Leão do Inverno

22 Livro Dois — Capítulo I


Notas iniciais
Babi: Não sei como estamos de volta depois de tantas ameças de morte, mas... Olá! Hiatus mais longo do que previsto, mas minha vida está particularmente uma loucura, então não briguem muito comigo. Senti saudade, mesmo daqueles que me xingaram das piores coisas. Caso alguém queira mandar a conta do psicólogo (ou um nude) é só pedir os dados por MP ¬u¬ Espero que gostem dessa nova fase da história, embora esse começo esteja meio enlouquecedor... Anyway, boa leitura, seu lindos. Mamãe ama vocês :3 Toki: OLÁ, TÃO TÃO DISTANTE!! QUERO OUVIR UM "Wooh wooh" ~Aponta o microfone pros leitores~ E é depois dessa longa temporada de hiatus, mil tretas e apreensão, que nós voltamos!! E eu fiquei de castigo por um bom tempo *u* Anos e anos que eu não ficava de castigo. Cês estavam com saudades? Eu estava. Agora apreciem, jovens. Mas com moderação senão o forninho cai.. ---------------------------------------------------------------------------------------------- "A felicidade se parece muito com sofrimento. Deixe estar, você é incapaz de faze-la ir ou vir. Você se foi - não para sempre, mas por agora. Foi por agora, mas sente como se tivesse ido para sempre (...) A felicidade é o que o velho homem me contou, você olha pra ela, mas jamais a encontrará completamente. Mas, deixe estar, viva sua vida e deixe isso. Então algum dia, você levanta e ela vai estar em casa." — THE FRAY, Happiness. Babi: Obrigada à Lih Castro, por ter me apresentado a essa música dlç.



BATMAN

Flashes, buzinas e impacto. Gritos, dor e escuridão.

Apenas as batidas de seu coração ecoavam.

Cada vez mais fraco, até que uma voz conhecida lhe trouxe de volta.

Sammy.
Ela gritava algo incompreensível e junto a isso veio a dor mais terrível que já sentiu. Dilacerante, fatal, aparentemente infindável... Mas então tudo se apagou novamente, e, de alguma forma ela soube que jamais voltaria a se acender.

Alexandra Winter abriu os olhos e esperou sentir a dor de momentos atrás, mas não sentiu nada. Cansaço, dor, náuseas... Não. Absolutamente nada. Nem ao menos estava grogue.

Quando levantou e se permitiu observar o local, percebeu que se encontrava em um de seus lugares favoritos: o apartamento de Belle. No entanto, algo estava errado. O local estava sem vida. Sem cor. Aos poucos as paredes foram descascando, o piso rachando e, antes que pudesse perceber ou correr, o chão cedeu e a engoliu.

Ela caiu com um baque surdo, mas novamente não houve dor.

Agora ela estava num dos lugares que mais odiava: o hall de sua casa, o cenário de inúmeras brigas e motivos de discórdia em sua vida. Novamente, o local não tinha cor, mas as paredes não descascaram. Elas congelaram. À medida que o gelo chegava ao teto e aproximavam-se do chão, Alex dava passos hesitantes para trás, porém, novamente, não fora suficiente e a garota foi outra vez engolida pela escuridão.

Só quando Winter tornou a abrir os olhos foi que sentiu a tão esperada dor. Agonizou, sozinha, sentindo frio enquanto sua garganta queimava com seus gritos, mas tão rápida quanto veio a dor torturante se foi.

Alguns segundos depois a estudante de psicologia ouviu “bips” que lembravam um monitor cardíaco, e os mesmos transformaram-se num barulho agudo e continuo muito distante até que o completo silêncio inundou o local.

O cenário branco gradativamente fora tomando uma nova forma – e uma imensa forma, por sinal. Era um salão tão grande que ela não podia enxergar seu fim. O teto era abobodado, mas tão elevado que ela mal conseguia ver o topo. As paredes eram ornamentadas com várias passagens e pilastras, todas em pedra. O chão delicadamente trabalhado refletia sua imagem tão nitidamente quanto um espelho. Havia janelas finas e compridas, elevadas a cerca de cinco metros do chão, que deixavam uma claridade fria entrar. Ao redor de todo o perímetro do imenso lugar uma galeria era sustentada por colunas de mármore vermelho e preto e... Havia crânios com chifres e dentes, coisas meio deformadas e grotescas, alinhadas em fila, pendurados um ao lado do outro na parede, penetrando o salão cada vez mais profundamente.

