Leão do Inverno

24 Livro Dois — Capítulo III


Notas iniciais
Toki: CAAADÊ O GRITO DA GALERA??? ~Esse é o momento que vocês gritam~ WOOOOOOW Õ/ Zaynte, senti saudades... Vocês sentiram saudades? 'u' Entonces, seus divos... O motivo da demora, foi: NÓS FOMOS ATACADAS POR PÔNEIS VOADORES QUE NOS DEIXARAM DE QUARENTENA PARA ESTUDOS Ò.Ó Parei. Brincadeiras à parte, nós tivemos o final de semestre beeem puxado. Bárbara mais que eu, já que sou pirralha e estudo em escola bosta. E a siora ali virou professora (vai atiçar os alunos se usar sainhas cof), então, mais uma coisa pra pesar na agenda. Já eu, me livrei do curso (super chato) de informática, peguei férias do de inglês ontem e, entrei de férias na escola. Me recuperei do meu 1 em Filosofia (quase matei a vagabunda da profª de Filosofia, que foi babaca e não me avisou que faltei bem no dia de fechar as notas.) e não tive problemas a mais. Agora, cá nós de férias, pedimos perdão e trazemos capítulo novinho o/ Babi: (NA MORAL, QUEM TIRA UM EM FILOSOFIA, TOKI? PQP!) Hola :3 Tenho uma novidade para vocês, seus lindos. EU ESTOU DE FÉRIAS!!!!!! Céus, eu mal acredito nisso. Esse semestre foi tão filho da puta que eu quase choro só de pensar que pelo menos a escola está em pausa. E isso, meus amores, significa mais posts pra vocês. Nada mais de uma atualização por mês! Vocês vão se esbaldar, amo/sou. So, capítulo dedicado a Anny, por ter voltado do além. Senti sua falta, loira. BOA LEITURA :3 ----------------------------------------------------- "Olá, tem alguém aí fora? Porque eu não ouço nenhum som. Sozinho. Eu realmente não sei onde o mundo está, mas eu sinto saudades dele agora. Estou no limite e estou gritando meu nome como um tolo a plenos pulmões. Algumas vezes, quando fecho meus olhos, eu finjo estar bem, mas nunca é suficiente. Porque meu eco é a única voz que volta; minha sombra é a única amiga que tenho." — JASON WALKER, Echo.



BATMAN

Uma brisa agradável parecia entrar pela janela, a julgar pelo modo como as cortinas balançavam. Sempre odiara dias claros como aquele. Gostava de frio, neve. Gostava do inverno, onde podia dar vida a bonecos de neve com Samantha.

Como se fizesse diferença agora, pensou, amargurada. De que importava frio ou calor? Ela não conseguia sentir pelo simples fato de que era constituída de... De que? Batman – Alexandra. Meu nome é Alexandra – perguntou-se, talvez pela primeira vez desde que se vira imersa naquele pesadelo.

Fosse o que fosse que a estivesse compondo não era translúcido, mas era volúvel. Ela poderia parar a frente de qualquer pessoa naquela sala na Arkwright Road e o próximo movimento desta simplesmente atravessaria seu corpo.

A gêmea Winter mais velha percebera no tempo que passara ali que estava ligada a Samanta da pior forma imaginável. Onde quer que sua irmã fosse, ela era involuntariamente levada junto. Tinha de observar Sam na sala de aula, praticando piano, dormindo, tomando banho...

Fora estranho, a princípio, perceber como a vida de todos mudara depois de sua partida. Não havia fotos suas em lugar algum e ninguém sequer mencionava seu nome. Não que ela esperasse que todos vivessem num luto eterno por sua morte, mas fora doloroso notar que as pessoas que mais amava conseguiram seguir em frente com tanta facilidade. Era como se ela jamais tivesse existido.

“Jamais tivesse existido” – esse pensamento só lhe perpassou pela cabeça numa manhã, quando Samantha estava conversando com Esther Navas, ambas testando receitas culinárias na cozinha dos Winter.

