Devido ao impulso do tiro, o Doutor fora lançado para o interior da TARDIS. Os rapazes o seguiram sacando uma faca de prata, cada um deles, mas pararam assim que entraram.

– Isso é jeito de tratarem um velho amigo? Sammy, achei que você fosse mais paciente! Ah, acho que meu coração direito está fora de sincronia com o esquerdo.

– Mas que porra é essa? – Perguntou Dean surpreso.

– Doutor? – Gritou Amy, vindo de um dos corredores da TARDIS acompanhada de Rory. – O que aconteceu, ouvimos um barulho de tiro!

– É melhor vocês ficarem onde vocês estão! – Alertou Sam – Não queremos machucá-los, nosso assunto é com esse transmorfo aqui.

– Oh, eu entendo. Vocês ainda não sabem... então foi assim que aconteceu. Bem que a Donna me avisou que vocês deviam me dar spoilers.

– Do que você está falando seu maluco? – Falou Dean em voz alta, aquietando todos. – Do jeito que você fala... é como se... como se você nos conhecesse!

– Dean... acho que estamos nos precipitando. – Alertou Sam em voz baixa.

– Não Sam. Esse desgraçado é um transmorfo filho da mãe e vai morrer!

Dean levantou a faca de prata e foi até o timelord. Rory e Amy correram em direção ao Doutor. Dean percebendo os dois se aproximando, deu um tiro em Rory, que caiu como se fosse golpeado. Amy recuou para verificar o marido caído.

– Rory, você está bem?

– Estou, só está doendo à beça! Que tipos de balas são essas?

– Isso é apenas sal. Não é para matar, só pra derrubar e doer pra caramba! – Disse Sam sem tirar os olhos do Doutor.

Rory tentou se levantar, Dean atirou outra vez, mas desta vez errou o tiro. A TARDIS começou a chacoalhar e seu motor começou a funcionar.

Quem estivesse na pequena praça em Lawrence, veria uma cabine de polícia subir até as estrelas à uma velocidade atroz.

– Ótimo! Estamos decolando... – Disse o Doutor se levantando. – Como eu odeio esses tipos de encontros. Queria estar com a River agora. – O timelord foi até o painel da TARDIS, que após pressionar mais de um botão, fez com que a nave parasse. – Estamos em órbita. Meu coração voltou ao normal e Rory vai ficar bem. Agora, por onde vocês querem começar?

Dean e Sam ficaram perplexos. O transmorfo parecia estar falando sério e em seu rosto não era exatamente alegria que poderia ser visto. Dean engoliu em seco então Sam começou o interrogatório.

– Quem são vocês?

– Ah, perguntar primeiro e atirar depois. Vocês deveriam tentar isso com mais freqüência... Somos viajantes do tempo.

– Viajantes do tempo? Isso é impossível, esse tipo de coisa não...

– Eu sou um timelord. Vim de outro planeta, não sou humano... Bom, pelo menos uma parte não. Essa é a minha nave e se chama TARDIS. (Time And Relative Dimension In Space). Dean acabou de fazê-la decolar o que significa que ele vai vomitar a qualquer instante.

O Doutor olhou no pulso como se tivesse um relógio ali e então Dean virou-se para o lado vomitando.

– Ele sempre teve medo de voar. – Agora o Doutor finalmente conseguia sorrir.

– Doutor – Amy e Rory estavam se aproximando – Você conhece esses imbecis?

– Amy, apesar de serem desmiolados são meus amigos.

Os irmãos Winchesters fizeram uma careta como se tivessem sido seriamente xingados.

– Que papo é esse?

– Viagem no tempo, Sam. O maluco conheceu a gente no passado pelo que parece.

– Isso tudo é loucura.

– Ponds, porque vocês não explicam aos meus amigos Winchesters quem nós somos e essas coisas... Preciso tirar a gente de órbita temporal porque alguém atirou na minha nave.

– Ele sempre deixa o trabalho pesado pra gente. – Resmungou Amy.

– Oi, sou Dean Winchester. Acho que não fomos devidamente apresentados. – Falou Dean estendendo a mão para Amy e abrindo um largo sorriso no rosto.

Sam e Rory pigarrearam no mesmo instante.

– Eu vi primeiro, Sam.

– Oi, eu sou Sam Winchester. Me desculpem pelas atitudes impensadas do meu irmão.

– É, pude ver que são realmente impensadas. De qualquer jeito, eu sou Amy e esse aqui é Rory.

– Eu sou marido dela! – Disse Rory lançando um olhar severo à Dean.

– Ninguém merece. – Resmungou Dean.

– O que você disse? Ele disse “ninguém merece”?

– Não, Rory você está imaginando coisas.

– Não, eu ouvi ele dizendo “ninguém merece” como se nós estivéssemos indo atrás deles com uma arma e uma faca.

– Rory, para. Eles são amigos do Doutor.

– É... como que isso funciona? – Perguntou Dean curioso à respeito da TARDIS.

– Ela é maior por dentro. – Disse Amy – Viaja pelo tempo e pelo espaço.