Alex, que não se lembrava de jamais ter visto animais desse tipo, seguiu os esqueletos expostos. Eles iam aumentando de tamanho, cada vez maiores, mais assustadores, com mais dentes e chifres, até que ela finalmente pôde defini-los.

Dragões!

Eram esqueletos de dragões!

Mas não eram dragões comuns...

— Puta merda – ela arregalou os olhos, chocada, olhando fixamente para os ossos eternizados das bestas expostas nas paredes colossais.

Vhagar.

Maraxes.

Balerion.

— Isso aqui é a Sala do Trono!

Ela não sabia como tinha ido parar ali, mas, por favor, que não a colocassem para fora antes de ela tirar fotos de cada pequeno detalhe idealizado por seu mestre da fantasia.

Apressada, Winter enfiou a mão no bolso, a procura de seu celular, e foi nesse instante que palmas claramente irônicas ecoaram do fundo da sala. Só então Alexandra conseguiu visualizar o extremo canto da sala, que até então estivera oculto pela penumbra. E lá estava ele. O Trono de Ferro. Imenso, majestoso, amedrontador, forjado com a espada de mil homens derrotados, cheio de pontas, farpas e terminações cortantes, digno de um deus, enegrecido pelo fogo de dragão. O centro de poder de Westeros.

Eu preciso de uma selfie ali, foi tudo o que conseguiu pensar antes que alguém se pronunciasse.

— Admito que foi uma escolha original – um homem que não aparentava ter mais de trinta anos estava sentado no alto do Trono, olhando para baixo de todos aqueles degraus como se o mundo lhe pertencesse. Tinha o queixo apoiado no punho e um semblante de tédio.

— Quem é você?! – Alexandra perguntou, afastando-se, agora muito surpresa, percebendo que a boca do individuo moveu-se em sincronia à sua numa clara gozação.

— Vocês sempre fazem a mesma pergunta. "Quem é você? O que quer de mim?" Quem eu sou não interessa agora. A pergunta, minha querida, seria quem é você – ele abriu um sorriso que fez até a coluna de Winter se arrepiar.

Ela não conseguiu evitar e acabou se encolhendo, o que só fez o sorriso do homem estranho crescer. Ele era alto, magro, de postura aristocrática e cabelos ruivos. Vestia-se de peles, no estilo nórdico, não medieval, e a cor de seus olhos era uma incógnita, algo que mudava a medida que se movimentava, passando do verde claro ao amarelo âmbar num segundo.

Alex não sabia que tipo de brincadeira era aquela, mas não estava gostando.

Certo, um de seus maiores sonhos era conhecer o cenário de sua saga predileta, mas não saber como chegou até ali finalmente se apresentou assustador depois que a euforia passou. Estava sem seu celular, de qualquer forma, e ninguém jamais acreditaria que ela estivera ali – onde quer que “ali” fosse.

Desejava cada vez mais estar de volta à Londres, junto de Sam, para poder pedir-lhe desculpas e concertar as burradas que fizera antes...

Antes do quê?

Ela não fazia a menor ideia do que aconteceu depois que deixou sua casa para comprar limões.

— Queridinha, o gato comeu sua língua? – A figura ruiva levantou-se, ajeitando sua capa e descendo os degraus de rústicos do Trono. – Como quer ser chamada a partir de agora?

— Pelo meu nome – Alex arqueou uma das sobrancelhas. – Alexandra Winter.

— Não. Este era seu nome. Não lhe pertence mais.

Ela riu, confusa.

— Do que está falando?

— Este foi o nome que lhe deram na primeira vida, queridinha – ele se aproximou dela, estendendo a mão para tocar-lhe o ombro. – E agora que você morreu, deve abster-se dele.

“E agora que você morreu...”

“Você morreu...”

“Morreu...”

— Que porra é essa? – Alexandra se afastou antes que ele lhe pudesse tocar. – Eu quero ir para casa agora, seu estúpido. E não me toque!

Ele suspirou, parecendo irritado. Olhou-a por vários momentos, como se esperasse que sua feição de tédio a fizesse realmente acreditar que ele estava falando sério e ela estava morta.

Mas obviamente ela não est-

“Alex, cuidado!” A voz de Tom rasgou seu cérebro como um relâmpago. As luzes, a dor. Cheiro de sangue, cacos de vidro. Um choque, dois choques, três-

“Alex! Alexandra!” – Era Sam! Samantha!

