Leão do Inverno
28 Livro Três — Capítulo II
Notas iniciais
— Você não existe – o ruivo revirou os olhos, encarando o Leão com asco.
— Você também não existia, até alguém decidir simplesmente inventá-lo – a voz retumbante soou pelo espaço vazio a volta deles.
— Você não pode fazer isso. Não pode trazê-la de volta – bufou o deus nórdico. – Entendo que não conheça as regras, mas sabe que não deve consertar nada que eles tenham desarrumado. Está feito.
— Eu posso tentar – o Leão das Winter rugiu, assombrando o outro.
— Eles o proibiram! – Loki bateu o pé com força no chão, como uma criança marrenta.
— Eles também proibiram você e nem por isso deixou de atormentá-la.
— Eu não vou discutir com um quadrúpede – o homem ergueu as mãos em rendição.
— Ajude-me, então.
E o silêncio reinou naquela imensa Sala do Trono. Depois de algum tempo, tudo o que foi ouvido foram os passos do ruivo se aproximando lentamente do imenso Leão dourado.
— Com uma condição – ele disse, com um sorriso divertido.
— Diga – o animal parecia receoso.
— Quero pregar uma última peça.
Ela abriu os olhos devagar, ouvindo ainda com certa clareza a voz de sotaque estranho do deus que aprendera temer. Sentia-se tonta por conta das fortes luzes no teto; estava enjoada e incrivelmente sonolenta, mas o pânico a fazia desejar jamais pegar no sono novamente.
Muito lentamente, Alexandra Winter olhou a seu redor. O quarto estava vazio e ela experimentou uma crescente vontade de chorar por isso. Sua cabeça pesava muito e todas as informações pareciam embaralhadas em seu cérebro.
Ela mexeu as mãos sobre os lençóis, encontrando o pequeno objeto que lembrava um interruptor portátil. Apertou-o brevemente e aguardou, recordando-se, horrorizada, da manhã anterior, quando, ao despertar, tentou explicar que aquilo tudo na verdade não estava acontecendo. Estavam todos sendo apenas marionetes de deuses caprichosos e malucos; que ela havia morrido no acidente e, por ter feito a escolha errada, simplesmente fora usada para divertir seres astrais numa espécie de show bizarro.
Eles a doparam, obviamente. Ela fora estúpida ao pensar que acreditariam em seus relatos. Tudo o que pôde fazer foi assistir a imagem da garota que todos diziam ser sua irmã gêmea sendo consolada por Thomas desvanecer enquanto injetavam-lhe tranquilizantes.
Alex ainda sentia os algodões em seu nariz e ouvidos. Sentia os cortes e os pontos, sentia as incisões que fizeram para tirar-lhe as vísceras quando a enterraram. Se fechasse os olhos naquele momento, ainda conseguiria provar das vibrações do tampo do caixão ao ser atingido com terra.
Enquanto a enfermeira não chegava, Winter forçava-se a não pensar na Sala do Trono, ou nos meses que fora obrigada a observar Thomas ter uma vida normal como filho único e Belle se apaixonar por outras mulheres sem nunca tê-la conhecido, mas isso era difícil, levando em consideração que eram algumas das poucas coisas que não pareciam ter sido reviradas em sua mente.
A porta foi aberta, arrancando-a de seus devaneios tortuosos, e passos foram dados na direção da cama.
— Sente-se bem, senhorita Winter? – A enfermeira sorriu de forma simpática ao aproximar-se o suficiente. – Doutor Waters está a caminho.
— Eu- Eu só- Minha família, alguém...? – As palavras se misturavam e colidiam em sua cabeça; ela mal podia completar uma frase sem sentir o estômago se contorcendo em náusea.
— Vou chamá-los.
E assim que a mulher virou às costas a garota teve vontade de gritar para que voltasse, porque simplesmente não podia ficar sozinha.
