Leão do Inverno

31 Livro Três — Capítulo V


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS, É IMPORTANTE. CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FINAL DA FIC — 09. HOLAAAAAA! Como vocês estão? Eu sei, eu sei. Eu sumi. Desculpem, mas esse mês foi do capeta, sério. Até perdi o desafio de setembro porque não deu tempo de postar (e eu estava super animada). Enfim! Capítulo novo chegando, recheado de amor, porque vocês merecem. E dedicado especialmente à Black, aquela linda. "Gabi" te ama :v E à Willoou, por recomendar a história. Um muito obrigada a todo mundo que começou a ler a fic agora, e ao pessoal que já vem me acompanhando desde sempre. Lindos *u* Boa leitura =) --------------------------- "Boas intenções, todas essas questões, eu estou sentado sozinho. Toda as estradas depois de você têm direções erradas. Eu nunca vou chegar em casa, e isso está me fazendo querer estar com você. Você e eu somos carrinhos de bate-bate: quanto mais eu tento chegar até você, mais nos separamos. Voltas e voltas; nós perseguimos as faíscas. Mas parece que tudo leva a uma pilha de peças quebradas. (...) Era para ser divertido, era para ser o único. Talvez nós ficamos muito tempo; talvez nós fizemos tudo errado. Era para ser bom, mas eu sei, eu sei, nós somos carrinhos de bate-bate." — ALEX & SIERRA, Bumper Cars.



ALEXANDRA


A paisagem estava adorável pintada de laranja. Faixas e cartazes imensos anunciavam bailes e concursos de fantasia por toda a Oxford, que fora infestada de abóboras sorridentes. Os membros das agremiações e clubes distribuíam panfletos, interrompendo o fluxo de estudantes para convida-los às festas de comemorações do Halloween.

Alexandra Winter sentia-se insegura estando ali, com todas aquelas pessoas e todo aquele barulho. Sentia-se sufocada apenas pelo fato de ter de interagir com aqueles estranhos – que não eram tão estranhos assim, mas tampouco a deixavam confortável.

Voltar para a Universidade foi um passo incerto. Ela se sentia melhor em casa, na quietude da Arkwright Road.

Embora estivesse agindo normalmente, tinha medo de piscar os olhos e encontrar-se perdida numa realidade completamente diferente. Sua cabeça doía apenas em pensar na possibilidade de que tudo aquilo pudesse ser apenas mais uma brincadeira etérea com ela.

E, ao mesmo tempo, sentia-se enjoada ao sopesar as chances de estar ficando louca e tudo aquilo que vivenciara em outros planos não passasse de uma paranoia, uma peça pregada por sua mente que fora danificada no acidente.

Em contra partida, talvez ela ainda estivesse em coma e tudo aquilo – todo o cenário a sua volta e a vida que estava se esforçando para retomar – fossem apenas projetos de seu cérebro parcialmente inconsciente.

Se ela já não estivesse completamente insana, com certeza ficaria em pouco tempo.

Pressionando com força os dedos trêmulos nas têmporas, de olhos fechados e rosto molhado, Alexandra respirou fundo naquela manhã cinzenta de quinta-feira. Lentamente ela afastou as pálpebras, encarando seu reflexo no espelho, secando-se com as toalhas descartáveis e, finalmente, tomando coragem para sair do banheiro feminino.

— Você está bem? – Samantha, que a estivera esperando, perguntou.

Alex demorou um pouco para responder, medindo as palavras. Incapaz de produzir qualquer som, apenas encolheu os ombros. Pôde ver, pelo canto dos olhos, o semblante de preocupação da outra e aquilo apenas fê-la sentir-se pior.

Jamais entendera o motivo de terem inserido essa sua versão Beta nesta realidade. A princípio Winter pensou que a presença de Samantha seria algo incômodo e desagradável. Esperou que brigassem todo o tempo porque, pelo que percebeu da “gêmea mais jovem”, ela era seu completo oposto.

Mas, diferentemente do que esperava, em pouco tempo acabou se apegando a Sam.

Dentre todas as pessoas que lhe vinham cercando desde que abriu os olhos, Samantha foi a que mais se importara e a que mais estivera ao seu lado. Elas não brigavam; muito pelo contrário: mesmo Alex mostrando-se insegura e reclusa, a pianista se esforçava ao máximo para agradá-la e fazê-la sentir-se bem.

