Leão do Inverno

27 Livro Três — Capítulo I


Notas iniciais
Antes das notas normais, um aviso super importante: NÓS NÃO SOMOS ILLUMINATES E NÃO TEMOS NENHUM TIPO DE PACTO, PAREM DE PERGUNTAR ISSO. Só porque essa fic e minhas outras fanfics têm exatamente 2908 palavras em todos os capítulos, não significa que vendemos nossa alma; só quer dizer que talvez eu, Bárbara, em particular, tenha TOC, ou seja perfeccionista, ou os dois. Babi: Certo, então, gente, esse é um capítulo muito especial. Primeiramente porque a Toki não sabe da existência dele, e eu quero dedicá-lo a ela, por motivos de, ela merece sorrir um pouco esses dias. (Dedicado também a Lola, por ter lido metade da fic em, tipo, cinco horas.) Depois, porque ele é o número 27, e minha namorada tatuou "XXVII" no braço ontem. (entendedores entenderão). E, por último, porque é o último das minhas férias (matem-me) e é o começo do fim, por ser o primeiro do último livro. Ah, podem me agradecer por eu trazer o arco-íris de volta à vida de vocês nos reviews, okay? Eu perdoo todas as ameaças, também. Então é isso. Boa leitura. ----------------------------------------- "E eu teria morrido, eu teria amado você toda a minha vida. Você está perdendo sua memória agora. Por onde você esteve? A praia é tão fria no inverno, aqui. E onde eu estive? Eu acordei em Montauk com você ao meu lado. Lembre-se do dia, porque isso é o que os sonhos deveriam sempre ser. Eu só queria ficar, eu só queria manter esse sonho em mim. Você está perdendo sua memória agora. Acorde, é a hora, menina. Tudo de bom que já fizemos já está chegando. Acorde, é a hora, menina. Só se lembre quem eu sou pela manhã. Você está perdendo sua memória agora." — RYAN STAR, Losing Your Memory.



SAMANTHA

A paisagem de Londres estava uma vez mais pintada de laranja. Outubro chegava a sua metade de com ela o aniversário de vinte anos de Samantha e Alexandra Winter se aproximava.

Aquele dia em particular estava gelado e claro. Não havia nuvens no céu e um vento gélido lambia a cidade desde as primeiras horas da manhã. Alex iria adorar. Mas ela não estava ali. Não estava ali fazia sete intermináveis meses e sua irmã gêmea simplesmente não conseguia suportar essa ideia ainda.

Samantha olhava desinteressada para a janela de seu quarto, vendo as folhas voando em espirais enquanto tentava ler uma das apostilas para a prova da semana seguinte. Seu chá há muito esfriara, e ela girava a xícara inconscientemente.

— Posso entrar? – Thomas disse, dando duas batidinhas na porta.

Ela sorriu de forma sutil e ele adentrou o cômodo.

— Vou assistir ao primeiro treino da Olivia – declarou cuidadosamente, como se escolhesse as palavras. – Mais tarde vamos sair para comemorar. Você sabe, comer pizza, cantar e tomar algo. Nossos amigos vão e, bem, eu chamei Andrea. Ela disse que com certeza estaria lá. Eu gostaria que você também fosse. Não só eu, Via ficaria muito feliz e- – o garoto suspirou profundamente. – Veja, Sam, o que eu quero dizer é... Você precisa sair um pouco.

Ela deslizou as mãos pelo rosto, tentando não sentir raiva do irmão ou vontade de chorar. A verdade era que ele estava certo, mas saber disso não tornava a situação mais agradável.

— Eu sei – Samantha sussurrou, encarando-o com um sorriso um pouco mais forte, mas não menos forçado. – Eu vou.

Ele preparava-se para dizer algo, mas parou imediatamente, com um semblante confuso e balbuciando coisas que a irmã não conseguiu entender.

— Vai? – Perguntou, nitidamente incrédulo, mas logo retomou a postura. – Isso! Certo, então eu passo para pegá-la às cinco.

— Ótimo – Sam assentiu com a cabeça, mas fez uma careta quando o irmão deixou o quarto.

A vida vinha sedo algo difícil de encarar para a gêmea Winter mais jovem. Há sete meses toda a paz que conseguira conquistar fora abruptamente tomada por uma piada sádica do destino.

Em março seus irmãos envolveram-se num acidente de carro.