— É tão bom interagir com alguém que não esteja inserido num universo paralelo de bebês e essas coisas – Esther disse, rindo enquanto mexia a massa disforme na panela.

Pelo que Alexandra percebera, a mãe de Navas estava grávida novamente depois de dezenove anos.

— Não seja rude – Samantha riu, doce. – Você deve aproveitar esse momento. Deve ser mágico ter uma irmãzinha. Quando menor, me sentia muito sozinha e mesmo depois que Thomas nasceu... Ele é um menino e ninguém me deixava maquiá-lo ou essas coisas. Minha adolescência foi um tanto frustrada por não ter com quem compartilhá-la. Quero dizer, eu sempre tive você, mas quando eu voltava para casa... Bem, de qualquer forma, eu adoraria ter tido uma irmã.

Foi um choque horrendo.

Não era como se todos tivessem superado sua morte – eles simplesmente agiam como se Alexandra jamais tivesse vivido. Não havia fotos suas pela casa porque não havia registro dela em lugar algum; eles não falavam dela porque não a conheciam!

Ela percebeu, mais aterrorizada do que estivera antes, que a figura ruiva que lhe revivera não a jogara de volta a sua realidade – ele a atirara numa realidade alternativa onde não havia e jamais houvera Alexandra.

Quando se deu conta disso ela simplesmente surtara. Talvez tivesse ficado louca, se houvesse essa possibilidade. Mas o fato de não poder sentir, ou chorar, ou ser ouvida tirara-lhe a pouca sanidade que julgava possuir há muito.

Não fazia ideia de há quanto tempo estava ali. Parara de se importar.

Descrevendo de forma bruta, era como assistir a um filme em 3D sozinho no cinema, sem ninguém com quem interagir. Aquilo não passava de uma maldita paródia mal feita de Ghost, Do Outro Lado da Vida.

Era doloroso – de forma figurativa, uma vez que quem quer que lhe tenha prendido naquele inferno lhe tirara o privilégio de sentir até mesmo dor – ver Samantha vinte e quatro horas por dia e ser incapaz de lhe dizer um simples “eu te amo”.

Era a inda pior assisti-la amando outras pessoas, correspondendo outros olhares, criando outras histórias sem saber que houvera uma Alex, sem saber que neste mundo, ou onde quer que tenha sido, existira uma parte dela, uma metade, uma alma literalmente gêmea que seria capaz de morrer e voltar apenas por seu amor, pelas migalhas, fagulhas, ou seja lá o que tivesse restado daquele sentimento que poderia tê-la roubado das garras da morte.

Como expectadora, lá estava ela, assistindo sua família interagir numa tarde entediante domingo.

—... E talvez eles a aceitem no Arsenal Ladies no próximo semestre – Thomas dizia, orgulhoso, apertando os dedos de Olivia nos seus.

— Sempre achei futebol uma coisa masculina demais – Katherine disse, sem emoção, e Via desviou os olhos.

Pelo que Batman sabia, Olívia estava viva – e ela sentia-se mal por achar isso injusto – e se reabilitando com a ajuda de Tom de anos como viciada em heroína e namorada de Harry, que era um traficando relativamente famoso nas vielas de Londres naquele mundo.

Katherine estava ainda mais detestável, visto que agora, além de amargurada por natureza, estava imersa numa profunda depressão desencadeada depois de seu divórcio – divórcio! – com Ethan, alguns anos antes.

E Samantha, uma das mais jovens e bem pagas pianistas da Europa, sustentava um relacionamento com Miguel Rodriguez – não havia surpresa nisso. O caminho estava livre. Ele só precisara agir e sussurrar algumas palavras em espanhol para encantá-la.

— Pois eu acho adorável, Olívia – não que Samantha gostasse de Gold antes, mas agora ela parecia muito desconfortável na presença da loira. – Desejo-lhe boa sorte nos testes. E, se me dão licença, eu preciso fazer uma ligação.

E Alex foi arrastada, mesmo não desejando sair do lugar.

No jardim, Samantha parou perto de uma roseira e Batman apenas se aproximou, tentando tocá-la, inutilmente.

