Leão do Inverno

30 Livro Três — Capítulo IV


Notas iniciais
CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FINAL DA FIC — 10. Hola! Como vocês estão? Demorei bastante dessa vez, perdoem-me. As coisas voltaram a ficar uma loucura por aqui e, como eu disse antes, Sinfonia dos Uivos está sendo a prioridade (Não, eu não consegui terminar ela no prazo T.T) De qualquer forma, temos mais um capítulo que, por acaso, não está tão dramático e tem cenas fofinhas! Eu disse que estou aprendendo, cara. Eu disse. Boa leitura *-* ------------------------------------------ "Você está sozinha? Você ainda sente a minha falta? Seu coração está tão vazio como esses braços que eu usava para abraçá-la? Você está cansada? Você está mais fraca do que antes? Você está afundando? Porque eu estive pensando que há algo faltando. É você. Agora que eu estou sem você, estou me sentindo insegura com pequenos detalhes. Eu acho que os pequenos detalhes foi o que perdemos. Mas tudo que eu lembro, me leva de volta para você e todos esses pequenos detalhes. Eu não sou nada sem você." — ALEX & SIERRA, Back To You.



SAMANTHA

Chovia e Samantha Winter conseguia ver nos olhos da irmã o quão as janelas úmidas e o barulho das gotas chicoteando do lado de fora a deixava feliz.

Era difícil ter de manter distância quando o que Sam mais desejava fazer ao ver Alex rindo como uma criança era abraçá-la e sussurrar o quanto a amava em seu ouvido. Mas ela se contentava com observar aquele sorriso de que tanto sentira falta crescer e espalhar-se pelo rosto que recobrava a vida aos poucos.

— E aqui está o telefone do psiquiatra de que falamos – Doutor Waters entregou o singelo cartão a Thomas, que empurrava a cadeira de rodas de Alexandra para frente e para trás bem devagar. – Os novos exames devem ser entregues a mim no próximo dia vinte, certo?

— Sim, senhor – Alexandra riu, batendo continência com seus braços magros.

— Nada de esforços bruscos, senhorita. E o mais importante, você deve tomar toda a medicação – o médico fazia anotações esporádicas na ficha que tinha nas mãos. Quando finalmente voltou a erguer os olhos, direcionou-os para Samantha, abrindo um sorriso mais complacente do que alegre. – Estimule a memória dela, mesmo que as sessões não tenham começado ainda. É importante trazer objetos que signifique algo para as duas, fotografias, músicas, roupas de infância, vídeos... Tudo o que puder retrair a amnésia.

— Certo – a gêmea mais jovem assentiu uma única vez, olhando de relance para Alex, que parecia desconcertada, focada nas mãos em seu colo.

— Vejo vocês no mês que vem – Waters disse, risonho, dando espaço para Thomas sair com Alex pela porta.

Ethan e Katherine não estavam ali para assistir à saída da filha do hospital depois de quase oito meses. O arquiteto preferira evitar uma possível briga com Tom e optou por visitar Alex quando esta já estivesse em casa; já a decoradora estava em North Yorkshire, trabalhando em algum projeto de papéis de parede que subitamente surgira assim que a notícia da alta de Alexandra chegara a seus ouvidos.

Samantha achara de muito bom senso levar a irmã para a casa na Arkwright Road. Elas cresceram ali e embora as memórias mais recentes que tinham – ou pelo menos Sam tinha – daquele lugar fossem desagradáveis, havia muitas coisas a serem recordadas entre aquelas paredes. E esta era uma forma de não ter de lidar com a ideia de que Alex não tinha conhecimento algum das coisas que o apartamento em Oxford presenciara.

— Céus, eu preciso fumar – Alex gemeu, olhando pela janela do banco traseiro do carro de Thomas, onde relutara um pouco a entrar, traumatizada. – Tom, por favor, pare em algum lugar para eu poder-

— Você ainda não pode – Samantha advertiu, virando-se para olhá-la.

Era estranho como o rosto da gêmea mais velha se contorcia a cada vez que a pianista entrava em seu campo de visão ou falava com ela. Embora ficasse magoada com cada reação de choque, Sam tentava ignorar e manter-se natural, repetindo inúmeras vezes para si mesma o quão difícil devia estar sendo para ela lidar com tudo aquilo.

