Leão do Inverno
32 Livro Três — Capítulo VI
Notas iniciais

ALEXANDRA
Embora o sol brilhasse intensamente num céu azulado e muito claro, fazia frio e um vento forte soprava por todo Oxfordshire. O clima dentro do Thirsty Meeples, porém, era quente e agradável. A cafeteria perto da Universidade de Oxford era específica para pessoas que gostavam de ler. Além de servir um ótimo café, ainda contava com inúmeras prateleiras de livros que estavam à disposição dos clientes para compra ou simples leitura.
Alexandra Winter, que era apaixonada pelo lugar e passava horas ali desde que começara a estudar em Oxford, também fizera os amigos se habituarem ao espaço. Ali, naquela segunda semana de novembro, estavam todos arranjados à mesa, conversando descontraidamente, enquanto Alex devorava as páginas de um livro sobre fadas.
Ela se sentia menos ameaçada dessa forma, lendo, assistindo algo ou ouvindo música. Porque, embora não conseguisse fugir de todos os tipos de confraternização social, poderia abster-se o máximo possível de contatos que a marcassem.
Ainda que estivesse um pouco mais certa sobre estar realmente viva e ali, dada todas as lembranças que vinham tendo com cada vez mais frequência, era complicado entregar-se por completo àquela nova realidade, mesmo que ela lhe aprouvesse muito – principalmente a parte que envolvia Samantha. Em menos de um mês naquele cenário ela já via sua irmã gêmea como melhor amiga.
— Alex – Raven, uma das garotas que mais gostava em Oxford, aluna de filosofia e dona de imensos cabelos negros, chamou sua atenção, vermelha de tanto rir de uma piada recém-contada. – Você pode, por favor, ir pagar estes dois? – Ela estendeu dois exemplares e um cartão de crédito na direção de Winter.
Alex assentiu, negando com a cabeça em seguida quando Samantha perguntou se ela preferia que fosse em seu lugar.
Apanhando os livros, a mais velha das Winter alcançou o caixa, esperando que a atendente que se dividia entre anotar os pedidos no balcão e fechar as contas pudesse vir até ela. Distraída, ela mexia nas diversas embalagens de goma de mascar, até que ouviu uma risada familiar vinda de algum lugar.
Sentindo o estômago afundar e as mãos começarem a suar, Alexandra olhou pelo canto dos olhos para o lado, desejando no mesmo instante não tê-lo feito.
Ela estava linda. Indescritivelmente linda. Parecia ainda mais loira do que antes, e o vestido curto a deixava infinitas vezes mais informal do que Alex jamais vira. A única coisa que incomodou Winter nesta nova versão de Anabelle Parker foi o fato de haver braços esguios e longos em sua cintura e uma boca ressaltada com batom vermelho sussurrando em seu ouvido.
—... Um mocha e... – Belle disse, com os olhos fixos na tabela de preços atrás da atendente. – Deixe-me ver... Ah, dois cupcakes de baunilha com limão.
A atendente anotou os pedidos numa folhinha, mandou para a cozinha e veio diretamente para Alex, que tentava ao máximo esconder o rosto enquanto digitava a senha de Raven na maquina.
Apenas sente-se.
Não olhe.
Por favor, apenas-
— Alex? – Ela chamou, aparentemente insegura.
Alexandra respirou profundamente algumas vezes. Pensou em virar-se, fingindo uma cara confusa, apenas para dizer de forma afetada que era Samantha. Mas era óbvio que ela não era Sam – estava usando uma blusa longa e com duas vezes o seu tamanho, uma touca beanie e tinha no pescoço o símbolo das Relíquias da Morte pendurado.
Portanto, reunindo toda a pouca coragem que ainda restava e ignorando seu orgulho pisoteado, a gêmea mais velha virou-se para encarar a psicóloga, fingindo surpresa e tentando abrir um sorriso.
— Belle? Oh, olá! – Seu tom entusiástico era claramente forçado.
Ainda parecendo um pouco desconfortável, a psicóloga adiantou-se para a garota, abraçando-a demoradamente, deixando parada à suas costas a outra loira que vinha lhe segurando firme momentos antes.
— Como você está? – Anabelle perguntou, afastando-se para analisar a mulher com quem mantivera um relacionamento por anos da forma mais natural possível. – Parece melhor.
— É. Estou melhorando aos poucos – Winter gesticulou, nervosa, sem conseguir parar de desviar o olhar para a figura atrás de Parker. – Mantendo a fisioterapia e algumas sessões com o psiquiatra.
— Oh. Isso é ótimo. Eu... – Belle demorou para conseguir terminar a frase, provavelmente pensando no que dizer. Alex perguntou-se se, por acaso, ela estaria pensando na forma como deixara-a no hospital, histérica, e no modo como não se dera ao trabalho de ao menos tornar a vê-la depois disso. – Eu fico feliz por você. Hm, você se lembrou...?
