Leão do Inverno

26 Livro Dois — Capítulo V


Notas iniciais
Babi: Hola :3 Voltamos rápido pra caramba, hein! PRIMEIRAMENTE: ASSISTAM O TRAILER DA FIC QUE SAIU DEPOIS DE TRÊS MILÊNIOS E DOIS SÉCULOS! youtu.be/rlcCNpENttg Fim do livro dois, finalmente (detesteeeei escrever esse livro, ugh). Como vocês estão? Muito obrigada pelos comentários. Vocês são uns fofos. Esse capítulo tá tão... Ai! Enfim, quero dedicá-lo a Anonymous, que mandou uma recomendação amorzinho. Boa leitura *u* Toki: Chegamos rápido o/ Tô morrida! Com sono! Dor no coração! Esse capítulo me deixou com um misto de emoções! Aproveitem, pessoas divosas! E lembrem-se de dar rage no twitter pelo VMA. Uma bosta a lista de indicações. Além do mais, não tem 5H! ------------------------------------------------------- “E eu desistiria da eternidade para te tocar, pois eu sei que você me sente de alguma maneira. Você é o mais próximo do paraíso que jamais estarei, e eu não quero ir para casa agora. E tudo que posso provar é este momento, e tudo que posso respirar é a sua vida. E cedo ou tarde se acaba. Eu só não quero ficar sem você essa noite. E eu não quero que o mundo me veja, porque eu não acho que eles entenderiam. Quando tudo é feito para não durar, eu só quero que você saiba quem eu sou. –“ GOO GOO DOLLS, Iris.



SAMANTHA

Chovia muito. Ela dirigira sob a tempestade de forma absolutamente irresponsável. Samantha Winter não queria se matar, apenas sentia necessidade de chegar ao consultório de Gabriel Knox o mais rápido possível.

Assim que o dia ficou claro naquele sábado, depois do pesadelo mais vívido que tivera até aquele momento, Sam ligou para Gabriel, pedindo-lhe desculpas pelo modo como interrompera sua consulta e implorou para que ele a visse o mais rápido possível.

Knox avisou que Howard Peterson, o hipnotizador com quem trabalhava, estaria lá naquela tarde, e que talvez pudessem fazer algo por ela, juntos.

A pianista desligou o telefone e seguiu direto para seu carro, rumando descontroladamente para Windsor. Quando ela freou na frente da casa de Knox, sentiu a respiração agarrando-se a garganta.

Era um passo sem volta, aquele que daria. E, sem deixar que as dúvidas a assolassem, Samantha saiu do veículo em meio à tempestade, batendo desesperadamente na porta do parapsicólogo.

Quem abriu foi o próprio Howard. Ele guiou-a para dentro enquanto Sam ouvia atentamente a oferta de regressão que ele fazia. Sorvendo as palavras de Peterson com paciência, ela aceitou. Aquele discurso era a centelha de esperança de que ela precisava. Ele a hipnotizaria, a faria voltar tanto em sua mente que ela passaria a vidas anteriores, se é que acreditava nisso e, se houvesse algo escondido, eles conseguiriam trazer à superfície.

Estava com medo, mas a verdade era que tudo estava acontecendo tão rápido que ela não conseguia raciocinar – sentia-se assistindo a um filme, movendo-se mecanicamente. Desejava apenas um modo de se livrar dos pesadelos ou ao menos entendê-los, o meio que usaria para isso era insignificante.

— Há algum risco? – Ela perguntou, subitamente horrorizada com a possibilidade de ficar louca ou ser morta de algum jeito naquela sala medonha.

Algo dentro dela congelou sob o olhar ansioso que Gabriel lhe lançou.

— N-não – Knox gaguejou e ela teve de agarrar-se a sua força de vontade para não sair correndo. – Essa experiência foi feita uma vez, em Nova Iorque. Ivy Templeton¹, uma garotinha que costumava ter pesadelos.

Ele pareceu estremecer ao citar o nome e Samantha abriu a boca para perguntar o que acontecera a menina, mas Howard Peterson adentrou a sala, já lhe dando instruções:

— Quero que você relaxe – tinha a voz suave e regular. – Encontre uma posição confortável para que possamos começar.

Ele tirou do bolso uma fina lanterna enquanto Sam se ajeitava no divã. Ascendeu-a, deixando-a perto do rosto de Winter.

