Leão do Inverno
40 Livro Três — Epílogo
Notas iniciais

A sala era branca e muito conhecida. Fazia frio. As extremidades de seu corpo começavam a enrijecer e assumir uma coloração arroxeada dada as baixas temperaturas. Ela sabia que se seu coração estivesse batendo, o ritmo seria muito lento.
Alexandra Winter estava sozinha, exceto por ele.
Loki a olhava com escárnio. O sorriso em seus lábios apenas aumentava à medida que as lágrimas nos olhos de Alex caíam. Ele estava satisfeito por fazê-la sofrer. Estava feliz por dar-lhe tudo e, uma vez mais, tornar a deixá-la sem absolutamente nada. No insípido. No vazio.
— Eu não posso viver sem ela – a mais velha das gêmeas Winter murmurou entre soluços, sem precisar explicar a quem se referia.
— Você não está viva, de qualquer forma – o deus nórdico respondeu, rindo alto logo em seguida.
Alex acordou ofegando, sentindo a camisola aderir ao seu corpo devido ao suor.
Ela demorou vários segundos para conseguir se acostumar à claridade do quarto, os olhos ardendo pela luz incidente do sol, mas as pálpebras se recusando a serem fechadas, com medo de que o pesadelo pudesse se tornar real caso o fizesse.
O relógio na cômoda mostrava que o dia acabara de nascer. Ao lado, o frasco com as fiéis pílulas de Clonazepam encontrava-se semiaberto. Alexandra optou por engolir um dos comprimidos antes de levantar-se – a seco, para garantir que a queimação em sua garganta pudesse lhe distrair.
— Sou Alexandra Winter – ela declarou, encarando seu reflexo no espelho do quarto, como sempre fazia depois de uma noite conturbada. – Tenho vinte e seis anos. São seis-e-meia da manhã. Estou em Londres, Inglaterra. Viva.
Ainda que os pesadelos viessem com menor frequência com o passar dos anos, eles ainda eram parte da realidade de Alex, vívidos, intensos, aterrorizantes. Porém, ela aprendera a tratá-los desta forma – como meros sonhos ruins – e esperava que eles permanecessem assim.
Samantha lhe ensinara a não permitir que eles se apossassem dela quando estivesse de olhos abertos, e lembrando-se disso, Alexandra deixou o quarto à sua procura.
Antes mesmo de alcançá-la, a mais velha das gêmeas Winter conseguia ouvir o som cálido de sua risada misturado ao de uma criança. Sem conseguir conter um sorriso imenso, Alex apoiou-se na porta da cozinha, observando a garotinha loira sentada à bancada rindo e desenhando enquanto Samantha preparava o café-da-manhã.
— Bom-dia! – Sam virou-se para ela enquanto acomodava pequenos sanduíches numa lancheira cor-de-rosa. – Pensei que fosse trabalhar em casa hoje.
— Bom-dia – Alexandra a cumprimentou com um selinho demorado. – Eu ia, mas marcaram uma consulta com duas novas esgrimistas para esta manhã – ela explicou e logo voltou-se para a garotinha. Mordendo o lábio, esticou os braços, rindo ao sentir o corpo pequeno se chocar contra o seu. – Bom-dia, Bela Adormecida.
— Bom-dia, mommy – Alice May Winter respondeu, rindo ainda mais do que antes, agora graças ao apelido que tanto adorava.
Há três anos Alex vira aquele rostinho pela primeira vez, numa livraria em Sheffield. Alice, na época com quatro anos, fazia parte de uma turma de crianças que seu orfanato resolvera levar para ouvir histórias infantis de uma escritora amiga das gêmeas.
E mesmo fazendo tanto tempo, era como se tivesse sido ontem – o sorriso que ela abrira ao responder que sua princesa favorita era Aurora ainda estava nítido na mente de Alexandra, assim como os olhos inquisidores quando foi-lhe perguntado seu nome e a forma como ela se recusara energicamente a deixar que Alex lhe comprasse um livro.
