Notas iniciais
Hey little birds, primeira fic kkkkkkkk O nome do Capítulo é uma música da Rosi Golan, eu acho ela muito fofa, se quiserem ouvir a música enquanto leem, aqui vai o link: https://www.youtube.com/watch?v=d_0LMpycXFg

Estou no alto hoje à noite, e nem quero descer
Posso mentir para você durante todos os meus dias. Mas você é o único, você é o único
E sou uma boba por ter esperado tanto pra te falar.

***

O sanatório era frio e solitário. Em seu branco neve, deixava tudo tão triste e psicótico, como se aquele lugar não fosse feito para amparar e sim um lugar feito para esconder as “anomalias” como meu professor chamava as pessoas que ali moravam.

Sinceramente, quando escolhi fazer Psiquiatria, não imaginava, na verdade eu nunca quis acreditar que era e é sério, em como as pessoas sofriam, não só por causa da doença, mas também pelo abandono dos familiares, e como eram tratadas, como seres humanos defeituosos.

Fato: Pra mim, tudo o que faço ou vou fazer, vai ter uma consequência no futuro, sim eu sou meio neurótica, mas né...

— Alice, você tá bem? O médico esta falando com você a uns três minutos e você só fica encarando as paredes e provavelmente não prestou atenção – diz Gabriel ao meu lado.

— Oi? Ah, desculpe, mil perdões, pode repetir, por favor? – digo um pouco envergonhada.

— Bom, como eu estava dizendo... – era impressão minha ou esse médico-que- eu -não-sei-o-nome esta tentando ser sexy ou algo do tipo sedutor pra mim?

Outro fato: Eu me distraio muito rápido, e não é só por que eu sou completamente apaixonada pelo Gabriel, embora quando ele me olha, toca, abraça ou fala comigo, parece que eu entro num mundo maravilhoso, mas voltando a realidade, quando eu estou com medo isso se agrava e às vezes esqueço até quem eu sou. Isso é genético, então é normal, eu sou preciso tomar um remédio todos os dias para isso não se agravar mais, se bem que eu acho que eu esqueci de tomar hoje, ou será que eu tomei?

Sim, eu sou apaixonada pelo meu melhor amigo, OBRIGADA DEUS, sim sou muito trouxa por ele, mas obviamente eu não demonstro, nunca demonstre fraqueza a ninguém, isso pode ser usado contra você a qualquer momento e pela pessoa que você menos espera.

Minha mãe vive dizendo isso pra mim, depois que meu pai faleceu, ela demorou muito até se casar novamente e quando resolveu ser feliz, o pamonha (PAMONHA NÃO, EU AMO PAMONHA) o cara a traiu com sua melhor amiga, a quem ela depositava toda a sua confiança.

A arte da conquista nunca foi o meu forte, sim, na verdade eu sou a esquisita da turma, então eu não tenho muitos amigos, na verdade só um, até por que quem seria amiga de uma menina que passa o tempo todo com a cara enfiada em um livro ou comic e que de vez em quando (quase sempre) dorme na aula e acorda aos berros após um pesadelo? O ser tonto maligno do Gabriel, o que me surpreende ele ainda andar e falar comigo, tem louco pra tudo nesse mundo.

Estávamos lá para fazer uma pesquisa/ documentário/ projeto, para concluir os cursos. Lá eles deram uma porrada de endereços de sanatórios, todos eles eram vistos como exemplos de cura, saúde, frequentados pelas pessoas mais famosas que conhecemos, ou parentes das mesmas sem que a imprensa saiba.

Como eu já disse, vou me formar em Psiquiatria e Gabriel em Neurologia. Ele não precisava estar aqui se não fosse por uma leve rixa entre os nossos queridos filhos dos infernos professores. Bom, entre todos aqueles endereços que recebemos apenas eu e o ser maligno, por alguma ordem/ obra do destino, escolhemos o mesmo sanatório, O Orquídea.

O Orquídea um dia foi uma referência de uma “boa” clinica porém, com o decorrer do tempo, ele foi ficando esquecido e as pessoas, que ali moravam, também. Mas algo ali me chamava e pelo visto, também chamava o ser maligno.

— E é isso, alguma pergunta? – questiona o médico-que-eu-ainda-NÃO-sabia-o-nome olhando diretamente para mim.

— Sim, claro – digo e Gabriel segura a risada e revira os olhos, ele me conhecia como ninguém.

— Ótimo, me acompanhem.

O seguimos até um corredor. Branco como os outros. Me sinto presa. Nesse momento, um dos enfermeiros chama o médico e cochicha em seu ouvido, ele nos olha.

— Peço perdão, mas podem esperar um ou dois minutos? Houve um problema na ala três de extrema importância.

— Sem problemas, nós iremos esperar – diz Gabriel.

— Ótimo, não irei demorar – o médico diz saindo do corredor sendo seguido pelo enfermeiro.

Nós nos sentamos em umas cadeiras, brancas também, para esperar. Eu estava começando a ficar agoniada, odeio branco, locais brancos, é como se ele tentasse me ajudar, mas por dentro estivesse rindo de mim por algum motivo desconhecido.

Sinto um aperto em minha mão direita e vejo que é Gabriel que esta a segurando.

— Vai ser rápido, sei que não gosta de lugares assim, mas eu estou aqui – e ele sorri e eu relaxo no mesmo minuto, só pra variar.

— Obrigada Ser Maligno.

— Sou tão maligno que comi todo o chocolate que você tinha guardado e você nem percebeu – diz ele com um sorriso sapeca de criança que aprontou.

— Foi você? Faz jus de seu apelido, ser maligno. Por que eu ainda converso com você, hein?

— Pelo mesmo motivo de eu estar conversando com você pequena – Odeio quando ele me olha desse jeito, é como se quisesse me dizer algo, mas não conseguisse.

— Qual?

— Vingança. Sei que vai comer meu chocolate se eu der bobeira – ele diz e eu me estapeio mentalmente por ser boba ao pensar que ele sentia algo por mim – Você sabe quem vamos entrevistar?

— Nope.

— Como sempre, bom, a mulher a quem vamos entrevistar se chama Olivia, ela esta há tanto tempo aqui que ninguém sabe seu sobrenome, na verdade acho que nem ela mesma sabe, pouco se sabe sobre ela, ela não dá vazão a nada, nem uma pista de quem ela possa ser.

— Bom, Watson, é nosso dever descobrir – digo tentando ficar séria.

— Claro, Holmes, mesmo eu não tendo visto a bela atuação de Robert Downey Jr. em Sherlock Holmes e nem lido a bela obra de Sir Arthur Conan Doyle até o fim, acho que devemos resolver este enigma.

Começamos a rir tanto que não conseguíamos mais respirar, até que o médico retornou.

Nós o seguimos até a ala seis, onde os mais “lúcidos” ficavam. Alguns pacientes estavam jogando, ou conversando sozinhos, mas uma me chamou atenção: Ela estava no canto, quieta, cantando uma musiquinha, que eu não entendia muito bem, pois ela cantava em alemão, era uma música de ninar e enquanto ela cantava, sorria com olhos fechados como se mergulhasse numa lembrança boa, calma, feliz, mas o ritmo suave e calmo da música me dava uma sensação estranha, como se eu já tivesse cantado essa musica ou ensinado a ela.

— Dona Olívia – chama o médico – esses jovens querem conhecer você.

Ela parou, abriu os olhos, levantou a cabeça e me olhou, sorridente.

— Olá crianças...

Notas finais
Hey... espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Comentem, bom? ruim? ótimo? péssimo? Até o próximo capítulo, little birds