Leão do Inverno

23 Livro Dois — Capítulo II


Notas iniciais
Babi: Hola! Aqui vos fala a nova professora de história do projeto extracurricular da escola! Por isso tá meio foda passar aqui e responder todos vocês, mas o farei logo. Não fiquem bravos com a minha falta de pontualidade. Passando correndo só pra desejar uma boa leitura pra vocês porque tô com uma guia do Nyah e uma do INEP aberta (correndo pra fazer as inscrições pro ENEM). Capítulo tá lindo, espero que gostem. *u* Toki: Sabe, guys... A tecnologia não gosta de mim. Meu PC, celular e minha TV comprovam isso. Mas eu tenho a solução perfeita! Vou comprar jeans mais colados! (Sim, mais colado do que eu já uso, se for possível), uma camisa xadrez, botas de cano longo e um chapéu dr cowboy. Vou comprar um cavalo totalmente negro e chamar de Blackjack. Já que a tecnologia não gosta de mim, vou virar domadora de cavalos u-u' Aproveitem o capítulo de hoje que está uma maravilha hehehe ---------------------------------------------------------------------------------------- "Tatuar seu nome em meu coração, então isso vai permanecer. Nem a morte pode nos separar. Que tipo de sonho é esse? Você pode ser um sonho doce, ou um lindo pesadelo, de qualquer jeito eu não quero acordar de você. (...) Meu prazer culpado, eu não vou a lugar nenhum enquanto você estiver aqui. Eu estarei flutuando no ar porque você é meu." — BEYONCÉ, Sweet Dream.



SAMANTHA

Tudo ao redor estava pintado de branco, desde os pinheiros que formavam um círculo perfeito a sua volta, até o gramado que outrora deveria ter sido verde. Samantha Winter encontrava-se ali, sentada em frente a um espelho. Olhando-se, percebeu que deveria ter aproximadamente oito anos de idade.

Cada movimento seu era refletido no enorme objeto rústico. Mas algo não condizia... A expressão de seu reflexo era vazia. Não havia emoções. Não copiava seu semblante.

Sam ficou alguns momentos ali, analisando o tal espelho, até que a imagem sorriu. Não um sorriso amigável, mas algo sombrio. Um sorriso de deboche, acompanhado de um dedo indicador, apontando para a jovem Winter ou, mais especificamente, para trás dela.

Ao virar-se, as bochechas gordinhas perderam a cor e os pequenos lábios se abriram em choque. Todo o bosque estava em chamas. Os pinheiros estavam extintos e apenas as marcas negras de suas cinzas restavam, misturadas à neve.

Um grito cortante pareceu ter-lhe rasgado a garganta, mas sua boca ao menos se abrira, então tornou a voltar-se para o espelho, acabando por se deparar com uma cena horrível.

Seu reflexo, agora com aparentes dezenove anos, estava banhando em sangue, os braços e a cabeça torcidos em ângulos nauseantes e a o rosto totalmente desfigurado. O grito seguinte com toda a certeza partiu de Sammy, que agora tremia e por mais que forçasse os olhos a permanecerem fechados, continuava a vislumbrar aquele teatro macabro.

Quando a escuridão finalmente roubou-lhe a visão, batidas desesperadas no vidro a fizeram abrir os olhos novamente.

O reflexo de Samantha – não mais desfigurado – parecia desesperado enquanto socava incansavelmente o limite do espelho. Os olhos azuis expressivos choravam tanto que a pele branca da garota encontrava-se vermelha. Sam percebeu que, mesmo que não sentisse, suas bochechas estavam igualmente molhadas.

Ela aproximou sua mão do objeto e esperou sentir a superfície gelada, mas foi a palma de sua imagem que encontrou a dela. O susto a fez recuar, incrédula. Ela sentira o contato quente e macio daquela mão, e só então conseguiu chegar à conclusão de que ali não era um reflexo, mas sim outra pessoa.

A menina do outro lado, ao não sentir mais o calor de Samantha, voltou a chocar os punhos contra o vidro, até que ele se partiu em centenas de cacos.

"Sammy... Ajude-me!"

O pedido não saiu mais alto que um sussurro, e ao desvanecer-se por completo, Samantha acordou num sobressalto com o grito queimando suas cordas vocais.

O quarto estava abafado e opressivo, seu coração escoiceava as costelas de um modo tão descompensado que parecia querer rompê-las, sua respiração estava tão acelerada que os pulmões doíam e o suor cobria todo o seu corpo.