— Oh – Alexandra desviou os olhos, pigarreando. – Certo.

O silêncio constrangedor era quebrado apenas pela leve melodia do rádio e do barulho ritmado dos pequenos rodos no vidro dianteiro. Sammy tentava evitar, mas seus olhos eram simplesmente atraídos para o retrovisor, onde a imagem magra e abatida de Alex se refletia. Embora ela negasse, estava se remoendo na esperança de que a irmã lhe lançasse um olhar em resposta.

— Estávamos pensando em fazer uma pequena festa no fim de semana, Alex, o que você acha? – Thomas falou abruptamente, fazendo as duas se sobressaltarem.

— Legal – ela respondeu depois de algum tempo, sem muita animação.

Apesar do descontrole que demonstrara depois da visita de Anabelle, Alexandra parecia mais calma agora, muito embora isso se refletisse num estado de espírito melancólico e vago. Ela ria e brincava esporadicamente, mas era mais comum vê-la perdida em pensamentos ou analisando os cenários e pessoas a sua volta do que iniciando um diálogo espontâneo.

Quando os três finalmente chegaram em casa, Thomas ofereceu-se para carregar a irmã mais velha no colo. Alex recusou, mesmo com as prescrições médicas de manter repouso até seu corpo acostumar-se com a agitação do dia-a-dia, e caminhou com toda a dignidade que uma garota que passara sete meses em coma poderia ter.

Ela ficou paralisada por alguns momentos na porta dianteira, olhando para dentro. Sam assistia um pouco afastada, com medo de que sua presença pudesse desencadear alguma reação negativa. Deixou que a irmã entrasse, ficando na soleira, protegida da chuva pela varanda, observando a água ensopar o jardim e alguns vizinhos curiosos aparecerem por entre as cortinas.

A verdade era que a pianista estava receosa em presenciar a resposta que as várias fotos recém-espalhadas pela casa provocariam em Alex. Logo que soube da amnésia seletiva da irmã, Samantha tratou de imprimir dezenas de fotografias de diferentes etapas da vida das duas, desde o maternal até poucos dias antes do acidente, onde estavam juntas e felizes, compartilhando a vida como deveria ser.

Ela não percebeu o tempo passar e só se deu conta de que estava demorando demais quando Thomas apareceu, abraçando-a pela cintura e beijando sua cabeça.

— Olga está preparando nosso lanche. Por que não vai trocar de roupa para podermos comer todos juntos, assistindo filme, como antes? – Ele disse, balançando-a de um lado para o outro.

Sam concordou, desvencilhando-se do abraço que lhe era oferecido.

— Ei – ele a fez interromper seu percurso até o hall de entrada. Quando a encarou, tinha um sorriso reconfortante. – Você sabe que vai dar tudo certo, não sabe?

— Sei – ela riu, desconcertada e em dúvida, caminhando para dentro, tirando a jaqueta úmida em seu trajeto para o quarto.

SE ALEX REPARARA nas fotos, ela fizera questão de não demonstrar. Durante as horas que os irmãos Winter permaneceram juntos na sala de tevê, amontoados entre cobertas e petiscos, rindo e fazendo piadas, nenhuma das fotografias foi mencionada e isso começava a deixar Samantha ansiosa.

Era noite. Thomas ressonava alto no sofá, atrapalhando as partes finais do filme de terror ridículo que se desenrolava no vídeo. A chuva parara, mas o frio se instalara definitivamente, tornando a madrugada propícia para uma troca mútua de carinho.

Sam não conseguia prestar atenção da história, mas sobressaltou-se quando Alexandra atirou uma almofada contra a tela na parede, fazendo-a oscilar em seu suporte.

— Você viu aquilo?! – Ela perguntou, indignada. – O crocodilo comeu ela! Comeu a bióloga! A personagem mais legal do filme! – Alex estava encarando a irmã com um semblante perplexo e afetado, mas foi recompondo-se, notoriamente constrangida ao perceber que esta não respondia.

A pianista estava surpresa e estupefata, pois era a primeira vez que Lexi iniciava um diálogo. E com certeza será a última se você continuar olhando-a como se fosse uma retardada, advertiu-se mentalmente, concertando a postura e rindo da forma mais natural que conseguiu.