Não fora um simples acidente de carro, porém. Fora algo provocado por Victoria Wall, que descobriram mais tarde ser amante de seu pai; amante esta que ele tentara matar no hospital enquanto a filha mais velha lutava pela vida. Ele fora indiciado por tentativa qualificada de assassinado, porque Wall estava em coma induzido, mas depois de algumas jogadas ilegais – algo a que ele já estava habituado, Sam descobriu – a acusação foi retirada.

O divorcio com Katherine, no entanto, foi inevitável, e desde então a mãe estava num estado deplorável: afogando-se no trabalho, bebendo e tomando cartelas de remédios, coisas que forçaram a gêmea mais jovem a deixar o apartamento que dividira com Alexandra num pequeno e incomensuravelmente feliz espaço de tempo, para voltar a viver na casa que era para ela sinônimo de solidão.

Mas para Samantha nada doía mais do que o destino que Alex recebera depois de toda esta tragédia. Embora Thomas tenha sido retirado das ferragens com poucos ferimentos, a garota estivera à beira da morte por semanas. Concussões, traumatismos, ossos quebrados e órgãos estourados. Os médicos foram claros com a família quanto ao estado da gêmea mais velha, desenganando-os.

Sam, que chegara ao hospital a tempo de vê-la sendo reanimada e brigara com os médicos quando estes tentaram contê-la, acompanhara o quadro de perto da forma mais agoniante possível.

Eles conseguiram, de fato, salvar Alexandra. Mas desde então ela simplesmente não acordara. Tivera quatro paradas cardiorrespiratórias e finalmente estabilizara-se num coma que durava sete meses.

Samantha visitava-a todos os dias. Conversava com ela pelos poucos momentos que lhe eram permitidos, apreciava-a pelo lado de fora, conversava com os médicos do hospital e lia tudo o que encontrava a respeito de comas. Deixara de sair com os amigos e estava distante até mesmo de seu adorado piano.

Mas naquela tarde, como prometera a Thomas, ela iria à celebração do primeiro treino de Olivia Gold, que agora integrava oficialmente o Arsenal Ladies. E, mesmo sentindo-se odiosamente desanimada, Sam arrastou-se pelo quarto, arrumando-se. Às cinco horas ela já estava pronta, com calças jeans e moletom, esperando ouvir a buzina do irmão.

No entanto, o único som que ouviu foi o da porta da frente se abrindo. Antes que pudesse se esgueirar para o hall para verificar quem estava chegando, um corpo se chocou contra o seu, quase derrubando-a.

— Eu não acreditei quando ele disse que você iria! – Andrea Herrera riu, abraçando a amiga de forma quase sufocante.

— Ei – Samantha riu, retribuindo o abraço de forma menos entusiasmada. – Olá para você também.

— Vamos logo. Eu é que vim dar-lhe a carona – a amiga a puxou pelo braço. – Eu nem acredito que você vai!

— Por que a surpresa? – Winter perguntou, como se não estivesse surpresa consigo mesma por sair de casa sem ser em direção à faculdade.

— Porque ultimamente parece que você é que está em coma, não Alexandra – ela disse, como sempre pensando alto, mas imediatamente lançou um olhar de desculpas à amiga, que simplesmente encolheu os ombros, tentando não pensar ou sequer absorver as palavras. – Desculpe – sussurrou a latina, depois que ambas já estavam no carro dela.

— Esqueça – Sam riu de forma forçada, olhando para frente, ligando o rádio para poder cantar ao invés de conversar.

Todos pareciam genuinamente felizes e, mesmo sentindo vergonha de seu estado de espírito, Samantha simplesmente não conseguia partilhar daquela alegria. Ria das piadas, comia um pouco disso ou daquilo, concordava com os comentários, mas não era como se estivesse apreciando estar ali.

Já passava das oito, mas ninguém parecia dar qualquer sinal de desejar encerrar a noite.

Com a cabeça latejando, Sam chamou o irmão, pronta para dar qualquer desculpa e voltar para casa.

— Tom? – Disse, quando o rapaz sentou-se, depois de uma maratona ridícula de Eminem no karaokê que o sotaque britânico dele arruinara.

Mas, assim que ele virou-se para ela, o celular da garota começou a tocar. Olhando de relance para a tela, o coração de Samantha disparou.

“St. George's Hospital”.

— É do hospital! – Sammy saltou da mesa, derrubando o soco de uma das amigas de Olivia, tropeçando nas próprias pernas. – Sim? – Atendeu, ofegante, protegendo um dos ouvidos da voz desafinada de Andrea.