Poucos segundos passaram-se até que um jovem de cabelos loiros apareceu na soleira de sua porta, assustado e com marcas deixadas pelo travesseiro no rosto.

— Aquele mesmo pesadelo? – Thomas questionou.

— Sim – com lágrimas nos olhos, ela o abraçou sofregamente. – E-Eu não aguento mais! Gostaria que acabassem, ou pelo menos poder entender o que significam!

Agarrada ao irmão, ela derramou suas lágrimas no pijama de algodão, da mesma forma que fazia quase todas as noites desde que seus pais se divorciaram, quatro anos antes.

BATMAN

Chovia. Ela sabia disso porque podia ouvir o barulho dos fortes pingos do lado de fora. Estava escuro ali – onde quer que ali fosse.

Batman deu um passo à frente, movendo-se da forma mais silenciosa possível. Um raio cortou o céu do lado de fora e ela pôde vislumbrar, por poucos segundos, a paisagem tão conhecida da Arkwritgh Road.

Ela estava em casa. Por mais incrível que fosse aquele pensamento, ela finalmente estava em casa! Tudo não passara de um pesadelo macabro, de um sonho ruim. Sua vida lhe fora devolvida, ela poderia voltar a ser Alexandra Winter, a garota que gostava de jogar futebol e assistir séries da HBO aos domingos.

Teve vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo, mas conseguiu se conter, atendo-se a um único pensamento: Samantha.

Ela estava em casa, então Sam provavelmente também estaria ali, e, adiantando-se para onde julgava ser a escada, Batman caminhou a passos largos.

Tentou formular um cumprimento. “Olá, Sam. Sabe aquele corpo que você enterrou? Então, não era eu. Ou, na verdade, era, mas eu conheci um cara ruivo no além e ele me deixou voltar porque nenhuma divindade gostava o suficiente de mim para me levar para o céu ou inferno.”

Samantha com certeza acharia que estava delirando.

Mas poderei abraçá-la, finalmente, e tudo ficará bem.

Excitada e ao mesmo tempo temerosa, a garota subiu os lances da escada, reconhecendo cada canto daquela casa de onde planejara fugir tantas vezes.

Fosse quem fosse a figura ruiva que a ajudara, seria eternamente grata. Nada, absolutamente nada valia o preço de estar ali, caminhando pelo corredor dos quartos, observando nesgas de luz saírem sorrateiramente pelas portas entreabertas onde as pessoas que ela amava estariam dormindo.

Ela estava viva! Viva e pronta para viver intensamente o resto de tempo que lhe fosse concedido, e obviamente apta a cumprir o que quer que lhe fosse pedido em troca daquela dádiva sobrenatural que lhe salvara.

Era tudo tão confuso, complicado. Ela que sempre fora cética até o último fio de cabelo estava se deparando com uma situação de credulidade, tendo de aceitar, admitir para si mesma que morrera, que chegara ao limbo e fora terminantemente rejeitada por todos os deuses existentes.

Existentes! Eles existiam!

Mas não gostavam dela. Não a aceitavam. Não a queriam. Mas tampouco importava. Ela tinha a resposta sobre a vida-após-a-morte, afinal. Ela visitara o Outro Lado e estava ali, de volta, viva. Quantos malucos não teriam se oferecido para experimentar tal façanha em seu lugar?

E, no entanto, tudo o que ela realmente queria estava ali, naquela casa. Não pretendia – por ora – publicar algum best-seller contando sua experiência sobrenatural, nem sair em turnê pelo país pregando a palavra de Jesus-Buda-Alá para ninguém.

Ela estava suficientemente satisfeita em sentir o cheiro de lustra-móveis e madeira, de amaciante e flores que exalava do andar superior de sua casa. Estava mais que contente em ver aquele corredor mal iluminado, em vagar descalça por aquele lugar tão silencioso.

Viva.

A porta do quarto de Thomas estava fechada, a do quarto de seus pais encontrava-se levemente entreaberta e a do quarto de Samantha fora deixada completamente escancarada, derramando uma tênue luz azulada do abajur pelo corredor escuro.

Batman respirou fundo, enchendo seus pulmões com um ar insípido. Calmamente, receosamente, esgueirou-se para dentro, tencionando não acordá-la ou fazer qualquer movimento brusco que lhe pudesse perturbar o sono.

Teve que caminhar em câmera lenta para não tropeçar em nada – e para preparar seu psicológico já abalado por uma viagem ao além para encarar a mulher que amava.