Sua visão saiu de foco e quando conseguiu recobrar devidamente os sentidos, sem ouvir vozes ou gritos, o ruivo ainda a olhava.

Um acidente. Havia acontecido algum acidente e de algum modo ela... Ela o que?

— Eu quero ir para casa agora! – Gritou e antes que pudesse formular outra frase, recebeu um rude tapa no rosto.

— Você era Alexandra Winter e agora está morta. Você morreu em Londres, Inglaterra, às 19h07min do dia três de março de 2014.

Não. Eu não morri. Isso é loucura. Apenas uma pegadinha. Eu devo ter batido o carro, sim, e agora estou sedada. Estou delirando! É claro!

Alex riu, olhando o homem que a segurava, sentindo-se levemente mais calma.

Eram só os calmantes.

— Certo – ela concordou, rindo dele.

— Finalmente – ele suspirou, enxugando a testa. – Como deseja ser chamada?

— Eu sou o Batman – ela estreitou os olhos, estufando o peito, orgulhosa.

— Muito bem, Batman. Deixe-me lhe explicar porque está aqui – o ruivo passou o braço pelos ombros de Alexandra, caminhando com ela até a extremidade oposta da sala, por onde ela lembrava-se de ter entrado. – Você morreu num acidente, e este é seu limbo. Aqui você deveria receber sua sentença, de acordo com a sua fé – eles caminhavam muito devagar, e por mais que Alex quisesse olhar os crânios dos dragões Targaryen na parede, ela era incapaz de desviar sua atenção do homem estranho. – O único problema, minha cara Batman, é que você não tem fé. Você não acredita em nada. E ninguém quis vir até aqui recebê-la. Buda fingiu não conhecê-la. Maomé riu. Jesus a abominou – aparentemente vocês têm certa rixa desde que você tinha sete anos.

A conversa a estava incomodando agora.

Tirando o braço do homem de seus ombros e esforçando-se para acordar, Alexandra perguntou:

— E quem é você?

— Um amigo – o ruivo continuou até a porta. – Eu quero ajudar.

— E eu quero acordar – Alex o olhou, sentindo a sensação de pânico voltar a tomá-la. – Porra, eu preciso acordar – começou a beliscar-se, observando, pelo canto dos olhos, o homem respirar fundo.

— Venha até aqui – ele estendeu-lhe uma das mãos, mantendo a argola da imensa porta tachonada na outra.

Alex não soube explicar o porquê, mas foi.

— Batman, eu mostrarei a você como estão lidando com a sua ausência e então lhe farei uma única proposta. Simples assim – ele segurou firme sua mão e destrancou a porta. – Agora venha.

Quando Winter deu um passo a frente, uma forte luz dourada saltou da abertura da porta, obrigando-a a cobrir os olhos.

Ao tornar a afastar as pálpebras, Alexandra viu, pela porta aberta, o banheiro do quarto de Olivia Gold. Tentou dar um paço a frete e adentrar o local, mas havia certa parede invisível que a impediu de avançar.

Olivia estava ali, parada, de pé, nua em frente ao espelho. Estava tão magra agora que suas vértebras ficavam visíveis sob a pele clara e venosa das costas. Seus cabelos estavam sujos e bagunçados, chorava copiosamente e tinha manchas sob os olhos.

— Via – Alex choramingou, e o ruivo riu baixinho.

— Ela não vai ouvi-la, queridinha.

Olivia estava com uma lâmina na mão. Levou ao pulso direito e cortou até o antebraço, numa longa incisão na vertical que logo começou a minar sangue.

Alexandra tentou gritar, mas não foi capaz. Suas pernas fraquejaram à medida que as gotas vermelhas e espessas começavam a escorrer para o piso muito branco. Olivia repetiu o processo no outro braço, com os olhos fixos no espelho, sem expressão, sem demonstrar que sentia dor, ou tristeza, ou qualquer coisa.

— Não, Via! – Winter socou a proteção invisível da porta, olhando a amiga sentar-se privada fechada, observando os pulsos eliminarem rapidamente todo seu fluido vital. – Porra, Olivia! – Gritou, e observando-a desfalecer.

Esmurram a porta oposta, a que dava acesso ao banheiro da loira. Houve batidas fortes, depois chutes e finalmente alguém arrombou-a, espalhando lascas de madeira para vários lados.

Era Thomas.

