Leão do Inverno
29 Livro Três — Capítulo III
Notas iniciais
O dia estava claro e frio; o céu, de um azul ofuscante, encontrava-se livre de qualquer nuvem e o vento soprava, arrepiando qualquer pele a mostra naquela tarde de Outubro.
Annabelle Parker olhava, insegura, para o embrulho brilhoso que segurava firmemente em sua caminhada ao ar livre em direção ao St. George’s Hospital. Preferira fazer aquilo sozinha – não porque estivesse totalmente segura de suas ações, mas porque sabia que para Alexandra seria muito mais difícil ouvir tudo o que Belle tinha a lhe falar sabendo que, do lado de fora, Emma Thorne esperava a psicóloga que ela um dia amara.
No hospital, Parker encontrou Ethan Winter que, mesmo claramente desconfortável pela presença da americana, esforçou-se de forma genuína para ser educado com a mesma.
— Thomas e Samantha devem estar chegando – disse, pensativo. – Eu preciso ir agora. Gostaria de ficar, mas babá do meu filho precisará sair mais cedo. Alexandra está acordada. Fique a vontade.
— Obrigada – Anabelle agradeceu, observando-o sumir pelo corredor.
Ela definitivamente não estava preparada para aquilo. Thomas contara-lhe que Alexandra perdera qualquer memória relacionada à Samantha e isso incluía, obviamente, os sentimentos que a garota cultivava pela irmã.
Saber disso desestabilizara completamente a psicóloga, que vira todas as chances – potencialmente pequenas – de viver o romance que desejara com Alex desfazerem-se por conta da presença opressora de Samantha.
Sua vida estava diferente agora. Ela amava Emma e estavam felizes juntas, mas não podia deixar de perguntar-se o que teria acontecido caso a Oficial Thorne não tivesse entrado em sua vida alguns meses antes. Com toda a certeza seria maravilhoso – e constatar isso fazia Parker sentir-se a pior das pessoas.
Ela amara Winter de uma forma que jamais julgou ser possível amar outra pessoa, e por mais que tivesse se predisposto a eliminar este sentimento no dia em que ela confessara estar vivendo seu conto de fadas incestuoso com Samantha, Anabelle vinha sendo assombrada pelo fantasma das possibilidades absurdas desde que recebera a ligação de um inquieto Thomas, anunciando que Lexie acordara.
Precisou de alguns momentos ali, parada, analisando a porta do quarto de Winter para finalmente tomar coragem o suficiente de adentrar o cômodo. Quando o fez, tomou todo o cuidado para não produzir qualquer ruído. Mas, mesmo sua introdução silenciosa chamou a atenção da garota na cama.
Ela estava muito magra, com os olhos fundos e os cabelos ressecados. Seus lábios rachados abriram-se num sorriso imenso quando os olhos incrivelmente azuis focaram-se em Belle, à porta.
— Feliz aniversário! – A psicóloga disse, tentando parecer empolgada, estando, na verdade, abalada pela imagem tão abatida que se encontrava a sua frente.
A cama estava num ângulo de quarenta e cinco graus e Alexandra não fez menção de levantar-se mais, mas tapou o rosto por alguns momentos, provavelmente preparando-se.
Parker quis fugir quando aquelas íris absurdamente lindas encontraram a suas; suas pernas fraquejaram por momentos fugazes, e seu coração passou a bate num ritmo descompensado ao ouvir a voz rouca murmurar:
— Obrigada – ela sorria grande, ainda. – Eu senti sua falta – confessou, fazendo uma careta e corando.
Anabelle adiantou-se para o lado da cama e a abraçou com força, sentindo os braços fracos e um pouco trêmulos envolverem-na de uma forma quase desesperada. Alexandra parecia não querer soltá-la; era como se, com aquele simples aperto, ela estivesse extravasando toda a insegurança e o medo que passara desde que abrira os olhos. Doutora Parker sabia disso pois aprendera a ler a linguagem corporal de Winter, já que por meses fora complicado fazê-la expor-se por meio das palavras.