Ela estava tão assustada, tão horrivelmente assustada, porque enquanto todos pensavam que ela estava em coma, ela estava sendo psicologicamente – espiritualmente? – torturada por uma entidade sobrenatural. Agora, quando finalmente se livrara de tal pesadelo, era regurgitada outra vez no mundo dos vivos, apenas para perceber que havia ali uma “irmã gêmea”, da qual ela não tinha qualquer recordação.
Um soluço subiu por sua garganta e ela percebeu que as lágrimas estavam escorrendo.
Ela estava ficando louca, realmente? Ou era outra vez uma brincadeira de um deus maldito?
— Alex? – A voz de seu pai falou, rouca, da porta.
Ela conseguiu erguer minimamente a cabeça apenas para ver o rosto dele, e então voltou a baixá-la até que ele se aproximasse o suficiente para entrar em seu campo de visão.
— Oh, querida – ele chorava também. – Você está acordada – as mãos agora trêmulas, dadas aos desenhos mais precisos, desceram por seus cabelos fazendo-a sentir-se melhor, mesmo que ali fosse ele. – Eu senti tanta falta dos seus olhos, pequena.
Ela gostaria de poder respondê-lo. Só queria ter certeza de que se abrisse a boca não gritaria.
O calor. Era tão bom sentir – sentir! – o calor da pele de Ethan, do homem que sempre a carregara nos ombros e que, embora as circunstâncias tenham feito afastar-se, estava ali agora.
Alexandra gostaria de poder abraçá-lo com todas as forças para jamais voltar a soltar. Gostaria de atrelar-se a ele ou a qualquer uma das pessoas que amava até quando fosse possível, até as paredes começarem a perder as cores outra vez e ela desabar numa outra realidade paralela, como a marionete etérea que se tornara.
Estariam eles observando-a agora? Rindo e comentando suas atitudes e sensações?
Estou ficando louca.
— Seus irmãos logo estarão aqui. Thomas levou Samantha para comer, mesmo ela se recusando. Pobrezinha, ela ficou mais de vinte e quatro horas ao seu lado, cuidando de você – o sorriso dele era emocionado, mas a única coisa que Alexandra conseguia pensar era no que viria a seguir.
Ethan pareceu perceber que ela chorava e não dizia uma palavra sequer. Seu olhar passou de comovido à preocupado em poucos instantes:
— Alexandra, eles me disseram que- Samantha contou-me- Você realmente não...?
— Não – ela sussurrou, a voz embargada e os olhos cada vez mais ardentes. – Eu não faço ideia de quem seja Samantha. Mas – acrescentou rápido, mudando drasticamente seu semblante, percebendo o movimento à porta e entendendo que talvez pudesse ser um dos médicos – eu tenho certeza que as coisas que disse ontem são fruto de algum remédio louco – riu, soando quase genuína. – Leão mágico! – Caçoou, observando a expressão dele se suavizar e o médico aproximar-se da cama.
Josh Waters sorriu ao vê-la acordada. Ele era, na opinião de Alex, o melhor médico da equipe que a tratava desde que abrira os olhos.
— Boa tarde, Alex – ele estendeu a mão para que ela desse um leve toque, descontraído. – Como se sente?
— Drogada – ela murmurou, tentando soar tranquila quando na verdade queria desfazer-se em agonia e medo. Forçava-se à procurar uma calma inexistente no momento, apenas para que seu coração acelerado não a denunciasse nas linhas irregulares do monitor cardíaco.
— Você está, mesmo – ele riu, conferindo a ficha. – Está mais calma?
— Sim – Winter mentiu, sentindo os olhos de seres sobrenaturais sobre seu corpo fraco e magro. – Tive sonhos bizarros, mas agora minha cabeça está um pouco menos anuviada.
— Os sonhos você deverá discutir com o psiquiatra que virá daqui a pouco – declarou. – Dores?
— Sim. Nas costas e um pouco na cabeça. É complicado falar, também. Minha voz quebra – tentava soar o mais relaxada possível, mas estava tremendo.