— Hey – ela abriu um sorriso tímido que incomodou a gêmea mais velha.

Batman esticou os dedos e correu-os perto do rosto da garota mais jovem. Ela não pareceu ter sequer um arrepio.

— Não, eu- Eu só tive vontade de saber como você estava.

Se Batman pudesse sentir seu estômago, este poderia ter revirado com a ideia de Miguel do outro lado da linha, mas a frase que se seguiu a surpreendeu, e não de uma maneira muito boa.

— Galanteadora como sempre, Anabelle.

O quase beijo das duas há alguns dias – ou seriam semanas? – fora ridículo o suficiente, mas saber que elas continuavam mantendo contato deixava Batman com uma sensação que poderia ser chamada de ciúme. O que lhe deixava confusa era a proximidade de Anabelle e Samantha. Não houvera Alexandra para fazer um intermédio entre elas, então, de que forma elas se tornaram tão próximas a ponto de quase trocarem um beijo?

Desde aquele fatídico incidente ela tentara, sem sucesso, repetir a mágica que a fizera ligar o carro – considerando que realmente fora ela quem provocara aquilo.

— Seria ótimo – Sam murmurou, mexendo numa rosa. – Certo. Estarei lá, então – uma pausa e bochechas corando. – Obrigada. Até mais.

E Batman foi forçada a assistir Samantha tentando escolher uma roupa para o encontro. Ela não parecia tão hetero quanto sempre fora, e isso deixava a gêmea mais velha extremamente desconfortável.

— Elas não podem – Batman sibilou, pensando alto e franzindo o cenho num semblante de nojo que só a ideia dos dois amores de sua vida juntos poderia provocar.

Neste momento, Samantha virou-se, surpresa, encarando fixamente o local onde sua irmã estava.

A Winter invisível sentiu algo semelhante a um frio no estômago, a sensação mais próxima a algo físico que provara desde que se pegara presa ali. Ofegante, Batman encarou-a de volta, com os olhos muito abertos e os lábios tremendo.

— Sam? – Ela chamou, apenas um tom mais alto que o sussurro. – Pode me ver?

Mas Samantha apenas deu-lhe as costas, tornando a encarar sua coleção de sapatos, indecisa.

A decepção fez-se sentir e Alexandra afundou o rosto nas mãos, puxando seus cabelos com força, na esperança de experimentar sequer uma dorzinha.

Estivera tão perto...

— Por favor, leve-me de volta – murmurou para o que quer que a tivesse atirado ali pela milésima vez.

ANABELLE

Aquele final de primavera vinha mostrando-se extremamente quente para os padrões britânicos, e a Doutora Anabelle Parker estava adorando isso. Nascida em Santa Barbara, na costa oeste dos Estados Unidos, a psicóloga crescera num clima litorâneo e sentia falta disso por conta dos anos vividos na Europa.

Ali, sentada numa das mesinhas adoráveis do Chez Bruce, ela bebia um suco enquanto esperava por Samantha, desfrutando da companhia de Gabriel Knox, um parapsicólogo e amigo.

Ela estava preocupada com Samantha Winter. Mesmo esforçando-se para não demonstrar, a garota estava transtornada com seus problemas psicológicos. As crises em sua família e no relacionamento apenas somavam com os pesadelos que a acometiam desde os quinze anos de idade, e agora os reflexos dessa desordem mental estavam ficando visíveis aos olhos. A pele delicada como um pêssego vinha assumindo uma textura macilenta, criando bolsas arroxeadas sob os olhos que mesmo a mais cara das maquiagens se recusava a cobrir, e ela perdera muito peso em pouquíssimo tempo.

Belle sabia que Sam evitaria eternamente uma consulta com um parapsicólogo, cética e traumatizada que era graças ao fanatismo da mãe. Mas Parker, mesmo não sendo a mais fieis das crédulas, acreditava que parte dos problemas de Winter tinham um origem mais mística do que ela poderia imaginar. Portanto, mesmo sabendo que a reação de Samantha provavelmente não seria das melhores, convidou-a para almoçar, sem dizer, no entanto, que não estariam sozinhas no encontro.