Sam dormia docemente, embora seu semblante não fosse de completa paz. Ela estava tão linda, tão imaculada, tão perfeita. Os cabelos escuros espalhados pelos travesseiros de forma aleatória mas ao mesmo tempo estranhamente harmônica, como se cada fio tivesse um lugar específico para ficar até o momento em que ela despertasse. Seus lábios rosados estavam entreabertos numa respiração calma, os pulsos pálidos ao lado da cabeça, os cílios longos roçando a pele cor de leite.

Batman quis beijá-la, abraçá-la, sentir cada pedaço daquele corpo que se aninhara ao seu tantas e tantas vezes – não vezes o suficiente, porém.

Queria muito acordá-la. Olhar no fundo daquelas íris claras que era o reflexo absoluto das suas próprias e dizer que a amava, mas optou por esperar, por assistir o espetáculo silencioso que era Sam dormindo, e ficou ali, andando de um lado para o outro, se aproximando e depois se afastando, captando da forma mais quieta possível cada movimento, cada balbuciar daqueles lábios que ansiava tanto por beijar, cada franzir de sobrancelhas, sem cansar-se, sem sentir a mínima necessidade de se sentar, de comer ou parar por um momento.

Ficou ali até as luzes fracas do dia atravessarem as cortinas, até a iluminação tornar cada traço adorado mais nítido, até os movimentos tornarem-se cada vez mais agitados, até que os primeiros ruídos fossem ouvidos do corredor e sua musa despertasse lentamente, com os olhos inchados e os cabelos caindo pelo rosto.

Batman sorriu largamente, sentindo que poderia chorar a qualquer instante. Samantha estava com o rosto entre as mãos, sem prestar atenção no canto em que sua irmã gêmea se encontrava encolhida, assistindo.

Ela esfregou os olhos, tirou os cabelos que lhe atrapalhavam a visão e fitou o relógio com um suspiro agoniado.

— Sam? – Seu reflexo a chamou, percebendo o quão apática ela parecia a sua presença.

A gêmea mais velha não respondeu. Continuava a mirar o relógio até que, provavelmente munida de coragem, empurrou as cobertas para longe e revelou as pernas brancas que foram a perdição de sua amante secreta até seu último suspiro.

Batman se moveu para perto. Deu alguns passos, colocando-se perto da cama, sorrindo, emocionada.

— E-eu consegui voltar. Não sei como, havia um homem- Eu só-...

— Bom dia – Thomas apareceu na porta, os olhos vermelhos e os cabelos muito bagunçados. Sorriu ao ver Samantha desperta, mas não fez menção de adentrar o cômodo.

— Tommy – a gêmea mais velha sussurrou, controlando-se para não atirar-se nos braços do caçula e sufocá-lo com beijos constrangedores.

— Bom dia – Samantha respondeu, sorrindo, dirigindo-se para o lado oposto a sua irmã recém-ressuscitada.

Batman oscilou, olhando os dois interagirem como se não a estivessem enxergando.

— Pessoal, eu-

— Conseguiu pegar no sono facilmente? – Ele perguntou, ainda na porta, cruzando os braços e as pernas enquanto olhava ela tirar a blusa, de costas para ele.

— Sim. Os calmantes estão funcionando – Sammy respondeu, apanhando um sutiã e vestindo, sem virar-se de frente para Thomas.

— Eu estou aqui! – A Winter mais velha gritou, começando a desesperar-se. – Pessoal-

— Vou a palestra da Doutora Parker – a gêmea caçula murmurou e, devidamente vestida, voltou-se para Tommy. – Você também irá?

Batman quis chorar, mas percebeu que não conseguia. Ao contrário do que presunçosamente presumira, não estivera sendo forte até aquele momento – ela simplesmente não era capaz de chorar, por isso não derramara uma lágrima sequer.

— Sam?! – Gritou jogando-se a frente da irmã. – Sam, eu estou aqui!

E, num ato impensado, a garota que estivera morta há algumas horas esticou-se para tocá-la, mas sentiu a silhueta esguia atravessar seu corpo, como se ela fosse feita de ar, como se seus membros e tronco não tivessem consistência alguma, como se fosse um...

Fantasma.

Se pudesse teria vomitado.

Encarou-se, finalmente. O escuro da madrugada não lhe permitira atentar a suas roupas como deveria, e agora, ali, parada no meio do quarto claro, podia ver as manchas em suas roupas pretas e rasgadas. Manchas rubras, pegajosas.