Alexandra arrastara Samantha para os confins de South Yorkshire, e da mesma forma que ela se apaixonara para garotinha, Sammy também fora rendida por seus encantos.
As gêmeas visitaram Alice por várias semanas antes de iniciarem o processo de adoção, e criaram uma ligação ainda maior com ela quando descobriram que a menina costumava ser preterida pelo fato de ter sido gerada por uma usuária de cocaína e heroína.
Durante um ano as Winter aguardaram o andamento da ação judicial que definiria Alice como filha delas, e uma vez que ela não poderia ser registrada no nome de ambas, as Winter concordaram que Alex seria a guardiã legal da garota.
Ainda que não aos olhos da lei, elas tornaram-se mães, juntas.
Ethan achara essa decisão precipitada; embora se recusasse a se pronunciar a respeito do relacionamento das filhas – que descobrira quando acidentalmente as flagrara aos beijos no sofá, alguns anos antes – e preferisse agir como se não soubesse de nada, a ideia de ser avô parecia tê-lo apavorado, a princípio.
Mas quando finalmente conheceu a futura neta, ele parecia tão empolgado quanto Thomas ficou ao receber a notícia.
Não fora tão difícil de explicar para Alice o relacionamento que tinham. Ela fizera perguntas básicas como “Isso não é pecado?” e “Seus pais sabem?”, mas o amor que as Winter tinham a oferecer parecia valer mais que qualquer dúvida erguida na cabeça de uma garotinha de quatro anos. Ela sabia bem como obedecer, pois crescera sob rígidas ordens e severos castigos num orfanato, então as gêmeas não precisaram repetir a primeira regra da casa: “para qualquer outra pessoa que não fosse da família, elas eram apenas irmãs.”.
Vinham vivendo feliz, desde então.
Da mesma forma que Alice foi adotada por Samantha e Alexandra, as duas sentiam-se igualmente acolhidas pela garotinha. Ela lhes ensinara muito sobre a vida em pouco tempo, e lhes incutira um senso de responsabilidade que não poderia ser aderido de nenhum outro jeito.
Katherine se recusara a fazer contato com as filhas mesmo depois da adoção, e segundo Thomas, ela evitava falar delas mesmo agora, depois de seis anos da descoberta que destruíra a relação que tinham.
Para Alex, no entanto, ser mãe aplacava parte do vazio que sentia quando pensava nisso. Era uma sensação nova, maravilhosa, que ela não conseguia deixar de experimentar sem estar acompanhada de um frio na barriga e um calor acolhedor no peito. Alice lhe ensinara a amar de uma maneira tão pura e incrivelmente singular que o cenário ao redor não importava de fato desde que ela estivesse ali.
Sorrindo ao ponderar o quão feliz aquela simples garotinha podia lhe deixar, Alexandra fechou os olhos para aproveitar melhor a sensação dos dedinhos dela correndo por seus cabelos.
— Oh, Alex, não se esqueça do jantar de hoje – Samantha subitamente lembrou-se, bebendo seu chá e sorrindo para a cena que assistia.
Thomas e Olivia estavam oficialmente juntos há quase seis anos e há pouco mais de uma semana o caçula dos Winter pedira a atacante da Seleção Britânica e Futebol em casamento, durante um jantar que infelizmente não contou com a presença da mãe do noivo – que tampouco aceitava a relação dele com uma exsuaria de heroína.
As gêmeas e seus amigos mais próximos se reuniriam naquela noite para despedirem-se do casal que, no próximo fim de semana, viajaria para a Grécia a fim de comemorar o noivado.
— Você poderia vir mais cedo para me ajudar?
— Claro que sim – Alex respondeu, colocando Alice de volta no banco ao lado para que ela terminasse seu café-da-manhã. – Anabelle e Emma confirmaram se poderiam vir?