— Não.
— Oh.
— Pois é.
— É...
Elas mantiveram-se quietas, se encarando, testando para saber quem desviaria os olhos primeiro.
Alexandra perdeu, pois a atendente no caixa lhe chamara a atenção para os livros que acabara de embrulhar. Ela viu, novamente pelo canto dos olhos, Anabelle virar-se para a outra loira e explicar-lhe algo num tom muito baixo.
— Hm, Alex? – Doutora Parker estava corando. O braço que a outra passava por sua cintura agora parecia sufocá-la. – Esta é Emma Thorne. Ela é- Ela- Emma é minha namorada.
Ela era loira, de olhos muito verdes, tinha maçãs do rosto altas e um porte claramente lésbico. Seus longos cachos claros caíam até os seios e algo na jaqueta vermelha de couro fez com que Alex a achasse vulgar e indigna de possuir Anabelle.
Sem saber como reagir, Alexandra apenas acenou com a mão, apertando os livros para ter um ponto de apoio.
— Eu estou com um pessoal, então... Acho que... Bem, vou voltar e-
— Oh, certo.
— É.
— Então... Espero que se recupere logo.
— Obrigada – Winter pigarreou e esforçou-se para que sua postura ficasse o mais ereta possível enquanto começava a se afastar.
— Boa sorte com a recuperação, criança – Emma pronunciou-se pela primeira vez, e no mesmo instante Alexandra desejou chutá-la até a morte. A entonação que ela usara naquele simples “criança” quase lhe roubara todo o autocontrole.
Forçando um sorriso e tentando – inutilmente – não corar, Alexandra retornou para sua mesa, submersa numa mistura cáustica de ódio e autodepreciação.
Ela agradeceu por não terem ficado ali por muito mais. Não seria capaz de permanecer no mesmo ambiente que Anabelle, Emma e toda a felicidade que elas pareciam exalar. E, se antes ela estava distante de seus amigos, a partir daquele encontro desagradável Alex praticamente se isolou em seu subconsciente, limitando-se a responder apenas o que lhe era perguntado, e de forma absolutamente sucinta.
Depois de quase uma hora e meia de viagem de volta, já em casa, Samantha, claramente preocupada, segurou-lhe o braço antes que a mais velha pudesse entrar e trancar-se em seu quarto, como vinha fazendo nas últimas semanas:
— Você ficou muito calada depois que comprou os livros da Raven. Algo aconteceu?
— Eu só- – ela tinha a desculpa perfeita formada em sua mente, mas no momento seguinte, estava vomitando todas as inseguranças ali, aos pés da irmã mais nova, da forma mais sincera que conseguia. – Eu encontrei Anabelle no café. Ela estava com a namorada e... E doeu tanto...
Sam pareceu hesitar. Ela inspirou profundamente, e embora sua mandíbula tivesse sido trincada, ela não se pronunciou.
— Eu não sei mais o que pensar, Sam – Alex apoiou-se na parede, tapando o rosto, tentando fazer seu cérebro parar de trabalhar tão rápido. – Todos esses meses, tudo o que aconteceu... Eu já não sei mais quem eu sou, ou onde estou, ou quem são estas pessoas. Todos mudaram, tudo mudou. Eles têm novas vidas, vidas das quais eu poderia simplesmente não fazer parte. E eu tenho tanto medo de certo dia perceber que tudo isso- Que eu- Perceber- – seus soluços a impediram de continuar.
Samantha a olhava, oscilando. Os olhos muito azuis estavam marejados, mas era nítido o modo como ela lutava para conter as lágrimas. Alexandra não esperava que ela dissesse algo, e a pianista tampouco manifestou-se.
— É tudo tão confuso – a futura psicóloga gemeu, frustrada, sentindo necessidade de expor tudo aquilo, de libertar todas aquelas dúvidas, mesmo que ninguém jamais viesse a entendê-la. – Vê-la hoje foi como ter certeza de que ninguém é insubstituível. Porque ela está feliz com alguém que não sou eu e... Isso me destrói pelo simples fato de que...
— Você a ama – Sam disse abruptamente, sorrindo de forma doce.
Mas Alex não teve tempo para pensar na resposta, pois no instante seguinte a porta do hall estava sendo aberta de forma estrondosa e uma barulhenta Katherine entrava, arrastando as malas com a ajuda do jardineiro e atraindo Samantha instantaneamente para o andar inferior.
Novembro vinha sendo muito frio, e mesmo com a grossa jaqueta que vestia, Samantha Winter ainda tremia um pouco quando chegou em casa, sob as luzes do ocaso.