— Eles precisavam estragar completamente o filme, para fazer jus a todo o enredo idiota – Sam empertigou-se, coçando os olhos, fingindo estar sonolenta quando na verdade encontrava-se hipersensível a qualquer movimento que seu reflexo pudesse fazer.

— Tem razão – Alexandra abriu um sorriso oscilante e permaneceu olhando-a por vários instantes, sem se pronunciar, até que finalmente tossiu e recomeçou: – É estranho como continuamos iguais, não?

Surpresa, Samantha apenas encolheu os ombros, descobrindo-se incapaz de sustentar aquele olhar sem ter vontade de levantar-se e beijá-la até que os raios de sol começassem a deslizar pelas janelas.

— Os gêmeos costumam ficar nitidamente diferentes depois da puberdade – ela disse, como se ainda se parecer absurdamente com Sam pudesse ser algo suspeito demais.

— Talvez seja por sermos univitelinas ou algo assim – a pianista disse, apenas para não continuar em silêncio.

— É – Alex parecia ter perdido o medo de olhá-la e agora fazia isso ininterruptamente, estudando de forma desavergonhada cada traço de seu reflexo. – Samantha? – Chamou a atenção da outra e o fato de ouvir aquela voz chamando-a pelo nome completo fez Sam arrepiar-se.

— Sim? – Respondeu, baixinho, erguendo os olhos e mexendo nos cabelos, nervosa.

— Como é? Quero dizer, você e eu, como é nossa relação? – Os olhos grandes e claros estavam fixos na gêmea mais jovem, fazendo-a sentir-se despida.

A pergunta talvez pudesse parecer inocente para qualquer outro casal de gêmeos, mas para elas, justamente para elas, era algo tão estranho e sugestivo que fez Sammy sentir-se mal.

Ela corou, sem saber o que dizer. “Nós fodemos.”?

Obviamente Alex sairia correndo. Ela não se lembrava ao menos da existência de Sam. Saber que tinham um relacionamento absolutamente não-fraternal poderia traumatizá-la para sempre – e perceber isso só fazia Sammy sentir-se mais infeliz.

— Bem, nós- – franzindo o cenho, Samantha começou a gesticular, desconfortável. – Nós sempre fomos muito ligadas, sabe? Embora diferentes, absurdamente diferentes, somos- Éramos- Nós...

— Algo como melhores amigas? – Alexandra adiantou-se, evitando usar qualquer tempo verbal.

— Sim – Sam assentiu, sorrindo delicadamente.

A mais velha fez murmúrio de concordância, mas seus olhos pareciam desafiadores; quase duvidosos.

— Qual a minha cor favorita? – Ela perguntou subitamente, depois de um tempo aparentemente pensativa.

— Pensei que você não se lembrasse apenas de coisas relacionadas a mim – a pianista disse, distraída, um pouco surpresa.

— Eu sei minha cor favorita. Preciso saber se você sabe – havia um vestígio de sorriso em seus lábios e uma vez mais a gêmea mais jovem precisou de todo seu autocontrole para não trazê-la para seu colo e despi-la ali.

Rindo para espantar os pensamentos pouco castos, Sam ajeitou-se no sofá, encarando-a e aceitando de bom grado o jogo, tendo apenas o ronco ininterrupto de Thomas como trilha sonora.

— Embora todos pensem que seja preto, é azul – ela respondeu, satisfeita ao ver o semblante um tanto admirado no rosto de seu reflexo.

— Livro? – Ela parecia realmente concentrada ao perguntar, como se esperasse que com a força de seu pensamento pudesse fazer Samantha tropeçar em suas respostas.

Mas isso não aconteceria pelo simples fato de que, por mais que Alex ainda não soubesse, elas eram uma só. Sua irmã conhecia cada pedaço dela, física e mentalmente. Era algo recíproco, mesmo que aquela parte estivesse muito bem escondida pela amnésia seletiva que resolvera acometer a futura psicóloga.

— Nem você mesmo sabe – Sam respondeu, rindo quando a boca da outra se abriu alguns centímetros. – Fica entre “A Tormenta das Espadas” e “O Fantasma da Ópera”.

— Música?

— “Heaven”, mas você diz que é “The Kill”, para parecer mais gótica das trevas – a pianista segurou o riso ao ver as bochechas da mais velha corando contra a luz fria da televisão ainda ligada, no mudo.

— Filme?

— “A Espera de Um Milagre”.

— Personagem favorito?