— Agora, Sam, olhe para a luz. Erga os olhos e fique olhando para a luz. Fique olhando. Continue olhando. Agora, enquanto continua olhando para a luz, está começando a sentir as pálpebras pesadas, cada vez mais pesadas, e você tem cada vez mais dificuldade para abri-las, cada vez mais... Está cada vez mais difícil abrir os olhos, ver a luz... Cada vez mais... Bem devagar, suas pálpebras estão pesadas, tão pesadas que você começa a fechar os olhos... Seus olhos querem ficar fechados... Ficar fechados... Fechados... Começam a se fechar... Estão fechados... Fechados...

As pálpebras de Sam se tornavam cada vez mais pesadas em virtude do esforço de manter os olhos voltados para o alto. A sugestão da voz tão suave e constante, lentamente, começou a fazer efeito sobre a pianista.

Ela já não sentia mais medo. Na verdade não sentia nada. Era como se estivesse com um sono tão forte que mal conseguia se concentrar no que acontecia a sua volta.

— Pálpebras pesadas... Cada vez mais pesadas... Tão pesadas que você não consegue abrir os olhos... Seus olhos estão fechados... Você precisa mantê-los fechados... Mantê-los fechados... Fechados...

“Seus olhos estão totalmente fechados... Estão tão fechados que você não consegue abri-los, mesmo que tente... Mesmo que queira muito... Mesmo que se esforce... Você não consegue abri-los... Não consegue... Não consegue... Tente! Tente abrir olhos agora, Samantha.”

Sam esforçou-se para abrir os olhos. Tentou com todas as suas forças abri-los, queria enxergar o rosto do Doutor Howard, mas era impossível. Seus olhos estavam tão fechados que já não era capaz de abri-los.

— Você não consegue abrir olhos, e eles precisam permanecer fechados. Relaxe-se, Sam. Quando eu quiser despertá-la, contarei até cinco e direi “acorde, Samantha!” e você acordará imediatamente. Certo?

— Sim – Sam respondeu de forma fraca e inexpressiva, não porque tivesse vontade de falar, mas simplesmente porque sua voz vinha.

— Agora que seus olhos estão fechados e que você está profundamente adormecida, comece a recuar no tempo... Recuar, Sam... Recuar no tempo... Está recuando no tempo até o dia de ontem. Recue. Vai se lembrar de cada detalhe. Um, dois, três...

O rosto de Sam foi tomado por uma expressão de horror. Ela estava desesperada. Conseguia ver o relógio de números aleatórios do Doutor Gabriel tomando uma ordem lógica e ele lhe dizendo que havia uma presença paranormal ali. O medo que lhe atingira na véspera lhe acertou em cheio da mesma forma, e mesmo que ela quisesse reprimi-lo ou pensar em qualquer outra coisa, era impossível.

— O que está vendo, Sam?

— Gabriel e Anabelle. Ele está dizendo que há um tipo de espírito entre nós. Tenho medo – ela começou a soluçar da mesma forma que fizera na véspera.

— Certo – disse a voz firme de Howard, incorpórea àquela altura, pois tudo o que Winter enxergava era exatamente o que vira no dia anterior. – Agora vamos deixar essa lembrança e recuaremos no tempo até seu aniversário de dezesseis anos. Contarei até três e você estará na noite em que teve o primeiro pesadelo. Um... Dois... Três...

Imediatamente o rosto de Samantha abandonou a expressão de pânico e desespero e assumiu o semblante de alguém que está adormecido.

— Há algo errado?

— Meus pais brigaram no começo da noite – ela sentiu a garganta apertar, da mesma forma que acontecera naquele dia. – Sinto-me estranha. Sinto que... – ela parou de falar, ficando num silêncio anormal. – Estou vendo a campina cheia de neve e o espelho. Estou sonhando – Samantha disse, confusa, observando-se no cenário do sonho pela primeira vez.

— Certo – apressou-se Howard. – Certo. Você vai deixar de lado essa lembrança desagradável. Vai deixá-la de lado e regressar mais no tempo. Vai recuar até seu terceiro aniversário. Um... Dois... Três...

A expressão de confusão desvaneceu-se rapidamente, dando lugar a um semblante distante, depois suave. Um sorriso brincou nos lábios da pianista, logo seguido por uma risadinha infantil, que se transformou numa gargalhada.

— Eu sou a Sam – Gritou ela, na maneira histérica característica de uma criança de três anos.

Winter estava vestida como Sam, de As Três Espiãs Demais. Era a decoração de sua festa. No colo de Katherine, Thomas não passava de um pacotinho enrolado, adormecido.

— Esther, você é Alex – ela riu alto, vendo Esther Navas se aproximar, vestida em amarelo, e esticou os braços para abraçá-la.