Levou algum tempo para a menina sentir-se a vontade para deixá-la ir e, mesmo quando o fez, uma de suas mãos ficou atada a de Belle.
— Como se sente? – A médica perguntou, sorrindo, deixando sobre a cama o presente que trouxera para poder secar displicentemente uma lágrima que escorria pela bochecha pálida e levemente sardenta.
— Muito melhor agora – Alex disse, suspirando. – Parece que só agora me sinto realmente viva. Eu... Posso sentir você – apertou seus dedos nos da psicóloga, subindo eles por seu antebraço e desviando-os para o rosto dela. – Quase me esqueci de como você é linda.
Riu, desenhando o contorno dos lábios de Parker com os dedos.
Desconcertada, Anabelle se afastou, empurrando o presente que trouxera para o colo da garota na cama.
— Abra – incentivou-a.
Alexandra sacudiu o pacote com as mãos pálidas e muito magras, sem desviar os olhos dos de Belle, fazendo a outra corar com cada vez mais intensidade.
Ela provavelmente deveria gritar que as coisas estavam diferentes agora e sair correndo. Seria menos doloroso não ver as lágrimas de Winter.
— Já ganhou presentes hoje? – A psicóloga perguntou, depois de pigarrear, assistindo-a rasgar o papel de presente.
— Alguns. Mas foram todos para cas- Puta merda! – Ela arregalou os olhos, passando os dedos pelas caixas retangulares enfileiradas e empilhadas, coloridas e com letras floreadas na tampa. – Isso- Elas- Quantas- Belle! Como você...?
— Fui a Orlando nas férias de verão – Doutora Parker desamarrou a fita que mantinha todas as caixas unidas, sorrindo pelo olhar fascinado de Alex.
A garota gemeu, deslizando os dedos por uma das caixas – a preta – por cima das letras onde lia-se:
“Oliwanders – Fabricantes das melhores varinhas desde 382 A.C”
Abrindo com cuidado e tirando o tecido que protegia seu interior, Alexandra expôs o conteúdo curioso. Ela deslizou os dedos pelo objeto longo, fino e com aparência óssea; ele tinha uma das extremidades finas e a outra curvava-se numa terminação que lembrava uma garra.
Era uma das vinte e seis varinhas que Anabelle comprara no parque O Mundo Mágico de Harry Potter, que visitara com Emma Thorne em julho, quando fora apresentá-la à sua família nos Estados Unidos. Ela não precisava dizer à Alexandra quem fora sua companhia na viagem, apenas ressaltar o fato de ter trago uma dúzia de varinhas que ficaram cuidadosamente guardadas, apenas esperando que ela acordasse.
— São incríveis! – Ela dizia, abrindo uma após a outra com uma devoção quase cômica. – Obrigada, Belle! Mesmo.
— Não há de que – Parker mordeu o lábio, sentindo-se mais tranquila por tê-la alegrado pelo menos um pouco. – Eu realmente não via a hora de entrega-las a você. Comprei todas imaginando sua reação ao recebê-las.
O sorriso de Alexandra lentamente começou a assumir um ar melancólico, como se murchasse. Os olhos dela continuavam fixos nas varinhas, seus dedos acariciando-as de uma forma mais lenta, contemplativa.
— Lexie? – Doutora Parker chamou-a, surpresa com a súbita mudança de humor. – Está tudo bem?
— Sim – ela pareceu sair do transe, erguendo a cabeça e passando o antebraço no rosto, rápido. – Sim, eu só- Só lembrei que você prometeu que iríamos aos Estados Unidos quando eu me formasse. Nós iríamos ao Mundo Mágico juntas.
Antes de você resolver apagar o que tínhamos para construir seu castelo de areia com sua irmãzinha.