Gabriel falava animadamente sobre algo quando a porta do restaurante se abriu e Sam adentrou o lugar, excepcionalmente linda.

Ela sorria largamente, mas foi desmanchando o semblante de felicidade quando percebeu que havia uma terceira pessoa à mesa.

— Olá – ela disse, incerta.

— Sam, este é Gabriel Knox, um amigo – Belle apresentou. – E Gabriel – adicionou, com a mão possessivamente posicionada à cintura de Winter – essa é Samantha Winter.

— Bom conhecê-lo, Gabriel – a garota disse, automaticamente, estendendo a mão ao homem.

— Encantado.

Ele beijou-lhe as costas da mão e só depois Sam sentou-se.

Percebendo o desconforto da pianista, Anabelle murmurou discretamente em seu ouvido:

— Você está bem?

— Pensei que estaríamos sozinhas.

— Você queria que estivéssemos? – Belle brincou, sussurrando um pouco mais baixo e mais próximo a sua pele. Os pelos se eriçando nos braços pálidos fizeram-na rir alto.

Belle preferiu não tocar no assunto a princípio, deixando que Samantha e Gabriel se afundassem numa conversa sobre música, contentando-se em observá-los e beber o restante de seu suco.

Apenas quando a comida foi servida Parker tocou no assunto.

— Sam – disse da maneira mais natural possível. – Gabriel é o parapsicólogo que mencionei anteriormente.

E a garota quase engasgou-se com seu vinho.

— Oh – ela murmurou, constrangida, recompondo-se. – Mesmo?

— Sim – foi Knox quem falou agora. – Comecei a trabalhar com isso quando fiz meu mestrado. Tenho um consultório em Berkshire.

Samantha apenas assentiu. Aparentemente ela não estava apita a falar.

— Anabelle contou-me superficialmente que você vem tendo pesadelos há alguns anos. Constantemente, sempre o mesmo.

— Oh, ela contou? – Winter lhe lançou um olhar cortante à Parker. – Então certamente ela também lhe contou que eu não acredito em espiritismo?

— Deve ter comentado – Gabriel deu de ombros. – Mas isso não faz a menor diferença. A Parapsicologia não estuda o espiritismo em si. Tratamos dos fenômenos da mente.

— Fascinante – Samantha sibilou. – Eu lamento, mas esta ciência não me é interessante. Por ora receio que não faremos uma sessão tão cedo – ela bebeu vários goles de vinho, com se assim pudesse recobrar a coragem. – Agora, o que estava dizendo sobre aquele concerto em Munique?


SAMANTHA

A noite estava agradavelmente morna. Um copo de chá e seu piano eram tudo o que lhe acompanhavam. Já passava das duas da madrugada, mas Samantha Winter se recusava a dormir. Aquilo era um pesadelo – ter medo de deitar-se e pegar no sono. Medo do que poderia encontrar quando unisse as pálpebras.

O dia seguinte seria cheio. Uma segunda-feira desagradável com três provas práticas na faculdade, e teria de enfrentar Miguel depois da briga que ambos tiveram sobre a infidelidade dele.

Exausta e vencida pelo bom-senso, Samantha arrastou-se para o andar superior, tomou seu calmante e deitou-se, mirando o teto. Desejou, esquecendo-se da raiva, que Anabelle estivesse ali. Mesmo depois da armação preparada pela psicóloga, seria bom tê-la ali.

Seria bom ter qualquer um ali.

Pensou em chamar Thomas, mas lembrou-se com uma careta de que Olivia estava dormindo com ele e, frustrada, virou-se para o lado, observando a escuridão, enquanto o remédio começava a deixar-lhe mole.

As pálpebras pesavam cada vez mais, até que ela tornou-se incapaz de mantê-las abertas por mais tempo. De olhos fechados, ela aproveitou o silêncio do quarto, até que o calor agradável da noite de junho foi substituído por um frio intenso, e ela soube com um pânico sufocante que estava imersa em seu típico pesadelo.