Ao lado dela era como se as contestações sobre realidade e imaginação não existissem. E isso a assustava, partindo do ponto de que estava se apegando àquela garota, esforçando-se para recordar-se de memórias que não eram de verdade e, ainda que soubesse que aquele passado não lhe pertencia, olhar as fotos ao lado de Samantha e ver como eram felizes juntas fazia com que ela desejasse lembrar-se de tudo.

Portanto, depois de cada sorriso que retribuía ou conversa que puxava, de cada noite que insistia para que a pianista permanecesse em seu quarto, ela se repreendia de forma voraz. Porque nada lhe garantia que aquilo era de verdade. Não havia certeza de que aqueles momentos e aquela garota não lhe seriam tirados mais cedo ou mais tarde.

— Eu fiz sua grade, então suas matérias estão nos mesmos horários que as minhas. – Samantha explicou, desconcertada, quando chegaram às portas do prédio de Psicologia. – Você pode mudar se quiser, só fiz isso para que pudéssemos chegar e sair juntas, como fazíamos antes.

Alexandra assentiu, analisando sua grade, ansiosa por saber que teria três tempos antes do almoço. Por mais que recusasse admitir, não se sentia completamente apta a assistir uma aula e absorver o conteúdo que lhe fosse ministrado.

— Obrigada – ela forçou um sorriso. – Boa aula.

— Espero você nos jardins – Sam disse, afastando-se um pouco, parecendo incerta entre ir ou não. – Boa sorte.

Alex assistiu às aulas sem realmente prestar muita atenção nelas. Reencontrou poucos dos colegas de turma, já que a maioria já havia remontado seus horários nos dois trimestres em que ela esteve ausente.

Os professores pareciam felizes em vê-la, a maioria segurando-a até mais tarde para fazer as mesmas perguntas sobre sua recuperação.

Quando finalmente ficou livre para o almoço, dirigiu-se às pressas para os jardins, onde havia marcado com Samantha, encontrando alguns conhecidos nos corredores que acabaram por lhe atrasar mais alguns momentos. Alguns deles eram amigos de Sam também e graças a isso citavam sua irmã – algo em seu interior parecia se agitar cada vez que isso acontecia.

Céus. Parece que éramos realmente próximas.

Os jardins estavam relativamente cheios. Todas as mesas haviam sido ocupadas por pessoas com badejas ou submersas em pilhas de livros. Entre tantos estudantes ela só conseguiu diferenciar a mesa de Samantha porque nela havia um garoto batendo feito um retardado com o tubo – cor-de-rosa purpurinado – de Andrea Herrera na cabeça de outro rapaz.

Carregando sua bandeja com peixe e batatas fritas, Alex adiantou-se para junto deles, xingando baixinho quando o idiota com o tubo acertou seu copo, fazendo-o oscilar e espirrar um pouco de suco na comida.

— Oh, Alex. Desculpe – ele riu, devolvendo o tubo a Andrea.

O indivíduo chamava-se Miguel Rodriguez e Winter lembrava-se perfeitamente de odiá-lo, mas era algo tão natural o desafeto que sentia que sua origem tornara-se desconhecida. Ela não precisava de um motivo para detestá-lo, no entanto. O desprezo que sentia quando o olhava já era razão o suficiente.

A garota que cursava moda sorriu grade, mas não tão grande quanto Samantha, que bateu no espaço ao seu lado, indicando que a irmã se sentasse ali.

— Ah, Alex, este é o Tony Stark – Herrera apresentou o garoto que há alguns momentos estava apanhando do retardado de traços latinos.

— Na verdade meu nome é Tony D’Alessio. O Stark é por conta dela – ele riu, apertando a mão de Alexandra cordialmente. – É um prazer conhecê-la. Todos aqui falam muito sobre você.

— Eu não disse que elas são idênticas? – O inconveniente portador de retardo mental declarou, roubando alguns anéis de cebola do prato de Tony.

— É o que se espera de gêmeas, cara – D’Alessio revirou os olhos.

Naquele momento o cérebro de Alex pareceu ser imerso em éter. Tudo ficou mais leve e, muito distante, ela ouviu sua própria voz dizendo a mesma frase.

É o que se espera de gêmeas. Sou Alexandra.

Ela viu nitidamente Miguel lhe estendendo a mão e sendo prontamente ignorado. Logo depois ela se adiantava para... Si mesma?

Não. Ela não tinha aquele olhar delicado, ou usava batom rosado. Não era ela. Era Samantha.