Anabelle pressionou os lábios para que as palavras não saíssem, desviando os olhos para o chão do quarto. Ela não se lembraria agora, de qualquer forma. E, como se confirmasse o que a médica vinha pensando, Winter murmurou, voltando a segurar sua mão de uma forma sugestiva:
— Mas tudo bem, certo? Eu acordei. Temos a vida toda para visitar todos os lugares que quisermos. Juntas – a garota tomou fôlego, aparentemente concentrando-se num discurso que parecia ter ensaiado algumas vezes.
— Alex-
A médica tentou interrompê-la; seria melhor se ela não ouvisse o que sua ex paciente tinha a dizer, mas foi prontamente suprida pela voz determinada, embora rouca, da outra.
— Belle, não me importa o que houve entre nós antes do acidente. Não me importa o que fez com que nos separássemos – ela mantinha seus olhos erguidos, prontos para encarar a loira, que infelizmente não era tão forte. – Por mais que eu tenha passado alguns meses morta – e ela fez uma longa pausa nessa parte, engolindo ruidosamente. – Por mais que eu tenha estado ausente nos últimos meses eu- Belle, eu amo você. Eu amo você e eu jamais fui ou serei capaz de amar outra pessoa.
Foi automático; Anabelle não pôde conter o riso frio que subiu por sua garganta e escapou por entre seus dentes. Era um som amargurado, ressentido, que fez Winter se encolher e olhá-la, confusa.
Ela não queria ferir Alexandra, mas era tudo tão dolorosamente irônico que chegava a ser cômico. Mesmo esforçando-se de forma violenta para fazer-se aceitar, entender de uma vez por todas que Lexie não se lembrava de Samantha, ou de ter deixado Belle em pedaços para aninhar-se a ela, a loira era incapaz de suprimir as lembranças, os flashes da aflição a que fora submetida por meses na abstinência daquela garota.
A psicóloga conseguia ver o quão miserável Alex estava. Não queria força-la a quebrar, porém aprendera a ser corajosa o suficiente para sufocar a dependência que tinha dela. Ela estava numa nova etapa de sua vida, com uma pessoa maravilhosa e um futuro promissor.
Não podia voltar atrás, ainda que aqueles olhos estivessem implorando por isso.
— Alex, eu- – Doutora Parker suspirou profundamente, tentando encontrar as palavras certas para não magoá-la; era o que menos desejava àquela altura. – Eu estou com outra pessoa. E eu estou apaixonada.
A boca de Winter abriu e fechou algumas vezes. Ela estava procurando algo para dizer.
No canto, seu monitor cardíaco que já vinha oscilando começou a apitar cada vez mais alto, mostrando números crescentes, enquanto lágrimas se formavam nos olhos dela.
— Alex-
— Não, Belle. Nós podemos fazer isso direito – Ela gemeu baixinho, tocando Anabelle, puxando-a para mais perto, como se o contato entre seus corpos pudesse alterar as palavras que foram ditas. – Eu sei que fiz coisas erradas e que era uma filha da puta egoísta, mas eu-
As palavras começavam a falhar; a voz dela quebrava a coloração de seu rosto parecia desvanecer a cada segundo.
— Alexandra, acalme-se-
— Eu prometo que farei tudo certo. Por favor-
— Alex!
— É isso? – Ela começou a gritar e agora não estava dirigindo-se a Belle; parecia falar com o espaço a sua volta, ou com algo que pudesse escutá-la de um plano diferente. – É essa a brincadeira desta vez? Perdê–la? Eu não aguento-
— Alexandra, por favor!
A psicóloga tentava acalmá-la, mas ela só conseguia se exaltar mais e fazer seus batimentos cardíacos enlouquecerem no monitor.
A porta foi aberta por dois enfermeiros altos e fortes, que pareciam surpresos ao vê-la berrando para o nada, entraram. Um deles aproximou-se do soro que estava ligado a um dos braços dela enquanto o outro instruía Anabelle a deixar o quarto.