— É normal. Muito tempo deitada e sem falar – Doutor Waters anotava algumas coisas na ficha. – Teremos mais uma bateria de exames hoje para alegrar seu dia e uma grande aventura: inclinar sua cama em alguns graus! – soou exageradamente animado, afixando outra vez a ficha à sua cama. – Mas só depois do café-da-manhã.
— Posso comer um sanduíche de peito de peru e Coca-Cola? – Alexandra brincou, mesmo estando rígida.
— Vamos tentar um chá com biscoitos sem glúten diluídos; sabe como é, seu estômago virou um frangote.
O homem se virou para a enfermeira, dando algumas instruções e depois pediu para Ethan se afastar, começando a examiná-la. Pediu licença para tocá-la, apertando certos pontos, acendendo luzes a frente de seus olhos, batendo delicadamente em terminações nervosas e fazendo-a falar coisas enquanto a ouvia com um estetoscópio.
Depois de sete meses supostamente em coma, ela “se recuperara milagrosamente bem”. A maioria dos pacientes com este tipo de trauma levavam semanas ou até meses para voltar a responder aos impulsos exigidos por um corpo que volta a “acordar”.
Os especialistas que estavam trabalhando no caso de Alexandra Winter encontravam-se todos curiosos, mas esperançosos quanto ao não-aparecimento de sequelas. Pelo que ela escutara, a família fora diversas vezes desenganada pelos médicos, porque seu estado quando dera entrada no pronto-socorro do hospital público a que fora levada na noite do acidente era deplorável. Ninguém acreditou que ela sobreviveria.
E não sobrevivi, ela sabia. Tinha certeza.
Mas se voltasse a dizer aquilo todos a tomariam como louca e Katherine faria o possível para despachá-la para um sanatório – e disso ela sabia bem, pois no dia anterior, quando relatou o que vivenciara neste tempo em que acreditavam que ela estava em coma, sua família toda estava presente, inclusive sua mãe, que foi a primeira a pedir para que a dopassem.
Agora, depois da saída do Doutor Josh Waters, Ethan deixou Thomas entrar por alguns momentos, até que trouxessem o café de Alex, e ela esforçava-se para se manter calma e com aparência de alguém mentalmente são.
— Bom dia – ele sorriu para ela, beijando sua testa de forma delicada. Ela não sabia se aqueles contatos constantes eram permitidos, mas os estava adorando, pois podia sentir.
— Bom dia – ela o cumprimentou.
— Sente-se melhor?
— Quer dizer sem alucinações? – Sugeriu, forjando um convincente tom de descaso.
— É.
— Sim – afirmou. – Mas se eu continuar aqui com certeza ficarei permanentemente louca.
A verdade era que ela queria aproveitar o tempo que tivesse enquanto tudo parecia relativamente normal – ela estava sendo vista, não parecia estar desfazendo-se, não havia monstros ou vozes até o presente momento – fora do hospital.
Vivendo.
— Vai demorar um pouquinho ainda. Seu corpo está muito instável – Tom dizia, pensativo. – Mas assim que você sair tomaremos um porre memorável juntos. O que acha?
— Tudo bem, desde que voltemos de taxi para casa.
Ela o olhou e ele ficou sério por alguns momentos, mas depois ambos gargalharam juntos. Foi a primeira vez desde que ela abrira os olhos naquela nova – antiga? – realidade que sentiu-se verdadeiramente bem.
— Hm, Alex? – Ele a olhou depois de algum tempo, parecendo nervoso.
— Sim? – Ela distraíra-se, pensando em como sentira falta da pessoa que mais amava naquele mundo. Tom.
— Eu sei que parece estranho, e eu sei que você continua não tendo memórias sobre ela, mas- Você- Você poderia receber a Sam aqui por alguns momentos? Ela está desolada por toda essa situação. Tudo o que ela quer é ficar um tempo ao seu lado.