— Muito bem, Sam! – Howard Peterson a elogiou. – Muito bem. Agora quero que volte mais. Você voltou tanto... Tanto... Antes de você nascer... Antes... Antes de nascer...

A mente de Sam ficou totalmente apagada. A única coisa de que ela tinha consciência agora era da voz de Howard lhe dando instruções. Nada fazia sentido do lado de fora.

— Recue... Recue no tempo – Peterson exigiu. – Continue recuando... Mais... Mais... Até outra época... Até onde você não se lembra... Recue... Recue, Sam... Mais... Até onde você não se lembra...

E então a imagem ficou nítida em sua mente.

Estava garoando, ela podia sentir o cheiro de terra molhada. Thomas a envolvia pelos ombros, beijando seus cabelos enquanto os soluços escapavam por sua garganta. Todos estavam ali. Todos vestidos de preto. Alex sempre gostara de preto.

Alex.

Samantha caiu do divã, de joelhos.

— Samantha? – Howard perguntou, mas a voz dele não era nada que significasse algo perante a dor que sentia naquele momento.

Ela enxergava a grama molhada, via o buraco no chão, o caixão sendo baixado enquanto o padre falava qualquer besteira.

— Kitty, por favor! – Ela gritou, agarrando a grama.

Winter conseguia sentir a terra sujando suas unhas, mas na verdade estava arranhando o carpete do escritório de Gabriel.

— Samantha, chega. Quando eu contar até cinco...

A voz de Peterson não era nada além de um zumbido disforme e absolutamente ignorado por ela. Seu corpo todo doía. Ela queria morrer.

— Eu acredito! – Gritou tão alto que sua garganta ardeu. Foi puxada para trás por Tom, ele tentava levantá-la.

—... Quatro; cinco. Acorde, Samantha!

Para Gabriel e Howard ela estava sendo puxada por algo invisível. Como se realmente houvesse alguém tentando colocá-la de pé, mas que era impossível de ser visto por eles.

— Samantha! Um, dois...!

Alex!

O reflexo era Alex!

— Acorde, Samantha! Obedeça!

Alex, sua irmã, o amor de sua vida. Alex, que morrera num acidente de carro.

Alex!

Samantha Winter abriu os olhos, ofegante, sentindo as gotas de suor escorrem por sua testa e pescoço. Suas unhas estavam quebradas e o chão do consultório arranhado.

Ela olhou em volta, pronta para gritar, mas não havia ninguém.

Gabriel Knox e Howard Peterson simplesmente desapareceram.

Assustada, Sam tentou se levantar, mas neste exato momento as paredes assumiram uma coloração branca e começaram a descascar. O piso começou a rachar e antes que ela pudesse se afastar, foi tragada para dentro, para o abismo que se formara sob seu corpo.

Ela caiu com um baque surdo, mas nada sentiu.

Sentou-se, assustada e, delicadamente, o cenário branco que a cercava começou a assumir uma forma. Uma sala de aspecto real e antigo, como um palácio. Ela voltou seus olhos para o alto, perdendo de vista o teto. Foi quando ouviu aquela voz:

— Sam?

Samantha Winter virou-se, a procura da origem do som, e cada partícula de seu corpo entrou em colapso quando seus olhos encontraram-na.

Alex estava ali, olhando para ela com uma expressão confusa. Usava as roupas do acidente, por isso estava rasgada e suja de sangue. Seus cabelos estavam bagunçados e havia sangue seco em seu rosto, mas ela não parecia machucada.

Sam levantou-se de forma desajeitada, quase desabando sobre suas pernas fracas e trêmulas, atirando-se para a irmã.

Alexandra a amparou, a tomou em seus braços, abraçando-a com o que parecia ser toda a força de seu corpo.

As duas choravam. Uma amparava os soluços da outra, trocavam beijos salgados, desesperados, com gosto férreo por conta do sangue presente.

Samantha queria gritar. Pensou que fosse explodir.

Alex estava ali. Estava viva, ao seu lado. Podia tocá-la. Podia beijá-la. Ela era sua novamente, apenas sua.

— Eu tive tanto medo-

— Eu não queria-

— Perdoe-me-

— Eu não sabia-

Elas falavam juntas, engasgando-se com as palavras, tocando, apertando, abraçando, beijando cada parte que lhes era permitido. Era tanto a ser dito, tantas desculpas a serem entregues. Parecia que nunca haveria tempo o suficiente para tudo o que precisava ser exposto.

— Eu pensei que você-

— Eu sei-

— Eu não podia vê-la!

— Eu sei, meu amor – Alexandra acariciava seus cabelos da forma mais terna possível.