Abrindo os olhos devagar, Samantha viu a garotinha idêntica a ela no espelho. No entanto, diferentemente das outras vezes, ela não tentou fazer o reflexo repetir seus movimentos. Desta vez, Samantha decidiu falar:

— Quem é você? – Ouviu-se perguntando, numa voz infantil.

— Eu sou você – o reflexo respondeu, surpreso.

— Eu?

— De certa forma.

E Sammy esticou a mão, vendo agora que sua palma não era mais a de uma garotinha, mas sim da Samantha atual, adulta.

Como costumava a acontecer perto do fim do pesadelo, Winter não sentiu o vidro frio do espelho, e sim a pele quente de seu reflexo, que agora estava tão crescido quanto ela própria.

Ao invés de afastar-se, assustada, Samantha segurou a mão da garota do outro lado, trazendo-a para fora da moldura. Ela estava vestida de forma peculiar, com uma camiseta de uma banda desconhecida, calças juntas, escuras e rasgadas, e um tênis sujo; seus cabelos encontravam-se bagunçados e havia maquiagem em seus olhos, mas agora ela não parecia assustadora ou amedrontada como costumava estar nos inúmeros pesadelos anteriores.

A sósia de Samantha pisou na neve gelada, gemendo ao sentir a textura e a temperatura daquilo. Ela tinha os olhos arregalados, mas parecia mais surpresa que aterrorizada.

— Eu posso sentir – ela murmurou, apertando a neve com os dedos dos pés.

— Quem é você? – Samantha perguntou novamente, estudando-a.

— Eu sou você – ela respondeu novamente, erguendo os olhos para encontrar os de sua cópia.

Elas ficaram se olhando por um longo tempo e durante esse período não houve sinal do incêndio costumeiro que consumia todo o cenário do pesadelo de Samantha.

A sósia da pianista entrelaçou seus dedos, desviando seus olhos dos de sua doppelganger para o contato de suas mãos. Ela parecia fascinada com aquilo, com a forma como as peles roçavam, como o calor que compartilhavam se alastrava pelo corpo de ambas.

Era uma sensação tão boa e tão única que Samantha sentiu-se quase promíscua ao provar tamanho prazer com um simples toque.

— Eu sinto sua falta, Sammy – a garota disse e Sam arregalou os olhos, surpresa.

— Como pode sentir minha falta-

— Estou tão só.

— Mas você acabou de dizer que é-

— Preciso de você.

A sósia tornou a fitar os olhos de Winter com uma profundidade tão intensa que a pianista se sentiu nua. Com a mão livre, a garota tocou o rosto de Samantha e esta não conseguiu conter um suspiro.

Aquele olhar era significante demais. Era tão vivo que não parecia-se com um sonho. Era tão real que começou a assustar uma pequena parte no íntimo de Sam, mas o restante de seu ser estava tão focado em corresponder àquela conexão que a vontade de acordar foi absolutamente suplantada pelo desespero de prolongar aquela conversa silenciosa.

Seu reflexo passou a ponta dos dedos delicadamente em sua bochecha. Aquela pequena ação rebombou em cada átomo do corpo de Samantha. Poderia sentir aquele calor em seu estômago, a agitação em sua garganta e a arritmia bem-vinda em seu coração por toda a eternidade.

— Você precisa ajudar-me, Sammy – sua cópia sussurrou e agora estavam tão próximas que os lábios da garota roçaram os seus com o movimento das palavras.

Era uma cena tão bizarra de se imaginar!

Duas Samanthas ali, a poucos milímetros uma da outra. Winter devia sentir-se estranha por sonhar algo assim.

Mas não sentia.

Por alguns instantes a pianista apenas prendeu a respiração, procurando fazer seu cérebro funcionar. Suas pernas agora tinham consistência gelatinosa e aquela proximidade toda a estava fazendo ter a sensação de ser atirada de um penhasco.

Caindo.

— Você precisa me ajudar – seu reflexo sibilou lentamente outra vez.