“Samantha Winter, por favor.”, uma voz plácida pediu.

— Sou eu.

“Boa noite, Senhorita Winter. Sou Carly Steel, do St. George’s Hospital. Seu telefone está no contato de emergência da paciente Alexandra Winter,” ela falou de forma automática “Estamos entrando em contato para requisitar sua presença em nossa unidade.”.

— O-o que houve?! – Sam quase gritou; Thomas se aproximava e Andrea parara de berrar no fundo do pub. – Ela está bem?!

“A paciente acordou há pouco e precisamos de um responsável presente, senhorita.”

As palavras fugiram. O cérebro de Samantha Winter era incapaz de comandar qualquer atitude útil. A seu redor, no entanto, tudo pareceu pulsar. Ela sentiu-se como se emergisse de um mergulho interminável num lago gelado.

Podia finalmente respirar.

Sentia o ar a sua volta, o vento acariciando sua pele. Sentia o sangue pulsando em suas veias, seu coração golpeando as costelas. Sentia os cheiros, via todas as cores.

Thomas tomou o telefone de sua mão ao perceber que ela simplesmente não reagia e começou a falar com Carly Steel.

Samantha, que tinha as pernas trêmulas àquela altura, simplesmente sentou-se na mureta do lado de fora do pub, sentindo as lágrimas de alegria descerem pelos olhos. Ao tocar o rosto para enxuga-las, percebeu que estava sorrindo e isso a fez rir.

Quando Andrea Herrera se aproximou dela, perguntando desesperadamente o que havia acontecido, Sam apenas riu ainda mais alto, abraçando-a com força e gritando, literalmente, que Alexandra acordara.

— O que? – Drea franzira o cenho, olhando-a como se ela fosse louca.

Mas talvez ela estivesse. Talvez ela estivesse realmente louca, pois não se sentia daquela forma há muito tempo.

— Precisamos ir – Tom disse, claramente dividido entre se preocupar e alegrar-se. – Andrea, pode, por favor, levar Via para casa?

A garota assentiu enquanto Thomas voltava para dentro, pagando a conta e explicando a situação para Olivia ao mesmo tempo.

THOMAS JAMAIS DIRIGIRA tão devagar em toda sua vida. Os semáforos todos estavam desafiando-os, vermelhos, como se quisessem segurá-los o máximo possível longe do hospital.

— Anda logo! – Samantha gritara quando Tom ficou por cinco minutos analisando qual a melhor vaga para parar.

Eles desceram rápido, ligando para Katherine e Ethan ao mesmo tempo, tentando inutilmente contatar os dois.

Um dos médicos de Alexandra, Josh Waters, estava na pequena recepção do andar, conversando com uma das funcionárias, absorto. Samantha quase o derrubou quando tocou-lhe o braço para chamar sua atenção, mas não conseguiu falar – seu cérebro parecia ainda estar processando lentamente todas as informações.

— Boa noite, doutor Waters – Thomas disse, afastando um pouco a irmã do homem que sorria gentilmente. – Viemos pela Alex.

Ele cumprimentou o rapaz com um aperto de mão, já estando familiarizado com a figura dos dois.

— Sim, sim. Só estamos finalizando alguns testes – ele disse pacientemente. – Ela está respirando sozinha, mas ainda muito atordoada. É típico do comportamento das pessoas que acordam do coma. Faz horas que ela despertou. Estamos tentando entrar em contato desde então.

E Samantha lançou um duro olhar para Thomas por tê-la arrastado àquela comemoração idiota e lhe privado de estar com Alex o mais rápido possível.

— Vocês ainda não podem vê-la, no entanto – o médico explicou, olhando para Sam de forma receosa. – Além dos exames que precisamos fazer, ela precisa ser corretamente medicada e analisada por todos os especialistas que cuidaram dela até agora – disse rápido, antes que a gêmea de sua paciente começasse a argumentar.

— Mas só por alguns momentos. Eu preciso-

— Ela não pode se alterar, Sam – Doutor Waters pousou a mão no ombro dela. – Para uma pessoa que passou os últimos sete meses dormindo, qualquer atividade cerebral extra já requer um grande esforço. Ela precisa se acostumar lentamente com o fato de estar novamente consciente. Isso não levará mais que algumas horas, prometemos.