— Alex, o que está acontecendo? – Sam inquiriu, trêmula. Era incapaz de soltar a irmã; recusava-se a deixá-la ir uma vez mais.

— É complicado. Nós só precisamos sair daqui.

A gêmea mais velha tomou a mão de sua caçula, segurando firme, pronta para guiá-la para onde quer que fosse, mas, antes que pudessem fazer qualquer movimento em direção a uma suposta saída, outra voz foi ouvida.

— Quanta indecência.

Samantha não teve muito tempo para olhar quem falava. Alexandra logo estava se pondo a sua frente, protegendo-a, guardando-a, como se de alguma forma, quem quer que estivesse falando com elas pudesse feri-las.

Receosamente Sam observou sobre o ombro da irmã, encontrando, sentado no Trono de Ferro da série predileta de Alexandra, um ruivo com roupas feitas de pele.

ALEXANDRA

— Seu filho da puta!

Alexandra Winter – sim, seu nome era Alexandra Winter e nenhum lunático com poderes sobrenaturais poderia mudar isso outra vez. Não agora que ela podia segurar sua irmã em seus braços de novo – gritou, tentando manter Samantha segura atrás de si.

— Não seja rude – ele riu, levantando-se.

— Eu vou matá-lo!

— Oh, como se você pudesse – o ruivo revirou os olhos, descendo os degraus do Trono. – Apesar que, se você conseguiu contatá-la, acho que devo temer.

— O que você fez?! – Alex gritou, irritada, em dúvida entre avançar para ele ou manter a guarda a frente de Samantha.

— Eu... Estava me divertindo, ora!

— Divertindo? Que tipo de louco é você?! – A gêmea mais velha esbravejou, sentindo o sangue subir a seu rosto.

— Do tipo com senso de humor.

— Você é um psicopata!

— Thor diria a mesma coisa – ele revirou os olhos novamente, parecendo entediado. – Acho que precisam-

Mas ele foi interrompido por uma voz grave e incrivelmente familiar:

— Já chega.

Um leão imenso, dourado e de porte imponente emergiu das sombras, caminhando suavemente sobre as quatro patas.

Alexandra Winter pensou que morreria – novamente – ali mesmo. Sabia exatamente de quem se tratava.

— Aslan? – Samantha sussurrou, confusa, olhando para todo aquele teatro de insanidade a sua frente.

— Não – Alex disse, convicta. – É Kitty.

— O quê?!

— O que você quer? – O ruivo olhou-o, começando a ruborizar.

— É o suficiente de suas brincadeiras – o leão mágico de Alexandra disse, sério, se aproximando cada vez mais das gêmeas, até ficar ao lado das duas, muito mais alto que elas.

— Quem decide isso? Você? Nem ao menos é um deus!

— Eu sou o que elas acreditarem que eu sou – Kitty se colocou a frente das duas, protegendo-as. – Já chega, Loki. Samantha não pertence a este plano, e a alma de Alexandra tampouco é sua para torturá-la.

Loki?

Mas que merda...?

— Isso é brincadeira, não é? – Samantha gemeu às costas da irmã, agarrando-a com força.

O cérebro da Winter mais velha trabalhava tão rápido que ela mal podia responder as próprias perguntas, quanto mais as de Sam.

Não duvidava que aquilo fosse real – passara tempo demais como um espectro ignorável para duvidar de qualquer coisa àquela altura –, só que era tudo tão absurdo que ela já não podia assimilar.

— E quem vai me impedir? – Loki arqueou uma das sobrancelhas, rindo.

O rugido que se seguiu a risada sarcástica do deus nórdico foi tão alto que Samantha abraçou a irmã, amedrontada, escondendo o rosto em seu peito como uma criancinha.

Como num desenho animado, o hálito não muito agradável de Kitty fez os cabelos e a capa de Loki esvoaçarem e sua postura superior desmoronou, deixando-o desconcertado.

Quando voltou a falar, o filho de Odin parecia prestes a chorar. Estava corado e gaguejava.

— Você nem existe – ele disse, desesperado, olhando do imenso leão para as gêmeas. – Aposto que se eu fosse Jesus você não faria isso!

— Saia – Kitty ordenou.

— Odin vai saber disso – Loki parecia extremamente ofendido, como uma criança repreendida por alguém que não é de sua família. – Você nem existe!

Alexandra estava perplexa.

Não esperava por aquilo, mesmo depois de tudo o que acontecera.

Kitty... E Loki... E “Odin vai saber disso”.

— Obrigada – Samantha interrompeu seu monólogo interior, falando com o imenso leão após Loki simplesmente desaparecer. – É tão surreal, mas... Obrigada.