— Como posso ajuda-la? – Sam levou as mãos até os ombros de sua sósia para empurrá-la, mas viu-se agarrando o tecido da camiseta e consequentemente trazendo-a para mais perto.

— Você precisa me enxergar! – A doppelganger soou desesperada, mas seu tom de voz ainda era baixo.

— Eu estou enxergando.

E, de forma inesperada, seu reflexo juntou seus lábios. Cuidadosamente, carinhosamente. Era algo tão perfeito e sincronizado, a textura daquela boca idêntica a sua era tão maravilhosamente viciante que Samantha foi obrigada a buscar por mais. Beijou-a de volta, deixando seus lábios se encaixarem, deixando que as mãos da garota envolvessem sua cintura sem pensar, sem preocupar-se no quão anormal aquilo estava se tornando.

O reflexo quebrou o beijo, mas recusou-se a eliminar a distância, e numa fração de segundos sussurrou:

— Você precisa me sentir, Sam. Por favor.

— E-estou sentin- – mas ela não pôde terminar a frase.

Foi novamente beijada, desta vez com mais força, desejando mais contato, sentindo a língua suave e morna tocar seu lábio inferior antes de violar sua boca e enroscar-se junto a sua de forma quente.

Aquilo era tão surrealmente bom que o corpo da pianista começou a responder. Seus braços se apertaram com força em torno do pescoço de sua sósia e o desejo fez crescer em seu peito um gemido delicado, que, ao deixar-se escapar, a arrastou de volta à realidade.

Assustada, ofegante e suada, Samantha sentou-se na cama e, por uma fração de segundos, jurou ter ouvido a voz da garota – sua voz – sussurrar uma vez mais “você precisa me ajudar, Sammy”.

Notas finais
Babi: Gente! Pouca gente tinha percebido (mentira, ninguém tinha percebido) pelos detalhes que foram adicionados no capítulo anterior, que a Alex está num mundo onde ela nunca existiu. Então, raciocinando aqui com a gente, prestem atenção: o ruivo dlç jogou a Alex numa realidade alternativa onde ela nunca existiu! A Sam é filha única e a Alex nunca terminou com a Belle, por isso a Belle nunca foi escoltada pela policial até em casa, e elas nunca se apaixonaram. Da mesma forma que a Olívia não teve a Alex para livrá-la do Harry, então eles ficaram juntos muito antes do tempo que se passou na história, e por isso ela ficou num estado bem pior do que no primeiro livro. Porém, ela não se apaixonou pela Alex, então não teve motivos para se matar, afinal, o amor da vida dela nunca morreu. Ela conheceu o Tom por obra do destino, e foi por obra do destino também que a Belle, psicóloga na Westminster, ficou amiguinha da Sam, que, na faculdade, conheceu o Miguel, quem tinha o caminho livre de irmãs mais velhas possessivas e pôde chegar junto nela Que falta faz a Alex :( Enfim! Espero que tenham gostado do capítulo! Aguentem firme porque logo esse drama todo acaba, de certa forma. So, finalmente me lembrei dos spoilers, então aqui vai um do próximo capítulo: "— Eu andei pensando e... Talvez- Talvez seja legal fazer uma sessão com Gabriel. Só por curiosidade – Samantha murmurou sem fitar a loira diretamente, imersa em pensamentos, fissurada sensação proporcionada pelo beijo que provara em seu sonho." E, como vocês curtem Yuri, leiam o conto que eu fiz pro desafio do Nyah! do mês passado. Primeira vez na vida que eu escrevi algo totalmente livre de mortes. Estou orgulhosa de mim mesma: http://fanfiction.com.br/historia/615525/Eudaimonia/ Até a próxima, seus lindos. See you soon *u* Toki: Eiitaa cuzãão 0.0 Contato com o sobrenatural o/ Bora fazer a Alex mexer uma portas e ficar cutucando o lençol da Sam. (Sou traumatizada com portas abertas k) Será que vai rolar um tabuleiro ouija? Psicografar umas cartas? Falando nisso, viram a carta psicografada da Cássia Eller? Bizarro uahsuah Beijos e até mais breve o/