— Mas, doutor, eu-

— Sam, ela não vai a lugar algum – Thomas disse, puxando-a para si, abraçando-a com calma. Ela agradeceu mentalmente a proteção, pressentindo que poderia desabar a qualquer instante, mas não era exatamente o abraço dele que desejava. – Logo poderemos vê-la, conversar com ela e tudo o mais.

— Exatamente – o médico sorriu, apanhando as fichas que a recepcionista lhe estendia. – Vocês só precisam assinar algumas coisas referentes ao prontuário e medidas burocráticas e já podem voltar para casa. Amanhã com certeza serão liberados para vê-la por algum tempo.

— Amanhã? Mas eu-

— Sam – Tom a apertou mais, fazendo com que ela o olhasse. – “Não vai a lugar algum”, lembra-se?

Sim, ela se lembrava, mas isso não significava que ela fosse voltar para casa aquela noite e deixar Alexandra sozinha.

Talvez os médicos mudassem de ideia de deixassem que ela a visse por alguns breves momentos.

Ethan chegou ao hospital pouco antes da meia-noite, quando Thomas já havia ido embora – o que era ótimo, já que eles se agrediam física e verbalmente sempre que se viam –, mas ficara apenas para um café amargo com Samantha na lanchonete do hospital e prometera retornar no dia seguinte.

Tom enviara uma mensagem, à uma da madrugada, dizendo que Katherine acabara de chegar em casa e passaria por lá quando o dia amanhecesse.

Sam recebeu uma ligação desesperada de Anabelle Parker – por que diabos Thomas a avisou daquilo, mesmo? –, mas afirmou da forma mais polida que pôde à psicóloga que Alex não podia receber visitas no momento. Parker não pareceu satisfeita, no entanto, e Sam sabia que estaria ali assim que o dia clareasse.

Winter caminhou a noite toda, de um lado para o outro. Subiu e desceu vários andares. Conversou com várias pessoas que também passavam a noite ali, ouviu histórias tristes, felizes, obscenas. Fez amizade com uma velhinha que fazia bolos para vender em Buckingham e com dois indianos que eram integrantes de um fã-clube que investigava a verdadeira identidade de J.K Rowling – Alex com certeza entenderia o que “Ela é, na verdade, Rita Skeeter, e sabemos disso” queria dizer.

As horas pareciam se arrastar e quando finalmente amanheceu, Samantha estava dormindo numa cadeira a frente do balcão da recepção do andar.

Quem a acordou foi Thomas, trazendo copos de café quente, bolinhos de limão e uma história pouco convincente sobre Katherine estar com muita dor de cabeça para poder ir até o hospital.

A contragosto e com um ódio velado pela mãe, Samantha aceitou deixar seu posto para comer na cafeteria. Engoliu tudo rápido, recebendo risadas de deboche do irmão toda vez que suas bochechas dilatavam, e voltou o mais rápido possível para perto do quarto da irmã.

Todos eles achavam linda a dedicação que ela tinha para com a Alexandra. Laços fraternos e blá, blá, blá. E tudo o que ela podia imaginar era quando poderia beijar aquela boca de novo. Quando voltariam a dormir, abraçadas, na cama que partilhavam em Oxford.

Foi enquanto ela pensava nisso que um dos médicos de Alexandra se aproximou, desejando bom dia. Este, um neurologista chamado Evan Clarkson, era menos simpático que Doutor Waters, mas pela constante convivência com Samantha, conseguia ser agradável com ela.

— Ela teve uma noite pouco tranquila, com todos os exames urgentes que fizemos – o médico explicou. – Está sonolenta, mas acredito que possam vê-la rapidamente antes que ela durma.

— Ela... – Samantha sentiu a garganta secar, mexendo no cabelo ansiosamente. – Ela está bem? Quero dizer, respirando e... Essas coisas.

— Sim – Doutor Clarkson parecia alegremente surpreso. – Foi um pouco chocante. Todas as funções dela estão absolutamente recuperadas. Ela está falando com um pouco de dificuldade, mas isto é por conta da baixa função cerebral pela qual passou. Mas, fora isso, está tudo certo: respirando sozinha, sentindo todas as partes do corpo, enxergando e ouvindo. Ainda é cedo para falar sobre as sequelas, mas aparentemente o cérebro está em ordem.

Um suspiro deixou os lábios da gêmea mais jovem e ela sentiu que poderia flutuar pelo modo como as palavras do médico a deixaram leve.

— Gostariam de vê-la agora? Terão pouco tempo antes que ela adormeça.