— Sim. Emma conseguiu uma folga e Annie vem para cá depois da aula. Andrea ainda ligará para dizer se conseguirá chegar a tempo ou não.
— Hm, mamães? – A filha delas chamou-lhes a atenção. – Podemos ter mousse de limão? – Ela pediu; os olhos suplicantes e um bigodinho de iogurte no lábio superior. – Por favor?
— Só se você fizer um desenho para que eu coloque no meu estúdio – Samantha disse, tentando manter o tom sério, mas sendo logo desarmada quando a garotinha prontamente estendeu-lhe a paisagem que vinha colorindo. – Você precisa terminá–lo, espertinha! – A pianista levantou-se, retirando os copos. – E você – apontou para Alex. – Vá trocar-se. Já que está de pé você vai levar a Bela Adormecida para o colégio, pois tenho de estar em Oxford para uma palestra em duas horas.
— Sim, senhora – esticando-se para dar-lhe um beijo quase casto nos lábios, Alex rumou de forma obstinada para o quarto.
Ela caminhou para a suíte sorrindo, quase completamente esquecida de seu pesadelo.
Vestiu-se rápido, sendo assistida apenas pelo sol que erguia-se entre as construções da Harrington Road, em South Kensington. O inverno estava prestes a chegar e as temperaturas caíam gradativamente com o avanço do mês de dezembro.
Quando terminou e apanhou suas coisas, pronta para mais um dia na CPSU¹, onde agora trabalhava como psicóloga e avaliadora comportamental lidando com os jovens atletas que representavam a Inglaterra e o Reino Unido em jogos oficiais, Alex encontrou Samantha terminando de empacotar Alice no que parecia ser um saco de dormir branco.
— Mama, nem ao menos está nevando. Estou sufocando! – Ela choramingou, enquanto o último botão do casaco era fechado por cima de uma grossa blusa de lã. Os olhos da garotinha correram para Alex, em desespero, e a mulher precisou morder o lábio para conter o riso. –Diga a ela, mommy. Diga que não está tão frio.
— Sam- – Alexandra tentou começar, mas o olhar que recebeu fê-la engolir suas objeções. – Está realmente frio, querida – ela disse, tentando safar-se do discurso de sua esposa antes que ele começasse. – É melhor que se mantenha aquecida. Agora dê um abraço na mama; precisamos ir.
Alice tentou abraçar Samantha, mas o casaco acolchoado mal lhe permitia baixar os braços. Suspirando, frustrada, ela deu um pequeno beijo nos lábios da mãe e afastou-se caminhando com certa dificuldade de enxergar por conta da touca acoplada ao casaco que Sam fizera questão de puxar ao máximo.
— Tchau, mama – disse, virando-se para tentar colocar a mochila nas costas e quase caindo sentada no chão.
— Eu pego – Alexandra engoliu a risada uma vez mais e pegou a mochila do chão, indo até Sam para despedir-se.
Sorrindo contra os lábios de sua irmã, Alex trouxe o corpo que era o reflexo do seu para junto de si e beijou-lhe calmamente enquanto os passos de Alice se afastavam pela sala-de-recepção.
— Tenha um bom-dia, querida – Sammy murmurou, depositando pequenos selinhos em sua boca. – Sentirei sua falta.
— Eu também sentirei a sua – delicadamente ela chupou o lábio inferior de sua gêmea, observando com um prazer velado ela começar a fraquejar sob suas carícias. – Mas estarei satisfeita sabendo que você está mostrando para todos eles quem é a melhor produtora musical desse país – sorrindo grande ao perceber que a respiração dela tornara-se irregular, Alex afastou-se, satisfeita, soprando um beijo e apressando-se para fora. – Eu amo você!
A mais velha das Winter riu, saindo do apartamento e encontrando uma Alice caída no chão do corredor, de barrigada para cima, tentando inutilmente levantar-se e sendo impedida pelo volume sufocante do casaco branco que a fazia parecer uma pequena granada.