Ela pensou por alguns momentos. Esta era a peça final que Loki queria pregar-lhe, como ela ouvira claramente no sonho. A tal irmã gêmea, Samantha, era a piada maldosa a qual teria de enfrentar e isso a enfurecia e amedrontava em partes iguais.
Mas, mesmo que não o fizesse agora, teria de fazê-lo depois.
— Certo – disse, por fim, recebendo um sorriso grato em resposta.
Thomas deixou-a e logo em seguida a porta foi novamente aberta.
A “gêmea” adentrou o quarto lentamente e se aproximou da cama. Quando seu rosto ficou próximo ao de Alexandra, esta percebeu que eram incrivelmente idênticas. Mesmo as pequenas sardas que salpicavam suas bochechas foram prontamente representadas naquela sua versão beta.
Ela não se atreveu a falar; permaneceu observando sua réplica, atenta.
“Samantha” parecia incrivelmente cansada. Tinha olheiras sob os olhos, os cabelos desgrenhados e as roupas amassadas. Por mais que Alex não tivesse se visto no espelho desde o momento em que acordara, poderia julgar que estava quase melhor que “sua irmã”.
— Sente-se bem? – A garota perguntou, sorrindo, olhando cada milímetro de seu rosto assim como Alexandra fazia com ela.
— É. Melhor.
Ficaram em silêncio. Este, diferentemente do silêncio que se instalara com Thomas, era desconfortável, quase constrangedor. E, por mais que a voz da “gêmea” fosse igual a sua, Alexandra queria ouvi-la falar. Apenas dessa forma se daria conta do quão real tudo aquilo poderia ser.
— Um psiquiatra virá me ver logo – a Winter que se encontrava acamada disse, alerta a cada movimento da estranha. – Talvez ele possa explicar tudo... Isso.
Alex pronunciou a última palavra com um pouco de dificuldade de formulação, tanto porque a situação era complexa, quanto pelo fato de estar exageradamente cansada com um esforço tão mínimo de alguns minutos conversando.
Ela soube, de certa forma, qual seria a frase dita a seguir, mas os gestos que a acompanharam pegaram-na completamente de surpresa.
A “gêmea” debruçou-se um pouco sobre a cama alta, extinguindo a pouca distância que havia entre elas.
— Você não se lembra mesmo? – Samantha deslizou delicadamente o polegar pelo lábio rachado da irmã, sem desconectar seus olhares, um pouco ofegante pela proximidade.
— Não – Alex tentou afastar-se o máximo possível, mas estava deitada e fraca, e o esforço que fez para afundar-se no colchão deixou-a um pouco tonta.
O monitor cardíaco disparou e só então a outra Winter pareceu dar-se conta de que estava assustando sua irmã que acabara de acordar de um longo coma.
Alexandra podia estar desnorteada por ter passado tanto tempo sendo torturada por deuses estúpidos e sádicos, mas morta ou viva ela podia reconhecer um olhar de flerte lançado por uma garota quando via um. E, por mais bizarro e nojento que aquilo pudesse parecer, ela podia jurar que sua “irmã gêmea” estava desejando-a.
Katherine tem razão em querer me ver num manicômio.
Aquilo a deixou enjoada e ainda mais tonta, mas logo a porta se abriu e um homem de aparência estrangeira entrou, cumprimentando-as e diluindo a atmosfera tensa que se instalara.
— Bom dia, senhoritas. Sou Matt Gregor, o psiquiatra responsável pela paciente.
Ele usava muitos termos médicos enquanto falava, algo que fez a atenção de Alexandra fixar-se em qualquer lugar, menos no que ele dizia.
No meio do discurso Ethan entrou, e então o monólogo virou um diálogo com perguntas prontamente respondidas.