Ela se adiantava para Samantha e abraçava-a. Podia sentir a textura das roupas grossas, o vento assobiando pelas torres da Universidade, o cheiro de chuva no ar, misturando-se ao perfume de sua irmã mais nova.

Logo depois sua mente apagou e voltou a ascender-se num cenário onde ela sentia raiva. Não uma raiva comum. Era mais forte, mais vermelha e intensa. Era ódio.

E então ela logo se viu caminhando pela grama meio congelada daquele mesmo jardim, ouvindo Andrea chamar seu nome, pedindo para que parasse. E ela via Miguel, não sentado à sua mesa do almoço como deveria, mas em pé, entre as mesas, segurando Samantha contra seu corpo com força, pressionando seus lábios nos dela.

Ela não soube explicar como, mas em questão de segundos estava socando o rosto de Rodriguez, chutando-o depois de vê-lo caído, sendo segurada por um grupinho de estudantes e obrigada a assistir Sam repreendê-la por salvá-la daquele energúmeno.

Mas era impossível, porque Alex encontrava-se sentada ali, na mesa, com seus amigos e-

— Alex? – Andrea perguntou, olhando-a, curiosa. – Perguntei como foram as aulas.

Mas Winter não conseguia responder. Ela acabara de ter uma lembrança. Uma lembrança de Sam e com Sam! E isso era absolutamente impossível! Não havia como se lembrar de algo que não aconteceu!

Ou talvez tenha realmente acontecido, Alex sentiu um arrepio subindo por sua coluna, fazendo seu corpo ter um leve espasmo.

A mão da pianista encontrou a sua por cima da mesa, sobressaltando-a. Encarando os dedos finos sobre os seus, a mais velha das gêmeas engoliu a seco, sem conseguir raciocinar direito. Sua cabeça estava latejando com força agora, sentia suas palmas começarem a ficar úmidas e as pernas fracas.

— Ei, meu amor, você está bem? – Sam sussurrou, fazendo-a oscilar ainda mais. – Alex?

— Só fiquei um pouco tonta – ela puxou sua mão de volta, secando-a na calça.

— Nada de novo até então – o indivíduo desnecessário brincou, rindo, encarando-a com divertimento.

A mesa estava silenciosa. Ninguém parecia ter gostado da piada de Rodriguez e logo o sorriso dele começou a murchar. O semblante de preocupação de Samantha, no entanto, não se desfizera.

— Tem certeza que está bem? – A pianista levou a mão macia até sua testa e depois ao seu pescoço, tomando sua temperatura. – Não quer que eu te leve pra casa?

— Agora está ficando interessante! – O latino murmurou sugestivamente, desencadeando uma náusea ainda mais intensa na Winter mais velha.

— Ora, por favor! – Alexandra exclamou, encarando Miguel Rodriguez com o rosto franzido de nojo. – Como você se aguenta?

Decerto ela falara alto demais, porque quando percebeu, parte dos estudantes ali presentes estava encarando-a, curiosos.

Aparentemente constrangido, o rapaz murmurou um pedido de desculpas, alegando que estava brincando, mas Alex se poupou de ouvir o discurso até o final e colocou-se de pé da forma mais ágil que foi capaz.

Sem fome, deixou sua bandeja na mesa e começou a se afastar, sentindo Samantha vir em seu encalço.

— Eu estou bem, não se preocupe – ela resmungou, entrando pelos corredores, observando a outra se aproximar. – Não precisa parar sua vida por minha culpa, eu já disse.

— Eu não estou- Só queria- Ele é um idiota, mas é uma boa pessoa – desconcertada, Samantha explicou, olhando-a com atenção, caminhando a seu lado.

— Aquele cara é um completo otário, Samantha! – Irritada, Alexandra parou. Estava começando a ter vertigens por conta do assomo intenso de raiva e todas as imagens da lembrança que tivera começavam a queimar em sua mente. – Depois de tudo o que ele lhe fez você ainda consegue defendê-lo?

— Eu não o estou defendendo, eu só- Espere, o que? – Sam parou subitamente, olhando-a, assustada.

Amaldiçoando-se mentalmente, Alex fechou os olhos com força. Suspirou, tentando controlar todos os sentimentos que lutavam para escapar ao mesmo tempo. Suas pernas tremiam, a respiração estava acelerada e ela sentia que precisava abraçar Samantha para manter-se firme, pois, do contrário, acabaria desabando ali mesmo, no meio do corredor.