Sangue.

Aquilo não estava acontecendo. Não poderia estar.

— Claro – Thomas passou seu braço sobre o ombro de Samantha, beijando sua cabeça delicadamente enquanto a guiava provavelmente para o andar de baixo.

Batman – Alexandra! Meu nome era Alexandra! Preciso me lembrar! – ficou parada no meio do cômodo, sem reação, sem saber o que fazer, implorando mentalmente para que aquela brincadeira de mau gosto acabasse. Assistindo, impotente, sua felicidade tão repentina se esvair por entre seus dedos como areia, como a poeira em que seu corpo provavelmente estaria se transformando, enterrado a sete palmos da superfície.

Ela gritara. Tentara chorar. Esforçara-se para quebrar todos os móveis possíveis da casa e atirar peças da mobília ou comida em seus irmãos e sua mãe. Ajoelhara-se a frente do carro enquanto Thomas saía da garagem. Atirara-se da janela aberta do terceiro andar. Mas ninguém parecia vê-la ou ouvi-la, ela atravessava todos os objetos sólidos que arriscava tocar, e não sentia nada ao cair de dez metros de altura.

Implorara à figura ruiva que lhe colocara naquela situação que a tirasse de lá – ou pelo menos esperava que ele tivesse ouvido seus gritos e lamentos.

Não se importava em transformar-se em nada. Só era incapaz de assistir Samantha ignorá-la pelo resto da eternidade.

— Por favor – gritara tão alto que suas cordas vocais poderiam ter-se rompido. Mas nada sentiu. – Por favor, eu não quero! Eu quero voltar à morte! Por favor!

Mas ninguém lhe ouviu. Nem mesmo a própria morte.

Nenhum esqueleto com foice apareceu para recolher sua alma atormentada e levar por um rio qualquer de volta ao limbo, ao inferno, ao diabo que o partisse.

Ninguém.

ANABELLE

— Obrigada – Anabelle Parker sorria, corada, enquanto agradecia aos aplausos ensurdecedores que rebombavam pelo auditório principal do Campus de Oxford.

Quando deixara Santa Barbara para trabalhar em Londres, não esperava que pouco tempo depois estivesse ministrando palestras para um projeto de sua autoria financiado pelo governo inglês e dedicado a jovens viciados em drogas.

Não esperava, tampouco, que Samantha Winter estivesse ali. Porque, sim, em meio à quinhentas e vinte e nove pessoas e flashes doloridos à retina ela conseguira diferenciar aquele par magnífico de olhos azuis que costumavam desconcertá-la desde a época em que eram apenas psicóloga e aluna na Westminster School.

Depois de falar com a imprensa – da forma mais evasiva e rápida que pôde – a psicóloga de trinta e três anos esquivou-se entre estudantes, jovens beneficiados pelo seu projeto, jornalistas e médicos a fim de alcançar a garota que lhe roubara a concentração durante toda a palestra.

Ela estava conversando com seu irmão e Olivia Gold, uma garota viciada em heroína e cocaína que Belle tratava. Sam, visivelmente tensa, pareceu aliviada ao ver Doutora Parker se aproximar.

— Ótima palestra, Belle – Thomas Winter sorriu, cumprimentando-a, sem largar a mão de Olivia.

— Obrigada, Tom. Espero que também tenha gostado, Via.

E Gold ofereceu-lhe um sorrio meio-oscilante, antes de voltar a fixar os olhos em seus dedos entrelaçados aos do rapaz.

— Vamos tomar um café? – Samantha sugeriu, tentando não encarar o casal.

Ela ama demais o irmão para aceitar seu relacionamento com uma garota que tem passagens na polícia e marcas de picada nos braços, Anabelle lamentou-se, acompanhando Sam para a cafeteria da Universidade.

— Você está bem? – A psicóloga perguntou, analisando o semblante da musicista.

— Não – ela esfregou o rosto com aqueles maravilhosos dedos de pianista. – São tantos problemas acumulados... E meus pesadelos estão mais frequentes, mais nítidos. Estou ficando assustada.

— Os calmantes não estão funcionando?

— Sim. Mas ainda assim tenho tido dificuldade de lidar com tudo – Samantha baixou as mãos, estendendo-as para tocar as de Anabelle. – Preciso de algo mais forte, presumo.