—... E não se lembra exclusivamente da irmã gêmea – o homem lia a ficha. – Isto, senhorita Winter, pode ser classificado como amnésia seletiva. Por algum motivo, graças a batida, seu cérebro resolveu selecionar apenas as memórias que envolviam Samantha e deletá-las do armazenamento.
— Há como reverter? – Foi Samantha quem perguntou.
— É cedo para deduzir, mas não é cedo para que os estímulos sejam feitos – ele sorria muito artificialmente. – Por ora vocês podem mostrar algumas fotos, vídeos, contar histórias que envolvam as duas. Nada que a force até a exaustão, mas o suficiente para despertar essas lembranças que estão escondidas em algum lugar.
Seu pai e a estranha sorviam cada palavra com devoção, mas para Alexandra era desinteressante porque ela sabia que não se esquecera de Samantha. Ela simplesmente sabia que Samantha não existia!
QUANDO SOUBE QUE a “gêmea” iria passar a noite com ela, Alexandra Winter logo pediu para que Thomas assumisse esse posto. Sentia-se obviamente culpada por exigir tanto do irmão, levando em consideração que ele tinha uma vida fora dali, mas não queria ficar sozinha com ela outra vez. Não depois daquela troca de olhares tão intensa e do modo como ela a tocara.
Seu pai também não era uma boa opção para o momento. Ele parecia muito emotivo e desesperado por um perdão que Alex não estava pronta para conceder.
No final, Tom aceitou seu pedido, e agora conversavam – ou ele falava e Alexandra ouvia enquanto era tragada para o mundo dos sonhos – sobre tudo o que acontecera durante o tempo em que ela estivera “em coma”.
— Ela não está muito bem. Este é um dos motivos de não estar tão presente quanto nós – ele falava sobre Katherine. – Quando Ethan resolveu assumir o garoto, então, foi uma loucura. Ela não saiu do quarto para nada por uma semana inteira.
Ele havia acabado de explicar que Victoria Wall – a amante de Ethan que provocara o acidente que causara todos os problemas da vida (morte) de Alexandra – falecera durante o parto do filho de Ethan. Ela ficara paraplégica com a batida do carro e teve uma gestação complicada.
O menino, Lewis, tinha dois meses e agora vivia com o pai numa casa que ele comprara ali, em Londres mesmo. Tom não queria admitir, mas Alex notava toda a amargura em seu tom de voz. Pelo que ela percebeu, Ethan e ele não se falavam ou sequer se olhavam.
— Tom? – Alexandra perguntou quando seus olhos já estavam quase se fechando por completo.
— Sim?
— Belle sabe que eu acordei? – O nome da psicóloga provocou uma sensação engraçada e muito bem-vinda em interior.
Mesmo com as pálpebras unidas ela podia imaginar o rosto angelical de sua loira, os olhos incrivelmente verdes e aquele corpo que fora sua completa perdição. Era uma das partes daquela realidade que ela mais estivera ansiosa para entrar em contato.
Ainda que com certo receio, ela permitiu-se criar esperanças. Sabia que, antes do acidente, ela havia terminado tudo com Anabelle – o motivo continuava abstrato em sua mente –, mas tinha quase certeza de que, assim que a Doutora Parker soubesse que estava acordada, esqueceria qualquer discussão boba ou término sem explicação.
Ela se lembrava de Belle nos braços de uma loira qualquer nas imagens que Loki fizera-lhe assistir na primeira vez que estivera no purgatório, mas lembrava-se igualmente bem de seu pai sendo preso e, no entanto, em vez de uma tornozeleira rastreadora de detentos ele agora tinha um filho!
Ela podia sonhar. Podia desejar que Anabelle entrasse por aquela porta e fizesse amor com ela naquela maca.
— Ela mandou-me uma mensagem. Virá amanhã pela manhã – o rapaz disse, com um bocejo.
E Alex não percebeu, mas acabou adormecendo com a promessa de vê-la no dia seguinte trazendo-lhe completa paz pela primeira vez em muito tempo.

Fale com o autor