— Você- Você se lembrou? Lembrou-se do que ele fez comigo? – A pianista a empurrou delicadamente contra a parede e por algum motivo toda aquela proximidade pareceu ameaçadora demais.

— Eu- Não foi- – Alexandra esfregou o rosto com força, tentando fazer sua mente parar de trabalhar tão rápido para que ela pudesse falar. Lentamente, como se não tivesse coragem o suficiente, levantou os olhos do chão e fitou a irmã. – Eu tive alguns flashes enquanto estávamos à mesa. Não sei o que significaram só- Só sei que você estava neles.

As mãos da menor das Winter afrouxaram o aperto nos braços da futura psicóloga. Ela afastou-se aos poucos, os olhos fixos nos de seu reflexo e a boca aberta em choque.

Alex pensou em dizer algo, mas simplesmente manteve-se calada, até que sentiu o corpo esguio chocar-se contra o seu num abraço desesperado, forte, invasivo, como jamais sentira antes. Ela estava sem reação, assustada, quase sufocando, mas ao sentir os soluços trêmulos da outra, teve de fechar seus braços em torno da cintura fina, mantendo-a ali, sem saber o que fazer para conter o choro que parecia tão sofrido.

Tudo o que pôde fazer foi sussurrar de volta algo que vinha ouvindo dela há dias:

— Está tudo bem. Eu estou aqui.

O SÁBADO APÓS o Halloween estava frio e divertido. Era uma tradição da família Winter desmontar a decoração juntos, e embora estivessem presentes apenas Sam e Alex, a mais velha das gêmeas sentia que seria legal partilhar aquela experiência com a pianista.

Elas não haviam conversado a respeito da lembrança que Alexandra tivera na quinta-feira, mas ela sentia que a irmã precisava falar sobre aquilo. No entanto, apenas refletir sobre o assunto lhe deixava instável e assustada, pois levar em consideração as chances de tudo aquilo ser um delírio era muito doloroso.

— E voilà! – Sam atirou o último morcego dentro da caixa de papelão, sorrindo, satisfeita, se aproximando de Alexandra, que estava sentada no gramado, observando. – Tom vai morrer de inveja quando souber que acabamos em tempo recorde – ela sentou-se ao lado da irmã, servindo-se de um pouco de chá quente. – Ainda não acredito que ele preferiu sair com a Olivia a nos ajudar.

— Tente ficar feliz por ele – Alex murmurou, distraída. – Se você estivesse namorando, também iria preferir.

— Eu prefiro você. Sempre vou preferir você.

Samantha respondeu de uma forma profunda, baixa e rouca. Algo na voz dela chamou a atenção da futura psicóloga que, um pouco curiosa, ergueu os olhos. Quando seus olhares se encontraram, as pernas de Alexandra ficaram levemente trêmulas, como se com as íris absurdamente azuis a irmã tivesse roubado toda sua força.

— Prefere a mim ao Miguel? – Ela apenas inquiriu, sem saber ao certo porquê o fez.

Sam riu alto, fazendo fumaça com aroma de chá sair de seus lábios contra o ar gelado da tarde. Aquilo incomodou a outra, que baixou os olhos para os tênis sujos de grama. Ela sentiu, depois de algum tempo ouvindo a risada melódica, a mão delicada e de dedos finos subindo por seu pescoço, roçando sua pele, tocando com o polegar frio sua orelha, enviando arrepios intensos por sua coluna.

Alex foi forçada a olhá-la; estava um pouco tonta com as sensações que a assolavam:

— Você fica ainda mais linda com ciúme – Samantha ainda ria um pouco. Seus olhos dançavam pelos traços de seu reflexo e a mais velha tentava não ater-se a isso.

— Eu não estou com ciúme! – Alexandra defendeu-se, indignada. – Eu só- Eu não gosto dele e- – as palavras tinham um sabor salgado em sua boca. Ela sabia que se começasse aquela conversa, seria um passo irremediável e tinha medo de se arrepender quando tudo se perdesse outra vez. – E eu me lembrei que ele te beijou a força. E que eu bati nele por isso.

Samantha não disse nada. Quando Alex arriscou fitá-la pelo canto dos olhos, percebeu que ela estava muito concentrada em olhar ininterruptamente para sua xícara de chá.

— Pelo menos você sabe que eu realmente existo, agora – a mais jovem murmurou. Sua voz estava embargada, mas o modo como abaixava o rosto impedia que a outra percebesse se estava chorando ou não.