Era sábado, seu celular apitava com diversas mensagens de seus amigos convidando-a para sair, mas mesmo depois de um dia enclausurada no terceiro andar do Tennyson Lodge, arrumando pilhas de caixas com roupas e objetos pessoais, ela preferiu voltar para casa e ficar por lá – não queria admitir, mas mesmo depois de ter-se afastado de Alexandra drasticamente na última semana, era ela o motivo de sua vontade de permanecer na Arkwright Road aquela noite.
Talvez fosse um passo muito precipitado voltar para o apartamento em Oxfordshire, mas a dificuldade de locomoção de casa para a faculdade vinha sendo um empecilho para as gêmeas Winter ao longo do último mês. Fosse como fosse, a responsável pela mudança vinha sendo Sam, uma vez que Alex não demonstrava o mínimo interesse em relação àquele lugar, e ainda que isso magoasse a gêmea mais jovem, esta preferia não demonstrar.
Quando Samantha atravessou a sala de estar, Katherine estava sentada entre dezenas de palhetas de cores, fazendo anotações febris. Ela, que vinha afogando-se no trabalho com cada vez mais intensidade, levantou o rosto para observar a filha aproximar-se, abrindo um sorriso grande e satisfeito.
— Que bom que resolveu não ficar por lá – disse, oferecendo um abraço. – Ainda acho besteira voltarem para aquele lugar horrendo. Você sabe, sua irmã precisa de cuidados e não é sensato-
— Mãe, – Samantha fez sinal para que ela parasse, sentindo-se mais exausta do que realmente estava – nós já falamos sobre isso, certo? Várias vezes.
— Sim, mas-
— Você já jantou? – A pianista perguntou, interrompendo-a outra vez.
— Sim, mas-
— Precisa de algo?
— Não, mas-
— Então boa noite – ela adiantou-se, dando um delicado beijo na testa de Kate e retirando-se antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa.
O andar superior estava silencioso. Thomas deveria ter saído com Olivia, e Alex provavelmente estaria dormindo. Devagar, tentando não fazer barulho, Samantha caminhou até seu quarto, parando ao perceber a nesga de luz escapando pela soleira da porta da irmã.
Ela pensou algumas vezes antes de se aproximar mais, dizendo a si mesma que tudo o que tinha de fazer era seguir em frente, mas não pôde evitar o impulso de bater na porta algumas vezes. Ainda que estivesse magoada e a última conversa verdadeira com Alex lhe tivesse resumido a cacos, ela era incapaz de manter-se afastada por tempo demais.
— Entre.
Hesitante, Samantha abriu a porta, encontrando Alexandra sentada na cama, rabiscando freneticamente num caderno. Ela levantou os olhos, tirando os cabelos do rosto e, depois de um tempo oscilando, abriu um sorriso incerto para a irmã.
— Acabei de chegar e resolvi passar para ver se estava tudo bem – sem saber se deveria se aproximar ou não, a mais jovem das gêmeas ficou parada à porta, apertando a maçaneta para ter um ponto de equilíbrio.
Alex assentiu com a cabeça, voltando a concentrar-se no desenho, rabiscando rápido e usando o dedo para borrar os contornos.
— Acho que na próxima semana já poderemos nos mudar – a pianista disse, um pouco alto, tentando chamar a atenção da outra.
— Legal – foi tudo o que a futura psicóloga respondeu, sem tirar os olhos do caderno, mas largando o lápis.
Vinha sendo um tormento. Era como se ela não estivesse mais ali, e embora Samantha tivesse escolhido tomar certa distância de Alexandra para seu próprio bem, a forma apática como a irmã decidira encarar o mundo era perturbadora; toda aquela indiferença feria Sam de forma profunda.
Sentindo-se enjoada e à beira das lágrimas, a gêmea mais jovem resolveu declarar:
— Certo. Vou deixá-la desenhar em paz, então.
E, quando já estava com metade do corpo para fora do quarto, a voz fraca e instável de Alexandra a fez parar.
— Sam?
— Sim? – Respondeu, sem coragem de virar-se para voltar a encará-la.
— Preciso te perguntar algo.
Antes de voltar a olhá-la, Samantha apoiou a cabeça na madeira fria da porta, controlando-se. Mordendo o lábio e inspirando profundamente, ela fechou a porta atrás de si e se aproximou um pouco da cama.
— Diga – a pianista tentou soar o mais firme e natural possível.
— É só que- – Alex não a olhava diretamente. Seu rosto estava franzido, os olhos fixos no caderno sobre seu colo. – Eu me lembrei que fui para a Alemanha com papai porque brigamos. Eu larguei a minha vida aqui por isso e eu- – com um suspiro, ela levantou o rosto, fitando a irmã nos olhos de forma intensa e sincera, tão profunda que quase a despia. – Eu só queria saber o que houve entre nós para que eu largasse tudo e fosse para outro país.
Merda.