Pegando-a no colo com o devido cuidado, mas agora incapaz de conter a risada, Alexandra encaminhou-se para o elevador do edifício Petersham House, removendo algumas das camadas de rupa da garotinha enquanto deixavam o sétimo andar do condomínio.
— Está indo esquiar, Alice? – Senhor Anderson, o vizinho do andar de baixo, brincou, adentrando o elevador com sua bengala e os cabelos muito brancos. – Aposto que foi sua Tia Sam quem lhe arrumou. Ela é um pouquinho exagerada, não é mesmo?
“Tia Sam”, Alex degustou aquilo da mesma forma amarga de sempre.
Para os vizinhos, colegas distantes, professores do colégio, parceiros de trabalho e quaisquer outros curiosos que insistissem em tentar intrometer-se na vida das Winter, Alexandra e Samantha eram apenas irmãs que dividiam um apartamento. Sam, como uma tia muito atenciosa, ajudava na criação de Alice, filha de sua gêmea, e assim viviam felizes como uma família que a sociedade julgaria normal.
Era desconfortável e muitas vezes Alex notava o ressentimento de Sammy em relação ao modo como tinha de tratar Alice e ser tratada por ela em público, mas ambas sabiam que era algo necessário para que pudessem continuar juntas.
— Ela com certeza é – Alex concordou, sorrindo de forma polida e observando o homem desejar bom-dia enquanto descia no nível térreo.
— E ELE ESTAVA tão drogado que já não falava mais nada coerente! – Emma Thorne dizia entre uma crise de riso e outra, sendo acompanhada por todos na sala-de-recepção. – “Se eu ‘tô chamando? Katrina? É óbvio! Jarbas, meu pai? O meu pai?!”
Andrea, que já estava parcialmente bêbeda, bateu palmas e foi deslizando pelo sofá, sem fôlego para rir, apenas debatendo-se para expressar-se enquanto escorregava para o chão e acarretava mais risadas ainda.
Do outro lado da sala, Alexandra, que ainda nos dias de hoje se surpreendia quando via alguma demonstração de humor da parte de Emma, tentava parar de gargalhar, mas era inútil.
— Eu vou fazer xixi! – Olivia arrastou-se a procura de um banheiro, dobrando-se sobre seu próprio corpo na metade do caminho para rir mais.
— Deus – Tony D’Alessio, o italiano que atualmente vivia uma amizade-com-benefícios com Andrea Herrera, suspirou, tapando o rosto. – As pessoas deviam gravar esse tipo de coisa!
— Sim! – Thomas concordou, secando os olhos e acalmando-se.
Eles finalmente conseguiram ficar em silêncio, mas, no momento seguinte, Olivia retornou e, depois e olhar cada um deles no rosto, recomeçou a rir, tornando contagiá-los com as gargalhadas.
— Não! Chega – Belle levantou-se, tentando conter-se. – Vamos, Em, antes que eles comecem de novo – ela puxou uma Emma ofegante do sofá, tentando parecer séria e falhando miseravelmente.
— Eu pensei que ela era a careta – Samantha murmurou, observando a psicóloga loira colocar sua esposa de pé.
— Elas são um casal careta – Alexandra corrigiu, rindo. – Já é o sétimo convite de para uma orgia que elas rejeitam.
— O que é orgia? – Alice apareceu no corredor, olhando-os com o semblante completamente confuso.
Alex, com os olhos arregalados e o senso de perigo gritando, levantou-se antes que Samantha pudesse puni-la de alguma forma pela falha.
— É-é- Nada, querida. Uma brincadeira de adultos – caminhando até a garota que agora coçava os olhos, ela tomou-a nos braços. – O que faz aqui? Pensei que você e Vivienne estivessem.
— Eu estava. Mas ela acordou e chamou pelas mães – Alice explicou, deitando o rosto no ombro de Alexandra.
— Oh. É a nossa deixa!