Houve um longo, incômodo momento de silêncio. Alex não sabia o que deveria dizer, nem se deveria mesmo dizer algo. Sentia-se culpada pela forma como a irmã estava agora, ao mesmo tempo que esforçava-se ao máximo para ter mais flashes como aqueles, qualquer outro resquício de veracidade, qualquer coisa que comprovasse que aquilo era real e concreto e ela não estava ficando louca.

Mas ela não conseguiu, e logo os pingos de chuva forçaram ambas a entrar. Embora tentasse iniciar um diálogo ao decorrer da tarde, Alexandra era simplesmente incapaz de sustentar uma conversa. Estavam as duas desconfortáveis.

A única coisa que impediu que o jantar fosse feito no mais completo silêncio foi Thomas, que chegou animado, contando sobre como fora na mostra de arte renascentista com Olivia.

Depois da ceia Samantha retirou-se. Disse que precisava estudar e que estava um pouco cansada. Tom dormiu no sofá durante uma partida reprisada da Liga dos Campeões, e Alex permaneceu assistindo coisas aleatórias até um pouco depois da meia-noite. Não prestou atenção em nada, pois sua mente estava uma bagunça e quando já estava exausta de tantos filmes sem sentido, resolveu recolher-se.

A porta do quarto de Sam estava entreaberta no andar superior. Alexandra sentiu-se tentada a entrar, apenas para dar boa noite e certificar-se de que a gêmea estava bem.

Muito devagar ela entrou, encontrando Samantha adormecida com um livro na mão. Sorrindo para a imagem, a mais velha das Winter apanhou um exemplar com partituras de Bach e guardou-o com cuidado, cobrindo a irmã em seguida.

Aparentemente tonta de sono, Sam abriu os olhos. Ela não devia estar consciente, mas mesmo assim sussurrou numa voz arrastada:

— Eu sinto tanta falta de nós – ela estava com as pálpebras cerradas. Alex não sabia explicar o motivo, mas pegou-se admirando os lábios entreabertos enquanto ela sussurrava. – Alex, só dessa vez... Alex?

Alexandra engoliu ruidosamente, sentindo os dedos finos agarrarem seu pulso num aperto fraco e lânguido.

— S-sim?

— Deixe-me aquecê-la, e você me esfria – ela sibilou, agora com os olhos totalmente fechados, e seus dedos afrouxaram em torno do braço da mais velha, libertando-a.

Embora não soubesse com certeza o que aquilo significava, Alex puxou as cobertas e se acomodou ali com ela, abraçando-a pela cintura, mantendo seus corpos próximos, numa troca mútua de calor.

A sensação não deveria ser tão boa, mas ainda assim a futura psicóloga não queria voltar a sair dali. Foi dessa forma que pegaram no sono.

E naquela noite, entre um cochilo e outro, Alexandra Winter vislumbrou imagens lindas de uma época onde ela e Sam eram apenas crianças felizes, sem saber ao certo se tratava-se de um sonho ou de mais lembranças – só tinha certeza de que, fossem o que fossem, ela não queria tornar a esquecê-las.

Notas finais
E então, como estamos? *u* ELA LEMBROOOOOU! Aimds, meu coração não aguenta, sos. E, cara, eu estou curtindo muito essa vibe de escrever coisas fofinhas. Veremos até quando :v ENTÃO, na minha última fic (As Penas do Corvo) eu fiz um Q&A no último capítulo, respondendo as perguntas do pessoal e tal. Eu achei muito válido repetir isso aqui. E eu tenho que perguntar pra vocês que tipo de Q&A vocês acham mais interessante: - Um Q&A só comigo, onde vocês vão fazer perguntas só pra mim, OU - Um Q&A que envolva as personagens (e eu também). Obviamente sou eu quem vai responder, mas como se fossem eles, e vocês poderão fazer perguntas diretas para todos e tudo o mais. Respondam, por favor. É algo que eu gostaria muito de tentar com vocês. Enfim, era isso. Muito obrigada por ler, vocês são sensacionais. SPOILER DA VEZ: "— É só que- – Alex não a olhava diretamente. Seu rosto estava franzido, os olhos fixos nos cadernos sobre seu colo. – Eu me lembrei que fui para a Alemanha com papai porque brigamos. Eu larguei a minha vida aqui por isso e eu- – com um suspiro, ela levantou o rosto, fitando a irmã nos olhos de forma intensa e sincera, tão profunda que quase a despia. – Eu só queria saber o que houve entre nós para que eu largasse tudo e fosse para outro país." VRÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!! See you soon ^-^