Samantha permaneceu imóvel, apenas piscando os olhos várias vezes, sem saber como dizer, ou o que dizer. Ela tremia, seu corpo de repente ficara fraco, os joelhos quase não lhe davam sustentação e os olhos estavam embaçados pelas lágrimas.
O que ela supostamente deveria dizer?
— Porque, – Alexandra continuou, agora aparentemente mais para si mesma do que para alguém específico – segundo o que todos dizem, na faculdade nós éramos muito próximas. E eu fui para Oxford um mês depois de ter voltado para a Inglaterra. Isso significa, então, que esquecemos as desavenças de três anos em um mês. Isso não faz o menor sentido.
“Eu tento me lembrar,” ela fez uma careta de dor, massageando as têmporas com força nítida “mas é como se só houvesse uma parte escura. Quando busco pelo motivo da briga, tudo o que encontro é um buraco imenso, cheio de nada.” Seus olhos procuraram Sam outra vez, agora mais inquisidores do que antes, e foi a vez da pianista desviar para um ponto qualquer.
— Eu acredito que isso seja algo que você deva lembrar por si só, Alex – Sam murmurou, sem firmeza alguma na voz. Ela tinha de usar toda sua determinação para não simplesmente sair correndo dali. – É muito complicado, e talvez eu não consiga explicar da forma certa.
— O que pode ser tão complicado assim? – A mais velha parecia um pouco irritada. – Você já sabia que eu sou lésbica, certo? Então eu não poderia ter roubado seu namorado ou algo assim. Não havia motivos-
— Você vai se lembrar com o tempo, com certeza – Sam apressou-se, antes que ela pudesse supor algo constrangedor. – Agora, se você me dá licença, preciso tomar um banho. A mudança está sendo cansativa.
— Mas, Sam-
Ela não esperou para sair, fechar a porta com força e trancar-se em seu próprio quarto.
Aquilo fora assustador. A perspectiva e Alexandra lembrar-se de tudo era, em si, aterrorizante. Mesmo que Sam quisesse muito ser totalmente reconhecida aos olhos dela, praticamente entrava em pânico ao cogitar essa possibilidade. Porque ela poderia recordar-se dos momentos que passou com Samantha, mas sem ter de volta os sentimentos que ali havia.
E se ela sentisse nojo? E se ela visse tudo aquilo como um grande erro e tornasse a se afastar?
O que Samantha faria se, num belo dia, quando ela acordasse, Alexandra olhasse em seus olhos e dissesse, com todo o asco do mundo impregnado nas feições, que aquilo era “sujo”?
Todas as lembranças que ela mesma tinha faziam-na sentir-se culpada. Faziam-na desejar ter sido menos estúpida quando teve a oportunidade.
Era cedo, mas ela sentia-se esgotada. Seu corpo pesava quase tanto quanto seus pensamentos e ela tinha certeza de que não dormiria aquela noite, mesmo que desejasse muito. Portanto, inquieta, Sam buscou pelas pílulas calmantes que vinha tomando desde o acidente de Alex.
Quando deitou-se, sua mente girava e explodia em pensamentos desordenados e incômodos, mas logo tudo ficou calmo e fora de foco, até afundar-se na mais completa penumbra.
Ela abriu os olhos um segundo depois, ou foi o que pareceu, ouvindo exclamações vindas do corredor. Estavam todos tão exaltados que a perspectiva de algo ruim ter acontecido fez seu estômago revirar.
O cenário a sua volta estava um pouco embaralhado e os sons ecoavam de forma longa e distorcida por sua mente, mas ela conseguiu identificar a voz de Katherine exclamando: “Ela não tem o direito!”.
Revirando os olhos para o que quer que fosse, Sam vestiu um roupão sobre os pijamas curtos, prendendo os cabelos e calçando as pantufas. Devagar, sem a menor vontade de saber do que se tratava e ainda com menos disposição para participar da discussão, a pianista abriu a porta, encontrando Katherine vermelha de raiva às portas do quarto de Thomas, que também aparentava estar exaltado.
— Mãe, elas são amigas! Isso é importante para a recuperação da Alex-
— Eu não quero aquele projeto de sapatão na minha casa!
Sem entender absolutamente nada, Samantha desviou dos dois quase sem ser notada, procurando por Alexandra. No andar inferior, as luzes estavam acesas e vozes despreocupadas vinham pela escada.
Pôde diferenciar Alexandra sem ao menos vê-la, mas a outra pessoa ainda era uma incógnita, ainda que conhecesse aquela risada de algum lugar.
Tentando ser discreta, ela aproximou-se da cozinha, mas não conseguiu impedir as palavras de saírem num tom quase tão indignado quanto o de Katherine quando seus olhos identificaram Evony Stortzmann em carne, osso e cabelos platinados:
— O que ela está fazendo aqui?!
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