Alex deixou as caixas com as varinhas caírem para o chão ao perceber que Parker começava a sair. Ela passou a dividir-se entre implorar para que a médica não fosse e tentar afastar o enfermeiro que injetava calmantes em seu soro.
— Você não vai me sedar! – Ela berrava, tentando arrancar os acessos do braço e livrar-se do segundo enfermeiro que agora esforçava-se para imobilizá-la. – Belle, por favor!
A porta se fechou e a última coisa que a loira viu foi o rosto contorcido em desespero de Alexandra, implorando para que ela não partisse, delirando com alguma conspiração que queria vê-la sofrer.
Belle apertava com força o tecido de seu casaco sobre o lado esquerdo do peito. Doía tanto assisti-la daquela forma, desfazendo-se, e não poder fazer nada para ajudar.
Anabelle Parker fechou os olhos por alguns instantes e, quando finalmente se sentiu controlada o suficiente para voltar a abri-los, viu Samantha e Thomas Winter no fim do corredor, aparentemente impacientes, conversando com a recepcionista do andar.
SAMANTHA
Seu coração batia de forma descompensada contra o peito; estava ofegante, suando frio. O pequeno pacote em suas mãos quase fora para o chão algumas vezes, instável ali, entre seus dedos trêmulos.
Como esperavam que ela reagisse se, ao chegar no andar do quarto de sua irmã, dois enfermeiros enormes passassem correndo pelo corredor e, quando ela se aproximasse da recepção, aquela mulher estranha e de sorriso mecânico lhe dissesse que não poderia ver Alexandra porque ela estava sendo sedada?
— Mas por que ela se exal- – Samantha Winter ia perguntar, quase gritando, mas uma voz suave e sensual a interrompeu, um tanto oscilante:
— Eu vim para vê-la – Anabelle Parker estava parada ali, pálida, parecendo assombrada. – Ela acabou se descontrolando quando... Quando eu disse que estava... Bem, com outra pessoa.
— Você- O que você está fazendo aqui? – Samantha perguntou, aproximando-se da psicóloga com a garganta em chamas. – O que faz você achar que tem o direito de visitar Alexandra? Como deixaram-na subir, afinal?!
— Eu deixei o nome dela na portaria, Sam – Thomas disse num tom que sugeria uma repreensão.
A pianista virou-se para ele, sem conseguir encontrar algo para dizer. Suas pernas tremiam tanto que era uma surpresa até para ela mesma ainda manter-se de pé. As lágrimas que vinha segurando enquanto trocava farpas com a recepcionista finalmente foram liberadas, dando uma vazão igual a seus pensamentos que bombardeavam-na de forma dolorosa.
— Por que você fez isso? – Ela empurrou o irmão, irritada. – Por que deixou-a subir? Ela não tem o direito-
— Sam, elas são amigas! Elas tiveram uma história! Anabelle se importa com Alex tanto quanto-
— Não se atreva a dizer isso! – Samantha gritou, ignorando prontamente o pedido de silêncio que a recepcionista fazia. – Não se atreva a dizer que ela se importa tanto quanto eu! Eu amo a Alex!
— E você acha que eu não? – Parker perguntou, num tom controlado que enfureceu ainda mais a garota. – Você é infantil o suficiente para achar que eu jamais amei a sua irmã?
— Infantil? Eu não so-
— Samantha, por anos eu amei aquela garota mais que a mim mesma. E eu continuo amando, só que agora eu resolvi deixá-la ser feliz com quem ela escolheu – a pose superior finalmente vacilou e aquelas palavras aqueceram o interior de Sam de uma maneira adorável. – Eu vim aqui hoje porque... Porque eu continuo tendo sentimentos por ela. Sentimentos fortes que eu não posso ignorar, mas que mudaram com o tempo. E se você me perguntar eu com certeza lhe direi que tenho todo o direito de estar aqui. No entanto – ela acrescentou rápido, porque a gêmea mais jovem abriu a boca para contestar – eu só vim realmente porque ela pediu que eu viesse.
