim que se deu conta, estava abraçando Via com toda a força que residia em seu corpo. Ela soluçava baixo, enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, comprometendo a maquiagem em que passara horas trabalhando.

— Eu sinto tanto! Eu realmente queria ter estado aqui quando-

— Shhh – Gold beijou-lhe os cabelos da forma como ela costumava fazer há anos atrás. – Você está aqui agora. É o que importa.



— BOA VIAGEM – ALEXANDRA sussurrou para Anabelle, mantendo-a perto, no abraço mais fraterno que elas já trocaram. – E cuide-se.

— Eu vou – Belle sorriu para ela, afastando-se e acariciando seu rosto. – Se eu não estivesse casada eu te beijaria agora – ela disse, rindo, e Alex foi incapaz de conter uma gargalhada.

— Se sua mulher não tivesse armas em casa isso não seria um empecilho.

Winter piscou, divertida, e afastou-se para observar a médica entrar na limusine meticulosamente encerada enquanto comentava com o simpático Senhor Parker como a filha dele era maravilhosa.

Thomas, com uma garrafa de champagne em mãos, puxou Alexandra para a pista de dança. Músicas dos anos 2000 agora preenchiam o ar daquela área de festas na reserva de New Forest e o crepúsculo trazia uma atmosfera psicodélica àquele cenário.

Procurando Samantha com o olhar, Alex só conseguiu encontrá-la algum tempo depois, conversando de forma agitada com Olivia a vários metros de distância. Talvez sentindo seu olhar, como costumava acontecer, Sam tomou fôlego de forma visível e adiantou-se para os irmãos que agora dançavam juntos uma música lenta.

— Posso roubá-la um pouco? – A pianista perguntou, sorrindo de forma um pouco débil. Ela estava claramente ébria.

— É toda sua – Tom beijou a testa das duas antes de afastar-se.

Alex permaneceu encarando a garota por alguns momentos, tentando decifrar se ela estava realmente alterada ou não.

— Vamos dar um passeio? – Samantha perguntou, mexendo nos cabelos da forma como fazia quando estava nervosa.

— No meio da floresta? – Alexandra arqueou uma das sobrancelhas, mas antes que recebesse uma resposta, estava sendo arrastada para o meio das árvores por uma Sam inquieta.

Embora estivesse aparentemente bêbada, a mais jovem das gêmeas Winter continuava linda. Seus cabelos soltos se agitavam a cada passo em meio às árvores, as luzes das lanternas beijando sua pele pálida, lançando fragmentos de claridade em seu vestido vinho e fazendo seus lábios tornarem-se cada vez mais atraentes sob o batom Borgonha.

Talvez Alexandra estivesse embriagada também, mas a expectativa de que algo incrivelmente selvagem acontecesse entre aqueles pinheiros e faias a deixou hipersensível e varreu qualquer preocupação anterior de sua mente.

Sam parou, sorrindo, e virou-se para fitá-la.

— Você está bem, amor? – Alex sibilou, franzindo as sobrancelhas para o semblante um tanto aéreo e os olhos marejados dela.

— Estou maravilhosa – ela sussurrou, a voz instável e embargada.

Antes que Alexandra pudesse perguntar o que estava acontecendo, no entanto, a pianista abaixou-se e puxou do meio das árvores uma caixa que passara completamente despercebida pela mais velha das Winter.

Era de madeira e tinha uma forma que ela jamais esqueceria entalhada na superfície.

O dragão de três cabeças, símbolo de uma das famílias de sua série de livros favorita – que passara a assombrá-la, de certa forma, depois de suas viagens espirituais que agora pareciam ser realmente produto apenas de sua mente danificada – fora cravado em todos os lados da caixa, e quando Samantha abriu o recipiente, a futura psicóloga foi surpreendida pela visão de três ovos com escamas coloridas acomodados contra o veludo negro do fundo.

Sam pegou o maior deles, que variava entre as cores carmim e grafite, e a forma como os olhos dela brilharam enviou arrepios de antecipação pela espinha da mais velha das gêmeas.

— E-eu preciso dizer a-algumas coisas – a pianista gaguejou, trêmula.

Quando Samantha se ajoelhou, ainda segurando o ovo de escamas vermelhas e pretas, Alexandra realmente acreditou que a irmã estivesse bêbada, mas a voz que saiu daqueles lábios não poderia vir mais sóbria:

— Até que o sol nasça no oeste e se ponha no leste. Até que os mares sequem e as montanhas sejam sopradas pelo vento como folhas... Eu te amarei. Eu serei sua. Eu buscarei por você, eu lutarei por você, eu estarei com você.

Alexandra reconheceu cada palavra – tanto da citação dos livros, quanto da declaração que ela fizera à Samantha quando lembrara-se de tudo, meses antes. Ela mal podia respirar e encontrou-se ainda mais fora de si quando Sam abriu o ovo de dragão e lá dentro, brilhando timidamente, uma aliança prateada, incrustada com pequenos diamantes, estava acomodada.

— E por isso – a pianista continuou, a voz tornando-se cada vez mais rouca por conta do choro – eu acredito que esteja preparada para lhe fazer uma pergunta muito importante.