Ele entrou desesperado, ajoelhando-se em meio ao sangue, segurando a garota semiconsciente pelos pulsos, gritando algo que Alexandra não podia ouvir. Ele estava chorando. Alex também queria chorar, mas não era capaz, as lágrimas não vinham, mesmo que a comichão em seus olhos fosse intensa.

Tentou gritar, mas a luz dourada a fez emudecer. Quando tudo voltou a tomar foco, estava no hospital. As portas duplas se abriram e dois policiais saíram escoltando Ethan, que estava algemado.

— Pai? – Alexandra tocou a proteção transparente, observando, por poucos segundos, enfermeiros tentando reanimar uma Victoria Wall desfigurada. – O que diabo...?

— Ele tentou matá-la.

— Mas- Pai- Nã-

A luz dourada era sufocante e novamente a fez calar-se. Quando voltou a enxergar algo além de claridade cor-de-ouro, estava num lugar novo, diferente. Era grande, aconchegante. Uma sala forrada de livros, com um sofá pequeno e aparentemente confortável no meio. Havia duas cabeleiras loiras jogadas nele, embaraçadas.

— O que-

Uma das loiras soluçava no colo da outra. A maior delas era completamente estranha, mas, quando a outra levantou o rosto, percebeu se tratar de Belle.

— Belle! – Alex gritou, socando a proteção.

— Ela está sendo bem consolada – o ruivo ao seu lado sorriu, olhando a cena, entretido.

A loira desconhecida apanhou o rosto de Anabelle nas mãos, sussurrando palavras incompreensíveis, secando suas lágrimas e, finalmente, beijando sua boca.

— Que merda está acon-

Luz dourada irritante. Alex socou insistentemente a barreira. Queria que aquilo parasse. Queria acordar. Acordar! Ela não estava morta. Não podia estar morta! Não fazia sentido! Aquela brincadeira já a estava ench-

Samantha.

Sam estava deitada no quarto de Alexandra, abraçada a suas roupas. Seu olhar estava apático, preso a um ponto aleatório do quarto, divagando. Ela estava magra, com o rosto encovado. Alex estendeu a mão trêmula em sua direção, sentindo a vontade de chorar aumentar.

A porta do quarto onde Samantha estava foi aberta e Katherine entrou, carregando uma bandeja. Parecia abalada.

Ela iniciou um monólogo com Sammy, mas a garota simplesmente a ignorou. Continuou parada, olhando para o nada, abraçada as roupas de Alex.

— Ela não está comendo? – Alex sussurrou para o ruivo, sentindo a voz falhar. – Ela precisa- E-eu...

A porta se fechou com um estrondo.

Alexandra estava ali, prostrada, olhando para o chão perfeito da Sala do Trono. O ruivo manteve-se em silêncio, talvez respeitando sua dor, talvez dando-lhe tempo o suficiente para assimilar que estava, de fato, morta.

Então era isso. Ela não acordaria. Jamais acordaria daquele pesadelo.

Queria chorar. Queria tanto chorar. Mas nada além da comichão se fazia presente. Um nó apertava em sua garganta, sufocando-a, quase lhe roubando todo o ar.

Mas ela não morreria. De novo.

Alexandra Winter correu para a porta. Tentou abri-la, praguejou, gritou, gritou tanto que sentiu o gosto do sangue em sua garganta. Mas não sentiu dor nas cordas vocais. Não sentiu nada. Não sentia absolutamente nada.

— Eu quero sair daqui – ela caiu de joelhos, batendo a cabeça contra a madeira da porta. Não sentia nem mesmo cócegas. – Por favor, por favor, por favor.

— Eu tenho uma proposta a lhe fazer, como lhe disse – o ruivo sentou ao lado dela, os olhos perdidos entre os crânios. – Há duas opções, pode pensar antes de responder.

Alex não sabia como responder, nem se devia. Não queria decidir nada. Só queria estar em casa, com Sam... Viva – e isso soava tão estranho.

— Você pode dar fim a isso tudo. Absolutamente tudo. Não há um lugar para você no mundo dos mortos. Você não acredita em absolutamente nada, então não teremos um paraíso, ou inferno, ou nada do tipo para você. Portanto, Batman, você pode optar por simplesmente se desfazer – ele falava calmamente, como se estivesse recitando uma tabuada, não a coisa mais bizarra que Alexandra jamais ouvira. – Você se resumirá a nada, sem corpo, ou mente, ou existência nesse ou em qualquer plano. O fim.