O mundo de Samantha girou um pouco; sentiu a boca secar e ao mesmo tempo a bile subir, queimando, por sua garganta. Ela franziu o cenho, tentando encontrar as palavras à medida que as lágrimas vinham descendo por suas bochechas coradas.
— Ela- Ela pediu...? – E agora Winter voltava-se para Thomas, pois era incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Anabelle era uma mentirosa, cínica, dissimulada.
— Pediu – Tom murmurou, parecendo compadecido com o estado em que a irmã se encontrava.
A raiva que sentia de Parker pareceu dar lugar a uma dor incrivelmente aguda que penetrava por seu coração e assumia o controle de todo seu corpo. Um soluço agudo escapou por seus lábios. Ela desejou desaparecer, simplesmente sumir, morrer.
Depois de tudo, de todos os meses de devoção, de todas as horas passadas ao lado daquela cama, das noites em claro num sofá desconfortável que Sam suportara apenas para velar o interminável sono de Alexandra, ela simplesmente não se lembrava.
Depois das brigas, das agressões, da distância. Depois de Berlim, de North Yorkshire. Depois de Evony Stortzmann, Edward Gray e Miguel Rodriguez, Alexandra não se lembrava.
Ela não se lembrava de ter amado Samantha, mas recordava-se de ser apaixonada por Anabelle.
Que tipo de castigo era aquele? Era o preço que pagariam, então, por aquela história de amor fadada ao fracasso? Era tudo o que Sam levaria daquele pequeno espaço de tempo onde pôde chamar Alexandra de sua? Lembranças? Lembranças que só ela teria, por sinal.
Ser ignorada por Alex fora como morrer. Mas ser esquecida por ela era como ter sua alma arrancada.
— Samantha-
— Saia daqui! – A gêmea mais nova gemeu, afundando o rosto no peito de Thomas, desejando mais que nunca ter sido ela a perder a memória.
Ela não viu quando a médica se foi, mas demorou muito tempo para ter coragem o suficiente para soltar Tom. Ele sussurrava palavras de apoio, dizia que tudo ficaria bem.
É uma possibilidade, Sam pensou, secando os olhos, caminhando lentamente para o quarto agora livre e silencioso de Alexandra. Ela abriu a porta e observou a irmã dormir, sedada.
Arrependia-se tanto de ter demorado a admitir o que sentia. Tinha tanto remorso de tê-la repelido, ridicularizado. Queria tê-la amado mais, sentido mais, provado mais, enquanto lhe era permitido. Enquanto podiam acordar juntas, na mesma casa, por vezes na mesma cama.
O tempo fora perdido, desperdiçado.
Se ela ao menos soubesse...
O destino era algo execrável. Enquanto as futilidades da vida preocupavam as pessoas, ele simplesmente traçava caminhos inesperados para elas.
Numa hora você tem o mundo nas mãos e na outra...
Na outra talvez você já não tenha mãos para segurá-lo.
Samantha beijou o canto dos lábios de Alexandra, acariciando a testa um pouco suada.
Não importava realmente se ela não se lembrasse. Ela estava ali, finalmente. Viva, outra vez. Poderiam construir uma nova história, juntas. Havia um caleidoscópio de possibilidades dispostas à frente delas.
Alex lutara tanto para provar de seu amor; sofrera com as rejeições que lhe foram aplicadas. Samantha poderia fazer o mesmo, se no final a recompensa fosse poder tê-la em seus braços mais uma vez.
Ela acreditava que, mesmo que de uma forma peculiar e distorcida, elas haviam sido destinadas. Não desistiria agora.
E, colocando o presente que trouxera sobre o criado-mudo do quarto, Samantha Winter sentou-se no sofá do canto, voltando a velar o sono da irmã, como fizera tantas vezes antes.

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