– Isso significa que podemos ir para qualquer data em qualquer lugar?

– Exatamente. – Amy sorriu

– E o Doutor...

– Como ele disse, ele não é daqui. O nome do planeta dele é Gallifrey. Eu e Rory viajamos com ele.

– Então ele não é um transmorfo?

– Transmorfo?

– É uma criatura que muda de forma – Explicou Rory

– Rory, eu sei o que é um transmorfo! Não precisa me explicar o que é um transmorfo porque eu...

– É! Eu sou um transmorfo.

– Se ele vai explicar pra que mandar a gente explicar? – Resmungou Amy, indignada.

O Doutor estava pendurado no que parecia um balaço preto cujas amarras saíam do teto da nave, sabe-se Deus de onde ele havia tirado aquilo.

– Quando estou para morrer meu corpo muda. Eu me regenero. Na primeira vez que vi vocês eu estava com um rosto diferente e vocês já me conheciam. Vocês estavam caçando e precisavam de ajuda então vieram até mim. Aliás, porque roubar a bomba?

– Bomba? – Perguntou Dean.

– A caixa Atlântica.

– A caixa prateada? – Dean tirou do bolso uma pequena caixa de metal com escritas em gallifreyan. – Essa aqui?

– Sim. Como você sabia que eu iria até você?

– Antes de minha mãe morrer, eu costumava brincar pela cidade. Ela ficava doida atrás de mim algumas vezes. Uma vez eu estava brincando de esconder objetos com alguns amigos e achei essa caixa enterrada naquela praça. Quando pesquisei sobre você e achei algo sobre o relógio atômico que você roubou, vi um tipo de escrita parecida no cordão que você estava usando naquele dia, então deduzi que tivesse alguma ligação com você e tive esperanças de que você viria atrás assim que soubesse do roubo da caixa. – Dean sorriu para seu irmão. Apesar de estar cheio de falhas o plano de Dean dera certo, mas o Doutor não parecia ser o que pensavam que era, o que significava que a caçada estava cancelada. – Espera, você disse que isso aqui é uma bomba?

– Sim, mas está desarmada. – O Doutor levantou a chave de fenda sônica para o teto da nave e o que o mantinha no ar, o desceu. O timelord sorriu ao ouvir Dean exclamando “legal” com os olhos cheios de brilho para a nave e para a ferramenta que acabara de usar. – Eu posso te dar algumas respostas, mas não agora. Ainda não terminei de arrumar a TARDIS e acho melhor levar vocês para casa.

– Não temos casa, Doutor. – Disse Sam um pouco triste.

– Eu quis dizer Terra.

O teto da TARDIS soltou faíscas e o Doutor caiu sentado no chão. A nave saíra de órbita e parecia ter ficado louca. Mexia-se de um modo descontrolavel e a sensação era de que estavam caindo.

– O que aconteceu? – Perguntou Dean com o pouco de ar que lhe restara, ainda se segurando na primeira coisa que viu: o pé de seu irmão.

– Estamos viajando – Gritou o Doutor, pendurado no painel da nave.

– Acho que estamos caindo. – Gritou Sam em desespero.

– Doutor! – Gritava Amy, agarrada em Rory.

E então o barulho mais ensurdecedor que jamais haviam escutado antes acabara de ecoar pela nave. Eles definitivamente tinham caído.

Quando todos conseguiram se recuperar, o Doutor visualizou na tela da TARDIS uma pequena cidadezinha com construções de madeira e uma enorme placa na frente escrito “Mercy”. Era de noite e ventava muito. Próximo à sombra de uma construção não muito alta, o Doutor pensou ter visto um pano voando.

– O que estamos fazendo aqui de novo?

– Onde estamos Doutor?

– Estamos em Mercy... De novo.

– Aquela cidade de novo? – Perguntou Amy

– Ah, que ótimo!

– Do que vocês estão falando? – Perguntou Sam confuso.

– Já ouviram falar do velho oeste?

O Doutor e Dean sorriram.

Os cinco saíram da TARDIS que não ficou muito longe da entrada e pararam para lerem as sete placas de “mantenha distância”.

– Onde está o andróide? – Perguntou Amy, um pouco receosa. – E porque exatamente estamos aqui?

– É, concordo com a moça bonita ali. Porque estamos aqui? Você não ia nos levar pra Terra?

– Vocês estão na Terra. Só o tempo que é diferente. Não devemos estar muito longe de Lawrence.

– Podemos entrar? Tentar descobrir porque a... hm... TARDIS... nos trouxe aqui?

– Ah, Sammy... Confesso que às vezes sinto falta de pessoas assim. – Falou o Doutor olhando para Dean.

– É, só não me chame de Sammy. Eu nem te conheço direito. – Dean abriu um largo sorriso e Amy o acompanhou.

– Isso vai ser complicado.

O Doutor avançou em direção à cidade, mas das sombras apareceu um familiar andróide errando o tiro de propósito.

– Olá de novo. – Disse o Doutor com uma feição não muito agradável.

Notas finais
Capítulo 4 em andamento...