Anabelle sorriu, satisfeita, e começou a despedir-se dos amigos enquanto Alexandra fugia de Sam, carregando a filha para o quarto.
Um instante depois Parker apareceu às suas costas e, com cuidado, apanhou a garotinha de quase três anos que esticava-se pedindo colo com as mãozinhas minúsculas.
— Obrigada por tudo – Belle sussurrou, tentando não espantar o sono das garotas. – Foi uma noite maravilhosa.
Alexandra abraçou-a com um pouco de dificuldade e esperou que Alice desse alguns beijinhos na testa um pouco úmida de Vivienne antes de observar sua antiga psicóloga afastar-se.
— Alex? – Anabelle chamou-a antes de desaparecer por completo entre os cômodos.
— Sim? – Ela sorriu, sentindo Alice se agarrar mais em seu corpo, sonolenta.
— Estou feliz por vê-la feliz.
Mordendo o lábio, a mais velha das gêmeas Winter respondeu, experimentando as bochechas arderem:
— Você é parte essencial disso. Não sei como lhe agradecer o suficiente.
— Pare de citar a maldita orgia antes que Emma lhe dê sete tiros e faça parecer um assalto qualquer – a loira piscou um dos olhos, adiantando-se para longe e sumindo em direção à sala-de-recepção.
Rindo consigo mesma, Alexandra colocou a pequena Alice na cama, retirando suas pantufas e acariciando seus cabelos. Com o movimento, os olhinhos abriram-se, revelando imensas orbes azuladas um pouco anuviadas de sono.
— Durma, meu amor – Alex sussurrou, beijando-lhe os lábios.
— Hm, mommy? Tia Belle e Tia Emma trarão Vivienne no natal? – Alice perguntou, começando a despertar como só uma criança de sete anos consegue fazer às duas da manhã. – Porque eu estou trabalhando em um álbum de fotos para elas...
Alex sorriu, olhando-a com atenção, mas tendo seus pensamentos carregados para longe, para a reflexão de como aquela vida era mais do que ela poderia pedir.
— Não são bem fotos, são desenhos, sabe? Tem a Tia Belle grávida, e eu estava em dúvida sobre fazer a Vivienne aparecendo na barriga dela ou não...
Ela estava incrivelmente satisfeita com tudo aquilo. Era uma vida tão cheia de amor. Algo que ela não se julgava ser merecedora.
— Você acha que eu devo acrescentar aquela viagem à Disney no ano passado? Porque elas só chegaram no último dia, mas eu me lembro que a Viv estava com as orelhas da Minnie e eu com as do Mickey e... Mommy? – Alice a chamou, incerta.
Levantando os olhos para o rostinho corado, Alexandra encarou sua filha, subitamente tirada de seus devaneios.
— Sim, querida?
— No que está pensando? – Um sorriso que poderia se considera muito compreensivo, se não partisse de uma simples criança inundou o rosto da menina.
Em como eu amo você, sua mãe, bem como todas as pessoas que fazem parte de nossas vidas e tudo o que vocês me proporcionam.
Em como eu sou grata a seja lá o que tenha me trazido de volta – se é que eu algum dia parti.
Em como cada respiração que eu tomo é cheia de vida, e de amor, e de plenitude.
Em como eu sou feliz, Alice.
— No mousse de limão – Alex preferiu dizer, rindo alto quando os lábios muito róseos se partiram num “O” perfeito e a garotinha recomeçou a tagarelar.
— Nós podemos fazer com menos açúcar para não nos enjoarmos tão rápido e podermos comer mais da próxima vez! E nós poderíamos colocá-lo em recipientes diferentes, coloridos, para...
Ainda que não fosse digna, Alexandra Winter estava grata e aceitava cada insuflada de ar que lhe era permitida naquele mundo. Cada pequeno momento, cada segundo passado sobre aquela terra, naquela vida, numa realidade que poderia não ser verdadeira, mas era a dela, e a única que ela desejava possuir.
Fale com o autor