— Talvez você deva levar em consideração aquela sessão de para-análise de que tenho lhe falado – Parker murmurou, olhando para a aliança de prata brilhando no anelar direito de sua paciente. – Doutor Peterson é um homem muito competente apesar do ramo.

— A verdade é que tenho medo do que poderei descobrir – Winter riu, sem humor, encarando o copo. – Conversei com Miguel sobre. Ele acha que é perda de tempo.

Miguel era o novo namorado de Sam e Belle tinha aversão a ele e a tudo o que dizia-lhe respeito. O rapaz era ousado, mas ao mesmo tempo privado de qualquer charme particular e carisma.

Ou talvez o que incomodasse a médica fosse o simples fato de que ele podia tocar Samantha – algo que ela cobiçava fazer há tempos, mas esforçava-se para evitar.

— Não levemos em consideração o que ele acha. Trata-se de você, Sam – e, levando a mão ao rosto pálido dela, Belle afagou a bochecha salpicada de sardas, recebendo um delicado beijo na palma como resposta.

— Prometo que pensarei mais um pouco.

— Certo, então – Anabelle sorriu de lado. – Gostaria de uma carona até em casa? Acredito que seu irmão ficará por aqui com Olívia.

Embora estudasse em Oxford, Samantha ainda morava em Londres para fazer companhia à mãe, Katherine MacIntyre, que entrara numa profunda depressão depois do divórcio com o famoso arquiteto Ethan Winter.

Era um caminho um tanto longo da Universidade até a imperiosa casa na Arkwright Road, mas a Doutora Parker adorava percorrê-lo, desde que estivesse na companhia de Sammy. Desde que a conhecera, cinco anos antes, ficara absolutamente encantada pelo jeito, pelos gestos, pela voz, por ela como um todo.

Não era paixão, Belle sabia. Mas era algo perto disso. Um fascínio claramente mútuo, mas respeitando o relacionamento médico-paciente, nenhuma das duas nunca se atrevera a dar um passo que as tirasse da zona de conforto que construíram, nem mesmo depois que os laços profissionais transformaram-se num nó artístico de amizade.

— Está entregue – Parker disse, colocando carinhosamente a mão na perna de Samantha ao parar na fachada de sua casa e desligar o motor.

— Obrigada – Winter entrelaçou seus dedos, tocando o rosto da psicóloga com a outra mão para que se olhassem. – Vejo você amanhã, em nossa sessão.

— Isso.

— Então, até lá.

— Até – Belle se adiantou para dar-lhe um beijo no rosto, mas arriscou depositar seus lábios no canto dos dela.

A pianista a fitou por algum tempo. Seus rostos estavam próximos e Parker ousou diminuir ainda mais a distância, fazendo os narizes roçarem, mas antes que pudesse fazer qualquer outro movimento, o carro ligou.

Sem explicações, sem um rodar de chaves, sem um único movimento da motorista.

Surpresas e igualmente envergonhadas, tanto Anabelle quanto Samantha se afastaram em sincronia e se despediram uma vez mais, agora sem atreverem-se a se olhar ou trocar qualquer contato físico.

E, enquanto a psicóloga ouvia os passos rápidos rumarem pelo gramado para dentro de casa, fitava o volante e o painel aceso.

Talvez fosse um sinal divino de que não deveria tentar fazer aquilo outra vez, mas o sorriso em seus lábios era tão agradável de dar que ela ignorou tudo, dirigindo para casa com o sabor da respiração de Sam nos lábios.

Notas finais
Babi: Não batam na gente! Dissemos que ela voltaria, mas não avisamos de que forma. Bem, estamos nos esforçando ao máximo pra passar por aqui durante a semana, e esperamos que vocês entendam esse nosso sumiço entre a postagem dos capítulos. E LEIAM MEU CONTO PRO DESAFIO DE MAIO, QUE É O MÊS DO YURI! Leitores que participarem, mandem-me o link das estórias por MP, porque eu adoraria lê-las. O nome do meu conto é "Eudaimonia" e espero que vocês gostem *u* (Pasmem: ninguém morre.) Obrigada por ler *u* Toki: E eu não tava zoando. Pesquisei preços de cavalos hoje. Tem de R$ 1.200,00 até R$ 24.000,00!! Enfim, espero que tenham gostado e não se esqueçam do nosso grupo no wpp. Ele precisa se animar. Números com DDD nos reviews ou por MP! (Babi: Miga, você não doma nem sua passividade, pfvr, seje menas.)