— É real a partir do momento em que você acredita – Kitty emitiu um som parecido com uma risada e Sam assentiu com a cabeça. – Agora, – ele voltou a assumir o tom sério sem que Alex tivesse ao menos se recuperado do que acabara de acontecer – você precisa voltar.

— Sim, precisamos – ela riu, olhando a irmã da forma mais natural possível.

— Eu... – o leão disse, pesaroso. – Receio que sua irmã deva ficar.

Samantha riu, confusa, e Alexandra via-se incapaz de demonstrar qualquer expressão.

— O que?

— Alexandra está morta.

— Mas- Não – Sam agarrou Alexandra com força, abraçando a irmã. – Não pode nos separar de novo.

Kitty as olhava com atenção e embora Alex não conseguisse dizer uma só palavra, ela sentia as lágrimas escorrendo.

— Mas- Nós- Isso- Está errado! – Samantha agora gritava com o leão dourado. – Está errado! Eu a amo! Não tivemos tempo- Nós apenas- Não!

Kitty agora encarava Alexandra, que parecia perdida em pensamentos, sendo cada vez mais apertada no abraço desesperado de Samantha.

Mas o que ela podia fazer, então? O que tinha a oferecer à Samantha, que merecia o mundo, e agora estava atada ao amor de alguém que já não mais vivia?

— Sam – ela disse devagar, segurando o rosto da irmã nas mãos. A mais jovem parecia saber o que viria a seguir, porque balançava a cabeça histericamente, de forma negativa. – Escute-me. Você não pode ficar aqui. Você não pertence... Só- Deixe que Kitty a leve de volta.

— Eu não vou sem você! – Samantha gritou, cravando as unhas nos ombros dela de forma tão funda que rasgou, ardendo, sangrando. – Prefiro morrer!

— Não diga isso!

— Pois prefiro! – Sam soluçou, abraçando-a. – Você é minha vida.

Alex sentiu o desespero de ter de deixá-la ir. A desilusão, a revolta da morte.

— Sempre estarei com você – Alexandra sibilou, sentindo-se miserável.

— Eu a amo – Sam agora falava com Kitty. – Por favor, eu amo. Eu só- Isso- Se for errado- Veja, nós não escolhemos quem amamos!

E Kitty buscou aprovação nos olhos que Alex, que a concedeu sem uma única palavra.

Beijando a têmpora da irmã, sentindo o cheiro do shampoo que tanto adorava e o toque delicado daqueles fios, ela se afastou um pouco, observando o corpo de Samantha tomar uma consistência gasosa sem que ela se desse conta. Só percebeu, finalmente, quando já não havia volta.

No silêncio que se seguiu, sozinhos, Winter encarou o leão.

— E agora o quê?

— Eu gostaria de poder ajudá-la.

— Já ajudou – ela encolheu os ombros, secando os olhos.

— Gostaria de ter poder o suficiente-

— Esqueça. Ela tem razão. Não escolhemos quem amamos.

— Sim – o leão concordou, encarando-a com olhos tristes. – Não escolhemos quem amamos.


F
IM DO LIVRO DOIS.

Notas finais
N. das. A¹: Ivy Templeton foi uma garota submetida a hipnose reversa nos anos 60, em Nova Iorque. Ela era a reencarnação de Audrey Rose, o espírito de uma garotinha de cinco anos que morreu asfixiada num acidente de carro e encarnou antes de evoluir, levando Ivy a morte também, depois de anos com pesadelos, durante a sessão de regressão. Essa história é relatada no romance "As Duas Vidas de Audrey Rose", de Frank de Felitta. Babi: O que acharam do trailer? *U* Feito com amor e carinho, me beijem. SUPER LEIAM ESSE LIVRO, As Duas Vidas de Audrey Rose. Ele é emocionante, eu adorei. Assistam o filme também, porque embora os atores sejam bosta, o roteiro é um amor. Foi um caso que fez eu rever todos os meus conceitos a respeito de reencarnação (já que a coisa toda virou uma disputa jurídica e tals...) So, this is it. Espero do fundo do core que não façamos uma pausa muito grande antes de começar o livro três (aka último livro). E muito obrigada por nos acompanharem até agora. Lindos. Sem spoiler hoje, porque, né. Suspense é a alma do negócio. Q’ SEE YOU (AGAIN) SOON ^-^ Toki: ASLAN *u* ... No Wait... KITTY *u* Leão divoso. E agora? O que será que vai acontecer? Não perca, no próximo capítulo de: Leão do Inverno ~Voz Grossa~ E não se esqueçam do grupo do WPP e é isso aí.