— Sim! – Thomas disse, animado, voltando-se para Samantha. – Vamos fazer uma surpresa: eu vou primeiro e digo que trouxe um presente; quando eu abrir a porta você entra, certo?

A expectativa de perder alguns dos poucos minutos que teria com Alexandra antes de serem afastadas de novo fez Sam se encolher, mas o rosto luminoso do irmão a convenceu a manter-se onde estava enquanto ele caminhava para o quarto onde ela quisera estar durante toda a noite anterior.

O médico acompanhara Tom para dentro, deixando apenas Samantha e a recepcionista naquele imenso corredor que parecia ainda mais apático e frio. A mulher dava sorrisinhos caridosos à Winter entre uma remexida de papeis e outra.

Ethan acabara de lhe enviar um torpedo quando Thomas deixou o quarto, radiante como jamais o vira, chamando por ela.

— Ela está completamente deitada – ele disse, ansioso, guiando a irmã mais velha pelo corredor, talvez sabendo que ela sentia as pernas tão moles que mal podia dar alguns passos sozinha – Então você terá de chegar bem ao lado da cama para que ela te veja.

Não estando muito certa sobre o estado de sua voz, Sam apenas assentiu, seguindo-o para dentro do quarto.

A cama era alta e Alex estava olhando para o teto. Havia algum tipo de proteção que a impedia de virar a cabeça por ora e Samantha pôde enxugar algumas lágrimas sem ser capitada pelo campo de visão da irmã antes de entrar completamente no quarto.

— Tom, não seja mau, diga o que é!

A voz dela era baixa e muito rouca, além de que as palavras saíam mais arrastadas do que o normal. Mas era a voz dela. Era a voz de Alex, que, por mais que fosse idêntica a sua, fazia Samantha tremer prazerosamente a cada palavra dita.

E, céus, como sentira falta daquilo.

Aproximando-se mais rápido e se colocando ao lado da cama, Sam abriu o maior sorriso de sua vida, sentindo o coração disparar ao encarar aqueles imensos olhos estupidamente azuis que já se acostumara a encontrar fechados.

— Oi – disse, bem baixinho, resistindo ao máximo para não beijar aquela boca esfolada e descorada.

Alex, que já estava pálida, começou a perder ainda mais a cor. O monitor cardíaco a seu lado começou a surtar, fazendo barulhos cada vez mais intensos e rápidos; o médico se assustou, dando alguns passos em direção a ela.

— Que brincadeira é essa? – Alexandra perguntou, nitidamente horrorizada, tentando levantar-se e perdendo cada vez mais a cor.

— O que houve? – Thomas perguntou, se aproximando, enquanto o sorriso de Samantha minguava e se transformava num tipo de careta de choque.

— Quem é ela? – Alexandra perguntou, abalada, a voz sumindo gradativamente. – Por que ela se parece tanto comigo? Tom- O que- Quem-

E ela desmaiou.

Samantha ficou ali, parada, olhando o rosto idêntico ao seu assumir uma coloração branco-gesso, enquanto algumas enfermeiras prontamente entravam.

— Por que...? – Sam gemeu quando Tom a levou para fora da sala. – Ela estava assim quando você entrou? O que...?

— Não. Ela estava normal. Parecia- Ela- Ela se lembrou de tudo – Thomas estava tão desnorteado quanto a própria Samantha, mas ela tinha certeza que era a única a sentir dor ali.

— Então eu sou a única coisa de que ela não se lembra? – Ela sussurrou, mais para si mesma do que para o irmão, destruída.

Notas finais
So! O que acharam?! Eu sei, eu sei. Vocês vão entender tudo mais pra frente, mas acho que já dá pra entender do que se tratou o Livro Dois, né? Toki, espero que você tenha gostado, e não me bata. Eu amo você, Priscila-Dos-Playstation. E AIMEODEOSDOCEO, EU TO COM FIC NOVA (sim, sem tempo nem pra dormir e com fic nova. Trouxa, né? Trouxa.) Sinfonia dos Uivos: https://fanfiction.com.br/historia/636264/Sinfonia_dos_Uivos/ Leiam, porque é yuri, e vocês gostam de yuri, que eu sei. Obrigada por ler, seus lindos. E por nos aguentarem por quase trinta capítulos, e, ai, último livro. Icant. SPOILER DA VEZ: "— Você não se lembra mesmo? – Samantha deslizou delicadamente o polegar pelo lábio rachado da irmã, sem desconectar seus olhares, um pouco ofegante pela proximidade." SEE YOU SOON ^-^