— São tantos! – Sam revirou os olhos.

— Então você não sabe? – Alex quase gritou, nitidamente satisfeita com o suposto fracasso.

— Claro que sei! – Ela estalou a língua, divertindo-se. – Bellatrix Lestrange.

— Como- Ugh, não importa. Qual minha citação predileta?

— “E se morrermos, morremos. Mas primeiro, vivemos.” Você tem ela tatuada nas costelas direitas.

— Banda?

Boyce Avenue, embora você tenha a discografia completa da Beyoncé escondida numa pasta criptografada do seu notebook.

— Eu não- Ora! – Alexandra cruzou os braços, parecendo irritada e desta vez o riso de Sam foi espontâneo e irrefreável. – Parece que capricharam desta vez – resmungou de forma quase inaudível, deixando a outra um tanto confusa.

Elas não falaram por algum tempo, até que Samantha bocejou verdadeiramente, sentindo toda a exaustão que as incontáveis horas acordada lhe proporcionaram. Incerta, a pianista levantou-se, atraindo a atenção de seu reflexo.

— Precisa de ajuda? – Perguntou, esticando-se e fazendo alguns ossos estralarem.

Alex não respondeu de imediato. Ela parecia estar extremamente surpresa com toda aquela situação. Seus olhos corriam o corpo e o rosto de Samantha por completo, analisando, estudando. A pianista esperava que aquelas sessões abruptas de reconhecimento se tornassem menos frequentes, porque uma vez que estava acostumada com os olhares de adoração e carinho, ser pega sob todo aquele exame minucioso era constrangedor.

— Se não se importa em me ajudar a subir as escadas... – a mais velha disse, por fim, envergonhada.

Sammy estendeu-lhe a mão, cuidadosamente colocando-a de pé. Cada terminação nervosa de seu corpo estava entrando em colapso ao sentir a palma quente e delicada roçando a sua, os dedos longos e maravilhosos resvalando os seus de forma inocente, mas intensa o suficiente para fazê-la suspirar.

— Vamos deixá-lo aí? – Alexandra perguntou, referindo-se a Thomas, que babava com o rosto entre os edredons.

— Ele logo acorda para comer – a gêmea mais jovem deu de ombros, tentando recompor-se e ignorar o toque de suas mãos.

Delicadamente Samantha amparou Alexandra até o andar superior, vencendo as escadas que jamais pareceram tão grandes. Era bom tê-la tão perto, sentir a pele macia pressionando a sua mesmo que inocentemente.

Alex tinha certa dificuldade com os degraus, dado o tempo que passara deitada, mas a pianista dava o seu melhor para suportar boa parte do peso da irmã, quase carregando-a por completo.

O corredor dos dormitórios estava fracamente iluminado pelas lamparinas vitorianas que Katherine tanto amava. O quarto recém-limpo da gêmea mais velha tinha sua porta aberta de forma convidativa, e quando pararam, Sam pigarreou, incerta sobre o que fazer a seguir.

— Então, – começou, mexendo nos cabelos – meu quarto é este aqui, ao lado. Caso precise de algo é só chamar.

Alexandra não respondeu. Os olhos dela estavam baixos, seus lábios franzidos.

Um pouco decepcionada e incapaz de pensar numa reação que pudesse ser considerada normal para a outra, ela apenas sussurrou um “boa-noite”, virando-se rápido para que o semblante de dor em seu rosto fosse engolido pela penumbra.

— Samantha, espere – Lexi puxou-a, fazendo com que tivesse de voltar para encará-la.

Ela não esperava por aquilo, definitivamente. Estavam muito próximas, podendo sentir as respirações desreguladas uma da outra. A mais velha das Winter parecia desconcertada, enquanto a outra tentava controlar as sensações confusas que se misturavam em seu íntimo.

— Só... Por favor, não me deixe sozinha – Alex mordia o lábio, olhando a irmã com olhos suplicantes; sua mão ainda segurava a dela de forma delicada. – Eu não conseguiria dormir sem ninguém aqui.

Recuperando-se do choque, tentando encontrar sua voz e tendo a completa ciência de que os dedos de Alexandra entrelaçaram-se nos seus e agora apertavam forte, Samantha sibilou de forma patética:

— Ce-certo.

Juntas, as gêmeas adentraram o cômodo, acendendo as luzes e deixando tudo o mais iluminado possível.