— E se eu não quiser ser nada? – Winter puxou os joelhos para o peito, apoiando seu queixo ali, soluçando sem lágrimas.

— Você pode voltar.

Aquelas palavras foram simples, curtas e intensas. Alexandra ergueu rapidamente o rosto, arregalando os olhos claros na direção do homem ruivo ao seu lado, tremendo em antecipação, com ainda mais vontade de chorar.

— Voltar?

— Voltar.

— Como?

O ruivo ergueu-se, ajeitando suas vestes. Ele manteve o silêncio, apenas analisando-a.

— Eu sei como é ser preterido, Batman. Eu o fui por toda a eternidade – estendendo a mão para ela, o homem a ajudou a levantar. – Ninguém quis você. Absolutamente ninguém. Mas eu, sim. Você é tão jovem, Batman. Pode fazer as coisas funcionarem, finalmente.

— Fala sério? Eu posso- E-eu- Realmente-

O ruivo sorriu de lado, encaminhando-se para o Trono de Ferro, subindo os degraus, olhando-a lá do alto, entre as espadas e farpas.

— Você viu quanto sofrimento causou? Viu como tudo se despedaçou à sua ausência? – O ruivo suspirou. – Batman, eles se dizem benevolente, todos esses deuses. Mas tudo o que fazem é... Nada. Você sabe disso tão bem quanto eu.

— Sim. Eu sei. E-eu sei, eu só quero- Por favor, eu quero ir para casa.

— Você quer voltar, Batman?

— Eu faria qualquer coisa. O que você pedir. E-eu, e-eu posso, não sei, matar um bode! Posso beber o sangue de uma virgem, acender velas negras, e-

— Não sei de onde vocês tiram que gostamos disso – ele riu, espantando o assunto com um gesto. – Eu só quero lhe ajudar, Batman.

Alexandra o olhava. Estava aos pés do trono, fitando-o, com os olhos ardendo.

Ela sabia melhor que ninguém que coisas boas não vinham de graça. Sabia que não era digna de um presente dos céus, uma benevolenciazinha que fosse. Pecara demais em qualquer religião que fosse, mas estava ali, disposta a aceitar qualquer coisa para voltar.

Queria acreditar que aquilo daria certo. Que ela voltaria para Samantha e tudo não passaria de um horrível pesadelo.

Morte? Não. Não ainda.

— Eu só quero voltar. Quero ficar perto da minha irmã, não importa como.

O ruivo sorriu a chamou com um dedo.

As pernas da morena tremiam. Cada parte de seu corpo vibrava com a expectativa. Se aquilo fosse um sonho, estava prestes a despertar, e se não fosse, de qualquer forma acabaria ali.

Com o corpo num gingado instável, Alexandra Winter deu os primeiros passos nos degraus do Trono. Era imenso, realmente imenso, e parecia ainda maior quando suas pernas não respondiam a seus comandos.

Devagar ela venceu a batalha contra os degraus de ferro, cheio de farpas e pontas, e coisas cortantes que transformaram Aerys II no rei das escaras.

Seus olhos estavam fixos no ruivo que até então não se apresentara. Na figura estranha, nórdica, que insistia em chamá-la de “Batman” como se realmente estivesse levando aquilo a sério.

— Você vai voltar para casa, Batman – o ruivo pousou a mão sobre sua testa e tudo ao redor começou a desvanecer. – E vai ficar perto de sua irmãzinha.

A voz ficava mais distante. A sala desapareceu lentamente.

E eu não tirei nem uma selfie.

Notas finais
N. do A.: Sala do Trono citada é a Sala do Trono de Ferro, da série de livros As Crônicas de Gelo e fogo, e montada pela HBO, pra série de Game of Thrones. SIM, EU NÃO CONSIGO ME CONTER, ME JULGUE. Babi: Eu sei que tá meio confuso, mas eu disse que ela voltaria, cacete! Parem de me ameaçar e me beijem agora. Quero palpites sobre a figura ruiva e benevolente ¬u¬ Awn, estava com tanta saudade de vocês que já estava doendo. Obrigada por não nos abandonarem e por lerem mais um capítulo. Amamos vocês e estamos de volta, porra! *u* Toki: TAAN TAAN TAAAN!!! Quero ver as teorias rolarem soltas. Juro juradinho responder os reviews e pra quem quiser, agora temos um grupo no WhatsApp. Números (Babi: ou nudes) nos comentários ou por MP. Beijundas e até mais õ/