Devagar, Sammy umedeceu os lábios e seus imensos olhos azuis fixaram-se de forma ainda mais intensa nos de sua irmã gêmea. Ela sorriu e com o movimento de suas bochechas, as lágrimas que vinha contendo finalmente desabaram.

Assim que as palavras começaram a rolar pelos lábios dela, Alexandra cobriu a boca para que seus soluços não lhe interrompessem.

— Alex, você quer se casar comigo?

Alexandra conseguiu ver, nos poucos segundos que teve para recuperar seu fôlego e forçar suas cordas vocais a trabalharem, sua vida com Sammy desde quando poderia lembrar-se até esse fatídico momento onde ela se encontrava de joelhos, perguntando se poderia unir a vida das duas de uma forma ainda mais intensa.

Desde as brincadeiras de casinha, das tardes passadas andando de bicicleta na Arkwright Road, passando pelas noites de pijama, assistindo a maratonas de filmes, comendo besteiras e gastando horas – literalmente – apenas olhando uma para outra na cama, entendendo-se com simples olhares, até chegar finalmente nas madrugadas se amando no pequeno pedaço de paraíso que agora dividiam em Oxfordshire.

Como ela poderia externar tudo aquilo? Todos aqueles sentimentos, lembranças e pensamentos? Todas aquelas formas de dizer “sim”, um milhão de vezes “sim”? Como ela poderia agradecer Samantha pela forma como dilacerara sua vida e reconstruíra-a, mais bela e deslumbrante do que jamais poderia ter sido cogitado? Como explicar a ela, por meio de palavras ou gestos, a imensidão de seu amor, de sua entrega, de sua dependência e gratidão?

— Sim! – Ela gritou, puxando Sam para cima, abraçando-a, beijando-a, amando-a. – Sim, yes, oui, ja, si, hai! De todas as formas possíveis, em todas as línguas imagináveis, Samantha, eu quero me casar com você!

E Alex soube, naquele momento, que independente do que acontecesse em seguida, ou de quanto tempo durasse, ela seria feliz, ela seria tão cheia e completa de alegria que irradiaria o mundo com aquele sentimento. Porque, sim, era tudo uma grande piada cósmica. Ela era apenas uma peça naquele jogo do Universo, e ainda que não soubesse o que o final da partida lhe reservava de forma definitiva, o preço por permanecer em campo era o amor e ela pagaria, dia a dia, prazerosamente.

Ninguém – nem mesmo ela – jamais intenderia os motivos que lhe trouxeram até aquele momento ou adiante dali. Mas Alexandra Winter sabia que a incompreensão não tornava algo mais fraco. Pelo contrário: a incapacidade de classificar ou entender certas coisas tornavam-nas extraordinárias, singulares, únicas – e isso era exatamente o sentimento que elas partilhavam. Era único. Delas. De ninguém mais.

Notas finais
E então, como estamos? Eu realmente não faço ideia de como vocês vão reagir a esse capítulo, porque eu não sei o que vocês esperavam. Só posso dizer que quaisquer pontas soltas serão atadas no epílogo, que eu postarei junto com todas as one-shots do bônus e com o Q&A. QUEM NÃO MANDOU PERGUNTAS PRO Q&A, ESSA É A SUA CHANCE! ashdaushdua' Não tem SPOILER DA VEZ dessa vez, porque eu vou guardar as surpresas do epílogo pro final. Mas, em compensação, vou soltar aqui a "sinópse" dos one-shots, seus gêneros, classificação indicativa (não que vocês liguem pra isso :v) e os nomes deles: ● POETAS DE OLHARES: Belle e Emma em uma viagem em família para a Califórnia. - Fluffy e levemente Smut (aka Oranges) - +16. ● SETE: UNIVERSO ALTERNATIVO: Sam e Alex estudam num colégio católico, mas Alexandra nunca curtiu muito as regras de lá, e resolve mostrar, de formas diferentes, os pecados capitais e algumas interpretações da bíblia para Samantha. (EU VOU TANTO PRO INFERNO POR CAUSA DESSA ONE-SHOT QUE VOCÊS NEM SABEM) - BDSM (S&M), Smut pesadão - +18. ● LILLE: História da Evony e como ela, uma bailaria mundialmente famosa e muito satisfeita com seu casamento e filhos, conheceu uma tal de Alice Winter. - Drama, Shoujo Ai, Levemente Smut - +16. ● VÊNUS: UNIVERSO ALTERNATIVO: Belle e Alex. Alexandra narrando em primeira pessoa (pasmem) algumas consultas com sua psicóloga predileta. - Drama, Romance, Smut - +18. Estou pensando sobre fazer algo sobre Thomas e Olivia, mas não sei ainda. Enfim, estou ansiosa pelo final definitivo, e não vejo a hora de começar a fic da Evony, cujo título provisório é "O Espetáculo dos Ébrios" por motivos que vocês vão entender mais pra frente :v Muito obrigada por estar lendo. Vocês são maravilhosos e eu não estou sabendo lidar (ashduahduashu) com a ideia de perdê-los ou deixá-los ir. See you soon ^-^