Sam estava imersa em seus pensamentos, observando as expressões de Alexandra que iam do divertimento à nítida dor em poucos instantes. Infelizmente ela só podia assistir, atônita. Sabia que devia deixar a garota acostumar-se àquilo tudo, mas vê-la sofrer – porque era óbvio o quanto ela estava sofrendo – era torturante.

Devagar elas se ajeitaram.

Mesmo desejando não fazê-lo, Sammy sugeriu trazer um colchão para dormir no chão, mas depois de algum tempo Lexi declarou que não via problemas em dividirem a mesma cama.

Quando se deitaram, a chuva havia voltado a cair, tamborilando nas janelas e embalando um sono que parecia relutar em tomá-las por completo.

Apagaram-se as luzes outra vez e apenas a claridade do corredor escorregava em negas pálidas pela porta entreaberta. Sam sentia a irmã virar-se no colchão de um lado para o outro, inquieta. Ela se aproximava de seu corpo, inconscientemente causando arrepios por toda a pele da gêmea mais jovem, mas voltava a afastar-se, deixando um espaço vazio no colchão e no interior da pianista.

— Você está bem? – Samantha perguntou depois de algum tempo.

— Eu só-

Alex estremeceu e soluçou, sobressaltando a irmã, fazendo-a apoiar o antebraço na cama e ligar o abajur, afoita, apenas para encontrar o rosto magro agora banhado em lágrimas.

— Ei! – Sam a trouxe para mais perto, sem pensar se aquilo poderia ser considerado invasão de espaço ou não. – Ei, meu amor. Não. Está tudo bem. O que houve, huh? – Ela beijava os cabelos quebradiços, mantendo o corpo esguio junto ao seu, sentindo como se cada espasmo daquele choro fosse algum tipo de violência física contra ela própria. – Está tudo bem. Eu estou aqui. Diga-me o que houve.

— Eu só- – a voz de Alex estava um pouco abafada, pois seu rosto estava entre os seios de Samantha. – É horrível. Eu- Eu tenho medo de fechar os olhos e- E tudo voltar a acontecer! Eu tenho medo de voltar para aquele lugar. Medo de- De não acordar- Medo de estar morta-

Sammy trouxe o rosto úmido para cima, fazendo com que a irmã a encarasse. Agora ela podia ver com clareza, assumindo um tom delicado de azul vindo da lâmpada, os traços desesperados da garota que amava.

— Você não está morta – a mais jovem das Winter tentou sorrir, passando os polegares para recolher as lágrimas de sua gêmea. – Você está aqui. Está de volta, Alex. Tudo vai ficar bem. Não precisa temer mais nada. E eu não vou permitir que se vá outra vez, me entendeu? Não vou.

Ela não parecia capaz de dizer nada. Estava rígida e trêmula, mas seus olhos foram perdendo o fulgor aterrorizado gradativamente, as lágrimas diminuindo de forma lenta.

Continuaram abraçadas e Alexandra não demonstrou sentir-se desconfortável.

— Por favor, só não me deixe sozinha – ela sibilou de forma quase inaudível.

— Jamais.

Sam ofereceu o dedo mindinho, enroscando-o no da irmã mais velha, sorrindo um pouco ao vê-la corresponder o pequeno aperto.

Elas permaneceram na mesma posição até que, muito lentamente, a mão de Alexandra afrouxou o entrelaço, caindo contra o colchão de forma lânguida.

Do lado de fora a chuva continuava a cair. Dentro do quarto as gêmeas adormeceram juntas, não exatamente como antes, mas suficientemente unidas para, mesmo em circunstâncias tão adversas, sentirem-se em paz com a ligação que talvez jamais compreendessem, mas que estaria sempre ali.

Notas finais
E então, como estamos? Awwwwwwwwwwwwwwwn *------* Não sei lidar com essa fic, gente. Me ajuda. Acostumem-se a ouvir Alex & Sierra, porque é a trilha da fic em 90% dos próximos capítulos. SPOILER DA VEZ: "— Ora, por favor! – Alexandra exclamou, encarando Miguel Rodriguez com o rosto franzido de nojo. – Como você se aguenta?" Algumas coisas nunca mudam ;) Muito obrigada por ler, pessoal. O apoio de vocês é incrível. See you soon ^-^